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TV OVO aprova projeto para restauração do Sobrado na LIC RS


O projeto que prevê a primeira fase de restauração da casa onde está a sede da TV OVO foi aprovado, na última terça-feira, 04, pela Lei de Incentivo à Cultura do estado do Rio Grande do Sul. Cadastrado no sistema em 16 de janeiro deste ano, o projeto intitulado Sobrado Centro Cultural – Fase 1 foi analisado pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) no dia 30/05 e considerado prioritário.

O projeto prevê a recuperação do casarão eclético datado de 1916, situado em Santa Maria, que será transformado em um centro cultural com ênfase para o audiovisual e projetos sociais ligados à área da cultura, comunicação e memória. Nesta primeira fase, o foco é a recuperação do imóvel histórico que se encontra atualmente em avançada degradação e sem cobertura. Para isso, prevê a estrutura necessária que deverá abrigar, no primeiro andar, uma biblioteca audiovisual, sala de leitura, museu da imagem e som e um café, e, no segundo andar, uma sala multiuso em que funcionará cineclube entre outras atividades culturais como exposições, encontros e oficinas. Após esta etapa, a casa abrigará a sede da TV OVO provisoriamente para que seja possível dar seguimento às próximas duas fases, que contemplarão a construção de um prédio anexo de 4 andares, onde será instalada a sede definitiva, com reabilitação da fachada art déco de 1940 do galpão, e a restauração das fachadas leste, sul e norte do casarão.

Conforme o documento publicado no Diário Oficial do estado, o valor aprovado para captação via Sistema Pró-Cultura RS  é de R$ 896.105,77 . Pela Lei, para que o projeto possa iniciar a execução, a equipe tem 6 meses para captar 20% do valor total, entendido como sinal de potencial para tirar a ideia do papel. Empresas que pagam ICMS (imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) no estado, desde que não tenham aderido ao Simples Nacional e estejam em situação de regularidade, podem destinar percentual do seu imposto para o projeto. A contrapartida, no caso do Sobrado Centro Cultural, é de apenas 5%, em função de ser bem tombado. Esse valor é destinado ao Fundo de Apoio à cultura (FAC/RS) e a empresa terá sua marca divulgada como patrocinadora do projeto. Porém, a partir do novo convênio realizado pelo estado do Rio Grande do Sul com o CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária do governo federal), os incentivos fiscais foram prorrogados até 30 de setembro deste ano. Para garantir a obra, é necessário conseguir os patrocínios com urgência.

A relevância da proposta engloba ampla dimensão cultural, seja pelo ato de tombamento municipal, pelas atividades que a TV OVO desenvolve, seja pelo legado arquitetônico, histórico, social e cultural que carrega. O casarão foi construído por Evandro Ribeiro (1882 – 1960), engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de Porto Alegre. Nascido em Caçapava do Sul, ele veio para Santa Maria com o desejo de viver como poeta, integrando a Academia Literária Sul-rio-grandense e a Academia de Letras do Rio Grande do Sul, motivo pelo qual a casa foi espaço de saraus literários e intensa movimentação cultural. Depois de ter sido residência da família Danesi, de 1940 a 1980, o imóvel foi adquirido por Marcelo Canellas em 2010, e fez a doação para a TV OVO em 2016, quando a associação completou 20 anos.”Esta história faz parte da essência que se articula com as forças vivas da cultura do município de Santa Maria, constituindo um projeto voltado para a cidade e suas demandas, e potencializando as ações de cunho artístico e social já desenvolvidas pela TV OVO no setor audiovisual”, salienta o parecer do conselheiro relator no CEC, Jorge Luís Stocker Júnior, entendendo o projeto como “importante iniciativa de resgate do patrimônio cultural arquitetônico e paisagístico”.

O projeto que começa a sair do papel é gestado de forma coletiva desde 2012. Um chamado público de Marcelo para arquitetos da cidade, em 2012, deu início às discussões. A equipe da proposta  aprovada é formada pelos arquitetos Tita Pereira, Daniel Pereyron e Anelis Flôres; os engenheiros Lucas Jost e Guilherme Angonese; e os produtores culturais Neli Mombelli, Denise Copetti e Marcos Borba.


Assista aos documentários Pains e Passo do Verde


Parte da equipe durante as gravações em Pains. Foto de Alan Orlando

 

Disponibilizamos as duas últimas produções da série dos distritos santa-marienses, produzidas entre 2014 e 2018, para acesso no YouTube. Os documentários Pains e Passo do Verde foram produzidos ano passado, e junto com os filmes sobre Santa Flora, Arroio Grande, São Valentim, Palma, Santo Antão e Arroio do Só integram o projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade,  que registra a memória do município de Santa Maria.

O documentário Pains apresenta a história do distrito que surgiu em 1861, sediado em São Pedro do Sul. Localizado aos fundos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a localidade tem crescido com o desenvolvimento de indústrias e especulação imobiliária, embora ainda com inflexão para a agricultura.

Passo do Verde é conhecido pelo seu balneário e fica no sentido Sul do município. O documentário traz diversos personagens que ajudam a compor o cotidiano do local que é marcado, para além do balneário, pela extração areeira.

Você pode assistir a playlist completa dos nosso documentários clicando aqui.

Por Thaisy Finamor


Coletivo em defesa do patrimônio santa-mariense lança identidade visual


Hoje será lançada a identidade visual e nomeado o Coletivo Memória Ativa, formado por um grupo de pessoas que se uniu em defesa do patrimônio histórico e cultural de Santa Maria. O lançamento será na sede da TV OVO, às 19 horas. O início do grupo se deu há quase um ano por conta da aprovação do novo Plano Diretor da cidade.  Jornalistas, arquitetos, lideranças comunitárias, professores, advogados, artistas, professores, estudantes e agentes culturais se mobilizaram na Praça Saldanha Marinho, em agosto de 2018, para lançar uma nota de repúdio às alterações na legislação que deixavam desprotegido o patrimônio santa-mariense, muito em função da crescente especulação imobiliária.

A arquiteta Márcia Kümmel comenta que o coletivo foi formado por uma ação concreta na sociedade civil, independente e apartidária. e por uma reação que ocasionou uma polêmica da extinção do plano diretor que protegia os prédios históricos de Santa Maria. Segundo ela, trata-se de um grupo multifuncional que não é fechado e abrange todos que defendem a preservação dos símbolos culturais. A promoção do debate é em torno da nova legislação municipal sobre a Lei do Patrimônio que está sendo atualizada. “Nós propusemos a reflexão em cima de um modelo econômico e de desenvolvimento que promova um progresso e geração de novos empregos e negócios, respeitando nosso passado e nossa memória”, salienta Márcia. A arquiteta enfatiza que é necessário amplificar a voz daqueles que acreditam que desenvolver uma cidade não significa demolir para construir o novo.

Orlando Fonsceca, professor, escritor e presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, que também integra o coletivo Memória Ativa, enfatiza que, desde o ano passado, o grupo vem planejado e executando ações simbólicas na cidade. Foi por atuação do grupo que a prefeitura tombou provisoriamente 135 edificações na cidade. O Memória Ativa pretende dar continuidade à ações pontuais para sensibilizar a população para a importância da memória de uma cidade. Uma das pautas recorrentes é a valorização de espaços históricos, como o Museus Gama D’Eça, por exemplo. Por ocasião dos 50 anos do Museu, o coletivo organizou e participou de um evento comemorativo. Oura atividade surgiu em parceria com a Reitoria da UFSM, com os cursos de Arquitetura e Urbanismo e História e  a Pós-Graduação em Patrimônio Cultural da UFSM, que propuseram um aula inaugural sobre patrimônio cultural com a participação do professor e arquiteto da UFRGS, Paulo Edi Martins.

A ideia é que Santa Maria necessita de um centro-histórico vivo, mas, para isso, é necessário políticas públicas e revitalização para fomentar o turismo na cidade. “‘Nós acreditamos que é perfeitamente possível reservar espaços para o desenvolvimento da construção civil em áreas de expansão urbana, ou que se mesclem com os prédios antigos, mas que não exija a demolição dos mesmos”, reflete Márcia.  Para ela, a educação patrimonial necessita ser discutida para que a comunidade saiba do valor da arquitetura dos prédios e o que isso significa para a cidade e para as pessoas que a constituem.

Isso porque o conceito de cidade vai além da materialidade de ruas e edificações, é também a união dos sujeitos. O trabalho, movimento e a memória daqueles que já preencheram suas ruas é a melhor forma de contar a história, seja das pessoas ou das próprias cidades. Se não houvessem pessoas, a cidade seria fantasma, sem vida, sem alma, sem dinamismo. É fundamental preservar os símbolos de vida que dão identidade e pertencimento a um lugar. E é ao falar em símbolos que surge uma dica da identidade visual do coletivo que será lançada hoje e que não poderia deixar de ser: ela está relacionada a um dos símbolos de Santa Maria.

Por Juliana Brittes


Documentário Passo do Verde será exibido na segunda-feira, na Feira do Livro


O palco do Livro Livre da 46° Feira do Livro de Santa Maria projeta o distrito de Passo do Verde em sua tela. O documentário Passo do Verde – o 6° distrito, produzido pela TV OVO, será exibido no dia 29 de abril, segunda-feira, às 19h na Feira. O filme aborda a história, o cotidiano e as principais características do distrito por meio de depoimentos de moradores da localidade. Após a exibição do filme haverá uma roda de conversa.

O documentário, que integra o projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, foi produzido em 2018, e tem direção de Alan Orlando e Helena Moura, diretores estreantes. As primeiras cenas registradas foram em fevereiro, na tradicional festa de Iemanjá.  A produção contou com quase dez idas ao distrito para buscar personagens, compreender e vivenciar um pouco do cotidiano do lugar e registrar imagens. Passo do Verde, como sugere o nome, é rico em vegetação, água e areia. O território tem muita gente, histórias e lendas. As ruínas da ponte velha, que podem ser vistas da BR 392, são ícones do 6º distrito que fica ao sul de Santa Maria. No Balneário, escuta-se pássaros e bugios; na Estrada da Limeira, ouve-se a euforia das crianças; já na Estrada dos Guerra e Mato Alto tem-se a trinca do interior: pecuária, soja e arroz. Mas sabe o que há em comum nessas estradas? O som das máquinas e caminhões que carregam a maior economia do distrito – a areia. Entre sons e paisagens, constrói-se a memória e a vida da localidade.

O documentário teve financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC/SM). Além de Passo do Verde, em 2018, o projeto também registrou o distrito de Pains, encerrando a incursão realizada pela TV OVO pelos nove distritos rurais santa-marienses, iniciada em 2014.

O que: Exibição do documentário Passo do Verde, 6° Distrito
Onde: Palco Livre, Feira do Livro de Santa Maria, Praça Saldanha Marinho
Quando: 29 de abril (segunda-feira), às 19h.

Por Kamila Ruas

Raquel Lopes de Lima, moradora do Balneário Passo do Verde, faz comida caseira e vende no distrito. Ela é uma das personagens do documentário. Foto de Francine Nunes


Documentário abordará o acervo Art Dèco da Rio Branco e defenderá a luta pela preservação do patrimônio santa-mariense


Mais uma vez os caminhos da vida real e do universo do cinema se cruzam e surge mais um documentário que se envolve com a memória e a identidade santa-mariense. Desta vez, a pauta é a defesa do patrimônio histórico-cultural de Santa Maria, movimento que nasce em função de alterações do Plano Diretor aprovado neste ano na Câmara de Vereadores. As modificações no desenho urbano alteram as regras de planejamento, construção e organização da cidade pelos próximos 10 anos e, deste modo, colocam em risco os prédios históricos da cidade, expondo-os à especulação imobiliária. Entre o patrimônio ameaçado está o segundo maior acervo contínuo em Art Déco das Américas, que projeta Santa Maria para o mundo, já que fica atrás apenas da Ocean Drive, em Miami. (Leia matéria de O Globo que fala da Ocean Drive, da sua arquitetura e vocação para o turismo.)

“Eu, como santa-mariense, não consigo me conformar com a ideia de que é preciso destruir o passado para construir o futuro. Isso, além de ser equivocado, é uma estupidez, porque você destrói um imenso patrimônio – inclusive econômico – de possibilidades de desenvolvimento, de alternativas econômicas que dizem respeito ao turismo, à indústria criativa, à gastronomia e a dezenas de atividades econômicas associadas à preservação do patrimônio histórico. Em Santa Maria, a gente não percebe porque está degradado, porque está feio, porque não está pintado, porque está em ruínas. Mas se a gente lançar um olhar generoso sobre a cidade de onde a gente é, ou sobre a cidade que a gente vive, vamos perceber a beleza da singularidade da arquitetura local. Santa Maria é uma cidade única. O privilégio de ainda termos em pé o maior conjunto contínuo de Art Déco da América Latina (segundo das Américas) nos dá a imensa possibilidade de reforçar esse sentido de pertencimento. Então tem tudo a ver com autoestima, com amor ao lugar que a gente vive, tem tudo a ver com história, com memória”, reflete o jornalista Marcelo Canellas, um dos entusiastas do Movimento em Defesa do Patrimônio de Santa Maria e que propôs a produção de um documentário sobre o assunto em parceria com a TV OVO.

No cenário santa-mariense, a luta pela preservação do patrimônio arquitetônico impulsiona atitudes de protestos. Os primeiros passos de luta partiram de um grupo engajado com a causa, que formaram, então, um coletivo em defesa do patrimônio ameaçado. Logo após a formação do grupo e estruturação de ideias, organizou-se um ato público no centro da cidade que reuniu diversos cidadãos engajados com a causa.

A respeito da produção do documentário, Canellas diz que o filme busca provocar uma reflexão sobre as maneiras de como a gente deve tratar a nossa história e nosso patrimônio. O documentário já está em fase de pesquisa, com gravações previstas para o final do ano.

Francamente ativista e militante é como Canellas define o filme em processo. Ele afirma que temos a obrigação cidadã de defender a memória da nossa cidade. A produção servirá como uma ferramenta de mobilização social em prol do patrimônio. A ideia é que o filme produza reflexão e debate, fazendo emergir o contraditório, que é sempre rico para a troca de conhecimentos.

A obra vai fundamentar- e na ideia de que o correto é a preservação histórica e cultural dos prédios, mas Canellas explica que o documentário planeja também entender as razões das pessoas que acreditam que para construir o futuro da cidade é preciso destruir o passado, “pretendemos ouvir essas pessoas, ouvir essas razões, dar espaço para que elas se expressem. Mas o documentário vai lançar a nossa interpretação sobre o embate daqueles que querem simplesmente se livrar de um patrimônio afetivo, cultural e com uma forte inflexão da manutenção da nossa fisionomia como cidade justificando a destruição do patrimônio na defesa de um suposto progresso. Uma visão mais preservacionista e que tem a ver com uma postura civilizatória porque ela nos afirma como cidadãos que querem manter o rosto de cidade, e a outra visão daqueles que querem simplesmente uma alternativa para ganhar dinheiro”, explica o jornalista.

A nova lei aprovada – que movimenta Santa Maria – ameaça o acervo contínuo de Art Déco da Rio Branco. A estética da Art Déco surge na Europa em 1920, porém teve maior expressividade nos Estados Unidos, e na década de 1940 chega à Santa Maria. O movimento artístico tem características como: sacadas curvas, simetria, linhas retas e inspirações em transatlânticos, que remetem ao progresso e à industrialização porque passava o mundo no período. Até hoje, ao voltarmos os olhos para cima, é possível encantar-se com o estilo dos sobrados e prédios, com a riqueza dos detalhes, mas também entristecer-se, pois a manutenção dos tesouros arquitetônicos que abrigamos em nossa cidade é insatisfatória, encontram-se depredados, em ruínas, ofuscados pelas marcas do tempo e da indiferença de políticas públicas de preservação.

Em vista da importância social, cultural e histórica do acervo e de outras edificações espalhadas pela cidade, um documento assinado pelo atual prefeito Jorge Pozzobon atesta o tombamento provisório de 135 construções – incluindo na lista 16 prédios localizados na Avenida Rio Branco, mas que ainda não garante a efetiva preservação desse acervo que identifica Santa Maria. Em vista dessa problemática, o coletivo que dá forma ao Movimento em Defesa do Patrimônio ganha força. Integram o movimento moradores de Santa Maria, artistas, produtores culturais e entidades como o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), o Conselho de Políticas Culturais, a União das Associações Comunitárias (UAC),  a Associação de Moradores da Vila Belga, entre outros santa-marienses engajados com a causa.

No manifesto em defesa do  tesouro arquitetônico ameaçado, o coletivo em defesa do patrimônio histórico e cultural de Santa Maria menciona a preocupação com a proteção dos valores culturais da cidade. “Para cuidar da cidade, ajudar a manter sua beleza e fazê-la crescer, é preciso fomentar a ideia de pertencimento, de amor por este lugar de convívio. Amar implica conhecer: as pessoas não esquecem o que amam, e só amam de verdade o que conhecem“, por isso a importância de defender o que é sua memória e sua identidade. Confira o manifesto na íntegra.

Veja a lista dos 16 prédios que integram parte do conjunto de Art Déco da Avenida Rio Branco.

Edifício Mabi – Nº 134 e 138

Edifício sem nome – Nº 148

Sobrado residencial – Nº 167

Edifício Correio do Povo – S/nº

Hotel Tupy – Nº 234 e 252

Edifício propriedade de Raimundo Cauduro – Nº 318 e 332D

Edifício Dr. Eduardo de Moraes – Nº 354, esquina com a Rua Daudt

Edifício Santa Maria – Nº 378, esquina com a Rua Daudt

Edifício Ibirapuitã – Nº 390

Sobrado residencial – Nº 404, esquina com a Rua 13 de Maio

Edifício Emérita – Nº 404

Sobrado residencial – Nº 479

Sobrado sem nome – Nº 548, 554 e 560

Edifício Francismari – Nº 1864 esquina com a Rua Silva Jardim,

Edifício Mauá – Nº 842

Edifício Cauduro (Antigo Hotel Jantzen) – Esquina com a Rua Venâncio Aires

Quando questionado sobre a não valorização dos patrimônios arquitetônicos da cidade, Canellas enxerga a situação de um modo que coloca a ganância em detrimento da qualidade de vida da população. Para ele, significa abdicar do rosto de Santa Maria, significa tornar a cidade sem personalidade, ser uma cidade como todas as outras, desfigurar a história, abrir mão de uma alternativa de negócio econômico que tem a ver com a identificação das pessoas com o lugar onde elas vivem. Ele conclui que sem a revigorarão das áreas urbanas que contam sobre o nosso passado, a cidade de Santa Maria tem muito a perder.

O dicionário define cidade como: aglomeração humana localizada numa área geográfica circunscrita e que tem numerosas casas, próximas entre si, destinadas à moradia e/ou a atividades culturais, mercantis, industriais, financeiras. Mas o conceito vai muito além disso, existe toda atmosfera sensível, política e humana que forma uma cidade, seus moradores, sua história e movimentos. A levada poética de Canellas inspira a ideia de que uma cidade é feita em camadas, de momentos urbanos.  Ele diz que é feita de épocas que se sucedem e se justapõem, e essas épocas dialogam umas com as outras e fazem com que a cidade tenha sua própria memória. “Se você vai para Roma, por exemplo, num mesmo quarteirão, você vê momentos urbanos que dialogam entre si, você encontra prédios da antiguidade, você encontra prédios da idade média, do renascimento, e da modernidade e a pluralidade desses momentos urbanos fazem com que a cidade reconheça a riqueza da sua história.  Do ponto de vista das pessoas que moram em uma cidade como Roma se cria uma sensação de pertencimento e de amor ao lugar onde você vive, e do ponto de vista das pessoas que vem de fora cria-se uma relação de empatia que toca na emoção das pessoas”, exemplifica Canellas.

Para que Santa Maria continue tocando as emoções de quem anda por aqui, sejam estudantes de passagem ou moradores antigos, para que cresça e se desenvolva economicamente e culturalmente, para que fomente a memória, o afeto, e toda carga de pertencimento e identidade que a palavra memória carrega consigo, o zelo e cuidado com a nossa história em forma de construções precisa existir e perdurar.

Por Tayná Lopes

Prédios em sequência no início da Avenida Rio Branco remetem ao movimento Art Déco, característico da década de 1940. Foto de Tayná Lopes.


TV OVO aprova três projetos para captar via lei de incentivo à cultura de Santa Maria


Final do ano chegando e os projetos de 2018 da TV OVO encaminham-se para o fim. Nos últimos meses do ano sempre é momento pra repensar propostas, trocar ideias com o grupo, reformular formas de trabalho e planejar as próximas atividades, projetos e sonhos do ano seguinte. Para o ano de 2019 a TV OVO tem muitas metas a cumprir, três delas são a realização dos projetos Por Onde Passa a Memória da Cidade, o Narrativas em Movimento e o Olhares da Comunidade, recentemente aprovados no edital LIC-SM 2019.

Os projetos citados já são atividades marcantes na cidade, os colóquios e workshops integram o Narrativas em Movimento e são esperados anualmente pelos acadêmicos e pela comunidade de Santa Maria atuante no universo da cultura e do audiovisual; os documentários e as produções fílmicas aprofundadas que surgem da TV OVO fazem parte do Por onde Passa a Memória da Cidade; e as oficinas e exibições pelas escolas municipais são resultado do Olhares da Comunidade. Todo grupo que faz o coletivo comemora a aprovação e o reconhecimento dos projetos.  O sentimento de ver os projetos consolidando-se na cidade gera a sensação de dever cumprido e satisfação à equipe.

Agora, iniciamos a fase de captação para viabilizar as propostas do ano que vem. Você pode contribuir doando até 30% do seu IPTU, do ITBI (aquisição de imóveis ou do ISSQN. Esse encaminhamento deve ser feito antes de realizar o pagamento dos referidos impostos. Para contribuir entre em contato com a gente que fizemos todos os trâmites. Nossos canais de comunicação são pela página do Facebook, pelo telefone da TV OVO: 3026 – 3039 (à tarde), pelo e-mail tvovo@tvovo.org ou pelo whats app 55 99104 9166 (Denise Copetti).

 

Sobre nossos projetos aprovados

  • Por Onde Passa a Memória da Cidade – 2019
    Valor Aprovado: R$ 40.000,00

Produção de um documentário que terá como foco a história de origem da formação de Santa Maria, intercalando a versão histórica e a lendária, fazendo uma jornada em busca dos filhos de Imembuí, pois segundo a lenda, todos santa-marienses são fruto de uma relação de amor de um homem branco português com uma indígena. O audiovisual dará ênfase para a presença indígena (minuanos e tapes), celebrada na lenda da Índia Imembuí. Onde está esse povo Minuano? São os que encontramos nas ruas da cidade? Os índios sabem da existência da lenda e compactuam com ela? Como a cultura indígena se manifesta e nos influencia?  Essas são algumas das questões que queremos abordar no documentário.

  • Narrativas em Movimento – 2019
    Valor Aprovado: R$ 29.000,00

Propõe a realização de dois colóquios sobre os temas Memória e Territórios no audiovisual e Audiovisual, jovens e diversidade, e dois workshops, um sobre documentário e um de roteiro para curta-metragem de ficção.

  • Olhares da Comunidade – 2019
    Valor Aprovado: R$ 50.000,00

Prevê oficinas de realização audiovisual para adolescentes matriculados no oitavo e nono ano do ensino fundamental em três escolas da cidade e, no fim do processo, a realização de uma oficina na sede da TV OVO.  Além disso, a proposta aposta na difusão e formação de público para a produção de curtas santa-marienses por meio de exibições cineclubistas onde as oficinas serão realizadas. O resultado das oficinas serão produtos audiovisuais de até 10 minutos, produzido pelos próprios estudantes e que retrate a sua comunidade ou temas que dizem respeito ao universo dos jovens participantes. Os vídeos produzidos em todas as oficinas, um total de oito, serão exibidos em cada escola em sessão cineclubista após a finalização das oficinas.

 

Sobre a LIC/SM 2019

A Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer registrou 42 projetos submetidos para análise da Comissão Normativa, sendo 40 os projetos selecionados. A prefeitura liberou R$ 1,63 milhão para captação junto à apoiadores santa-marienses que podem destinar uma parcela dos pagamentos de IPTU, ISSQN e ITBI para os projetos culturais. A soma de todo o recurso que os projetos culturais necessitariam foi R$ 2.496.892,17, porém cortes foram feitos pelos responsáveis em validar os trabalhos propostos para que as propostas se encaixassem no valor liberado, sendo 335 mil advindos das taxas de IPTU, 1,2 milhão de ISSQN e R$ 95 mil de ITBI.

Compartilhamos a notícia e explicamos o processo de busca por recursos financeiros para nossos trabalhos independentes para que seja compreendida a importância de que pequenas ações mantem grandes projetos, como os nossos da TV OVO. É necessário divulgar e levar o conhecimento destes trâmites burocráticos, afinal, ações que fazem parte do contexto dos santa-marienses a todo ano, como o pagamento destes valores, passam despercebidas em função do turbilhão de afazeres e contas a pagar – mesmo a quem simpatiza, promove e é entusiasta da cultura local.

Confira todos os projetos aprovados.

Por Tayná Lopes

Gravação do documentário “Palma: o 8º distrito”, com direção de Denise Copetti, que integrou o Projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade – 2017. Foto de Renan Mattos.