Em 2025, o projeto Olhares da Comunidade, realizado pela TV OVO, realizou oficinas de formação audiovisual em duas instituições de ensino de Santa Maria: a Escola Básica Estadual Érico Veríssimo e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Adelmo Simas Genro.
Na Escola Érico Veríssimo, as atividades tiveram início em 26 de setembro e marcaram um momento importante na trajetória do projeto. Pela primeira vez, o Olhares da Comunidade trabalhou com uma turma do Ensino Médio, ampliando as possibilidades de trocas e experimentações a partir das experiências e dos repertórios dos estudantes.
Durante os encontros, os participantes exploraram diferentes etapas da produção audiovisual, desde a construção das narrativas até a captação de imagens e sons. O processo resultou em dois curtas-metragens: “Fofoca”, uma ficção sobre os impactos dos boatos no cotidiano escolar, e “Entre Tempos”, documentário que aborda as experiências dos estudantes com o ensino em tempo integral.
A escolha pela ficção em “Fofoca” partiu de situações presentes no ambiente escolar. Para Laura Nascimento Moreira Dornelles, uma das participantes da produção, o filme busca provocar reflexões sobre as consequências da circulação de informações sem a compreensão dos fatos. “As escolas são bem de espalhar fofocas, então a gente teve um foco de fofoca”, explicou. Segundo ela, a narrativa também convida o público a desenvolver empatia e refletir antes de agir.
Já em “Entre Tempos”, a escolha do tema surgiu da própria rotina dos estudantes. Mikaelly da Silva Fener destacou a importância de apresentar a realidade de quem vivencia o ensino integral. “Porque quem tá olhando de fora acha que é realmente tudo bom, entendeu? Mas quem realmente tá vivendo ali sabe que é uma coisa totalmente diferente”, relatou. Para ela, o documentário também permite discutir a necessidade de estrutura e organização para garantir uma educação de qualidade.
Na EMEF Adelmo Simas Genro, as oficinas começaram em 24 de novembro e resultaram na produção de dois documentários. “Nos Arredores da Caixa D’Água” reúne relatos de três moradoras da comunidade Monte Betel sobre os desafios enfrentados na busca por melhores condições de moradia. Já “Não Tem Graça” aborda o bullying e seus impactos no ambiente escolar.
Uma das participantes de “Nos Arredores da Caixa D’Água”, Aline Emanuelle Gonçalves Vieira, de 14 anos, destacou a importância de dar visibilidade às reivindicações dos moradores da comunidade Monte Betel. “É bem impactante, porque esses problemas já deviam ter sido solucionados, porque foram feitas várias promessas e nunca foram cumpridas”, afirmou.
Ao refletir sobre a continuidade das mobilizações comunitárias, Aline também ressaltou o papel das novas gerações. “As pessoas jovens são o olhar do futuro. Então, a gente também tem que tomar decisões que possam mudar no futuro”, defendeu. Para ela, a exibição do documentário representa uma oportunidade de ampliar o conhecimento sobre a realidade da comunidade e conquistar apoio para suas reivindicações. “Porque a gente não precisa só da comunidade, a gente precisa de todos”, acrescentou.
No documentário “Não Tem Graça”, Marina Rocha de Freitas destacou a importância de discutir o respeito às diferenças. “É importante a gente ter respeito, respeitar um ao outro, a diversidade, porque cada um tem um jeito de ser”, afirmou. A estudante também ressaltou os conhecimentos adquiridos durante as oficinas, especialmente sobre enquadramentos, planos e técnicas de gravação.
Olhares em Projeção
O encerramento das atividades é marcado pelo Olhares em Projeção, evento que reúne estudantes, professores, familiares e a comunidade escolar para a exibição dos curtas produzidos durante as oficinas e a entrega dos certificados de participação.
Na Escola Érico Veríssimo, a atividade ocorreu em 19 de novembro, com a apresentação de “Fofoca” e “Entre Tempos”. Já na EMEF Adelmo Simas Genro, o encontro foi realizado em 17 de dezembro, com a exibição de “Nos Arredores da Caixa D’Água” e “Não Tem Graça”.
A edição de 2025 reafirmou a proposta do Olhares da Comunidade de aproximar os jovens da linguagem audiovisual, estimulando a criação coletiva e a produção de narrativas sobre suas próprias realidades.
O projeto Olhares da Comunidade 2025 contou com incentivo cultural da Unimed Santa Maria e financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC/SM).
Abaixo você confere as produções na íntegra:
Texto e fotos: Nathália Arantes (TV OVO).


