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Olhares da Comunidade exibe resultados nas escolas


Turma da oficina na escola Sérgio Lopes.

O ciclo do projeto Olhares da Comunidade 2019 se encaminha para a reta final. O projeto consiste em oficinas de produção audiovisual para alunos de 8º e 9º ano de escolas públicas municipais de Santa Maria. Depois do trabalho de aproximação e de formação com os participantes das oficinas propomos um momento de exibição, um lançamento, das narrativas audiovisuais criadas pelos grupos de cada escola – para que, assim, possam ver o resultado dos dias de trabalho de uma forma ampliada, apresentando à comunidade os vídeos construídos no coletivo.

Mais de 60 estudantes participaram das oficinas, sendo 15 da escola Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia, 21 alunos da escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim, e 25 alunos na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença. O resultado são 11 vídeos dos mais variados gêneros e estilos. Os alunos estão ansiosos para a sessão cineclubista inteiramente composta pelos vídeos feitos por eles, que começa nesta quinta-feira, dia 29/08, às 14h na escola Sérgio Lopes , segue para a escola José Paim de Oliveira, no dia 31/08, sábado, também às 14h, e encerra dia 04/09, quarta-feira, às 11h, na escola Reverendo Alfredo Winderlich.

Na José Paim de Oliveira, os estudantes propuseram trabalhar o olhar em relação ao rural e criaram uma série documental de três vídeos chamada: Vida no campo. Os episódios abordam o trabalho de uma família de guasqueiros, a história de um domador de cavalos, e o último vídeo apresenta Michael como personagem, jovem que fez parte da oficina, e sua relação com o dia a dia no campo e com o seu futuro.

Na escola Reverendo Alfredo Winderlich trabalhamos temáticas de levada urbana e social. Mundo inverso  aborda o preconceito ao revés; O outro somos nós: uma carta de acolhida trata de uma forma sensível sobre a depressão entre os jovens, um vídeo empático, informativo e que serve de alerta.

Com os alunos da escola Sérgio Lopes os temas escolhidos retratam a comunidade no entorno da escola e falam sobre questões do mundo dos jovens. é um documentário que traz histórias de vida de empoderamento feminino. Lixo humano trata da produção de lixo e falta de consciência ecológica e como isso afeta o Arroio Cadena. Renascença traz depoimentos dos adolescentes sobre o pertencimento em relação à cidade, a falta de lazer, e o preconceito que eles enfrentam.

Os vídeos resultantes da segunda etapa são Flipando ideias, que aborda o tema skate, lazer e preconceito no universo adolescente, LGBTfobia, que traz a história de um casal homoafetivo e  Ser adolescente, proposta que discute a confusão, dúvidas e certezas que permeiam essa etapa da vida.

As exibições nas escolas são só o começo da circulação dos vídeos. Além de serem disponibilizados no nosso canal no Youtube em breve, eles também serão inscritos em festivais, como no Cinest 2019 – Festival Internacional de Cinema Estudantil. O festival será do dia 14 a 18 de outubro no Auditório da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria (CESMA). Se você é estudante e possuí alguma produção audiovisual, corra e inscreva-se . Na edição deste ano, também está programada a realização do V Seminário Educação, Cinema e Acessibilidade, nos dias 14 e 15 de outubro.

Siga acompanhando nossas produções e incentivando nossos projetos de formação audiovisual, comunicação comunitária e registro da memória das comunidades. O projeto Olhares da Comunidade tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura – LIC/SM.

Por Tayná Lopes


Vagas para estágio/voluntário(a) 2019/2


Estamos selecionando novos estagiários e voluntários para o segundo semestre de 2019. Se você se identifica com produções de conteúdo e audiovisuais ligados a pautas comunitárias e sociais, você tem tudo a ver com a gente!

Temos uma vaga para estágio obrigatório da área da Comunicação Social e uma vaga para graduando(a) que tenha conhecimento sobre acessibilidade para produtos audiovisuais. Para participar é necessário ter três turnos da semana livres, preferencialmente à tarde, e estar disposto a trabalhar coletivamente. As atividades podem ser registradas como ACC/ACG.

Inscrições até o dia 08 de agosto. Entraremos em contato para agendar uma conversa entre os dias 12 e 15 de agosto, em nossa sede, Rua Floriano Peixoto, 267.


Jovens e reflexões em narrativas audiovisuais


Jovens de diferentes escolas reunidos na TV OVO. Foto: Francine Nunes

O projeto Olhares da Comunidade continua em movimento. Após os dias de oficina nas escolas Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia,  na escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim, e na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença, reunimos parte da galera de estudantes do oitavo e nono ano dessas escolas para continuar as experimentações audiovisuais, desta vez  na sede da TV OVO.

O Olhares é um projeto financiado pela Lei Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM) e tem como foco trabalhar junto de adolescentes a formação audiovisual nas escolas públicas periféricas da cidade. Mais de 15 alunos vieram até a TV OVO para aprofundar os conhecimentos de gravação e edição. A partir de dinâmicas de apresentação, promovemos interação entre as escolas, discutimos temas para as gravações de três documentários, escolhemos as fontes para as entrevistas e exercitamos o olhar atento e criativo necessário para se ter a câmera nas mãos e para se pensar propostas narrativas audiovisuais. Foram exercícios diversos, de edição, de operação de câmera, de iluminação. Experiências que geraram partilhas, afeto e trocas.

Nos debates sobre o que abordar enquanto temática documental foi marcante a presença de questões com características sociais como feminismo, machismo e racismo. E também assuntos inerentes ao ser jovem perpassando a influência musical, depressão, internet, consciência ambiental, falta de lazer, conflito de gerações e esportes. Dentro dos temas discutidos, os mais votados e que se transformaram em roteiro foram: preconceito, LGBTfobia e ser adolescente. Para a produção, fomos até a Renascença para falar sobre o cotidiano dos integrantes do grupo que escolheram o tema ser adolescente; fomos até o Farezão (Centro Desportivo Municipal) para gravar manobras de skate e abordar o preconceito com jovens, por serem negros e morarem na periferia da cidade; e até a Vila Belga, para contar a história de Carlos Alberto da Cunha Flores (Kalu) e João Jerônimo de Mello Sodré, um casal homoafetivo que vive junto a mais de 40 anos.

Os alunos relataram que não percebiam o quão complexo é o processo de produção de um vídeo, não imaginavam que passa por tantas etapas, desde a discussão, a produção, a gravação, até a edição. Perceberam ainda a importância do trabalho coletivo, o amadurecimento das ideias e como tudo isso fortalece laços. Alguns se encantaram pela prática audiovisual e vão integrar a nossa equipe a partir de agosto.

No mês que vem também voltaremos às três escolas para uma sessão cineclubista aberta a comunidade. Lá exibiremos todos os vídeos produzidos pelo projeto, um total de 11. Após as exibiççoes, os vídeos serão disponibilizados no nosso canal do You Tube e em nosso Facebook. Acompanhe nossas redes para assistir, se inspirar e compartilhar.

Por Tayná Lopes


Olhar a comunidade é também olhar para si


Grupo da escola José Paim de Oliveira registrou a história de um domador de cavalos.

Um dos pilares do nosso trabalho é a formação de jovens no universo audiovisual e a comunicação comunitária, buscando despertar olhares sensíveis aos detalhes e acontecimentos ao nosso redor, apresentando outras perspectivas de futuro e de trabalho aos estudantes. Além disso, buscamos criar público para o cinema local e assim fomentar a cultura na cidade.

O projeto Olhares da Comunidade é uma das iniciativas em que trabalhamos com a formação audiovisual de adolescentes que estão nos últimos anos do ensino fundamental de escolas públicas e periféricas. No fim do mês de abril, iniciamos o projeto na escola Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia. Em seguida, nosso destino foi a escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim. E, por fim, neste mês de junho desenvolvemos o projeto na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença. Em cada escola foram 12 horas de atividades que envolveram exercícios de som, fotografia, criação de roteiro, gravação e noções de edição.

Ao fim desta primeira etapa, trabalhamos com quase 60 alunos o que resultou em 8 vídeos que partem do formato de uma vídeo-carta, ou seja, que mandam um recado a alguém, a sociedade, ou, até mesmo, a si mesmo. Os estudantes produziram vídeos em formato de poesia, documentários, ficção e experimental. Em cada escola surgiram diferentes ideias, ressaltando sempre as particularidades de cada turma e de cada comunidade. Foram dias agitados em que nos aproximamos de diferentes realidades e procuramos despertar o pensar para quem somos, como vemos o mundo e como o retratamos. Talvez, enquanto oficineiros, aprendemos muito mais do que ensinamos.  Surgiram audiovisuais das mais variadas temáticas como, por exemplo, vida no campo, feminismo, descarte de lixo nos rios e preconceito. Todas as produções estarão disponíveis no nosso canal no YouTube depois que fizermos o circuito de exibição dos vídeos nas escolas, última etapa do Olhares da Comunidade.

Alice Coelho, estudante do 8º ano do ensino fundamental, tem 13 anos e foi uma das primeiras a se inscrever na oficina. Ela gosta de escrever histórias e acredita que o projeto pode auxiliá-la no processo de desenvolvimento da história que já tem escrita. Empolgada, ela ainda destaca: “eu gostei bastante de fazer as atividades, de botar na prática, de ir lá fora tirar as fotos. Eu aprendi coisas novas, por exemplo, eu não sabia sobre enquadramentos. Gostei também dos vídeos que vocês apresentaram”. A estudante demostrou muito interesse e atenção a todas as temáticas trabalhadas, inclusive ao material impresso que entregamos: um guia de produção audiovisual.

Alice conta que os aprendizados da oficina podem ser múltiplos. “A oficina pode ajudar na vida no geral. Depois dela a pessoa consegue prestar mais atenção nas coisas, ela tem um conhecimento maior, ela fica mais atenta e passa a olhar o mundo de outro jeito. A pessoa pode usar isso na vida, pode virar um trabalho, pode usar o que ela aprendeu pra criar uma história, ou fazer vídeos normais do dia a dia, mas aí ela pode fazer melhor”, finaliza Alice.

Luis Augusto Santos tem 14 anos e está no 9º ano do fundamental. Ele se inscreveu na oficina por curiosidade, é fã de ficção científica e tem interesse pela cultura POP e pelo universo cinematográfico. “No meu modo de criação sempre assisti filmes com meu pai. Desde pequeno ele sempre me puxava pra isso, acompanhar o cinema e a cultura, filme de ficção, documentário e coisas do gênero”. Luis ainda relata sobre a união das turmas: “a interação com o oitavo ano com o nono é bem rara. A conexão que tá tendo, essa energia de todos fazendo tudo junto é legal”. Ao fim da atividade, Luis comentou que estava animado para os próximos encontros e cheio de ideias na cabeça. Segundo ele, como não costuma ter projetos extraclasse na escola como este, para ele, a oficina superou as expectativas. “Achava que ia ser só a parte explicativa que a gente não ia botar tanto a mão. Tô um pouco ansioso com esse projeto novo, de todo mundo fazer histórias filmadas e editadas, a parte de áudio e a parte visual com as câmeras e ângulos, é desafiador”, relata o estudante.

Após a primeira etapa nas escolas, a segunda fase do Olhares da Comunidade reúne parte dos estudantes na nossa sede para aprofundar os conhecimentos. No último sábado, 22, iniciamos a integração dos estudantes e definimos três temas de documentários que serão gravados e editados no próximo sábado, 29. São eles: preconceito, lgtfobia e ser adolescente. Temas que surgem a partir das vivências e inquietações que eles compartilham durante o brainstorming de ideias.

Para finalizar o ciclo 2019 de oficinas do projeto, que tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM), voltaremos às escolas para uma sessão cineclubista em que exibiremos todos os vídeos produzidos, um total de 11. Isso valoriza o processo de aprendizado e compartilha com a comunidade escolar o resultado, gerando reflexão e socialização, e, por fim, cumpre-se uma das funções principais da produção audiovisual que é a de que todo filme deve chegar até o público.

Por Tayná Lopes
Foto Neli Mombelli

 


Crônica da formação de um quarteto


A Rua Vale Machado possui uma forma singela, diferente de todos os caminhos que preenchem o coração do Rio Grande do Sul. Os pássaros cantando na alvorada, a fileira de ônibus que aguarda rostos amanhecidos para embarcar em uma viagem de quarenta minutos, a gargalhada dos motoristas que ecoam os prédios desde as cinco da manhã. O despertador tocou, e como de costume, levantei-me e fui direto à cozinha vasculhar onde havia guardado o filtro de café. A liquidez de como levamos dia após dia é um reflexo do comodismo de como a indústria e a tecnologia nos suga para um mar de dependência.

Coloquei o filtro dentro da máquina e aguardei cinco minutos até começar a sentir o aroma que colore minhas manhãs. Dia oito de abril de dois mil e dezenove era um dia diferente na cidade rodeada por morros. O sol ardente me resgatou um sorriso após me espreguiçar. Quente como o vulcão, e gelado como o coração de quem está com pressa de encarar o cotidiano. Antes de pegar a chave e girar a maçaneta da porta, sempre traço a minha rota e o destino de aonde quero chegar. Dessa vez, meu epílogo era diferente. E minha tendência também.

Dobrei na esquina da Avenida Rio Branco e desci contemplando as faixadas dos prédios coloridos visíveis da arquitetura Art Déco que conforta a  urbe. Brechós, mercados, cabarés. A cada passo largo que dava, a cada olhar que fitava com o meu, era um sentimento único que só Santa Maria poderia transmitir. Enxergava de longe senhores de idade sentados nos bancos lendo jornais, taxistas tomando chimarrão intercalando com gargalhadas. Minha jornada em direção a rua Ernesto Becker esquina com a Floriano Peixoto não poderia ser diferente até chegar aos arredores do sobrado antigo que resgata a memória de cada inquietude com sede pelo espírito comunitário.

Era o meu primeiro dia na TV OVO. Caminhei até a frente da fachada e, ao lado de um grafite colorido, toquei a campainha da frente e aguardei alguém abrir a porta. Quando entrei pelo ‘lugar errado’, percebi que havia uma moça sentada na mesa principal. Era Lívia Maria Teixeira de Oliveira, a mais nova voluntária. Sentei-me junto com ela e percebi seu sotaque diferente quando começou a falar. Acadêmica do quinto semestre do curso de Produção Editorial na UFSM, a moça de 19 anos é carioca e apaixonada por diagramação.

Um dia depois, tracei novamente a rota que irá preencher minhas tardes três vezes por semana. Na terça-feira, sentadas na mesma mesa, conheci também as duas novas voluntárias que irão planejar a comunicação junto comigo: Thaisy e Kamila. Thaisy Finamor, a jornalista de 21 anos nascida em Santiago, formada na Universidade Federal do Pampa, acabou de se mudar para a cidade e está fazendo pós-graduação em Mídias Digitais na Universidade Franciscana (UFN). E Kamila Ruas Flores, jornalista santa-mariense recém egressa da Universidade Federal de Santa Maria.

Somos quatro mulheres, quatro rostos, quatro corações, e quatro singularidades que irão agregar à família audiovisual em 2019. Volto para casa pela Avenida Rio Branco com a minha térmica vazia e com sede de todo dia aprender algo novo. No próximo dia, já que agora sou da casa, entrarei pelo portão maior. Avante!

Por Juliana Brittes, santa-mariense acadêmica do curso de Jornalismo da UFN, apaixonada por fotografia.

Acima, da esquerda para a direita, Lívia e Kamila. Abaixo, Juliana e Thaisy. O novo quarteto que integra a equipe neste semestre. Fotos: Juliana Brittes


Selecionamos voluntários e/ou estagiários para este semestre


Se tu curtes audiovisual e produzir conteúdos divertidos e dinâmicos para redes sociais, trocar ideias, criar novas propostas que interajam com a comunidade a partir do olhar da comunicação este é o lugar certo. Venha integrar o nosso coletivo que trabalha com a comunicação comunitária, desenvolve projetos culturais e faz muito audiovisual com amor.

Nossa seleção de voluntárias (os) e/ou estagiárias (os) para o primeiro semestre de 2019 está aberta. São 4 vagas para estudantes que estejam matriculados em cursos da comunicação ou áreas afins. As vagas são para:
2 pessoas que curtam produção de conteúdo (vídeos, fotos e textos);
1 social media que também curte criar peças gráficas para as redes;
1 pessoa que goste de trabalhar com editoração de conteúdo e tenha habilidades para conceber uma página para este conteúdo (não precisa programar).

Para participar, é preciso ter, pelo menos, dois ou mais turnos livres, preferencialmente pela tarde, e estar disposto a trabalhar  coletivamente. Vale lembrar que pra quem se inscrever como voluntário (a), as atividades podem ser registradas como
ACC/ACG, além de toda experiência que pode surgir junto do trabalho desenvolvido.

As inscrições vão até até o dia 26 de março, próxima terça-feira neste formulário. Após a inscrição online, entraremos em contato  por e-mail para agendar um horário de encontro para entrevista na nossa sede, na Rua Floriano Peixoto, 267.