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LUZ, SKATE, AÇÃO! Veja nossa série completa!


Acabamos de disponibilizar uma nova série audiovisual completa: Luz, Skate, Ação! A produção conta com 6 episódios de ficção, inéditos e de curta duração. A proposta de produzir a série surge em 2019, mas de fato só se concretiza em 2020 como possibilidade de dar seguimento ao Projeto Cultural Olhares da Comunidade, que tem como foco a formação audiovisual em escolas públicas da cidade de Santa Maria, RS. Como em meio à pandemia da COVID-19 não poderíamos frequentar as escolas, a ideia foi transformar todo conhecimento transmitido nas oficinas nesta super série, assim, de forma online, poderíamos nos conectar com a comunidade escolar, alunos, professores e demais interessados no conteúdo.

Ao assistir os episódios, você vai se aventurar em uma narrativa de aprendizados. Abordamos assuntos como som, roteiro, pré-produção, direção de fotografia e edição, entre vários outros. Além disso, você confere dicas práticas e depoimentos de profissionais da área do audiovisual.

SINOPSE

Depois de participar da oficina de audiovisual da TV OVO, Vini, um jovem skatista, decide compartilhar o que aprendeu sobre o assunto para ajudar outras pessoas e, também, para relembrar e aprender mais. São seis episódios de muita manobra e audiovisual. Vamos lá? Luz, Skate, Ação!

Vini é nosso personagem principal, mas na vida real é Richard Chagas, produtor cultural, ator, skatista e amante do audiovisual. É ele quem guiará você em cada episódio, levando o conhecimento audiovisual de forma segura, clara e didática.

Para assistir é simples e gratuito, acesse a playlist da série no YouTube. Também disponibilizamos no Facebook e Instagram.

 

Além da série audiovisual, produzimos uma cartilha aprofundando de forma teórica e exemplificada os conteúdos abordados no vídeo, buscando complementar os métodos de aprendizagem de quem acompanha a série. Em breve, o material será distribuído a profissionais da cultura, da educação e aos alunos do nosso município. O projeto tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura/LIC-SM.

Se você ainda não se convenceu de que vale a pena curtir esta nova série audiovisual santa-mariense, se liga no teaser.

Por Tayná Lopes


TV OVO estreia nova série Luz, Skate, Ação!


Richard Chagas interpreta Vini. Foto Alexsandro Pedrollo

 

Um dos pilares de nossa trajetória é a formação audiovisual de alunos do 8º e 9º ano de escolas públicas de Santa Maria. Porém, em 2020, tivemos que parar e repensar como levaríamos esse aprendizado de forma segura, clara e didática para esses jovens. Surge assim a série Luz, Skate, Ação!, que estreia amanhã, 10 de abril, nas nossas redes: YouTube, Facebook e Instagram. Então, é com muito entusiasmo que convidamos todxs para acompanhar e curtir os seis episódios que estão por vir!

Se liga na sinopse:

Depois de participar da oficina de audiovisual da TV OVO, Vini, um jovem skatista, decide compartilhar o que aprendeu sobre o assunto para ajudar outras pessoas e, também, para relembrar e aprender mais. São seis episódios de muita manobra e audiovisual. Vamos lá? Luz, Skate, Ação!

 

 

Oficina, audiovisual e pandemia

A ideia para a série surgiu no final de 2019, como um complemento para nossas oficinas de formação audiovisual, mas foi apenas em 2020, com a chegada da pandemia, que o projeto ganhou vida. Para a criação do personagem principal, nos inspiramos em um de nossos alunos que participou do projeto Olhares da Comunidade 2019 produzindo um vídeo sobre skate e preconceito. A partir disso, fomos em busca do nosso ator, skatista e amante de audiovisual na vida real. É aí que entra Richard Chagas, nosso ator que interpreta o Vini e nos guia nessa narrativa de aprendizado.

Perguntamos a ele como foi participar do projeto:

Richard: Foi uma experiência muito inovadora. Eu não sabia o que esperar, mas eu sabia que era um projeto que ia agregar muito na questão do skate e de como poderia ajudar o skate na cidade, de como ele é visto. Esse foi um dos principais pontos que me fez topar de vez participar desse projeto. E participando dele, meu Deus, foi muito bom, porque, tipo, eu já gravo vídeos, né? Eu já participava disso, já ajudava meus amigos, a gente se gravava [andando de skate], mas me deu uma noção mais ampla, assim, de como gravar, como situar… Toda aquela questão do iso, diafragma, todas essas coisas, que ajudam no contexto de como aplicar isso no skate, né? Aplicar  no skate tudo que eu aprendi no projeto foi muito divertido.

TV OVO: E como está a expectativa para os episódios da série?

Richard: Meu coração tá a mil, eu tô louco pra vê como é que ficou e meus amigos também. Eu olhei o primeiro o episódio e fiquei naquela angústia, coração na garganta, assim, louco para ver os outros.

Mas não foi apenas o Vini e o Richard que aprenderam e descobriram mais sobre audiovisual, Francine Nunes e Lívia M. Teixeira de Oliveira se descobriram como roteiristas ao elaborar a série. “Foi um processo bem legal. Eu já me arriscava a escrever algumas coisas, mas apenas para mim, então foi uma experiência diferente expor para as outras pessoas. Eu ainda não acredito que escrevemos uma série!”, relata Lívia.

Já Francine conta sobre sua percepção antes de iniciar a roteirização: “Eu acho que antes de começar a fazer os roteiros eu nem tinha a dimensão do que seria. Eu nem sabia dimensionar. Entender que, nossa, quantas páginas isso vai virar, quantas horas de trabalho isso vai precisar, será que eu sou ou não capaz de fazer isso. Isso nem foi questionado antes da gente começar. Isso eu nem me questionei.” E complementa “Porque na TV OVO a gente sempre tá fazendo coisas novas, então não é uma novidade fazer coisas novas (…) Além de que, claro, existe a segurança de que existem várias pessoas aqui, né, na nossa volta que vão ajudar, que vão colaborar. Então esse coletivo, assim, que a TV OVO representa, também traz segurança nessas aventuras.”

 

Da esquerda para direita: Alexsandro Pedrollo na direção de fotografia, Victor Mascarenhas na captação de som, Richard Chagas como Vini, Marcos Borba na direção, Denise Copetti na produção de elenco e Heitor Leal na produção de set.

 

O formato de produção e gravação da série também foi uma novidade, já que o audiovisual envolve encontros, muita gente, equipes no set. A logística precisou ser realizada à distância e com protocolos de segurança e equipe mínima durante as gravações. Marcos Borba, diretor da série, comenta que essa dinâmica foi muito interessante: “Uma porque estávamos todos receosos com todos os cuidados que tínhamos que ter. No segundo semestre do ano passado Santa Maria ainda não estava nessa situação de bandeira preta, com poucos casos, então a gente se sentia um pouco mais seguro. Estava oscilando entre a bandeira laranja e a vermelha no distanciamento controlado do governo do estado.”

Além disso, ele comenta que recomendações de entidades do setor foram primordiais para guiar a produção. “E foi bacana porque o IECINE (Instituto Estadual de Cinema do RS), a APTC (Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos), e o SIAV (Sindicato da Indústria Audiovisual RS), que são as entidades de classe do audiovisual aqui do estado, fizeram uma cartilha com os cuidados que todas as produtoras e coletivos de produção audiovisual deveriam ter na pandemia. A gente estudou esse material e criamos o nosso próprio protocolo.” completa Borba.

Sobre os cuidados na hora da gravação, Marcos reforça: “Para entrar na locação todos limpavam os calçados com álcool em gel, o uso de máscara era obrigatório, intervalos de 2 em 2 horas para saída para um pátio que tinha na casa onde foi o quarto do Vini, poucas pessoas no set, um monitor de referência onde eu, como diretor, ficava bem longe do ator. Então basicamente naquele espaço só ficava o Richard, que era o ator, o Alex, operador de câmera e o Victor, no áudio. A gente foi se distanciando para poder ficar em segurança e fazer as gravações que eram necessárias.”

O trabalho coletivo, mais do que nunca, se somou nessa produção. Tudo foi pensado nos mínimos detalhes. O quarto do Vini, cenário dos seis episódios, foi elaborado com objetos que a equipe tinha em casa. “Primeiro a gente fez essa parte de conceber qual era a ideia do quarto, como esse quarto seria. (…) E depois a gente teve que cruzar isso com o que tínhamos de objetos e ajustar essas ideias conforme o que tínhamos em mãos. A gente definiu remotamente, pela internet, quais seriam esses objetos para então ir buscar. E o Richard, que interpreta o Vini, também colaborou com alguns objetos dele, foi bem legal.”, comenta Francine Nunes, que também foi diretora de arte.

Tayná Lopes, que integrou a equipe de produção, espera que a série sirva de inspiração e de material de estudo para muitas pessoas. “Como equipe, estamos muito contentes com o resultado, afinal foram inúmeros desafios para se enfrentar e seguir criando e produzindo audiovisual nos últimos tempos. Apesar dos desafios, é uma honra poder trabalhar com uma ferramenta capaz de mobilizar, educar e motivar pessoas como é  a linguagem audiovisual”.

Além dos episódios, ainda dentro do projeto Olhares da Comunidade 2020 que tem financiamento pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria, LIC/SM, será disponibilizada uma cartilha digital complementar ao conteúdo audiovisual, contemplando os mesmos temas e fazendo referência aos vídeos.

Se você for assistir aos episódios nas nossas redes sociais, não esquece de deixar um comentário para termos um feedback. E como sempre, para não perder o costume, se inscreve no canal, curte e compartilha com os amigos.

Aí vai um recado do Vini especialmente para você!
“Fala galera, tudo tranquilo? Aqui quem fala é Vini. Vocês ainda não me conhecem muito bem, mas falta pouco para isso acontecer. Dia 10 de abril tem o primeiro vídeo que gravei falando sobre audiovisual, e o que posso adiantar para vocês é que tá muito massa! Não perde, hein! Valeu!”

 

Por Lívia Maria Teixeira de Oliveira e Tayná Lopes

 


Narrativas em Movimento – edição 2021


A pandemia impôs transformações para todos. Para seguirmos com nossas atividades, que sempre foram presenciais e de muito contato, precisamos rever nossas metodologias e trazer novos formatos para continuar nos movimentando no audiovisual. Além disso, editais e leis de incentivo à cultura têm sido fundamentais para que possamos continuar produzindo. Entre os aprovados pela lei municipal está o Narrativas em Movimento, que já vai para a 6ª edição.

O Narrativas é um projeto pensado e elaborado para promover diálogo e formações no campo do audiovisual, buscando interface com diferentes áreas de conhecimento, envolvendo cultura, artes, comunicação, educação e, para este ano, meio ambiente. Desde 2016, realiza colóquios com entrada gratuita, trazendo nomes de referência no cenário nacional para compartilhar suas experiências e leituras sobre o mundo. Além dos colóquios, também são oferecidos workshops de formação, para fomentar de forma continuada a capacitação de profissionais e estudantes da região e, principalmente, a produção santa-mariense.

A edição de 2021,mcom valor total aprovado para captação de R$ 40 mil, prevê  um colóquio e três workshops em formato virtual, a princípio. O colóquio terá temática voltada para o audiovisual e questões socioambientais, por meio de live realizada no canal de YouTube da TV OVO e em nossa página do Facebook, permitindo interação com o público em tempo real e o debate com base em questionamentos dos participantes. O evento será gravado e posteriormente disponibilizado no canal de YouTube. Mesmo que de forma remota, devido às restrições impostas pelo momento em que vivemos, estamos confiantes quanto ao sucesso da ação, já que a última edição do projeto (2020) foi realizada de maneira virtual e observamos o potencial do projeto diante desta nova versão. A partir da tecnologia e da tendência das lives, é possível contatar e fechar a participação no evento de profissionais pertencentes a regiões muito distantes em nosso Brasil e atingir outros públicos além das fronteiras de Santa Maria. Assim levamos e difundimos o trabalho audiovisual da cidade a essas pessoas e vice-versa.

Já os workshops serão voltados para direção de fotografia em documentários, montagem cinematográfica e desenho de som. Os ministrantes são nomes de relevância profissional, que irão compartilhar das suas experiências. A troca deverá ser realizada por plataforma online também.

E, para completar a programação, temos previstas duas sessões de cinema em locais públicos, com a exibição de filmes brasileiros de grande circulação, mas que não chegam a entrar na programação das salas de cinema da cidade. Gerar este movimento de exibir filmes na rua é uma alternativa de formação de público, entretenimento e cultura de qualidade para a comunidade de Santa Maria, levando cinema gratuito e acessível. Ressaltamos aqui que as sessões só ocorrerão com a devida autorização dos órgãos cabíveis e de acordo com a cor da bandeira permitida na cidade. Esperamos que até o final do ano isso seja possível.

Santa Maria é um reconhecido polo de produção audiovisual, com uma história consolidada tanto na exibição e discussão, quanto na realização. Independentemente das identidades atribuídas para Santa Maria, como por exemplo, cidade cultura, cidade universitária ou cidade ferroviária, é indiscutível o lugar de destaque da produção cinematográfica e audiovisual. Desde o movimento super-oitista dos anos de 1970, passando pela tradição cineclubista com o Lanterninha Aurélio, Otelo Cineclube e outros, chegando nos contemporâneos Festivais Cinest e SMVC, dialogando com a produção acadêmica da UFSM, UFN e com os projetos nas escolas, com a Estação Cinema, produtoras, produtores e também com a TV OVO, a cidade tem na produção audiovisual uma forte marca.

Compartilhe esse texto com seus amigos aqui nas redes sociais, participe das nossas atividades ou, se você possui condições financeiras, nos apoie. Colabore para um mundo com mais oportunidades, com produção de conhecimento, arte e cultura!

Para contato: e-mail: tvovo@tvovo.org/ Facebook: TV OVO/ Instagram: @tvovosm

Confira o histórico completo do NEM:

Em 2016, o projeto realizou três colóquios que discutiram o cenário atual do audiovisual no Estado, o jornalismo na era da internet e as políticas culturais pelo viés do desentendimento. Além dos colóquios, oficinas de produção executiva, de storyboard para ficção e um grande show ao ar livre, na frente do Sobrado, completaram as atividades do projeto e marcaram os 20 anos da TV OVO. 

Em 2017, foram dois colóquios, um com aporte da LIC, e o outro em parceria com a Chilli Produções, Feira do Livro e com o patrono da Feira, Marcelo Canellas, realizados em maio, no Theatro Treze de Maio, lotando o espaço mais uma vez, para discutir audiovisual e jornalismo, além do lançamento de um documentário inédito no país – Resistência, de Eliza Capai. O outro, em parceria com o Fórum Arte, Cinema e Audiovisual, promovido pelo curso de Artes Visuais da UFSM, e em parceria com o curso de Jornalismo da UFN, abordou a produção audiovisual de séries e seriado, para TV e web. Nesta edição também foram realizados quatro workshops na área do audiovisual e uma oficina de produção audiovisual para alunos de escolas públicas.

Em 2018, um dos colóquios trouxe para debate a questão do documentário, direitos humanos e cidadania, lançando um filme inédito na cidade, premiado em diversos festivais, em sessão gratuita antes do debate – Pastor Claudio, de Beth Formagini; e o segundo abordou narrativas audiovisuais de resistência, trazendo a roteirista Inês Figueró, do filme Era o Hotel Cambridge, e o realizador audiovisual argentino, Axel Monsú, além dos workshops de produção audiovisual com tecnologia mobile e de direção de arte. 

Em 2019, trouxemos Guilherme Castro para o workshop de documentário, e Félix Reboledo, para o workshop de roteiro para curta-metragem de ficção. O primeiro colóquio do ano debateu Memória e Territórios no audiovisual com a presença do indigenista e idealizador do Vídeo nas Aldeias, Vincent Carelli, com exibição do filme Martírio, e o segundo abordou o tema Identidades no Audiovisual, com a documentarista, roteirista e diretora Marcia Paraiso, com exibição do filme Lua em Sagitário, ambos inéditos na cidade. 

Em sua edição mais recente, em 2020, o Narrativas em Movimento promoveu um debate sobre Audiovisual e Representatividade Negra, de maneira online devido às limitações impostas pela pandemia do novo Coronavírus, o que não diminuiu a qualidade e importância da discussão, da qual participaram o ator e cantor Flavio Bauraqui e a roteirista, diretora e produtora Mariani Ferreira, do coletivo Macumba Lab. O debate foi mediado pelo ator, diretor, professor e roteirista Gelton Quadros, em transmissão ao vivo pelas redes sociais da TV OVO. Além disso, o projeto também proporcionou a realização do workshop Dirigindo a imagem: expressão e técnica na cinematografia, ministrado pelo diretor de fotografia Pedro Rocha, em formato de videoconferência.

Por Tayná Lopes


Identidades no audiovisual e seus recortes


Tayná Lopes, integrante da TV OVO, mediou a conversa com a realizadora audiovisual Marcia Paraiso, da Plural Filmes. Foto de Francine Nunes

Identidades no Audiovisual foi o tema abordado em nosso segundo colóquio deste ano, com a diretora, roteirista e documentarista Marcia Paraiso. O bate-papo ocorreu no último dia 21 na Cesma, após a exibição do longa  Lua em Sagitário (2016), dirigido por Marcia, que conta a história de Ana, uma jovem de 17 anos que vive em uma cidade fronteiriça entre o Brasil e a Argentina. Seu único refúgio é visitar a lan house conhecida como “A Caverna”. É lá que, certo dia, conhece Murilo. Começa então um amor proibido que a faz fugir na aventura de cruzar o estado de moto para participar de um festival musical.

Durante o colóquio, Marcia contou um pouco sobre o objetivo que teve com o filme, que aborda temas como preconceitos e luta de classe. “A ideia do Lua em Sagitário é que fosse um filme que atraísse um público, a princípio, que não se interessaria pela questão. Era, também, produzir algo que não caísse no panfletário e nem no estereótipo.” Ela relatou que, ao mesmo tempo em que pessoas se sentiram representadas ao ver o trailer, pais de adolescentes foram conversar com ela sobre o Movimento Sem Terra (MST). O filme aborda, de maneira sensível, diferentes preconceitos. Se o mais evidente deles é o que existe em relação ao MST,  ela também trouxe a astrologia, que de certa forma, é uma provocação ao preconceito que também existe no próprio movimento.

Ela também abordou a importância de se ir ao cinema em nosso país, principalmente na primeira semana de exibição de um filme, e sobre o cinema brasileiro. “Estamos longe de ser o país do cinema, mas conseguimos mostrar, por meio dele, que o Brasil não é só futebol e samba.” Entre as perguntas do público, Marcia foi questionada sobre a melhor forma de se começar a trabalhar no audiovisual, ao que ela respondeu: “Acho que não existe a melhor forma de se começar no audiovisual. O cinema é uma atividade coletiva. É preciso entender sobre funções, mecanismos, administrar pessoas. Porém, acho que o primeiro passo é gostar e apreciar o cinema. Ler livros, conversar com pessoas diferentes de você, se abrir. Consumir arte e cultura e se interessar pela vida, para além da vida cotidiana.”

Marcia Paraiso é documentarista, roteirista e diretora, atuando há 25 anos no audiovisual e sócia fundadora da produtora Plural Filmes. Co-dirigiu a série “Submerso”- inédita, com previsão de estreia em novembro na Paramount Channel e os longas documentários Terra Cabocla (2015), A maravilha do século (2019) e Sobre sonhos e liberdade (em finalização). Foi também diretora das séries Invenções da Alma (Canal Arte 1) e Visceral Brasil, as veias abertas da música (TVs públicas e Canal Curta). Mãe de Joana e Maria, vive há 17 anos em Florianópolis, Santa Catarina.

O colóquio Identidades no Audiovisual integrou a programação do projeto Narrativas em Movimento, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria, LIC/SM, e que deverá ter continuidade no ano que vem. O projeto já foi aprovado na LIC e está em fase de captação de recursos.

Por Lívia Maria


Jovens e reflexões em narrativas audiovisuais


Jovens de diferentes escolas reunidos na TV OVO. Foto: Francine Nunes

O projeto Olhares da Comunidade continua em movimento. Após os dias de oficina nas escolas Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia,  na escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim, e na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença, reunimos parte da galera de estudantes do oitavo e nono ano dessas escolas para continuar as experimentações audiovisuais, desta vez  na sede da TV OVO.

O Olhares é um projeto financiado pela Lei Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM) e tem como foco trabalhar junto de adolescentes a formação audiovisual nas escolas públicas periféricas da cidade. Mais de 15 alunos vieram até a TV OVO para aprofundar os conhecimentos de gravação e edição. A partir de dinâmicas de apresentação, promovemos interação entre as escolas, discutimos temas para as gravações de três documentários, escolhemos as fontes para as entrevistas e exercitamos o olhar atento e criativo necessário para se ter a câmera nas mãos e para se pensar propostas narrativas audiovisuais. Foram exercícios diversos, de edição, de operação de câmera, de iluminação. Experiências que geraram partilhas, afeto e trocas.

Nos debates sobre o que abordar enquanto temática documental foi marcante a presença de questões com características sociais como feminismo, machismo e racismo. E também assuntos inerentes ao ser jovem perpassando a influência musical, depressão, internet, consciência ambiental, falta de lazer, conflito de gerações e esportes. Dentro dos temas discutidos, os mais votados e que se transformaram em roteiro foram: preconceito, LGBTfobia e ser adolescente. Para a produção, fomos até a Renascença para falar sobre o cotidiano dos integrantes do grupo que escolheram o tema ser adolescente; fomos até o Farezão (Centro Desportivo Municipal) para gravar manobras de skate e abordar o preconceito com jovens, por serem negros e morarem na periferia da cidade; e até a Vila Belga, para contar a história de Carlos Alberto da Cunha Flores (Kalu) e João Jerônimo de Mello Sodré, um casal homoafetivo que vive junto a mais de 40 anos.

Os alunos relataram que não percebiam o quão complexo é o processo de produção de um vídeo, não imaginavam que passa por tantas etapas, desde a discussão, a produção, a gravação, até a edição. Perceberam ainda a importância do trabalho coletivo, o amadurecimento das ideias e como tudo isso fortalece laços. Alguns se encantaram pela prática audiovisual e vão integrar a nossa equipe a partir de agosto.

No mês que vem também voltaremos às três escolas para uma sessão cineclubista aberta a comunidade. Lá exibiremos todos os vídeos produzidos pelo projeto, um total de 11. Após as exibiççoes, os vídeos serão disponibilizados no nosso canal do You Tube e em nosso Facebook. Acompanhe nossas redes para assistir, se inspirar e compartilhar.

Por Tayná Lopes


Os horizontes da Direção de Arte


A direção de arte no cinema colabora na construção dos personagens e de suas histórias através todos elementos visuais em cena, como figurinos, cenários, objetos. Luísa Copetti, que trabalha com direção de arte analógica e digital desde 2006, esteve na TV OVO no início do mês para compartilhar suas experiências e nos ajudar na construção dos nossos personagens, nos tornando seres audiovisuais mais sensíveis aos aspectos artísticos do cinema.

A partir do workshop de direção de arte, compreendemos a importância desta área no audiovisual, fazendo com que  sejamos mais atentos a esses elementos visuais e compreendamos a importância deles associados à narrativa audiovisual. Victoria Debortoli participou do workshop e acrescenta que “se tem uma agulha ali, aquela agulha importa, ela vai fazer sentido. Cada objeto tem um sentido, cada cor tem um sentido, nada está ali por acaso”.

Na atividade, Luísa abordou o tema sempre relacionando a sua própria prática profissional, mostrando sua metodologia de trabalho, desde a concepção do conceito de arte até o seu resultado, com o produto finalizado. Marcos Amaral, que também realizou a atividade, considera que ter conhecido este processo foi muito relevante, principalmente “o processo de uma pessoa que já é profissional e que tem muita bagagem para transmitir”.

No final do dia, o exercício foi criar uma proposta de arte a partir dos versos da música  Ai se Sêsse, da banda Cordel do Fogo Encantado. As propostas elaboradas foram as mais diversas e criativas, surpreendendo a todos. Francine, Victória, Marcos e todos, que durante o sábado entraram em contato com a direção de arte, saíram transformados e cheios de inspirações para serem aplicadas nas próximas produções audiovisuais que farão parte.

O workshop faz parte do projeto Narrativas em Movimento, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Por Francine Nunes

Luísa Copetti trouxe diversas referências do mundo audiovisual para instigar a criação na direção de arte. Foto de Neli Mombelli