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Documentário abordará o acervo Art Dèco da Rio Branco e defenderá a luta pela preservação do patrimônio santa-mariense


Mais uma vez os caminhos da vida real e do universo do cinema se cruzam e surge mais um documentário que se envolve com a memória e a identidade santa-mariense. Desta vez, a pauta é a defesa do patrimônio histórico-cultural de Santa Maria, movimento que nasce em função de alterações do Plano Diretor aprovado neste ano na Câmara de Vereadores. As modificações no desenho urbano alteram as regras de planejamento, construção e organização da cidade pelos próximos 10 anos e, deste modo, colocam em risco os prédios históricos da cidade, expondo-os à especulação imobiliária. Entre o patrimônio ameaçado está o segundo maior acervo contínuo em Art Déco das Américas, que projeta Santa Maria para o mundo, já que fica atrás apenas da Ocean Drive, em Miami. (Leia matéria de O Globo que fala da Ocean Drive, da sua arquitetura e vocação para o turismo.)

“Eu, como santa-mariense, não consigo me conformar com a ideia de que é preciso destruir o passado para construir o futuro. Isso, além de ser equivocado, é uma estupidez, porque você destrói um imenso patrimônio – inclusive econômico – de possibilidades de desenvolvimento, de alternativas econômicas que dizem respeito ao turismo, à indústria criativa, à gastronomia e a dezenas de atividades econômicas associadas à preservação do patrimônio histórico. Em Santa Maria, a gente não percebe porque está degradado, porque está feio, porque não está pintado, porque está em ruínas. Mas se a gente lançar um olhar generoso sobre a cidade de onde a gente é, ou sobre a cidade que a gente vive, vamos perceber a beleza da singularidade da arquitetura local. Santa Maria é uma cidade única. O privilégio de ainda termos em pé o maior conjunto contínuo de Art Déco da América Latina (segundo das Américas) nos dá a imensa possibilidade de reforçar esse sentido de pertencimento. Então tem tudo a ver com autoestima, com amor ao lugar que a gente vive, tem tudo a ver com história, com memória”, reflete o jornalista Marcelo Canellas, um dos entusiastas do Movimento em Defesa do Patrimônio de Santa Maria e que propôs a produção de um documentário sobre o assunto em parceria com a TV OVO.

No cenário santa-mariense, a luta pela preservação do patrimônio arquitetônico impulsiona atitudes de protestos. Os primeiros passos de luta partiram de um grupo engajado com a causa, que formaram, então, um coletivo em defesa do patrimônio ameaçado. Logo após a formação do grupo e estruturação de ideias, organizou-se um ato público no centro da cidade que reuniu diversos cidadãos engajados com a causa.

A respeito da produção do documentário, Canellas diz que o filme busca provocar uma reflexão sobre as maneiras de como a gente deve tratar a nossa história e nosso patrimônio. O documentário já está em fase de pesquisa, com gravações previstas para o final do ano.

Francamente ativista e militante é como Canellas define o filme em processo. Ele afirma que temos a obrigação cidadã de defender a memória da nossa cidade. A produção servirá como uma ferramenta de mobilização social em prol do patrimônio. A ideia é que o filme produza reflexão e debate, fazendo emergir o contraditório, que é sempre rico para a troca de conhecimentos.

A obra vai fundamentar- e na ideia de que o correto é a preservação histórica e cultural dos prédios, mas Canellas explica que o documentário planeja também entender as razões das pessoas que acreditam que para construir o futuro da cidade é preciso destruir o passado, “pretendemos ouvir essas pessoas, ouvir essas razões, dar espaço para que elas se expressem. Mas o documentário vai lançar a nossa interpretação sobre o embate daqueles que querem simplesmente se livrar de um patrimônio afetivo, cultural e com uma forte inflexão da manutenção da nossa fisionomia como cidade justificando a destruição do patrimônio na defesa de um suposto progresso. Uma visão mais preservacionista e que tem a ver com uma postura civilizatória porque ela nos afirma como cidadãos que querem manter o rosto de cidade, e a outra visão daqueles que querem simplesmente uma alternativa para ganhar dinheiro”, explica o jornalista.

A nova lei aprovada – que movimenta Santa Maria – ameaça o acervo contínuo de Art Déco da Rio Branco. A estética da Art Déco surge na Europa em 1920, porém teve maior expressividade nos Estados Unidos, e na década de 1940 chega à Santa Maria. O movimento artístico tem características como: sacadas curvas, simetria, linhas retas e inspirações em transatlânticos, que remetem ao progresso e à industrialização porque passava o mundo no período. Até hoje, ao voltarmos os olhos para cima, é possível encantar-se com o estilo dos sobrados e prédios, com a riqueza dos detalhes, mas também entristecer-se, pois a manutenção dos tesouros arquitetônicos que abrigamos em nossa cidade é insatisfatória, encontram-se depredados, em ruínas, ofuscados pelas marcas do tempo e da indiferença de políticas públicas de preservação.

Em vista da importância social, cultural e histórica do acervo e de outras edificações espalhadas pela cidade, um documento assinado pelo atual prefeito Jorge Pozzobon atesta o tombamento provisório de 135 construções – incluindo na lista 16 prédios localizados na Avenida Rio Branco, mas que ainda não garante a efetiva preservação desse acervo que identifica Santa Maria. Em vista dessa problemática, o coletivo que dá forma ao Movimento em Defesa do Patrimônio ganha força. Integram o movimento moradores de Santa Maria, artistas, produtores culturais e entidades como o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), o Conselho de Políticas Culturais, a União das Associações Comunitárias (UAC),  a Associação de Moradores da Vila Belga, entre outros santa-marienses engajados com a causa.

No manifesto em defesa do  tesouro arquitetônico ameaçado, o coletivo em defesa do patrimônio histórico e cultural de Santa Maria menciona a preocupação com a proteção dos valores culturais da cidade. “Para cuidar da cidade, ajudar a manter sua beleza e fazê-la crescer, é preciso fomentar a ideia de pertencimento, de amor por este lugar de convívio. Amar implica conhecer: as pessoas não esquecem o que amam, e só amam de verdade o que conhecem“, por isso a importância de defender o que é sua memória e sua identidade. Confira o manifesto na íntegra.

Veja a lista dos 16 prédios que integram parte do conjunto de Art Déco da Avenida Rio Branco.

Edifício Mabi – Nº 134 e 138

Edifício sem nome – Nº 148

Sobrado residencial – Nº 167

Edifício Correio do Povo – S/nº

Hotel Tupy – Nº 234 e 252

Edifício propriedade de Raimundo Cauduro – Nº 318 e 332D

Edifício Dr. Eduardo de Moraes – Nº 354, esquina com a Rua Daudt

Edifício Santa Maria – Nº 378, esquina com a Rua Daudt

Edifício Ibirapuitã – Nº 390

Sobrado residencial – Nº 404, esquina com a Rua 13 de Maio

Edifício Emérita – Nº 404

Sobrado residencial – Nº 479

Sobrado sem nome – Nº 548, 554 e 560

Edifício Francismari – Nº 1864 esquina com a Rua Silva Jardim,

Edifício Mauá – Nº 842

Edifício Cauduro (Antigo Hotel Jantzen) – Esquina com a Rua Venâncio Aires

Quando questionado sobre a não valorização dos patrimônios arquitetônicos da cidade, Canellas enxerga a situação de um modo que coloca a ganância em detrimento da qualidade de vida da população. Para ele, significa abdicar do rosto de Santa Maria, significa tornar a cidade sem personalidade, ser uma cidade como todas as outras, desfigurar a história, abrir mão de uma alternativa de negócio econômico que tem a ver com a identificação das pessoas com o lugar onde elas vivem. Ele conclui que sem a revigorarão das áreas urbanas que contam sobre o nosso passado, a cidade de Santa Maria tem muito a perder.

O dicionário define cidade como: aglomeração humana localizada numa área geográfica circunscrita e que tem numerosas casas, próximas entre si, destinadas à moradia e/ou a atividades culturais, mercantis, industriais, financeiras. Mas o conceito vai muito além disso, existe toda atmosfera sensível, política e humana que forma uma cidade, seus moradores, sua história e movimentos. A levada poética de Canellas inspira a ideia de que uma cidade é feita em camadas, de momentos urbanos.  Ele diz que é feita de épocas que se sucedem e se justapõem, e essas épocas dialogam umas com as outras e fazem com que a cidade tenha sua própria memória. “Se você vai para Roma, por exemplo, num mesmo quarteirão, você vê momentos urbanos que dialogam entre si, você encontra prédios da antiguidade, você encontra prédios da idade média, do renascimento, e da modernidade e a pluralidade desses momentos urbanos fazem com que a cidade reconheça a riqueza da sua história.  Do ponto de vista das pessoas que moram em uma cidade como Roma se cria uma sensação de pertencimento e de amor ao lugar onde você vive, e do ponto de vista das pessoas que vem de fora cria-se uma relação de empatia que toca na emoção das pessoas”, exemplifica Canellas.

Para que Santa Maria continue tocando as emoções de quem anda por aqui, sejam estudantes de passagem ou moradores antigos, para que cresça e se desenvolva economicamente e culturalmente, para que fomente a memória, o afeto, e toda carga de pertencimento e identidade que a palavra memória carrega consigo, o zelo e cuidado com a nossa história em forma de construções precisa existir e perdurar.

Por Tayná Lopes

Prédios em sequência no início da Avenida Rio Branco remetem ao movimento Art Déco, característico da década de 1940. Foto de Tayná Lopes.


TV OVO aprova três projetos para captar via lei de incentivo à cultura de Santa Maria


Final do ano chegando e os projetos de 2018 da TV OVO encaminham-se para o fim. Nos últimos meses do ano sempre é momento pra repensar propostas, trocar ideias com o grupo, reformular formas de trabalho e planejar as próximas atividades, projetos e sonhos do ano seguinte. Para o ano de 2019 a TV OVO tem muitas metas a cumprir, três delas são a realização dos projetos Por Onde Passa a Memória da Cidade, o Narrativas em Movimento e o Olhares da Comunidade, recentemente aprovados no edital LIC-SM 2019.

Os projetos citados já são atividades marcantes na cidade, os colóquios e workshops integram o Narrativas em Movimento e são esperados anualmente pelos acadêmicos e pela comunidade de Santa Maria atuante no universo da cultura e do audiovisual; os documentários e as produções fílmicas aprofundadas que surgem da TV OVO fazem parte do Por onde Passa a Memória da Cidade; e as oficinas e exibições pelas escolas municipais são resultado do Olhares da Comunidade. Todo grupo que faz o coletivo comemora a aprovação e o reconhecimento dos projetos.  O sentimento de ver os projetos consolidando-se na cidade gera a sensação de dever cumprido e satisfação à equipe.

Agora, iniciamos a fase de captação para viabilizar as propostas do ano que vem. Você pode contribuir doando até 30% do seu IPTU, do ITBI (aquisição de imóveis ou do ISSQN. Esse encaminhamento deve ser feito antes de realizar o pagamento dos referidos impostos. Para contribuir entre em contato com a gente que fizemos todos os trâmites. Nossos canais de comunicação são pela página do Facebook, pelo telefone da TV OVO: 3026 – 3039 (à tarde), pelo e-mail tvovo@tvovo.org ou pelo whats app 55 99104 9166 (Denise Copetti).

 

Sobre nossos projetos aprovados

  • Por Onde Passa a Memória da Cidade – 2019
    Valor Aprovado: R$ 40.000,00

Produção de um documentário que terá como foco a história de origem da formação de Santa Maria, intercalando a versão histórica e a lendária, fazendo uma jornada em busca dos filhos de Imembuí, pois segundo a lenda, todos santa-marienses são fruto de uma relação de amor de um homem branco português com uma indígena. O audiovisual dará ênfase para a presença indígena (minuanos e tapes), celebrada na lenda da Índia Imembuí. Onde está esse povo Minuano? São os que encontramos nas ruas da cidade? Os índios sabem da existência da lenda e compactuam com ela? Como a cultura indígena se manifesta e nos influencia?  Essas são algumas das questões que queremos abordar no documentário.

  • Narrativas em Movimento – 2019
    Valor Aprovado: R$ 29.000,00

Propõe a realização de dois colóquios sobre os temas Memória e Territórios no audiovisual e Audiovisual, jovens e diversidade, e dois workshops, um sobre documentário e um de roteiro para curta-metragem de ficção.

  • Olhares da Comunidade – 2019
    Valor Aprovado: R$ 50.000,00

Prevê oficinas de realização audiovisual para adolescentes matriculados no oitavo e nono ano do ensino fundamental em três escolas da cidade e, no fim do processo, a realização de uma oficina na sede da TV OVO.  Além disso, a proposta aposta na difusão e formação de público para a produção de curtas santa-marienses por meio de exibições cineclubistas onde as oficinas serão realizadas. O resultado das oficinas serão produtos audiovisuais de até 10 minutos, produzido pelos próprios estudantes e que retrate a sua comunidade ou temas que dizem respeito ao universo dos jovens participantes. Os vídeos produzidos em todas as oficinas, um total de oito, serão exibidos em cada escola em sessão cineclubista após a finalização das oficinas.

 

Sobre a LIC/SM 2019

A Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer registrou 42 projetos submetidos para análise da Comissão Normativa, sendo 40 os projetos selecionados. A prefeitura liberou R$ 1,63 milhão para captação junto à apoiadores santa-marienses que podem destinar uma parcela dos pagamentos de IPTU, ISSQN e ITBI para os projetos culturais. A soma de todo o recurso que os projetos culturais necessitariam foi R$ 2.496.892,17, porém cortes foram feitos pelos responsáveis em validar os trabalhos propostos para que as propostas se encaixassem no valor liberado, sendo 335 mil advindos das taxas de IPTU, 1,2 milhão de ISSQN e R$ 95 mil de ITBI.

Compartilhamos a notícia e explicamos o processo de busca por recursos financeiros para nossos trabalhos independentes para que seja compreendida a importância de que pequenas ações mantem grandes projetos, como os nossos da TV OVO. É necessário divulgar e levar o conhecimento destes trâmites burocráticos, afinal, ações que fazem parte do contexto dos santa-marienses a todo ano, como o pagamento destes valores, passam despercebidas em função do turbilhão de afazeres e contas a pagar – mesmo a quem simpatiza, promove e é entusiasta da cultura local.

Confira todos os projetos aprovados.

Por Tayná Lopes

Gravação do documentário “Palma: o 8º distrito”, com direção de Denise Copetti, que integrou o Projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade – 2017. Foto de Renan Mattos.


“Renovar não é por tudo abaixo”


Recentemente foi votada a lei do novo Plano Diretor de Santa Maria, que muda as regras de planejamento, construção e organização urbana da cidade pelos próximos 10 anos, ameaçando o patrimônio histórico da cidade, considerada a segunda com maior acervo contínuo de Art Déco do mundo. No momento, 135 prédios (listados pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural -Comphic)  estão protegidos por um decreto (que regulamenta a Lei do Patrimônio) de tombamento provisório.

No entanto, preocupados com a instabilidade da política local e insegurança sobre o patrimônio da cidade, entidades e moradores se reuniram na quinta, 3, com vereadores da cidade. Entre os representantes do movimento em defesa do patrimônio estavam o jornalista Marcelo Canellas, o presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Orlando Fonseca, e a arquiteta Márcia Kummel.

Já no sábado, 04, no centro da cidade, em um ato de protesto estiveram presentes também representantes do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), Conselho de Políticas Culturais, União das Associações Comunitárias (UAC), Associação de Moradores da Vila Belga, entre outros santa-marienses engajados com a causa. Um dos cartazes, do Diretório Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFN, trazia a seguinte frase: “Renovar não é por tudo abaixo”, em menção ao artigo do arquiteto, urbanista e antropólogo fluminense, Carlos Nelson F. dos Santos, publicado na Revista Projeto em 1986, texto em que ele discute o conceito de preservação patrimonial no espaço urbano.

É neste sentido que o grupo entende que, até o momento, apenas um lado da sociedade foi ouvido e, em seu manifesto, pede:

“…Diante da real possibilidade de que sejam postos abaixo não apenas o maior acervo arquitetônico em Art Déco, em via contínua, na América Latina, mas também inúmeros outros monumentos da história desta cidade, erguemos nossa voz, impregnada do afeto que temos por Santa Maria. Para tornar efetiva e consequente esta luta que começa aqui, hoje, propomos como eixos de ação: 

1) Todo apoio ao Comphic.
2) Pela defesa da lista provisória dos 135 imóveis tombados.
3) Por um inventário técnico sobre o valor histórico-arquitetônico dos imóveis antigos da cidade com a possibilidade de ampliação da lista.
4) Pela imediata discussão ampla e democrática de uma nova lei municipal de proteção ao patrimônio histórico, arquitetônico e cultural
5) pela criação de mecanismos de venda de potencial construtivo para que os proprietários sejam amparados pela prefeitura e tenham recursos para restaurar seus imóveis.”

Uma petição online  está circulando para coletar assinaturas. No vídeo abaixo,  está o registro que a TV OVO fez do ato na Praça Saldanha Marinho no último sábado.

COMISSÃO PARA CRIAÇÃO DE NOVA LEI DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO:

No dia 07/08, os vereadores aprovaram a constituição de uma comissão especial para acompanhar a criação da legislação específica que tratará das diretrizes para a preservação das construções com valores históricos do município.

A sessão para aprovação da comissão pode ser assistida no link abaixo.

Por Rede Sina em parceria com TV OVO


Distrito de Pains pelas lentes de nossas câmeras


Outro roteiro, outro destino, outra equipe, mas o objetivo se mantém o mesmo: descobrir, ouvir e registrar histórias por meio da produção de documentários. Não saímos em busca de lugares famosos, cinematográficos e mágicos, mas, em cada cantinho que vamos, é possível encontrar muita magia e encanto nos detalhes dos cenário, nas pessoas, no modo de vida, nas estradas… E falando em estrada, o ritual de juntar toda equipe, conferir o material técnico, revisar o carro e sair desbravando os distritos ao redor de Santa Maria se encaminha para o fim. Esta é a última produção, que incursiona o interior, prevista pelo projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade,  financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Transformamos em vídeo parte da história do distrito da Boca do Monte, de Santa Flora, de Arroio Grande, de São Valentim; trouxemos a cultura e as memórias do distrito de Palma em outro documentário. Santo Antão, Arroio do
Só e Passo do Verde também fazem parte do projeto de representar histórias em documentários. São nove distritos, imaginem o quanto de histórias para contar?! O Por Onde Passa a Memória da Cidade é uma forma de despertar e registrar as memórias dos moradores, contar e recontar a vida do local a partir de uma colcha de retalhos em que cada personagem social colabora com suas recordações, sonhos e anseios. Elabora-se a cartografia identitária do lugar e se faz uma recuperação histórica por meio de fragmentos de lembranças sentidas e contadas em forma de filme.

Dessa vez quem será contado é Pains, um distrito criado no dia 18 de junho de 1861, na época sediado em São Pedro do Sul. Hoje, localiza-se na parte central de Santa Maria, aos fundos da UFSM, e tem crescido como espaço urbano pelo número de indústrias instaladas e pela especulação imobiliária. Para entender o distrito, muita pesquisa vem sendo feita. A equipe de produção trabalha junto dos diretores Alexsandro Pedrollo e Heitor Leal, que dão o tom do estilo e da narrativa da produção.

Alan Orlando, integrante da equipe, é responsável por fazer algumas imagens nas diárias de gravações e pela edição do filme ao fim do processo. Ele conta como são as fases para o nascimento de um documentário: “Na pré-produção e pesquisa é feita a prospecção do lugar para elaborarmos uma ideia audiovisual para a obra. Esta fase compreende levantamento de informações, fontes e personagens. Além da pesquisa em material bibliográfico, vamos para o distrito conversar com as pessoas de lá para saber in loco as histórias e mapear pessoas para as gravações. Depois temos a produção, em que são feitas as gravações de imagens do distrito e entrevistas.  Normalmente temos quatro diárias de gravações. Por fim, vem a edição e a finalização”, relata Alan.

A equipe  já circulou pelo distrito durante dois dias fazendo o levantamento de pré-produção, material que vem dando forma à escaleta do documentário. Para Alan, é sempre empolgante estar envolvido numa produção como essa: “Nós saímos de manhã cedo e só voltamos de tardezinha. Compartilhar momentos assim com meus
colegas de TV é importante para aprender mais sobre audiovisual, fazer o que amamos e fortalecer nossa amizade. São muitas aventuras, nos divertimos muito! Gosto de poder ajudar de alguma forma nessas produções da TV”,
reflete o jovem amante do audiovisual.

Por Tayná Lopes

A cada estrada, novos desafios, personagens e histórias – Distrito de Pains/ Santa Maria . Foto de Taylor Lourenço


Ano novo, baterias carregadas e novos projetos audiovisuais


Para alguns, o ano inicia após o carnaval. Esse não é o nosso caso, pois nosso trabalho inicia ainda no final de dezembro e segue janeiro e fevereiro adentro na captação de recursos para os novos projetos desse ano. Você já sabe quais são?!

Para quem gosta e acompanha os documentários realizados nos distritos de Santa Maria, o projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade segue em 2018, ano em que encerraremos a série, já que só falta as localidades de Pains e Passo do Verde. E se você mora em alguma dessas localidades ou conhece alguém que possa nos contar histórias dessas regiões, entre em contato  (tvovo@tvovo.org ou 55 3026 3039).

Outro projeto que segue com a gente é o Narrativas em Movimento, o NEM. Ele trará dois colóquios sobre audiovisual, inclusive o primeiro já tem data marcada, será no dia 16 de março, às 19h na Cesma, e tem como tema Documentário, Direitos Humanos e Cidadania. Confira os teasers que já estão disponíveis sobre os convidados dessa nossa primeira conversa. Já o segundo, ocorre no mês de maio e traz para a discussão Narrativas Audiovisuais de Resistência. Além dos colóquios, também está incluso no projeto dois workshops com a temática direcionada ao audiovisual. O primeiro tem previsão para abril e será sobre produção audiovisual com tecnologia mobile, no Sobrado Centro Cultural. O segundo é para o mês de agosto, voltado para direção de arte. Os dois workshops possuem 20 vagas, então fique ligado para não perder essa oportunidade.

Tá achando que acabou?  Além disso tudo, nós apresentamos para vocês o Olhares da Comunidade. O projeto oferece oficinas de realização audiovisual para estudantes de escolas públicas, produções audiovisuais a partir das oficinas disponibilizadas e sessões de cineclube em comunidades de Santa Maria.Todos os projetos contam com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura do município (LIC/SM).

Por Helena Moura
Foto de Alan Orlando

Iniciamos os registros para o documentário sobre Passo do verde na procissão de Nossa Senhora dos Navegantes e Iemenjá realizada em fevereiro.

Iniciamos os registros para o documentário sobre Passo do Verde na procissão de Nossa Senhora dos Navegantes e Iemanjá realizada em fevereiro.


2017: audiovisual, cultura e conhecimento


Visitas ilustres, longas viagens, horas e horas de gravação. Muito conhecimento repassado e ainda mais recebido. Podemos resumir o 2017 da TV OVO como um enorme período de trocas e aprendizados.

Conhecimento de vida, técnico e profissional vindo de nomes como Caio Cavechini, do Profissão Repórter, ou Cláudia Schulz, da Mídia Ninja, ou Sérgio Lüdtke, da Interatores, que foram nossos convidados para o primeiro colóquio do ano, o Novas Formas de Fazer Jornalismo, que rolou durante a Feira do Livro e que expôs diferentes maneiras de se noticiar algo, independentemente do veículo ou da plataforma.

Ou também as formas como o jornalismo pode caminhar de mãos dadas com o audiovisual sem perder o valor notícia e preocupar-se com o Outro. O jornalista Marcelo Canellas, a documentarista Eliza Capai e a jornalista fundadora da Rede de Jornalistas Livres, Laura Capriglione, se propuseram a nos ajudar a refletir sobre essas questões no colóquio Narrativas Audiovisuais e Informação.

Paras os aficionados por séries ou interessados em produzir o seu próprio material, o idealizador do Frapa e roteirista, Leo Garcia, e a cineasta Ana Luiza Azevedo, da Casa de Cinema de Porto Alegre, trouxeram para o debate o mercado de séries, webséries e de produções nacionais no colóquio Produção Audiovisual em Série, isso já no final do ano.

Mas não é só de colóquios que vive a TV OVO. Também caímos na estrada durante todo o ano para gravar os documentários sobre os distritos de Palma e Santa Flora, além de organizarmos exibições dos nossos outros trabalhos concluídos: os documentários de São Valentim e Santo Antão.

Tivemos ainda a oportunidade de receber no Sobrado alguns jovens de escolas públicas para aprender sobre o “estranho mundo dos seres audiovisuais”. No final, os garotos e garotas até produziram, gravaram e editaram seus próprios curtas, idealizados durantes as aulas. Veja os curtas Latinha e A ligaçãoAlém disso, durante o ano teve workshop de som, de produção audiovisual com tecnologia mobile, de fotografia para reportagem especial e produção de webséries.

No meio do ano tivemos dois intensivos nos meses de julho e agosto. Vivemos intensamente os três dias da 24ª Feicoop, ouvindo histórias de pessoas das mais variadas situações e origens. Cada entrevista, uma lição. Outro intensivo que fizemos, em agosto, foi junto com o projeto Mostra Cultural Olhares, quando caímos na estrada com uma trupe de artistas percorrendo três cidades do Noroeste do Estado. Dias de muita, mas muita cultura.

E claro, batemos cabelo com o Rock do K7, um produto híbrido que mistura documentário e ficção e fala da cena roqueira dos anos  de 1980 e início dos 90, quando a forma para conhecer novas bandas e ter acesso a essas músicas era por meio do escambo de fita K7.

Por fim, fugindo um pouco da área do audiovisual, Marcelo Canellas e Manuela Fantinel deram o tom do projeto que trouxe nossas doses homeopáticas de reflexão narrativa cotidiana, o Cronicaria,uma publicação semanal de crônicas financiada por leitores.

No apagar das luzes de 2017 e acender de 2018 apresentamos um dos nossos trabalhos mais doloridos, para o qual foram mais de dois anos dedicados para a sua produção, o documentário Depois Daquele Dia, que constrói uma Santa Maria após a tragédia da Kiss pelo olhar de uma irmã de vítima. Um filme necessário!

2017 foi um ano de muito trabalho e deixou um gostinho de dever cumprido.

2018 já tá aí e não vai ser diferente. Novos documentários, novos colóquios, novas discussões, novas oficinas e muitas trocas. Estamos ansiosos e animados com tudo e esperamos que vocês venham junto com a gente em mais um ano de muito aprendizado!

Por Valdemar Neto

retrospectiva 2017