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Crônica da formação de um quarteto


A Rua Vale Machado possui uma forma singela, diferente de todos os caminhos que preenchem o coração do Rio Grande do Sul. Os pássaros cantando na alvorada, a fileira de ônibus que aguarda rostos amanhecidos para embarcar em uma viagem de quarenta minutos, a gargalhada dos motoristas que ecoam os prédios desde as cinco da manhã. O despertador tocou, e como de costume, levantei-me e fui direto à cozinha vasculhar onde havia guardado o filtro de café. A liquidez de como levamos dia após dia é um reflexo do comodismo de como a indústria e a tecnologia nos suga para um mar de dependência.

Coloquei o filtro dentro da máquina e aguardei cinco minutos até começar a sentir o aroma que colore minhas manhãs. Dia oito de abril de dois mil e dezenove era um dia diferente na cidade rodeada por morros. O sol ardente me resgatou um sorriso após me espreguiçar. Quente como o vulcão, e gelado como o coração de quem está com pressa de encarar o cotidiano. Antes de pegar a chave e girar a maçaneta da porta, sempre traço a minha rota e o destino de aonde quero chegar. Dessa vez, meu epílogo era diferente. E minha tendência também.

Dobrei na esquina da Avenida Rio Branco e desci contemplando as faixadas dos prédios coloridos visíveis da arquitetura Art Déco que conforta a  urbe. Brechós, mercados, cabarés. A cada passo largo que dava, a cada olhar que fitava com o meu, era um sentimento único que só Santa Maria poderia transmitir. Enxergava de longe senhores de idade sentados nos bancos lendo jornais, taxistas tomando chimarrão intercalando com gargalhadas. Minha jornada em direção a rua Ernesto Becker esquina com a Floriano Peixoto não poderia ser diferente até chegar aos arredores do sobrado antigo que resgata a memória de cada inquietude com sede pelo espírito comunitário.

Era o meu primeiro dia na TV OVO. Caminhei até a frente da fachada e, ao lado de um grafite colorido, toquei a campainha da frente e aguardei alguém abrir a porta. Quando entrei pelo ‘lugar errado’, percebi que havia uma moça sentada na mesa principal. Era Lívia Maria Teixeira de Oliveira, a mais nova voluntária. Sentei-me junto com ela e percebi seu sotaque diferente quando começou a falar. Acadêmica do quinto semestre do curso de Produção Editorial na UFSM, a moça de 19 anos é carioca e apaixonada por diagramação.

Um dia depois, tracei novamente a rota que irá preencher minhas tardes três vezes por semana. Na terça-feira, sentadas na mesma mesa, conheci também as duas novas voluntárias que irão planejar a comunicação junto comigo: Thaisy e Kamila. Thaisy Finamor, a jornalista de 21 anos nascida em Santiago, formada na Universidade Federal do Pampa, acabou de se mudar para a cidade e está fazendo pós-graduação em Mídias Digitais na Universidade Franciscana (UFN). E Kamila Ruas Flores, jornalista santa-mariense recém egressa da Universidade Federal de Santa Maria.

Somos quatro mulheres, quatro rostos, quatro corações, e quatro singularidades que irão agregar à família audiovisual em 2019. Volto para casa pela Avenida Rio Branco com a minha térmica vazia e com sede de todo dia aprender algo novo. No próximo dia, já que agora sou da casa, entrarei pelo portão maior. Avante!

Por Juliana Brittes, santa-mariense acadêmica do curso de Jornalismo da UFN, apaixonada por fotografia.

Acima, da esquerda para a direita, Lívia e Kamila. Abaixo, Juliana e Thaisy. O novo quarteto que integra a equipe neste semestre. Fotos: Juliana Brittes


Selecionamos voluntários e/ou estagiários para este semestre


Se tu curtes audiovisual e produzir conteúdos divertidos e dinâmicos para redes sociais, trocar ideias, criar novas propostas que interajam com a comunidade a partir do olhar da comunicação este é o lugar certo. Venha integrar o nosso coletivo que trabalha com a comunicação comunitária, desenvolve projetos culturais e faz muito audiovisual com amor.

Nossa seleção de voluntárias (os) e/ou estagiárias (os) para o primeiro semestre de 2019 está aberta. São 4 vagas para estudantes que estejam matriculados em cursos da comunicação ou áreas afins. As vagas são para:
2 pessoas que curtam produção de conteúdo (vídeos, fotos e textos);
1 social media que também curte criar peças gráficas para as redes;
1 pessoa que goste de trabalhar com editoração de conteúdo e tenha habilidades para conceber uma página para este conteúdo (não precisa programar).

Para participar, é preciso ter, pelo menos, dois ou mais turnos livres, preferencialmente pela tarde, e estar disposto a trabalhar  coletivamente. Vale lembrar que pra quem se inscrever como voluntário (a), as atividades podem ser registradas como
ACC/ACG, além de toda experiência que pode surgir junto do trabalho desenvolvido.

As inscrições vão até até o dia 26 de março, próxima terça-feira neste formulário. Após a inscrição online, entraremos em contato  por e-mail para agendar um horário de encontro para entrevista na nossa sede, na Rua Floriano Peixoto, 267.


Cronicaria na versão livro falado


Um dos livros mais vendidos na Feira do Livro 2018 de Santa Maria agora tem versão em áudio. O livro falado Cronicaria foi publicado na plataforma que originou o livro impresso. Ele pode ser acessado na íntegra ou ouvido em faixas em tvovo.org/cronicaria/livrofalado/, além de estar disponível para download.

O livro falado é uma proposta de tornar a literatura acessível a todos, sobretudo para as pessoas com deficiência visual. A ideia de produzir o Cronicaria no suporte de livro falado veio de uma provocação que Daverlan Dalla Lana, um jovem cego, fez à Marcelo Canellas, em maio, no dia de sessão de autógrafos do livro impresso na Feira do Livro.

A partir de então, iniciamos a produção desse desafio. Com suporte do laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana, realizamos as gravações da locução das crônicas, que foram feitas nas vozes dos próprios cronistas: Manuela Fantinel e Marcelo Canellas. A apresentação e as crônicas produzidas em um workshop do projeto do Cronicaria, que integraram a publicação impressa, foram narradas pela voz de Neli Mombelli, que assina a organização do livro e a coordenação do livro falado. O desafio maior foi realizar as audiodescrições das fotocrônicas. Manuela e Julia Machado precisaram estudar sobre o assunto, além de contar com o apoio do Núcleo de Acessibilidade da Universidade Federal de Santa Maria, sobretudo de Cristian Evandro Sehnem.

Julia comenta que há uma ordem de narração das fotos e das ilustrações para compor o enquadramento e possibilitar a compreensão da imagem. Há também a subjetividade que permeia a leitura de determinadas imagens pelo grau de abstração e interpretação que elas podem conter. “Para esse universo de audiodescrições das imagens, tivemos que fazer muita pesquisa e entrar em contato com quem é deficiente visual, para então conseguirmos compreender e realizar da melhor forma. Nunca tínhamos trabalhado com esse tipo de processo. A consultoria do Daverlan e o apoio do Núcleo de Acessibilidade foi essencial”, afirma Julia, que, além das fotocrônicas, narrou outros elementos do livro como capa e ficha técnica. 

Esta é a primeira produção neste suporte que a TV OVO realiza, assim como o Cronicaria foi o primeiro livro impresso. Essas produções levam o selo do Sobrado Centro Cultural, projeto que prevê a integração de múltiplas artes no espaço onde fica a nossa sede. No que se refere a acessibilidade de obras culturais, temos trabalhado com a legendagem de nossas produções audiovisuais e, em 2015, lançamos nosso primeiro curta de ficção, o Poeira, com audiodescrição. Ainda temos muito o que avançar para naturalizarmos a questão da acessibilidade em nossa rotina produtiva, mas temos incorporado essas iniciativas conforme nossas possibilidades e também a partir de parcerias que vamos estabelecendo pelo caminho.

Sobre o Cronicaria

O Cronicaria é resultado de um processo coletivo que integra cronistas e leitores desde sua concepção. Ele nasce da proposição da TV OVO em conjunto com Marcelo, Manuela e mais 126 pessoas que, por meio de um financiamento coletivo via internet, contribuíram para a publicação de crônicas semanais, às quartas e aos sábados, no site do projeto, entre agosto e novembro de 2017.

A partir das publicações, produzimos uma coletânea reunindo crônicas e fotocrônicas que se transformaram em um livro, lançado na Feira do Livro de Santa Maria em maio deste ano. Em um mês, foram vendidos quase 200 exemplares, além da distribuição gratuita de mais de 800 exemplares para as bibliotecas das escolas da rede municipal, que receberam dez exemplares da obra. O livro impresso pode ser adquirido na Cesma, na Athena ou em nossa sede (Floriano Peixoto, 267).

Por Tayná Lopes e Neli Mombelli

 

Manuela e Marcelo gravaram a locução de suas crônicas no estúdio do laboratório de rádio do curso de Jornalismo da UFN. Fotografia de Neli Mombelli

 


Narrativas audiovisuais de resistência e de existência


“Juntar as pessoas para conversar, discutir, refletir, teorizar, praticar, criar fluxos, criar histórias, movimentar, resistir e sempre reexistir”. Foi com esse contexto que Marcos Borba, integrante da TV OVO, abriu o colóquio Narrativas Audiovisuais de Resistência, no último dia 19, na Cesma, que integra o projeto Narrativas em Movimento e tem o financiamento da LIC/SM.

Mais de 80 pessoas acompanharam o debate que trouxe como convidados a roteirista e diretora Inês Figueró, gaúcha radicada em São Paulo, e o realizador audiovisual argentino e diretor de arte, Axel Monsú. Entre os trabalhos mais conhecidos de Inês está o filme Era o Hotel Cambridge (2016), no qual atuou como corroteirista e 3ª assistente de direção. Inês ainda trabalha com oficinas de audiovisual com crianças das ocupações ligadas ao MSTC (Movimento Sem Teto do Centro), que iniciou com a pesquisa de pré-produção do filme e seguiu mesmo com a finalização das gravações. Axel é idealizador do Festival Oberá em Cortos e atualmente está como coordenador do Instituto de Artes Audiovisuales de Misiones, da Argentina.

O colóquio reuniu pessoas com diferentes interesses. A recém-formada em jornalismo Arcéli Ramos contou que, mesmo não tendo uma ligação forte com o audiovisual, resolveu comparecer ao colóquio, pois acredita que em momentos de discussão compartilhada sempre se pode aprender ou relembrar saberes importantes para a atuação como jornalista. Mas o motivo principal pelo qual Arcéli participou do colóquio foi “o desejo de me manter ligada às discussões do fazer jornalístico voltado para a resistência. Eu acho importante trazer a temática da resistência, principalmente porque estamos em um momento muito difícil do coletivo e do encontrar pessoas dispostas a participar da resistência, que estejam na mesma luta”. Na visão de Arcéli, trabalhar temáticas como essa no momento atual é uma ação imprescindível para manter a vontade de seguir em frente.

O professor universitário e pesquisador de história do cinema, Alexandre Maccari, relata que assim que teve conhecimento sobre o tema do colóquio se organizou para estar presente. O professor concorda com Arcéli quando afirma que o tema é de extrema importância para a época que vivemos atualmente, e, ainda ressalta que “o debate é o aspecto fundamental na construção do conhecimento. Eu gostei tanto das falas dos participantes quanto das perguntas que geraram o debate. Creio que ouvir a experiência dos realizadores foi, para mim, o momento mais marcante, em especial ouvir o convidado argentino falando das relações e dificuldades de produzir, sendo esse um ato de resistência”.

A jornalista Marilice Daronco participa dos colóquios organizados pela TV OVO desde a primeira edição. Ela considera o momento muito especial, vê que existe uma conversa e uma troca importante sobre a produção audiovisual. “O tema deste último, em específico, considerei ótimo, principalmente pelo momento difícil que passamos em relação a questões como a desvalorização da arte e da cultura. Cada vez mais teremos de ser resistência e acredito que, como em outros momentos de ascensão de regimes autoritários, a cultura será um espaço particularmente importante de expressão”, afirma Marilice. Para ela, unir audiovisual e resistência em um único debate é uma escolha riquíssima para promover a reflexão, pois há uma ligação forte entre as duas palavras, e exemplifica: “Quando pensamos na forma como o audiovisual se desenvolveu, vamos ver como em diferentes momentos sua história está ligada à resistência. Vou citar um exemplo santa-mariense. Nos anos de 1970, quando vivíamos a ditadura, um grupo daqui fez um espetáculo chamado Onde não houver inimigo urge criar um, o qual era aberto com um curta, feito com uma câmera super-8. A narrativa fazia uma crítica às perseguições que aconteciam naquela época. O espetáculo e o filme percorreram o Estado todo. Um material feito com equipamento amador ajudou a conjugar o verbo resistir. Falo desse exemplo porque o cenário que se desenha no país não é nem de longe de incentivo à cultura. Falar sobre o tema da resistência, sobre como estão as produções no Brasil e Argentina nos ajuda a refletir sobre nosso papel, e ver que as histórias que queremos e podemos contar, muitas vezes, estão mais próximas do que imaginamos”, compartilha a jornalista.

Numa perspectiva geral, Inês e Axel trouxeram assuntos como o fato de as narrativas surgirem de encontros como o colóquio ou em festivais, da situação de estar cara a cara com outras pessoas.  Eles abordaram também a desconstrução da produção e do consumo audiovisual focado nos grandes centros, defendendo que é possível buscar e produzir conteúdo sem ser apenas pelo circuito tradicional e hegemônico; reforçaram, ainda, o quanto é preciso, válido e rico sair às ruas, fazer o cinema na rua, levar a tela para as ruas, ampliar os espaços, criar e formar público; e formar redes de colaboração.

Além destas questões, o debate do colóquio tratou sobre como abordar as comunidades e como construir essa relação entre produtor e personagens, de como se pode contribuir com as comunidades e grupos filmados e não apenas utilizar-se deles para obter resultados em um produto, isto é, tudo o que existe e envolve o audiovisual para além de ligar e desligar a câmera.

Neli Mombelli, integrante da TV OVO, foi a mediadora da discussão. Para iniciar o debate, ela leu o poema A Flor e a Náusea, de Drummond de Andrade, que trata justamente de uma metáfora de resistência, de uma flor que nasce no asfalto, em um solo e espaço inapropriado, mas o fato de existir e resistir a torna bela. Que as discussões do colóquio cruzem as barreiras espaço-temporais da noite compartilhada na Cesma, que sirvam de ponto de partida para novos projetos, parcerias e reflexões; e que o poema de Drummond também traga energia e olhares sensíveis ao mundo, inspire e fortifique as pequenas e grandes ações em prol da cultura, do audiovisual e de toda luta por direitos que não firam a existência de ninguém.

[…]

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que é uma flor

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

[…]

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Carlos Drummond de Andrade.

Por Tayná Lopes

Axel Monsú destacou a importância da construção de redes de colaboração para fortalecer a produção audiovisual que se dá fora dos grandes centros e que se pauta por temas de resistência. Foto de Helena Moura.


TV OVO premiada na 12ª edição do SMVC


A TV OVO participou da 12ª edição do Santa Maria Vídeo e Cinema (SMVC) que ocorreu entre os dias 20 a 25 de novembro deste ano. A abertura do evento foi na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e teve como tema “Atuar e mudar as coisas”, para que as obras audiovisuais trouxessem inspiração por mudanças de um mundo melhor. A comissão organizadora do SMVC selecionou 37 filmes que foram exibidos na Praça Saldanha Marinho e na Cesma, dentre eles, duas produções da TV OVO integraram a programação: o documentário Santo Antão (2017) e a ficção Poeira (2015).

Além do entusiasmo que a mostra competitiva proporcionou ao público, a TV OVO levou para casa três troféus Vento Norte. Poeira, dirigido por Paulo Tavares, foi escolhido pelo júri popular, junto com o filme Railander, e Joel Cambraia recebeu o troféu de melhor ator, pelo personagem de Seu Ernesto.  O documentário Santo Antão, com direção de Marcos Borba, recebeu menção honrosa. O texto de justificativa traz a seguinte mensagem: “O filme valoriza a memória e a história das pessoas comuns, aquelas que constroem lugares, cidades, bairros e vilas. É sensível no olhar e delicado na narrativa.”

Nós dedicamos esse reconhecimento a família TV OVO, ao elenco do Poeira, e a todos que integraram as equipes dos dois filmes. São mais de 40 pessoas envolvidas nas duas obras. Um montão de mãos que constroem junto a nossa história e a do audiovisual de Santa Maria.

Confira os premiados da 12ª edição.

Sobre o SMVC

O Santa Maria Vídeo e Cinema retomou suas atividades na cidade nesse ano, local onde nasceu em 2002, pois havia cinco anos que as mostras não ocorriam. Dos 37 filmes selecionados para a competição, 20 disputaram na mostra nacional, no qual concorreram filmes de ficção e documentários produzidos entre os anos de 2017 e 2018. Nessa competição, o festival recebeu obras vindas de diversos estados brasileiros. Já na mostra de Santa Maria e região, foram 17 filmes indicados produzidos entre 2014 e 2018.

Curiosidade: O Troféu Vento Norte, chamou-se assim, pois foi inspirado na obra da artista Ana Norogrando, que faz menção ao vento característico de Santa Maria.

Por Helena Moura

Parte da equipe do curta-metragem Poeira na locação em Toropi. Foto de Fernando Krum

 

Poeira

Ernesto (Joel Cambraia), o último artesão de lápides da região, depois de dedicar-se anos ao seu ofício solitário, revive a esperança de perpetuar a profissão no seu novo ajudante, o aprendiz José (Victor Dutra Barbosa).

 

Santo  Antão

O distrito de Santo Antão é um lugar, como disse um morador, onde cada curva de estrada tem uma história para contar. As curvas guardam um pedaço do passado do país, nos rastros do caminho dos tropeiros para a feira de Sorocaba/SP; conservam os vestígios jesuítas da “salgadeira”; podem ser tristes como o asfalto que até hoje não chegou. Elas também foram abrigo do peregrino João Maria de Agostini, responsável por mobilizar milhares de fiéis em busca de cura, cuja fé perdura até hoje com a romaria de Santo Antão. O distrito de Santo Antão é um espaço rico nas histórias, nas pessoas, no potencial turístico e em segredos que talvez nunca sejam descobertos.


Os horizontes da Direção de Arte


A direção de arte no cinema colabora na construção dos personagens e de suas histórias através todos elementos visuais em cena, como figurinos, cenários, objetos. Luísa Copetti, que trabalha com direção de arte analógica e digital desde 2006, esteve na TV OVO no início do mês para compartilhar suas experiências e nos ajudar na construção dos nossos personagens, nos tornando seres audiovisuais mais sensíveis aos aspectos artísticos do cinema.

A partir do workshop de direção de arte, compreendemos a importância desta área no audiovisual, fazendo com que  sejamos mais atentos a esses elementos visuais e compreendamos a importância deles associados à narrativa audiovisual. Victoria Debortoli participou do workshop e acrescenta que “se tem uma agulha ali, aquela agulha importa, ela vai fazer sentido. Cada objeto tem um sentido, cada cor tem um sentido, nada está ali por acaso”.

Na atividade, Luísa abordou o tema sempre relacionando a sua própria prática profissional, mostrando sua metodologia de trabalho, desde a concepção do conceito de arte até o seu resultado, com o produto finalizado. Marcos Amaral, que também realizou a atividade, considera que ter conhecido este processo foi muito relevante, principalmente “o processo de uma pessoa que já é profissional e que tem muita bagagem para transmitir”.

No final do dia, o exercício foi criar uma proposta de arte a partir dos versos da música  Ai se Sêsse, da banda Cordel do Fogo Encantado. As propostas elaboradas foram as mais diversas e criativas, surpreendendo a todos. Francine, Victória, Marcos e todos, que durante o sábado entraram em contato com a direção de arte, saíram transformados e cheios de inspirações para serem aplicadas nas próximas produções audiovisuais que farão parte.

O workshop faz parte do projeto Narrativas em Movimento, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Por Francine Nunes

Luísa Copetti trouxe diversas referências do mundo audiovisual para instigar a criação na direção de arte. Foto de Neli Mombelli