Da coletividade às políticas culturais: o audiovisual em destaque na 6ª Teia Nacional

Em um país onde a cultura pulsa em diferentes sotaques, territórios e formas de existir, reunir tantos agentes culturais em um mesmo espaço é também reafirmar um compromisso coletivo com a memória, a democracia e o futuro. A 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, que ocorreu entre os dias 19 e 24 de maio de 2026, no município de Aracruz (ES), se consolidou como esse grande encontro de vozes, trajetórias e construções compartilhadas – um espaço onde distintas percepções e debates caminharam lado a lado.

Durante a programação, foi realizada a eleição para o CNPdC – Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, órgão responsável por acompanhar, fiscalizar e contribuir na formulação das diretrizes que guiam o Sistema Nacional de Cultura. Dentro desse movimento, o Grupo de Trabalho de Audiovisual reuniu representantes de diferentes territórios para discutir os caminhos do cinema comunitário, das mídias populares e das produções independentes no país.

Como resultado dos encontros e debates, foi definida a nova Comissão do Audiovisual, composta de forma paritária por cinco mulheres e cinco homens, que contemplam dez estados brasileiros — do Rio Grande do Sul ao Amazonas. Entre os nomes escolhidos está Paulo Tavares, representante da TV OVO, o que reforça a presença do audiovisual produzido no interior e conectado às experiências da comunicação comunitária.

Também passam a integrar a comissão: Filipe Gonçalves de Assis (RJ), Marco Antônio Gomes (DF), Dário Francisco de Oliveira Júnior (AL), Ivanildo Ferreira de Oliveira (PA), Cátia Sirlene Gonçalves Hahn (SC), Patrícia Lessa R. Alves (MG), Hadassah Luz Nogueira (MT), Carla Rafaela Monteiro (PE) e Michelle Barbosa Andrews (AM).

A nova composição da comissão fortalece pautas fundamentais para o setor, como a descentralização de recursos, a criação de circuitos públicos de exibição em Pontos de Cultura e a ampliação da formação técnica para novos realizadores, especialmente para produções indígenas, quilombolas, periféricas e do interior do país.

“Posso dizer que a VI Teia e o V Fórum Nacional de Pontos de Cultura foram ímpares para a troca e o fortalecimento da diversidade cultural brasileira. Foram momentos fortes e enriquecedores de encontros, intercâmbio, proposição e compromisso. Entre eles, destaco os encontros no Grupo Temático do Audiovisual, onde fortalecemos nossos laços e nossa identidade comunitária de produzir cinema.Aliás, afirmo que iremos voltar para nossos pontos com mais gás e vontade de continuar contando as histórias de nossos territórios. Nosso desafio ainda é grande, mas creio que este seja um momento propício para uma articulação organizada e colaborativa em prol dos avanços da Rede Nacional dos Pontos de Cultura do Audiovisual ", destaca Paulo.

Mais do que eleger representantes, a Teia Nacional reafirmou o audiovisual como campo de memória, identidade e transformação social, assim como o cinema nacional: construído por muitas mãos, muitos sotaques e diferentes formas de enxergar o país.

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