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Tempos de Peste leva o público a refletir sobre a história como cíclica e marca os 26 anos da TV OVO

No dia 12 de maio comemoramos os 26 anos da TV OVO com o lançamento do documentário Tempos de Peste (2022, 17’45”). A celebração ocorreu com a presença de mais de 130 pessoas que compareceram ao Theatro Treze de Maio para prestigiar o lançamento que integrou a  programação do Livro Livre, da 49ª Feira do Livro de Santa Maria. 

Integrantes da nossa ninhada. Foto: TV OVO

Antes da exibição, Alexsandro Pedrollo, que responde como coordenador geral da TV OVO,  relembrou, em sua fala, o nascimento dessa iniciativa que contribui para a formação audiovisual de jovens. “E é aí que, na minha opinião, fica completa a formação da Oficina de Vídeo – TV OVO, quando decidimos continuar, isto é, a continuar a aprender e a ensinar outros jovens (…) pois quem participa da TV OVO é transformado e também transforma, e a espiral segue”, avalia Pedrollo.

O Sobrado Centro Cultural também foi citado em agradecimento aos parceiros e apoiadores, lembrando que o sonho se tornou um projeto que hoje está iniciando sua primeira fase de obras. Na sequência, todos os integrantes da TV OVO foram chamados ao palco para cantar parabéns para essa iniciativa que desde 1996 interliga o audiovisual à memória, comunicação, cultura e projetos sociais.

Assim que as luzes do teatro se apagaram e a exibição de Tempos de Peste iniciou, foi possível notar o olhar atento daqueles que acompanhavam diante de si dois momentos vividos por Santa Maria, distintos entre suas épocas, mas que carregavam a mesma essência: crises sanitárias que marcaram para sempre a história de diversos santa-marienses. Em seus quase 18 minutos de exibição, o documentário, com direção de Marcos Borba, apresentou a história como cíclica, explorando a peste bubônica de 1912 e a atual pandemia de Covid-19, eventos marcados pela descrença e desigualdade.

Maria Claudete Ribeiro Xavier, agente de saúde e personagem social do documentário. Foto: Heitor Leal

Tempos de Peste traz a personagem social Maria Claudete Ribeiro, agente de saúde que, com o olhar de quem foi fundamental para o combate desde o início da pandemia de coronavírus, acompanha as mais diferentes formas pelas quais as pessoas foram afetadas pelo vírus. “Naquele momento eu decidi externar um pouco do que eu estava vivendo. Precisava passar para as pessoas (através do documentário) o que estava se passando. As pessoas precisam ter o mínimo de noção do que as pessoas estavam vivenciando dentro de casa, nas suas famílias”, comentou Maria Claudete após a exibição. A agente de saúde também levantou um alerta sobre o efeito da pandemia à saúde mental. “Diante da situação eu até imaginei que as pessoas ficariam realmente doentes. Porque eu tive esse abalo mental. Mas eu não tinha dimensão (do impacto). Vendo o documentário eu já comecei a pensar em uma maneira de fazer um levantamento de como está a situação hoje das pessoas, pós pandemia”, desabafa.

Após a exibição o público foi convidado a trazer suas reflexões e perspectivas a respeito do que acabara de assistir. Em mais de 40 minutos de conversa, muitas pessoas comentaram sobre o olhar em relação ao outro que o documentário traz, apresentando uma vivência comum a todos desde 2020 e, ao mesmo tempo, tão diferente em suas realidades.  “Quando realizamos um documentário esperamos o momento de exibi-lo para o público. É a parte que mais dá frio na barriga, pois nunca sabemos qual será a reação das pessoas que estão assistindo. Foi gratificante perceber que ele gerou debate sobre a forma como a sociedade trabalha com as questões sociais e de saúde na pandemia, isso me deixa muito feliz como diretor do Tempos de Peste. Cada filme que fazemos é para isso, para ir para o mundo e gerar reflexão”, comemora Marcos Borba.

Glaíse Palma, professora do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana, elogiou a proposta do documentário em desenvolver uma narrativa mesclando dois momentos históricos da cidade. “O que vimos foi uma narrativa humanizada contada com uma riqueza sonora, textual e imagética que nos prende do início ao fim. Foi impactante saber da peste bubônica em Santa Maria, assim como nos fez refletir sobre as consequências da Covid-19 para além do vírus. Achei um audiovisual de muita sensibilidade e também relevante para construção/registro da nossa história. O que não se registra, se apaga e cria-se a ilusão de nunca ter acontecido”, enfatiza ela.

Momento de debate com os espectadores. Na foto, a jornalista Marilice Daronco. Foto: Heitor Leal

Para a jornalista Marilice Daronco, a forma como as duas épocas se encontram e dialogam durante o filme foi o que mais a tocou. “Eu cheguei a ficar presa na abertura. A própria forma de fazer a profusão de imagens de jornais, das duas épocas, já mexe muito com a gente. Tem uma cena em especial que tem uma transição de épocas tão forte, são transições de memórias tão diferentes mas que também se encontram”, aponta Marilice.

O documentário Tempos de Peste tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC/SM) e faz parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade 2021.

Tempos de Peste (Sinopse)

Os tempos de peste rondam a história da humanidade. A espiral histórica prova que um século não é capaz de transformar a sociedade. Descrença, intolerância e desigualdades estão presentes no surto de peste bubônica que ocorreu em Santa Maria na década de 1910 e na pandemia do novo coronavírus que surge em 2020.

Por Nathália Arantes

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