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TV OVO ganha sete troféus no 13º SMVC


Nathália, Paulo, Alan, Neli e Marcos representaram a TV OVO na premiação.                Foto de Pedro Piegas

O dia 3 de novembro foi a data de encerramento da 13ª edição festival Santa Maria Vídeo e Cinema (SMVC) com a cerimônia de premiação. E nós trouxemos alguns troféus para o ninho. Foram quatro curtas premiados: Flipando Ideias e M, curtas desenvolvidos por alunos de escolas públicas, produções que receberam menção honrosa pelo trabalho coletivo e pela temática abordada. E na mostra Santa Maria e Região, Existência, de Paulo Tavares, recebeu o troféu Lanterninha Aurélio e direção de fotografia para Alexsandro Pedrollo de Oliveira. Feminino Substantivo, de Neli Mombelli, recebeu o Vento Norte do júri popular, melhor trilha sonora original para Rodrigo Tranquilo e o prêmio de melhor curta do festival. Ao todo, foram 34 filmes selecionados, sendo que 14 concorreram na mostra nacional e 11 disputaram a mostra de Santa Maria e região.

O tema do SMVC este ano foi “Cinema Para Todas”, reforçando o protagonismo feminino no audiovisual. E aqui na TV OVO não pensamos diferente. Um exemplo disso é o documentário Feminino Substantivo, um filme que registra a maior manifestação de mulheres da história do Brasil. Em nossas produções buscamos representar, abrir espaço e evidenciar as mulheres na nossa sociedade. A diretora do curta e integrante da TV OVO, Neli Mombelli, reforça: “Ser mulher, embora possamos estar em grande número, ainda é ser parte de uma minoria na sociedade, que está constantemente em busca de seus direitos. O Feminino Substantivo reuniu a opinião de mulheres, de diferentes graus de escolaridade, idade, raça, orientação sexual, que estavam na rua no dia 29 de setembro de 2018 se ouvindo e projetando sua voz para que fossem ouvidas, porque ser mulher é ser marcada de muitas formas, tanto objetivamente quanto de forma simbólica, e essa marca atravessa os nossos corpos. Então, esse filme é uma homenagem a todas as mulheres e que também mostra o quão forte somos e o quanto podemos e devemos transformar a sociedade para que haja mais respeito, equidade e igualdade.”

Outro curta que aborda a temática feminina é M, resultado da oficina Olhares da Comunidade realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental Sérgio Lopes. O curta que ganhou menção honrosa por temática e direção coletiva, traz quatro histórias que mostram as dificuldades, os estereótipos e proibições que mulheres de várias idades enfrentam diariamente. Sobre M, Yasmim, aluna da escola Sérgio Lopes, conta:  “Desde que deram a ideia de fazer  o vídeo sobre mulheres, todo mundo já ficou muito animado. É algo importante para todas nós. Eu acho importante mostrar para as gurias tópicos como esse, mostrar o quanto nós já conquistamos e ainda temos tanto para conquistar, que essas gurias se sintam motivadas a mudar o mundo sendo elas mesmas, sendo mulheres, sendo respeitadas. Ter ganho um prêmio com esse vídeo realmente nos motiva ainda mais a continuar!”.  Andreia Schorn, diretora da escola, também nos contou sobre a sensação e o significado deste prêmio. “Um orgulho gigante! Sinto ainda felicidade porque a escola acredita e acolhe projetos e parcerias como a da TV OVO e esse dia de glória é fruto dessa fé em uma escola pública de qualidade integrada com parceiros e com a comunidade. É muito bacana, porque a gente se aproxima da arte de produzir cinema e o cinema é um multiplicador de olhares, de ideias, de lutas… Assim o universo audiovisual fortalece a luta da nossa comunidade contra as constantes tentativas de apagamento da nossa escola, dos nossos estudantes. Sabemos que a invisibilização serve para tentar calar vozes e negligenciar direitos, por isso, o cinema produzido por nossos estudantes e pela TV Ovo é importante. Dar visibilidade a essas lutas e aos estudantes é profundo ato de resistência. E neste momento de um governo tão opressor, é ainda mais imprescindível”, disse.

Sobre o documentário, ela afirma: O M aborda a pluralidade da comunidade, aborda meninas e mulheres que desejam ser o que quiserem ser e que talvez até esse momento nunca sentiram suas lutas representadas. Ele as estimula, as incentiva, as faz dar um novo passo para uma outra educação possível, uma nova maneira de ver e pensar sobre o modo de vida, do lugar onde moram… é uma forma de superação dos preconceitos e discriminações que todas nós mulheres enfrentamos em algum momento da vida. O M representa para nós que nossas narrativas importam, que nossas histórias são encantadoras e que temos que seguir nos inspirando e transformando a cultura para que meninas e mulheres se sintam bem e plenas em seus propósitos de vida”. É nesse sentindo que Flipando Ideias também gera inspirações para outras lutas. Também fruto da oficina Olhares da Comunidade, neste caso com alunos da Escola Reverendo Alfredo Winderlich, da Vila Santos, o documentário traz para o debate os temas da juventude, da negritude e o de ser skatista. Esse “combo”, como os meninos chamam, é carregado de preconceitos e estereótipos na sociedade que os marginaliza antes mesmo de os conhecerem.

Outro curta premiado foi Existência, que explora o plano-sequência.  Alexsandro Pedrollo foi o responsável pela direção de fotografia. O prêmio de 2019 se junta com os prêmios de 2009, 2011 e 2013 que ele já venceu. “O desafio de um plano-sequência é construir a fotografia contínua. Já é complicado fazer a fotografia com o set estático, mas pensar a fotografia com o plano-sequência é bem complicado porque tem que pensar todos os lados que a câmera for mostrar”, conta Alex. Sobre a importância da fotografia, ele diz: “A fotografia é o cartão de visita, é o que vai dizer para o que aquele vídeo veio. Não adianta ter um bom conteúdo, uma boa narrativa e não ter uma estética interessante que seja confortável e atraente para a pessoa assistir. O audiovisual não é só conteúdo, ele necessita obrigatoriamente de uma estética agradável que converse com a narrativa e com o conteúdo […] O principal objetivo da fotografia é fazer com que espectador se esqueça do mundo e mergulhe na história”.

Paulo Tavares foi diretor, roteirista e ator do curta, que ainda contou com todos os integrantes da TV OVO para a gravação, já que um plano-sequência demanda muita gente na produção. “Eu trabalho no audiovisual há muito tempo, mas sempre fugi dessa questão de atuar, prefiro estar atrás das câmeras do que na frente. Mais estranho ainda porque fiz o roteiro, atuei e dirigi. Quando eu vejo o filme sempre acho algo que eu poderia ter feito diferente, isso para mim é complicado. É legal ver o filme, mas sou muito crítico com a minha atuação”, conta. O personagem enigmático interpretado por Paulo nasce devido a um processo criativo do teatro. “Quando criei esse trabalho, ele era um personagem que aparecia, dizia o poema que eu escrevia e trazia um mistério para os outros participantes do processo, motivando eles a criarem poesias. Quando a gente trouxe para o Existência ele já era outro personagem.” A ambiguidade do personagem, segundo Paulo, é intencional: “No contexto da história, ele pode ser real, fruto da imaginação de alguém ou até um fantasma. Fica a critério do espectador decidir quem é esse senhor que aparece para falar da existência daquele menino […] O legal do filme é que cada um entenda quem é esse personagem conforme suas experiências. Eu tenho várias ideias desse personagem porque ele pode ser muitas coisas”. O grande mérito do curta para Paulo é “mostrar para quem quer fazer cinema que é possível. Mostrar que há maneiras diferentes de narrar, de contar uma história que não seja da maneira tradicional, de um personagem que está vivendo uma ação. Mostrar que para fazer filme é preciso experimentar, ousar”, afirma ele.

É maravilhoso ver os nossos trabalhos sendo reconhecido. Mas o maior prêmio que recebemos não está nos troféus e, sim, nas histórias que esse filmes carregam. Quando eles chegam no espectador e impactam é a melhor coisa que pode acontecer para qualquer obra audiovisual. E nesse processo ter retornos como o da professora Andreia, que comenta a respeita do nosso trabalho de formação nas escolas: “Eu vejo a TV OVO como uma semeadora, uma força que procura pela curiosidade dos estudantes, que faz arte e produz conteúdo embasado no modo de vida das ‘nossas gentes’. Vocês possibilitam a escuta de histórias, territorialidades, tempos, lutas, vozes, crenças, artes, vínculos a serem reconhecidos, compreendidos e assim, respeitados. Parabéns!” Nós que agradecemos pelo carinho e pela oportunidade de continuarmos fazendo do audiovisual uma ferramenta de representação da diversidade do nosso país, de nossas histórias, lutas e realidades. Isso é o que nos motiva a seguir.

 

Por Bernardo Silva


Integrantes da TV OVO participam de debate sobre mídia popular


Os integrantes da nossa equipe, Denise Copetti e Paulo Tavares, a convite da Escola Cristã de Educação Política (ECEP), falaram sobre a TV OVO num debate sobre mídia popular, no último sábado, 26.

A conversa começou com uma contextualização dos movimentos populares e sindicais dos anos 90, interligando as discussões que haviam na época sobre comunicação comunitária com o surgimento da TV OVO. A apresentação desse contexto serviu para abordar a realidade da região Oeste de Santa Maria, em especial a Vila Caramelo, onde deu-se o início da associação sem fins lucrativos com atividades e oficinas de vídeo voltada para jovens.

Denise e Paulo também falaram das parcerias que foram e são essenciais para o trabalho da instituição acontecer, tais como TVE/RS no início dos anos 2000, convênios com o Ministério da Cultura, e parcerias com o Canal Futura e TV Brasil ao longo dos 23 anos de atuação. Ainda, eles abordaram projetos já desenvolvidos da TV com a proposta de mídia popular como o TV na Rua, proposta de produção de programa jornalísticos voltado para as comunidades; o TV OVO no Ônibus, que esteve na ativa por 13 anos circulando por diferentes linhas do transporte coletivo da cidade; o Ponto de Cultura Espelho da Comunidade, responsável pela formação audiovisual de adolescentes em oficinas realizadas na Nova Santa Marta, na Nonoai, na Tancredo Neves e na Cohab Fernando Ferrari; além de sessões itinerante de cineclubismo e exposições colaborativas.

E a apresentação encerrou com o apontamento das ações desenvolvidas atualmente na TV OVO, que contam com apoio da lei de incentivo à cultura, como o Por Onde Passa a Memória da Cidade, responsável pela produção de documentários para o registro da memória; o Narrativas em Movimento, que propõe colóquios e workshops para formação audiovisual; o Sobrado Centro Cultural, projeto de restauração do casarão centenário; e o Olhares da Comunidade, que leva oficinas de audiovisual para escolas públicas.

Foi neste último que se concentrou o debate após a apresentação, já que o Olhares da Comunidade instigou os participantes a pensarem na importância e em como criar espaços de discussão para que os jovens possam se manifestar e falar das questões que os acompanham na adolescência, como preconceitos, problemas familiares, vida afetiva, amizades, opção sexual, sonhos, desejos e escolhas.

Por Thaisy Finamor

 

 


Olhares da Comunidade exibe resultados nas escolas


Turma da oficina na escola Sérgio Lopes.

O ciclo do projeto Olhares da Comunidade 2019 se encaminha para a reta final. O projeto consiste em oficinas de produção audiovisual para alunos de 8º e 9º ano de escolas públicas municipais de Santa Maria. Depois do trabalho de aproximação e de formação com os participantes das oficinas propomos um momento de exibição, um lançamento, das narrativas audiovisuais criadas pelos grupos de cada escola – para que, assim, possam ver o resultado dos dias de trabalho de uma forma ampliada, apresentando à comunidade os vídeos construídos no coletivo.

Mais de 60 estudantes participaram das oficinas, sendo 15 da escola Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia, 21 alunos da escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim, e 25 alunos na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença. O resultado são 11 vídeos dos mais variados gêneros e estilos. Os alunos estão ansiosos para a sessão cineclubista inteiramente composta pelos vídeos feitos por eles, que começa nesta quinta-feira, dia 29/08, às 14h na escola Sérgio Lopes , segue para a escola José Paim de Oliveira, no dia 31/08, sábado, também às 14h, e encerra dia 04/09, quarta-feira, às 11h, na escola Reverendo Alfredo Winderlich.

Na José Paim de Oliveira, os estudantes propuseram trabalhar o olhar em relação ao rural e criaram uma série documental de três vídeos chamada: Vida no campo. Os episódios abordam o trabalho de uma família de guasqueiros, a história de um domador de cavalos, e o último vídeo apresenta Michael como personagem, jovem que fez parte da oficina, e sua relação com o dia a dia no campo e com o seu futuro.

Na escola Reverendo Alfredo Winderlich trabalhamos temáticas de levada urbana e social. Mundo inverso  aborda o preconceito ao revés; O outro somos nós: uma carta de acolhida trata de uma forma sensível sobre a depressão entre os jovens, um vídeo empático, informativo e que serve de alerta.

Com os alunos da escola Sérgio Lopes os temas escolhidos retratam a comunidade no entorno da escola e falam sobre questões do mundo dos jovens. é um documentário que traz histórias de vida de empoderamento feminino. Lixo humano trata da produção de lixo e falta de consciência ecológica e como isso afeta o Arroio Cadena. Renascença traz depoimentos dos adolescentes sobre o pertencimento em relação à cidade, a falta de lazer, e o preconceito que eles enfrentam.

Os vídeos resultantes da segunda etapa são Flipando ideias, que aborda o tema skate, lazer e preconceito no universo adolescente, LGBTfobia, que traz a história de um casal homoafetivo e  Ser adolescente, proposta que discute a confusão, dúvidas e certezas que permeiam essa etapa da vida.

As exibições nas escolas são só o começo da circulação dos vídeos. Além de serem disponibilizados no nosso canal no Youtube em breve, eles também serão inscritos em festivais, como no Cinest 2019 – Festival Internacional de Cinema Estudantil. O festival será do dia 14 a 18 de outubro no Auditório da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria (CESMA). Se você é estudante e possuí alguma produção audiovisual, corra e inscreva-se . Na edição deste ano, também está programada a realização do V Seminário Educação, Cinema e Acessibilidade, nos dias 14 e 15 de outubro.

Siga acompanhando nossas produções e incentivando nossos projetos de formação audiovisual, comunicação comunitária e registro da memória das comunidades. O projeto Olhares da Comunidade tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura – LIC/SM.

Por Tayná Lopes


Jovens e reflexões em narrativas audiovisuais


Jovens de diferentes escolas reunidos na TV OVO. Foto: Francine Nunes

O projeto Olhares da Comunidade continua em movimento. Após os dias de oficina nas escolas Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia,  na escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim, e na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença, reunimos parte da galera de estudantes do oitavo e nono ano dessas escolas para continuar as experimentações audiovisuais, desta vez  na sede da TV OVO.

O Olhares é um projeto financiado pela Lei Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM) e tem como foco trabalhar junto de adolescentes a formação audiovisual nas escolas públicas periféricas da cidade. Mais de 15 alunos vieram até a TV OVO para aprofundar os conhecimentos de gravação e edição. A partir de dinâmicas de apresentação, promovemos interação entre as escolas, discutimos temas para as gravações de três documentários, escolhemos as fontes para as entrevistas e exercitamos o olhar atento e criativo necessário para se ter a câmera nas mãos e para se pensar propostas narrativas audiovisuais. Foram exercícios diversos, de edição, de operação de câmera, de iluminação. Experiências que geraram partilhas, afeto e trocas.

Nos debates sobre o que abordar enquanto temática documental foi marcante a presença de questões com características sociais como feminismo, machismo e racismo. E também assuntos inerentes ao ser jovem perpassando a influência musical, depressão, internet, consciência ambiental, falta de lazer, conflito de gerações e esportes. Dentro dos temas discutidos, os mais votados e que se transformaram em roteiro foram: preconceito, LGBTfobia e ser adolescente. Para a produção, fomos até a Renascença para falar sobre o cotidiano dos integrantes do grupo que escolheram o tema ser adolescente; fomos até o Farezão (Centro Desportivo Municipal) para gravar manobras de skate e abordar o preconceito com jovens, por serem negros e morarem na periferia da cidade; e até a Vila Belga, para contar a história de Carlos Alberto da Cunha Flores (Kalu) e João Jerônimo de Mello Sodré, um casal homoafetivo que vive junto a mais de 40 anos.

Os alunos relataram que não percebiam o quão complexo é o processo de produção de um vídeo, não imaginavam que passa por tantas etapas, desde a discussão, a produção, a gravação, até a edição. Perceberam ainda a importância do trabalho coletivo, o amadurecimento das ideias e como tudo isso fortalece laços. Alguns se encantaram pela prática audiovisual e vão integrar a nossa equipe a partir de agosto.

No mês que vem também voltaremos às três escolas para uma sessão cineclubista aberta a comunidade. Lá exibiremos todos os vídeos produzidos pelo projeto, um total de 11. Após as exibiççoes, os vídeos serão disponibilizados no nosso canal do You Tube e em nosso Facebook. Acompanhe nossas redes para assistir, se inspirar e compartilhar.

Por Tayná Lopes


Liberte um livro da sua estante


 

Xôôôôô poeira, um livro tem mesmo é que estar andando por aí, de mão em mão, de olhos em olhos, vendo a vista da cidade pelas janelas dos ônibus, fazendo companhia em uma tarde de chuva ou numa de sol acompanhado de uma bergamota. Um livro tem que emocionar,  fazer rir, criar dúvidas, partilhar conhecimentos, ser inspiração, trazer amores ou  propor aventuras.

A leitura é movimento! Então, liberte um livro da estante. Vá logo, incentive o hábito da leitura entre os jovens, liberte mentes, liberte a criatividade e a imaginação. Procura aí, todo mundo tem um livro perdido no armário ou num canto da sala. Pensa só, ele pode ser o melhor amigo de alguém por uns dias, meses ou marcar tanto um momento a ponto de se tornar o livro xodó, um amor para toda vida. Porque todo mundo tem um desses, né?! Esse você não precisa doar, a gente perdoa. Mas aposto que tem vários outros perdidos por entre as prateleiras que você mal lembra, vasculha aí, e traz uma ou várias boas histórias para nossa campanha de arrecadação de livros para escolas públicas municipais da cidade. Os personagens adormecidos estão ansiosos por novas companhias, se você prestar bem atenção, vai ouvir os gritos por liberdade, eles querem reviver.

Depois de percorrer algumas escolas da cidade, percebemos carência de livros para adolescentes. Eles querem ler, mas não há histórias para a idade deles na biblioteca da escola ou são pouquíssimos. Por isso estamos mobilizando uma campanha de doação de livros infanto-juvenis. Deixe exemplares no ponto de coleta da  Cesma, na Rua Professor Braga, nº 55, ou na nossa sede, na Rua Floriano Peixoto, 267, das 14h às 18h. Vale ressaltar que eles precisam estar em bom estado para leitura. A campanha inicia agora, final de julho, e segue por todo mês de agosto, mês da cultura.

Estamos esperando por você e pelo seu livro!

Por Tayná Lopes


Olhar a comunidade é também olhar para si


Grupo da escola José Paim de Oliveira registrou a história de um domador de cavalos.

Um dos pilares do nosso trabalho é a formação de jovens no universo audiovisual e a comunicação comunitária, buscando despertar olhares sensíveis aos detalhes e acontecimentos ao nosso redor, apresentando outras perspectivas de futuro e de trabalho aos estudantes. Além disso, buscamos criar público para o cinema local e assim fomentar a cultura na cidade.

O projeto Olhares da Comunidade é uma das iniciativas em que trabalhamos com a formação audiovisual de adolescentes que estão nos últimos anos do ensino fundamental de escolas públicas e periféricas. No fim do mês de abril, iniciamos o projeto na escola Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia. Em seguida, nosso destino foi a escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim. E, por fim, neste mês de junho desenvolvemos o projeto na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença. Em cada escola foram 12 horas de atividades que envolveram exercícios de som, fotografia, criação de roteiro, gravação e noções de edição.

Ao fim desta primeira etapa, trabalhamos com quase 60 alunos o que resultou em 8 vídeos que partem do formato de uma vídeo-carta, ou seja, que mandam um recado a alguém, a sociedade, ou, até mesmo, a si mesmo. Os estudantes produziram vídeos em formato de poesia, documentários, ficção e experimental. Em cada escola surgiram diferentes ideias, ressaltando sempre as particularidades de cada turma e de cada comunidade. Foram dias agitados em que nos aproximamos de diferentes realidades e procuramos despertar o pensar para quem somos, como vemos o mundo e como o retratamos. Talvez, enquanto oficineiros, aprendemos muito mais do que ensinamos.  Surgiram audiovisuais das mais variadas temáticas como, por exemplo, vida no campo, feminismo, descarte de lixo nos rios e preconceito. Todas as produções estarão disponíveis no nosso canal no YouTube depois que fizermos o circuito de exibição dos vídeos nas escolas, última etapa do Olhares da Comunidade.

Alice Coelho, estudante do 8º ano do ensino fundamental, tem 13 anos e foi uma das primeiras a se inscrever na oficina. Ela gosta de escrever histórias e acredita que o projeto pode auxiliá-la no processo de desenvolvimento da história que já tem escrita. Empolgada, ela ainda destaca: “eu gostei bastante de fazer as atividades, de botar na prática, de ir lá fora tirar as fotos. Eu aprendi coisas novas, por exemplo, eu não sabia sobre enquadramentos. Gostei também dos vídeos que vocês apresentaram”. A estudante demostrou muito interesse e atenção a todas as temáticas trabalhadas, inclusive ao material impresso que entregamos: um guia de produção audiovisual.

Alice conta que os aprendizados da oficina podem ser múltiplos. “A oficina pode ajudar na vida no geral. Depois dela a pessoa consegue prestar mais atenção nas coisas, ela tem um conhecimento maior, ela fica mais atenta e passa a olhar o mundo de outro jeito. A pessoa pode usar isso na vida, pode virar um trabalho, pode usar o que ela aprendeu pra criar uma história, ou fazer vídeos normais do dia a dia, mas aí ela pode fazer melhor”, finaliza Alice.

Luis Augusto Santos tem 14 anos e está no 9º ano do fundamental. Ele se inscreveu na oficina por curiosidade, é fã de ficção científica e tem interesse pela cultura POP e pelo universo cinematográfico. “No meu modo de criação sempre assisti filmes com meu pai. Desde pequeno ele sempre me puxava pra isso, acompanhar o cinema e a cultura, filme de ficção, documentário e coisas do gênero”. Luis ainda relata sobre a união das turmas: “a interação com o oitavo ano com o nono é bem rara. A conexão que tá tendo, essa energia de todos fazendo tudo junto é legal”. Ao fim da atividade, Luis comentou que estava animado para os próximos encontros e cheio de ideias na cabeça. Segundo ele, como não costuma ter projetos extraclasse na escola como este, para ele, a oficina superou as expectativas. “Achava que ia ser só a parte explicativa que a gente não ia botar tanto a mão. Tô um pouco ansioso com esse projeto novo, de todo mundo fazer histórias filmadas e editadas, a parte de áudio e a parte visual com as câmeras e ângulos, é desafiador”, relata o estudante.

Após a primeira etapa nas escolas, a segunda fase do Olhares da Comunidade reúne parte dos estudantes na nossa sede para aprofundar os conhecimentos. No último sábado, 22, iniciamos a integração dos estudantes e definimos três temas de documentários que serão gravados e editados no próximo sábado, 29. São eles: preconceito, lgtfobia e ser adolescente. Temas que surgem a partir das vivências e inquietações que eles compartilham durante o brainstorming de ideias.

Para finalizar o ciclo 2019 de oficinas do projeto, que tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM), voltaremos às escolas para uma sessão cineclubista em que exibiremos todos os vídeos produzidos, um total de 11. Isso valoriza o processo de aprendizado e compartilha com a comunidade escolar o resultado, gerando reflexão e socialização, e, por fim, cumpre-se uma das funções principais da produção audiovisual que é a de que todo filme deve chegar até o público.

Por Tayná Lopes
Foto Neli Mombelli