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Identidades no audiovisual e seus recortes


Tayná Lopes, integrante da TV OVO, mediou a conversa com a realizadora audiovisual Marcia Paraiso, da Plural Filmes. Foto de Francine Nunes

Identidades no Audiovisual foi o tema abordado em nosso segundo colóquio deste ano, com a diretora, roteirista e documentarista Marcia Paraiso. O bate-papo ocorreu no último dia 21 na Cesma, após a exibição do longa  Lua em Sagitário (2016), dirigido por Marcia, que conta a história de Ana, uma jovem de 17 anos que vive em uma cidade fronteiriça entre o Brasil e a Argentina. Seu único refúgio é visitar a lan house conhecida como “A Caverna”. É lá que, certo dia, conhece Murilo. Começa então um amor proibido que a faz fugir na aventura de cruzar o estado de moto para participar de um festival musical.

Durante o colóquio, Marcia contou um pouco sobre o objetivo que teve com o filme, que aborda temas como preconceitos e luta de classe. “A ideia do Lua em Sagitário é que fosse um filme que atraísse um público, a princípio, que não se interessaria pela questão. Era, também, produzir algo que não caísse no panfletário e nem no estereótipo.” Ela relatou que, ao mesmo tempo em que pessoas se sentiram representadas ao ver o trailer, pais de adolescentes foram conversar com ela sobre o Movimento Sem Terra (MST). O filme aborda, de maneira sensível, diferentes preconceitos. Se o mais evidente deles é o que existe em relação ao MST,  ela também trouxe a astrologia, que de certa forma, é uma provocação ao preconceito que também existe no próprio movimento.

Ela também abordou a importância de se ir ao cinema em nosso país, principalmente na primeira semana de exibição de um filme, e sobre o cinema brasileiro. “Estamos longe de ser o país do cinema, mas conseguimos mostrar, por meio dele, que o Brasil não é só futebol e samba.” Entre as perguntas do público, Marcia foi questionada sobre a melhor forma de se começar a trabalhar no audiovisual, ao que ela respondeu: “Acho que não existe a melhor forma de se começar no audiovisual. O cinema é uma atividade coletiva. É preciso entender sobre funções, mecanismos, administrar pessoas. Porém, acho que o primeiro passo é gostar e apreciar o cinema. Ler livros, conversar com pessoas diferentes de você, se abrir. Consumir arte e cultura e se interessar pela vida, para além da vida cotidiana.”

Marcia Paraiso é documentarista, roteirista e diretora, atuando há 25 anos no audiovisual e sócia fundadora da produtora Plural Filmes. Co-dirigiu a série “Submerso”- inédita, com previsão de estreia em novembro na Paramount Channel e os longas documentários Terra Cabocla (2015), A maravilha do século (2019) e Sobre sonhos e liberdade (em finalização). Foi também diretora das séries Invenções da Alma (Canal Arte 1) e Visceral Brasil, as veias abertas da música (TVs públicas e Canal Curta). Mãe de Joana e Maria, vive há 17 anos em Florianópolis, Santa Catarina.

O colóquio Identidades no Audiovisual integrou a programação do projeto Narrativas em Movimento, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria, LIC/SM, e que deverá ter continuidade no ano que vem. O projeto já foi aprovado na LIC e está em fase de captação de recursos.

Por Lívia Maria


Jovens e reflexões em narrativas audiovisuais


Jovens de diferentes escolas reunidos na TV OVO. Foto: Francine Nunes

O projeto Olhares da Comunidade continua em movimento. Após os dias de oficina nas escolas Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia,  na escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim, e na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença, reunimos parte da galera de estudantes do oitavo e nono ano dessas escolas para continuar as experimentações audiovisuais, desta vez  na sede da TV OVO.

O Olhares é um projeto financiado pela Lei Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM) e tem como foco trabalhar junto de adolescentes a formação audiovisual nas escolas públicas periféricas da cidade. Mais de 15 alunos vieram até a TV OVO para aprofundar os conhecimentos de gravação e edição. A partir de dinâmicas de apresentação, promovemos interação entre as escolas, discutimos temas para as gravações de três documentários, escolhemos as fontes para as entrevistas e exercitamos o olhar atento e criativo necessário para se ter a câmera nas mãos e para se pensar propostas narrativas audiovisuais. Foram exercícios diversos, de edição, de operação de câmera, de iluminação. Experiências que geraram partilhas, afeto e trocas.

Nos debates sobre o que abordar enquanto temática documental foi marcante a presença de questões com características sociais como feminismo, machismo e racismo. E também assuntos inerentes ao ser jovem perpassando a influência musical, depressão, internet, consciência ambiental, falta de lazer, conflito de gerações e esportes. Dentro dos temas discutidos, os mais votados e que se transformaram em roteiro foram: preconceito, LGBTfobia e ser adolescente. Para a produção, fomos até a Renascença para falar sobre o cotidiano dos integrantes do grupo que escolheram o tema ser adolescente; fomos até o Farezão (Centro Desportivo Municipal) para gravar manobras de skate e abordar o preconceito com jovens, por serem negros e morarem na periferia da cidade; e até a Vila Belga, para contar a história de Carlos Alberto da Cunha Flores (Kalu) e João Jerônimo de Mello Sodré, um casal homoafetivo que vive junto a mais de 40 anos.

Os alunos relataram que não percebiam o quão complexo é o processo de produção de um vídeo, não imaginavam que passa por tantas etapas, desde a discussão, a produção, a gravação, até a edição. Perceberam ainda a importância do trabalho coletivo, o amadurecimento das ideias e como tudo isso fortalece laços. Alguns se encantaram pela prática audiovisual e vão integrar a nossa equipe a partir de agosto.

No mês que vem também voltaremos às três escolas para uma sessão cineclubista aberta a comunidade. Lá exibiremos todos os vídeos produzidos pelo projeto, um total de 11. Após as exibiççoes, os vídeos serão disponibilizados no nosso canal do You Tube e em nosso Facebook. Acompanhe nossas redes para assistir, se inspirar e compartilhar.

Por Tayná Lopes


Os horizontes da Direção de Arte


A direção de arte no cinema colabora na construção dos personagens e de suas histórias através todos elementos visuais em cena, como figurinos, cenários, objetos. Luísa Copetti, que trabalha com direção de arte analógica e digital desde 2006, esteve na TV OVO no início do mês para compartilhar suas experiências e nos ajudar na construção dos nossos personagens, nos tornando seres audiovisuais mais sensíveis aos aspectos artísticos do cinema.

A partir do workshop de direção de arte, compreendemos a importância desta área no audiovisual, fazendo com que  sejamos mais atentos a esses elementos visuais e compreendamos a importância deles associados à narrativa audiovisual. Victoria Debortoli participou do workshop e acrescenta que “se tem uma agulha ali, aquela agulha importa, ela vai fazer sentido. Cada objeto tem um sentido, cada cor tem um sentido, nada está ali por acaso”.

Na atividade, Luísa abordou o tema sempre relacionando a sua própria prática profissional, mostrando sua metodologia de trabalho, desde a concepção do conceito de arte até o seu resultado, com o produto finalizado. Marcos Amaral, que também realizou a atividade, considera que ter conhecido este processo foi muito relevante, principalmente “o processo de uma pessoa que já é profissional e que tem muita bagagem para transmitir”.

No final do dia, o exercício foi criar uma proposta de arte a partir dos versos da música  Ai se Sêsse, da banda Cordel do Fogo Encantado. As propostas elaboradas foram as mais diversas e criativas, surpreendendo a todos. Francine, Victória, Marcos e todos, que durante o sábado entraram em contato com a direção de arte, saíram transformados e cheios de inspirações para serem aplicadas nas próximas produções audiovisuais que farão parte.

O workshop faz parte do projeto Narrativas em Movimento, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Por Francine Nunes

Luísa Copetti trouxe diversas referências do mundo audiovisual para instigar a criação na direção de arte. Foto de Neli Mombelli


Um pedacinho de Santa Maria exibido na Feira do Livro


O palco do Livro Livre do dia 02 de maio, na Praça Saldanha Marinho, protagonizou a exibição do documentário Palma, o 8° Distrito. Após a exibição, foi aberto um pequeno debate para o público. Surgiram dúvidas em relação a produção do documentário, o tempo que foi necessário para realizar as entrevistas entre outros questionamentos.

Dentre as pessoas que assistiram o filme estavam Tânia e Taís Viero Bezerra. Tânia morou no distrito, e sua mãe foi uma das entrevistadas documentário. Ela disse que achou o documentário maravilhoso: “ele valoriza e instiga a vontade de quem assiste ir conhecer” o distrito. Taís completa a fala de Tânia dizendo que “como a gente tem uma comunidade flutuante muito grande, as pessoas mal conhecem Santa Maria, muito menos vão conhecer os distritos”. Taís também acrescentou que o produto final é muito bom para escolas e também universidades, por ser uma oportunidade de todo este público conhecer um pouco das localidades e criarem o interesse de visitá-las.

Após o filme de Palma, foi exibido o trailler de outro documentário também produzido pela TV OVO, este falando de Santa Flora, filme que em breve será exibido na comunidade.

Ambos os filmes fazem parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade e são financiados pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC/SM).

Por Larissa Essi

Denise Copetti conduziu o debate após a exibição do documentário. Foto de Renan Mattos


Colóquio discutiu a produção audiovisual seriada


Aprovada no Congresso Nacional em agosto de 2011 e sancionada em setembro,  após quase 5 anos de discussão, a lei 12.485/2011 ou Lei da TV Paga, nasceu com o objetivo de aumentar a produção e a circulação de conteúdo audiovisual brasileiro, diversificado e de qualidade, gerando emprego, renda, royalties, mais profissionalismo e o fortalecimento da cultura nacional. Juntamente com a Lei da TV Paga, tivemos também o crescimento dos serviços de streaming, viu-se então a necessidade de se ampliar e democratizar a maneira do pensar e do fazer audiovisual no Brasil, independente do formato (seja ele série, filme ou websérie) ou plataforma de distribuição.

Para ajudar a formular esses pensamentos,realizamos o colóquio Produção Audiovisual em Série, pelo  projeto Narrativas em Movimento financiado pela Lic/SM. A atividade contou com a presença da diretora, roteirista, produtora executiva e integrante da Casa de Cinema de Porto Alegre, Ana Luiza Azevedo – que ganhou destaque ao dirigir o filme Doce de Mãe (2012), e, do roteirista, produtor, sócio da Coelho Voador e um dos idealizadores do Frapa (Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre), Leonardo Garcia.

Durante a discussão, ambos evidenciaram a forma como regiões como o eixo Rio-São Paulo são favorecidos na questão de visibilidade e acesso a editais para captação de recursos milionários, enquanto nós, na região Sul, ainda temos que lidar com quantias inferiores que dificultam a viabilização de projetos.

Para (tentar) driblar a questão dos recursos financeiros, Ana Luiza  e Leo destacaram a importância da utilização de dispositivos móveis para dar um primeiro passo nas produções. Atualmente, contamos com smartphones com câmeras de ótima qualidade, e, o que antes só seria possível ser filmado com um equipamento cinematográfico, se torna palpável e sem necessariamente perder qualidade.

Outro ponto tocado pelos convidados foi a forma como alguns profissionais da área são desvalorizados. Muito antes do diretor poder fazer sua parte, um roteiro precisou ser escrito. Mas por que só o diretor recebe a devida atenção? Com isso em mente, nasceu o Frapa, o festival que visa premiar e dar visibilidade aos roteiristas.

Mesmo com a criação de leis e projetos que incentivem a produção audiovisual nacional, os órgãos e categorias competentes ainda precisam voltar seus olhos para o resto do país e compreender que precisamos pensar fora da bolha e ir além do eixo Rio/São Paulo.

Por Valdemar Neto

colóquio produção seriada

Ana Luiza e Leo Garcia falaram sobre suas produções e sobre o mercado audiovisual. Foto de Pedro Piegas


Inscreva-se no workshop “o som no audiovisual”


Tão importante quanto as imagens, o som exerce um papel fundamental no audiovisual. Afinal, como a própria palavra indica, é a junção de imagens em movimento com o som que resulta em um produto audiovisual.

O som no audiovisual envolve uma série de elementos que vão desde diálogos à trilha sonora, passando pelo som ambiente e efeitos sonoros. Desenho de som, tratamento de áudio na pós-produção audiovisual e mixagem e masterização são conceitos necessários para trabalhar em uma obra audiovisual de qualidade.

Para quem gosta desse assunto aí vai uma boa notícia, nos dias 12 e 19 de agosto, realizaremos, no Sobrado Centro Cultural, o workshop O som no audiovisual. Serão duas tardes dedicadas à reflexão e à prática desse elemento audiovisual por vezes pouco explorado.

O workshop, com 15 vagas, será ministrado por Márcio Echeverria Gomes, nosso parceiro, responsável pelo desenho de som de algumas de nossas obras. Para quem se interessa pelo tema e quer aprofundar os conhecimentos em áudio voltado ao audiovisual pode fazer a sua inscrição no workshop até o dia 10 de agosto neste link.

O pagamento da taxa deve ser feito pessoalmente na sede da TV OVO, rua Floriano Peixoto, 267, das 14h30min às 18h. Em caso de dúvidas ou incompatibilidade de horário, nos envie um e-mail (tvovo@tvovo.org), nos ligue (3026 3039) ou entre contato inbox no Facebook (tvovosm). A vaga será confirmada mediante o pagamento até dia 10 de agosto.

 

O quê: Workshop O som no audiovisual
Quando: dias 12 e 19 de agosto, das 14h às 18h.
Local: Sobrado Centro Cultural. Rua Floriano Peixoto, 267.
Quanto: R$ 60 inteira. R$ 30 meia (estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos carentes – mediante apresentação de documento comprobatório)

Conteúdo programático
– Som direto;
– Análise sonora audiovisual;
– Desenho de som;
– Tratamento de áudio na pós-produção audiovisual;
– Mixagem e masterização final.

 

O Workshop O som no audiovisual faz parte do Projeto Narrativas em Movimento 2017 e conta com o financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Por Heitor Leal

Márcio fez a captação de som direto no curta-metragem Poeira.

Márcio fez a captação de som direto no curta-metragem Poeira. Fotografia de Fernando Krum.