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Próximo colóquio, Identidades no Audiovisual, será dia 21/11


Se você acompanha nossos debates a respeito de audiovisual com convidados de fora, anota mais um na agenda. E se não está por dentro, talvez você se interesse por esse. Dia 21 de novembro, quinta-feira, vamos trazer a documentarista, roteirista e diretora Marcia Paraiso para debater Identidades no Audiovisual, pelo projeto Narrativas em Movimento, financiado pela LIC/SM.

O encontro será na Cesma, às 20h. Antes, às 18h, exibiremos o filme Lua em Sagitário (2016), dirigido por Marcia. O longa conta a história de Ana, uma jovem de 17 anos que vive em uma cidade fronteiriça entre o Brasil e a Argentina. Seu único refúgio é visitar a lanhouse conhecida como “A Caverna”. É lá que, certo dia, conhece Murilo. Começa então um amor proibido que a faz fugir na aventura de cruzar o estado de moto para participar de um festival musical.  Lua em Sagitário aborda preconceitos e luta de classe a partir da perspectiva juvenil.

Ainda, para completar a discussão, o Cineclube da Boca irá exibir outros dois filmes de Marcia nos dias 07 e 17, no prédio 67 da UFSM.

Terra cabocla (2015)

Passados cem anos de uma guerra de extermínio da população tradicional da região do Planalto Catarinense – a Guerra do Contestado – a beleza, a intensidade e a fé que se traduz na força de resistência cultural do povo Caboclo, o representante original da população de Santa Catarina. Uma história real que não vai além dos 2 parágrafos nos livros didáticos e que continua e permanece silenciada passado um século de genocídio.

A Maravilha do Século (2019)

O filme percorre os caminhos do italiano João Maria de Agostini, monge também conhecido por São João Maria, que passou por Santa Maria e que peregrinou pelas Américas pregando mensagens de religiosidade, respeito ao meio ambiente e luta pela terra.

Sobre Marcia Paraiso

É documentarista, roteirista e diretora, atuando há 25 anos no audiovisual. Sócia fundadora da produtora Plural Filmes, dirigiu e roteirizou o longa de ficção Lua em Sagitário – vencedor do premio Ibermedia e realizado em coprodução com a Argentina. Co-dirigiu a série “Submerso”- inédita, com previsão de estreia em novembro na Paramount Channel (13 episódios, 1 hora) – também uma coprodução com a Argentina, e os longas documentários Terra Cabocla (2015 ), A maravilha do século (2019) e Sobre sonhos e liberdade (em finalização – uma coprodução com Portugal). Foi também diretora das séries Invenções da Alma – duas temporadas (Canal Arte 1) e Visceral Brasil, as veias abertas da música – duas temporadas (TVs públicas e Canal Curta). Mãe de Joana e Maria, vive há 17 anos em Florianópolis, Santa Catarina.


Acompanhe o SMVC e vote em nossas produções no júri popular


O Santa Maria Vídeo e Cinema, SMVC, começa nesta terça, 29, e segue até o próximo domingo, 02/11, com uma programação cheia de histórias para refletir sobre nossa sociedade e debater. O tema do festival é Cinema para todas, para enfatizar o papel da mulher no campo cinematográfico. As mostras competitivas ocorrem na Praça Saldanha Marinho, a partir das 19h. E se chover, não se acanhe!

Quatro de nossas produções concorrem ao troféu Vento Norte. Na mostra nacional concorrem Existência, com direção de Paulo Tavares, e Feminino Substantivo, com direção de Neli Mombelli. Na mostra local, além dos dois anteriores, concorrem Flipando Ideias, que foi premiado no Cinest deste ano, e M, dois vídeos resultantes de oficinas em escolas públicas do município com apoio da lei de incentivo à cultura.

Além disso, na quarta 30, o documentário Depois Daquele Dia, de Luciane Treulieb e realização da TV OVO, será exibido às 16h seguido de debate. O filme reflete sobre os impactos e aprendizados que a tragédia da Kiss trouxe para Luciane, irmã de vítima, e para Santa Maria.

Então, se você curte o cenário audiovisual e está sempre em busca por aumentar seu repertório, ou simplesmente quer curtir alguns produtos audiovisuais, essa programação é perfeita!

 

Confere aí:

Terça-feira, 29/10

Centro de Convenções da UFSM, 19h

Abertura do festival e a exibição do longa-metragem “Legalidade”, de Zeca Brito, seguido de debate.

 

Quarta-feira, 30/10,

Cesma, 13h – oficina ministrada pelo diretor do filme Yoñlu, Hique Montanari.

Praça Saldanha Marinho, 16h

Depois daquele dia, de Luciane Treulieb e

18h Sinprosm: 30 anos.

19h Mostra competitiva de curtas-metragens, entre eles Flipando Ideias e Existência

 

Quinta-feira, 31/10,

Praça Saldanha Marinho, 14h

Cine Caramelo – Peixonauta – O filme.

16h, Manhã Transfigurada, de Sérgio Assis Brasil.  Sessão comemorativa dos 10 anos de lançamento do primeiro longa santa-mariense.

19h, Mostra competitiva de curtas-metragens, entre eles M.

 

Sexta-feira, 01/11,

Praça Saldanha Marinho, 14h

Cine Caramelo – Peixonauta – O filme.

16h, Substantivo Feminino, Daniela Sallet e Juan Zapata

19h, Mostra competitiva de curtas-metragens, entre eles nosso documentário Feminino Substantivo

 

Sábado, 02/11,

Sedufsm, 14h

Esclerosada não é a vó, de Erenice de Oliveira, Marcia Denardin e Luiz Roberto Cassol

Alexandra, de Luiz Roberto Cassol.

Salão Bianco Nero, 19h

Cerimônia de premiação do SMVC

 

Domingo, 03/11

Brique da Vila Belga, 18h

Exibição dos filmes vencedores do 13ª SMVC.

Se quiser saber mais sobre a programação ou sobre as produções que serão exibidas, acesse o o site do SMVC, pelo Facebook ou Instagram do festival.

 

Por Lívia Maria


Documentário de estudantes da escola Winderlich ganha Melhor Direção no Cinest


No dia 18 de outubro, o auditório da Cesma recebeu estudantes de diversas partes do Estado para acompanhar a premiação dos filmes selecionados pelo Festival Internacional de Cinema Estudantil, o Cinest 2019. O documentário Flipando Ideias, produzido pelos estudantes do 8ª ano da escola Reverendo Alfredo Winderlich na oficina de audiovisual que realizamos em maio, ganhou o prêmio de Melhor Direção. Para receber o troféu, os estudantes Luis Augusto Pinheiro, 15 anos, e Nathália Neske, 15 anos, subiram ao palco representando seus colegas.

Luis, que também é personagem do filme, não esconde o orgulho de receber o prêmio. “Foi muito bom ter o trabalho reconhecido, ver que o que eu e o Vitor dissemos não era besteira. A gente não tinha conhecimento do Cinest e ficamos muito surpresos e felizes apenas por participar. E ganhar uma das categorias foi um susto na hora! Muito feliz de ter realizado esse vídeo com meus amigos e o pessoal da TV OVO. Receber um prêmio por isso é muito gratificante!”, comenta Luis.

Já Nathália, que fez parte da captação de imagens do documentário, disse que sentiu um misto de nervoso e ansiedade e que ficou muito feliz ao descobrir que estavam concorrendo a premiação. “Nossa, foi um choque porque quando eu vi que eles tinha chamado um filme ganhador, que era da Itália, eu perdi todas as esperanças e desanimei, mas mesmo assim fiquei até o final. Logo depois nos chamaram e comecei a tremer e suar frio, mas fiquei muito feliz” revelou Nathália.

No documentário, dois jovens amigos skatistas falam sobre a forma que são vistos pelo resto do mundo e como isso impacta suas vidas. O vídeo foi desenvolvido durante a oficina Olhares da Comunidade 2019, financiada pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC/SM). Após essa experiência, Luís comenta:

“- A visão que eu tinha sobre o audiovisual em Santa Maria e sobre o audiovisual como um todo mudou. Pude ver o tamanho disso tudo dentro daquela sala, as pessoas vibrando com as vitórias, outras abaladas com a derrota, gente vindo de longe, contando relatos de produção e tudo mais”.  E Nathália completa “Agora tenho muito mais amor pelo audiovisual e muito mais o que agradecer a TV OVO por ter permitido realizar esse sonho e por ter feito nós acreditarmos mais em nós mesmos. Eu mesma já estava com um pé no audiovisual, mas agora tenho ainda mais vontade de continuar tentando. E logo mais tem outro festival [referindo-se ao SMVC] e, nossa, se a gente ganhar de novo irei ficar muito mais feliz e confiante com a profissão”

Por Lívia Maria


13 audiovisuais representam a TV OVO em festivais santa-marienses


Frame do documentário Feminino Substantivo, que concorre na mostra local e nacional do SMVC, junto com o plano-sequência de ficção Existência.

A segunda quinzena de outubro traz muito cinema para Santa Maria e praticamente todas as nossas produções deste ano foram selecionadas para a programação do festivais que irão movimentar a cidade. Ao todo, são 13 produções concorrendo.

O Festival Internacional de Cinema Estudantil – Cinest  inicia  hoje e segue até 18 de outubro com mostras, seminários e oficinas. Na mostra ensino fundamental do 5º ao 9º ano, 11 vídeos resultados de oficinas em três escolas públicas da cidade foram selecionados. São eles: Flipando Ideias, Rua Felicidade, M, Mundo Inverso, Os Outros Somos Nós, Renascença, Ser Adolescente; Ser, Estar, Resistir; Vida no Campo – Maycon, Vida no Campo: Domador de Cavalos e Vida no Campo: Guasqueiros. Os vídeos foram produzidos por alunos das escolas Reverendo Alfredo Winderlich, Sérgio Lopes e José Paim de Oliveira pelo projeto Olhares da Comunidade, que tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria. A exibição da mostra ensino fundamental local será na quarta-feira, no auditório da Cesma, a partir das 13h30. Acompanhe a programação completa no site do Cinest.

Já de  29 de outubro a 3 de novembro rola o Santa Maria Vídeo e Cinema – SMVC, que selecionou 4  de nossas produções classificadas na Mostra Bambino de curtas-metragens de Santa Maria e Região. Flipando Ideias e M, que também estão na programação do Cinest, e Existência, dirigido por Paulo Tavares, e Feminino Substantivo, com direção de Neli Mombelli. Este dois últimos também foram selecionados para a Mostra Nacional. É a primeira vez que produções da TV OVO competem nesta mostra do SMVC. A programação completa pode ser acessada no site do festival.

Por Lívia Maria


Cultura e luta indígena no Narrativas em Movimento


Vincent percorre aldeias do país há mais de 30 anos trabalhando com formação audiovisual. Foto Lívia Teixeira

A questão indígena voltou aos noticiários com força neste ano, no entanto, os espaços midiáticos mostram apenas um lado dessa questão e raramente é o lado mais vulnerável. Discutir sobre como o uso do audiovisual fortalece a luta e ajuda a preservar a cultura dos povos indígenas do Brasil foi o objetivo do Narrativas em Movimento  realizado no último dia 19. Com o tema “Memória e Territórios no Audiovisual”, o colóquio trouxe o documentarista e indigenista Vincent Carelli.

Ele é idealizador do Vídeo Nas Aldeias, projeto que está há mais de 30 anos ajudando na formação de cineastas e cinegrafistas indígenas. Além da formação, o projeto busca fortalecer a identidade dos povos indígenas, registrando seus costumes e tradições. Entre o público estavam representantes das aldeias Guarani e Kaingang de Santa Maria. Para eles, essa experiência também foi enriquecedora, pois puderam conhecer a realidade de outras comunidades indígenas pelo país, como relatou Luís da aldeia Kaingang em sua fala.

Durante o encontro, a questão do audiovisual como ferramenta de preservação da memória dos povos indígenas foi bastante abordada, já que segundo Vincent, as comunidades indígenas ficam bastante decepcionadas com a forma que são retratadas por terceiros, por isso estão sempre dispostos a colaborar nos projetos onde elas mesmas podem contar suas histórias, porque é outro olhar. “Acredito que a questão do audiovisual tem esse poder mais sensorial. A gente já tem essa sensibilidade, mas ao ver os vídeos que ele passou sentimos mais impacto”, afirma Anna Christina Pimenta, estudante de relações públicas da UFSM.

Sobre os aprendizados do colóquio, Maria Eduarda Righetto, estudante de Publicidade e Propaganda da UFSM diz que “olhamos para os problemas da nossa realidade sem nos darmos conta que a realidade do outro faz parte da nossa. […] Temos que nos preocupar com a sobrevivência dos povos indígenas que estão tentando manter vivo a si mesmos e a sua cultura”. Também estudante de Publicidade e Propaganda da UFSM, Amanda da Cas, comenta: “Acho que é uma oportunidade de levarmos esse conhecimento para as pessoas que não puderam estar aqui… a grande importância foi ter recebido todo o impacto dessa discussão e tentar levar para outros espaços, tanto para nossa família quanto para a área da comunicação, pois são poucos os veículos que trazem esse tipo de
informação”.

De todos os aprendizados que este colóquio trouxe, talvez o mais importante tenha sido o de que a questão indígena precisa ser debatida em todas as esferas da sociedade, pois a união dos brasileiros é a arma mais eficaz para assegurar a defesa e cumprimento dos direitos indígenas. E isso também significa preservar nossas florestas que têm importância fundamental na manutenção de um planeta habitável.

 

Em tempo: audiovisuais indígenas

 

Um dia antes do colóquio, houve a exibição de “Martírio”, documentário dirigido por Vincent Carelli junto com Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida, que retrata o genocídio dos índios guarani-kaiowás. O filme foi eleito o melhor longa-metragem nacional de 2017 pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) entre outros prêmios em diversos festivais. Sobre “Martírio”, William Boéssio, pós-graduando em jornalismo da UFSM, diz: “Vim para ver como os elementos técnicos da gravação seriam executados”. Outro ponto que o interessou foi sobre como o trabalho seria uma forma de os povos indígenas mostrassem a sua realidade para se defender. Apesar de já conhecer a causa indígena, ele não conhecia as especificidades desses povos. Para William, esse trabalho “conseguiu contar muito bem as diversas realidades, amarrá-las e fazer uma bela história”. Para quem quiser assistir, o documentário está disponível no canal do Vídeo das Aldeias no Vimeo para acesso on demand
Já na abertura do colóquio, foi exibido o vídeo “MBYA Arandu |Saber Guarani”, vídeo produzido pelos jovens guaranis da aldeia Tekoa Guaviraty Porã, de Santa Maria, durante oficina audiovisual da TV OVO. O vídeo fala sobre o respeito, cuidado e a relação sagrada que o povo guarani têm com a natureza.

Por Bernardo S. Silva

 


Documentário busca discutir presença indígena em Santa Maria


Gabriel faz exercícios de enquadramentos na aldeia Guarani. Foto de Tayná Lopes

Neste ano, o nosso projeto Por onde passa a memória da cidade trabalha na construção de um documentário que busca discutir a presença indígena em Santa Maria. A ideia inicial da produção é abordar a formação e origem de Santa Maria, intercalando a versão histórica e a lendária, ambas apresentando os indígenas como parte da história. Junto de entrevistas com membros de comunidades indígenas, antropólogos, sociólogos e historiadores iremos construir uma narrativa que busque documentar a memória destes povos, sempre tão invisibilizados.

Para o desenvolvimento do projeto estão sendo realizadas pesquisas históricas e conversas com diversas fontes, que conheçam a história e/ou tenham relação com ela. Está em curso um levantamento de dados, fontes, registros, documentos e imagens, para então iniciarmos as diárias de gravação.

Foi a partir da pesquisa que visitamos as aldeias indígenas Guarani e Kaingang de Santa Maria e, desde meados de agosto estamos realizando oficinas de formação audiovisual para os jovens da aldeia Guarani, que tem entre 13 e 20 anos.  Em outubro devemos ir fazer o mesmo na aldeia Kaingang. Embora o documentário tenha financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria, LIC/SM, as oficinas são uma atividade paralela que estamos fazendo, com nossos próprios recursos, porque não queremos falar da presença indígena pelo nosso olhar, queremos que eles falem de si a partir do seu próprio olhar. Por isso, aos poucos, buscamos trocar conhecimentos e instrumentalizá-los para que possam registrar suas próprias histórias e sua cultura.

Por Tayná Lopes