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Último documentário sobre os distritos registra a história de Pains


O projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, que tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria, está se encaminhando para o fim. A missão de contar a história em vídeo dos nove distritos que compõe Santa Maria está quase completa. Todos depoimentos dos moradores e as imagens bucólicas e cheias de vida que evidenciam a riqueza cultural e histórica do município estão disponíveis no nosso canal no YouTube. Em breve, o último documentário da série será acrescentado na conta. Agora, as lentes das câmeras tem se voltado para o distrito de Pains.

O trabalho de apuração e pré-produção já foi realizado pela equipe e as informações coletadas serviram de base para a criação da ideia do documentário. Na direção do documentário estão Alexsandro Pedrollo e Heitor Leal, dando o tom do estilo e da narrativa da produção. Ao longo de quatro dias de gravação, os moradores abrem as portas de suas casas para nos receber e compartilharem conosco a relação histórica e afetiva que possuem com o distrito de Pains. “A ideia é conhecer o distrito a partir das pessoas que moram lá. Como se estivéssemos fazendo uma visita e conhecendo essas pessoas no seu dia a dia”, comenta Heitor.

As gravações do documentário ocorrem durante este mês. Alan Orlando, integrante da equipe, é responsável por fazer algumas imagens nas diárias de gravações e conta sobre participar da realização de mais um filme. “É gratificante poder percorrer os distritos fazendo o que mais gostamos. Contamos com a colaboração e hospitalidade dos moradores dos distritos. A ajuda deles com informações sobre o lugar, histórias e indicações de pessoas são essenciais. A possibilidade de fazer audiovisual somada a oportunidade de conhecer mais o lugar em que vivemos me deixa feliz e realizado”.

Por Tainara Liesenfeld

Cena captada na localidade São Geraldo, no distrito de Pains. Foto de Renan Mattos.

 


Somos patrimônio tombado, somos patrimônio histórico e cultural de Santa Maria


Transformar o sobrado da TV OVO em um espaço cultural estruturado, símbolo histórico para a cidade e referência de produção audiovisual comunitária não é um sonho de hoje. Sonhamos com o Sobrado Centro Cultural há um bom tempo. O caminho para a realização vem sendo trilhado dia após dia, são pequenas ações, conversas, reuniões, troca de ideias e muita luta. Nossa primeira batalha foi concluída: desde o dia 30 de agosto de 2018 o sobrado é patrimônio histórico cultural de Santa Maria tombado por decreto executivo.

No dia 6 de julho, o poder executivo da cidade assinou o decreto provisório do tombamento do sobrado e, em fins de agosto, conseguimos o tombamento definitivo, após um ano de tramitação do processo. O tombamento valida e reconhece a importância do casarão que data de 1916, cuja volumetria, fachadas norte, leste e sul devem ser preservadas, que representam o estilo arquitetônico eclético, bem como adornos e recuperação de aberturas,  e a fachada do galpão anexo, de 1940, em estilo art déco, conforme recomendações do  Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Santa Maria Comphic/SM.

Ter a assinatura do decreto aproxima de fato o sonho de restaurar o sobrado e transformá-lo no Sobrado Centro Cultural. Toda a equipe da TV OVO junto com Marcelo Canellas, Tita Pereira e Daniel Pereyron (representantes de um grupo de arquitetos), Lucas Just e Guilherme Angonese (equipe de engenheiros) trabalha para  fechar os últimos detalhes do projeto a ser submetido nas leis de incentivo à cultura do Estado e do governo federal (Lei Rouanet).

Memória e patrimônio são palavras um tanto quanto esquecidas nos dias de hoje. A valorização de espaços históricos e culturais cada vez mais é deixada de lado, ultimamente temos visto exemplos claros da situação, como o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, e, por outro lado, segue a luta daqueles que entendem a importância desses elementos como constituidores do nosso futuro, como o Movimento em Defesa do Patrimônio de Santa Maria. Não há investimentos em espaços históricos e culturais por parte do poder público, como também há uma dificuldade de cuidado e apoio de segmentos da sociedade para o que já é parte de nós, do cenário em que vivemos, da nossa história.

Continuamos, sonhamos e lutamos pelas pequenas e grandes causas.

Por Tayná Lopes

Há 102 anos o sobrado da esquina Floriano Peixoto com Ernesto Becker compõe a história de Santa Maria. Foto de Neli Mombelli.


Incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro é um alerta que soa há tempos


A TV OVO lamenta profundamente a destruição de um dos maiores acervos patrimoniais, científicos e culturais do país. Para quem trabalha com a recuperação da memória e luta pela valorização da cultura, perdas irreparáveis como essa são muito doloridas. Sobretudo, quando tragédias assim decorrem do descaso de órgãos públicos e de autoridades em relação à preservação da nossa memória e da nossa identidade, por uma incapacidade histórica de compreender a Cultura como bem maior, coletivo e carente de investimentos.

O incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro é resultado da falta de investimento do poder público no espaço. Em Santa Maria, uma tragédia parecida também pode acontecer se a mobilização pela defesa do conjunto patrimonial arquitetônico de Art Déco não for mantida. A devastação dos prédios antigos, que alguns setores da cidade querem fazer em nome de um “desenvolvimento” que não compreende o passado como parte do futuro, pode colocar abaixo a memória da cidade.

Luto pelo Museu Nacional;

Luta pela manutenção dos prédios históricos de Santa Maria e pela rápida aprovação da Lei do Patrimônio na nossa cidade.

Contexto

Na noite de ontem, domingo (02/09/2018), um incêndio atingiu o Museu Nacional localizado no parque Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio de Janeiro. No acervo – que contava com mais de 20 milhões de itens – estavam peças como o esqueleto mais antigo já encontrado nas Américas (Luzia) e a maior coleção de múmias egípcias em continente latino-americano.

Em junho deste ano, o Museu Nacional completou 200 anos de história, configurando-se como o mais antigo centro de ciência do Brasil e o maior museu deste tipo na América Latina. Contudo, nos últimos anos, a instituição enfrentava problemas de orçamento que acarretavam em falta de reformas. As causas do incêndio ainda estão sendo apuradas. As obras que poderão ser recuperadas seguem em contagem.

 


“Renovar não é por tudo abaixo”


Recentemente foi votada a lei do novo Plano Diretor de Santa Maria, que muda as regras de planejamento, construção e organização urbana da cidade pelos próximos 10 anos, ameaçando o patrimônio histórico da cidade, considerada a segunda com maior acervo contínuo de Art Déco do mundo. No momento, 135 prédios (listados pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural -Comphic)  estão protegidos por um decreto (que regulamenta a Lei do Patrimônio) de tombamento provisório.

No entanto, preocupados com a instabilidade da política local e insegurança sobre o patrimônio da cidade, entidades e moradores se reuniram na quinta, 3, com vereadores da cidade. Entre os representantes do movimento em defesa do patrimônio estavam o jornalista Marcelo Canellas, o presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Orlando Fonseca, e a arquiteta Márcia Kummel.

Já no sábado, 04, no centro da cidade, em um ato de protesto estiveram presentes também representantes do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), Conselho de Políticas Culturais, União das Associações Comunitárias (UAC), Associação de Moradores da Vila Belga, entre outros santa-marienses engajados com a causa. Um dos cartazes, do Diretório Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFN, trazia a seguinte frase: “Renovar não é por tudo abaixo”, em menção ao artigo do arquiteto, urbanista e antropólogo fluminense, Carlos Nelson F. dos Santos, publicado na Revista Projeto em 1986, texto em que ele discute o conceito de preservação patrimonial no espaço urbano.

É neste sentido que o grupo entende que, até o momento, apenas um lado da sociedade foi ouvido e, em seu manifesto, pede:

“…Diante da real possibilidade de que sejam postos abaixo não apenas o maior acervo arquitetônico em Art Déco, em via contínua, na América Latina, mas também inúmeros outros monumentos da história desta cidade, erguemos nossa voz, impregnada do afeto que temos por Santa Maria. Para tornar efetiva e consequente esta luta que começa aqui, hoje, propomos como eixos de ação: 

1) Todo apoio ao Comphic.
2) Pela defesa da lista provisória dos 135 imóveis tombados.
3) Por um inventário técnico sobre o valor histórico-arquitetônico dos imóveis antigos da cidade com a possibilidade de ampliação da lista.
4) Pela imediata discussão ampla e democrática de uma nova lei municipal de proteção ao patrimônio histórico, arquitetônico e cultural
5) pela criação de mecanismos de venda de potencial construtivo para que os proprietários sejam amparados pela prefeitura e tenham recursos para restaurar seus imóveis.”

Uma petição online  está circulando para coletar assinaturas. No vídeo abaixo,  está o registro que a TV OVO fez do ato na Praça Saldanha Marinho no último sábado.

COMISSÃO PARA CRIAÇÃO DE NOVA LEI DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO:

No dia 07/08, os vereadores aprovaram a constituição de uma comissão especial para acompanhar a criação da legislação específica que tratará das diretrizes para a preservação das construções com valores históricos do município.

A sessão para aprovação da comissão pode ser assistida no link abaixo.

Por Rede Sina em parceria com TV OVO


Sábado terá ato público em defesa do patrimônio cultural na Saldanha Marinho


Foi criado, hoje,  o coletivo de defesa do patrimônio cultural de Santa Maria. No próximo sábado,  04/08, haverá um ato público artístico às 10 horas da manhã na Praça Saldanha Marinho.

O coletivo é formado por diversas entidades como o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), Conselho de Políticas Culturais, União das Associações Comunitárias (UAC) e Associação da Vila Belga, além de integrar artistas, produtores culturais e pessoas de diversas áreas que defendem o patrimônio da cidade.

O movimento deve-se em função das alterações do Plano Diretor aprovado recentemente na Câmara de Vereadores que expõe as construções históricas e culturais da cidade à especulação imobiliária. Embora o prefeito Jorge Pozzobon tenha assinado um decreto de tombamento provisório que protege 135 prédios da cidade, o documento não dá garantias de que isso irá ocorrer.

Abaixo segue o manifesto na íntegra.

COLETIVO EM DEFESA DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL DE SANTA MARIA

SANTA MARIA, PATRIMÔNIO ART DÈCO DO BRASIL

Manifesto em defesa de um tesouro arquitetônico ameaçado

Preocupados com os riscos que corre o significativo acervo arquitetônico de nosso centro histórico, vimos a público anunciar nosso repúdio aos encaminhamentos que decorrem das mudanças no Plano Diretor da cidade. Ao mesmo tempo, tornamos manifesta nossa intenção de defender a proteção dos valores culturais de Santa Maria. ​

Uma cidade não se desenvolve apenas pela expansão em termos econômicos, pela abertura de novas ruas, implantação de novos empreendimentos, construção de novos prédios. Também vai-se tornando grande e promissora, pelo permanente progresso cultural de sua gente. Se os índices materiais dão a feição da cidade, a cultura é a sua alma. Não é eliminando os vestígios do passado que vamos dar uma cara nova a Santa Maria, simplesmente estaremos eliminando de sua essência o que a torna viva: a memória da construção de sua identidade.

Para que se possa ter efetividade na condução de políticas públicas, é preciso estimular nos santa-marienses a sua autoestima cidadã. Para cuidar da cidade, ajudar a manter sua beleza e fazê-la crescer, é preciso fomentar a ideia de pertencimento, de amor por este lugar de convívio. Amar implica conhecer: as pessoas não esquecem o que amam, e só amam de verdade o que conhecem.

Embora o efeito deletério das mudanças do Plano Diretor sobre o patrimônio arquitetônico do Centro Histórico de nossa cidade tenha sido amenizado pelo decreto do Prefeito Municipal, não há segurança de sua efetiva proteção. Diante da real possibilidade de que sejam postos abaixo não apenas o maior acervo arquitetônico em Art Déco, em via contínua, na América Latina, mas também inúmeros outros monumentos da história desta cidade, erguemos nossa voz, impregnada do afeto que temos por Santa Maria. Para tornar efetiva e consequente esta luta que começa aqui, hoje, propomos como eixos de ação:

1) Todo apoio ao Comphic.

2) Pela defesa da lista provisória dos 135 imóveis tombados.

3) Por um inventário técnico sobre o valor histórico-arquitetônico dos imóveis antigos da cidade com a possibilidade de ampliação da lista.

4) Pela imediata discussão ampla e democrática de uma nova lei municipal de proteção ao patrimônio histórico, arquitetônico e cultural

5) Pela criação de mecanismos de venda de potencial construtivo para que os proprietários sejam amparados pela prefeitura e tenham recursos para restaurar seus imóveis.

Apelamos para a consciência das autoridades para que não se deixem levar pelas urgências do presente. Convidamos a todos os santa-marienses para que se juntem a nós nessa luta em favor da nossa memória e a garantia de nossa identidade no futuro. Hoje construímos história, e a história que construímos coletivamente deve ter solidez, para não ser posta abaixo amanhã pela insensatez ou pela ganância de interesses particulares. Somos todos Santa Maria, hoje e sempre.

Sequência de Art Dèco na Avenida Rio Branco. Fotografia de Marcelo Canellas.


Distrito de Pains pelas lentes de nossas câmeras


Outro roteiro, outro destino, outra equipe, mas o objetivo se mantém o mesmo: descobrir, ouvir e registrar histórias por meio da produção de documentários. Não saímos em busca de lugares famosos, cinematográficos e mágicos, mas, em cada cantinho que vamos, é possível encontrar muita magia e encanto nos detalhes dos cenário, nas pessoas, no modo de vida, nas estradas… E falando em estrada, o ritual de juntar toda equipe, conferir o material técnico, revisar o carro e sair desbravando os distritos ao redor de Santa Maria se encaminha para o fim. Esta é a última produção, que incursiona o interior, prevista pelo projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade,  financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Transformamos em vídeo parte da história do distrito da Boca do Monte, de Santa Flora, de Arroio Grande, de São Valentim; trouxemos a cultura e as memórias do distrito de Palma em outro documentário. Santo Antão, Arroio do
Só e Passo do Verde também fazem parte do projeto de representar histórias em documentários. São nove distritos, imaginem o quanto de histórias para contar?! O Por Onde Passa a Memória da Cidade é uma forma de despertar e registrar as memórias dos moradores, contar e recontar a vida do local a partir de uma colcha de retalhos em que cada personagem social colabora com suas recordações, sonhos e anseios. Elabora-se a cartografia identitária do lugar e se faz uma recuperação histórica por meio de fragmentos de lembranças sentidas e contadas em forma de filme.

Dessa vez quem será contado é Pains, um distrito criado no dia 18 de junho de 1861, na época sediado em São Pedro do Sul. Hoje, localiza-se na parte central de Santa Maria, aos fundos da UFSM, e tem crescido como espaço urbano pelo número de indústrias instaladas e pela especulação imobiliária. Para entender o distrito, muita pesquisa vem sendo feita. A equipe de produção trabalha junto dos diretores Alexsandro Pedrollo e Heitor Leal, que dão o tom do estilo e da narrativa da produção.

Alan Orlando, integrante da equipe, é responsável por fazer algumas imagens nas diárias de gravações e pela edição do filme ao fim do processo. Ele conta como são as fases para o nascimento de um documentário: “Na pré-produção e pesquisa é feita a prospecção do lugar para elaborarmos uma ideia audiovisual para a obra. Esta fase compreende levantamento de informações, fontes e personagens. Além da pesquisa em material bibliográfico, vamos para o distrito conversar com as pessoas de lá para saber in loco as histórias e mapear pessoas para as gravações. Depois temos a produção, em que são feitas as gravações de imagens do distrito e entrevistas.  Normalmente temos quatro diárias de gravações. Por fim, vem a edição e a finalização”, relata Alan.

A equipe  já circulou pelo distrito durante dois dias fazendo o levantamento de pré-produção, material que vem dando forma à escaleta do documentário. Para Alan, é sempre empolgante estar envolvido numa produção como essa: “Nós saímos de manhã cedo e só voltamos de tardezinha. Compartilhar momentos assim com meus
colegas de TV é importante para aprender mais sobre audiovisual, fazer o que amamos e fortalecer nossa amizade. São muitas aventuras, nos divertimos muito! Gosto de poder ajudar de alguma forma nessas produções da TV”,
reflete o jovem amante do audiovisual.

Por Tayná Lopes

A cada estrada, novos desafios, personagens e histórias – Distrito de Pains/ Santa Maria . Foto de Taylor Lourenço