Na segunda-feira, dia 19 de outubro, ocorreu o lançamento do curta-metragem “João e o Rio” no Cineclube da Boca, localizado no prédio 67 da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Dirigido por Neli Mombelli, o documentário acompanha o pesquisador e arqueólogo João Heitor Silva Macedo pelo território de Três Barras, em Santa Maria (RS).
Produzido pela TV OVO, o curta-metragem parte das marcas deixadas pelas enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul para refletir sobre a relação entre sociedade e natureza. A partir das memórias, vivências e transformações da paisagem de Três Barras, o filme propõe um olhar sobre os impactos da ação humana no território e os desafios impostos pela crise climática.
Com uma longa trajetória de vivência e pesquisa junto ao território de Três Barras, João Heitor ressalta a importância do audiovisual como ferramenta para ampliar o alcance das reflexões sobre a relação entre sociedade e natureza. Nesse sentido, destaca o papel de espaços como o Cineclube da Boca na aproximação dessas discussões com diferentes públicos.
“O debate que estamos nos propondo é necessário, urgente e foi muito tempo silenciado. Já estamos atrasados nesse debate, a crise climática já nos atingiu. Trazer isso para o audiovisual e para um espaço como esse é dar continuidade a algumas falas e reflexões acadêmicas, mas também levar o tema a uma comunidade mais ampla e provocar mais pessoas a refletir. Entendemos que a circulação desse vídeo, a partir de agora, é um provocador de debates”, explica.
A reflexão proposta pelo documentário também dialoga com a preocupação de moradores sobre a recuperação das áreas afetadas pelas enchentes. Fausto Pereira, morador do distrito de São Marcos, defende a mobilização coletiva para enfrentar os impactos ambientais na região e preservar o território para as futuras gerações.
“A natureza está nos dando um aviso, mas não estamos interpretando. A ganância e o desmatamento são coisas que a natureza está cobrando a um preço alto. Eu tenho duas filhas e não posso ficar parado. Acredito que a recuperação de Três Barras é possível, mesmo que leve muito tempo. Vamos insistir, colaborar no que for preciso e correr atrás”, afirma.
A forma como o documentário aborda as enchentes e as transformações da paisagem chamou a atenção de Eduarda Amorim, acadêmica do terceiro semestre de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN), que acompanhou o lançamento. “A maneira como o tema das enchentes foi tratado foi certeira, com um olhar sensível e consciente. O que mais me chamou a atenção foram as filmagens que mostravam como o rio mudava com o passar dos anos, ficando cada vez mais deteriorado”, relata.
A dimensão política das questões ambientais também chamou a atenção da acadêmica de Jornalismo da UFN, Michélli Silveira, que ressalta a importância de ampliar o debate sobre as responsabilidades envolvidas na crise climática. “O curta-metragem fala sobre um tema extremamente necessário e, de certa forma, político, ainda mais se levarmos em consideração que parte das consequências não acontece só por nossas escolhas diárias, mas também pela escolha dos nossos governantes. O Rio Grande do Sul viveu momentos de muita tragédia, e ver que há um otimismo de revertermos a situação é acolhedor”, pontua.
Mais do que registrar as transformações de um território, “João e o Rio” busca provocar reflexões que ultrapassem a tela. Ao reunir diferentes perspectivas sobre os impactos da crise climática, o documentário reafirma a potência do audiovisual como espaço de memória, diálogo e mobilização coletiva, contribuindo para que essas discussões alcancem novos públicos e sigam presentes nas comunidades.
Matéria por: Isaac Brum (Estagiário/TV OVO)


