O ano de 1972, Maxwell McCombs e Donald Shaw publicavam o primeiro artigo que propunha a Teoria do Agendamento. Entende-se por Agenda Setting, no inglês, o poder que os grandes veículos têm de pautar a discussão pública a partir do processo de produção do conteúdo noticioso. Ou seja, desde a seleção dos assuntos considerados mais importantes, que irão ser publicados ou abordados na programação, bem como o foco que será dado, influenciando a forma do discurso e espaço ou tempo reservado para isso, tudo é pensado e influencia as discussões públicas.
A relação entre as mídias de massa e a sociedade organizada é, desde então, uma questão muito debatida pelos teóricos da Comunicação. Seria o agendamento que funciona unilateralmente ou seria a grande mídia influenciada a corresponder às demandas da sociedade? Agendamento e opinião pública se pautariam em uma mesma escala?
Diante de uma nova revolução nos meios de comunicação com o surgimento da internet e da ressignificação dos espaços, o saber-fazer jornalístico também não escapou de ser amplamente afetado. Ocorre, a partir daí, uma maior democratização dos meios no ambiente virtual, abrindo caminho para o crescimento de veículos independentes, para uma maior representatividade de viéses distintos e para a descentralização da apuração noticiosa. Contudo, teria esse fenômeno atribuído horizontalidade ao debate público, no que tange a sua independência das mídias de massa? E o agendamento da imprensa mudou com as redes sociais? Mas, afinal, qual o papel e o poder dessas novas plataformas em relação à imprensa tradicional?
Esses questionamentos serão debatidos pelos jornalistas Moisés Mendes, ex-colunista da Zero Hora, Francisco Karam, doutor, professor de Jornalismo na UFSC e especialista em ética jornalística, e Lúcio Flávio Pinto, jornalista independente e fundador do Jornal Pessoal, com mediação de Marcelo Canellas, repórter especial do Fantástico. Na pauta do colóquio estará Novas plataformas, debate público e agendamento na era da internet.
A conversa faz parte das comemorações do aniversário de 20 anos da TV OVO e do centenário do Sobrado Centro Cultural, por isso chama-se Colóquio 100/20: jornalismo na era da internet. A discussão ocorre no dia 12 de maio, às 16h, no Theatro Treze de Maio. Senhas poderão ser retiradas pelos acadêmicos junto aos cursos de jornalismo e para o público em geral na portaria do Theatro. Às 19h, ocorre outro bate-papo sobre Novas plataformas, investigação e grande reportagem na era da internet. O colóquio é uma realização da TV OVO em parceria com o curso de Jornalismo da Unifra e com o programa de pós-graduação em Comunicação da UFSM.
Por Matheus Oliveira