{"id":7517,"date":"2018-05-18T12:07:40","date_gmt":"2018-05-18T15:07:40","guid":{"rendered":"https:\/\/tvovo.org\/portal\/?p=7517"},"modified":"2021-07-07T11:39:17","modified_gmt":"2021-07-07T14:39:17","slug":"para-ler-e-refletir-cronicaria-e-uma-obra-de-santa-maria-para-e-sobre-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvovo.org\/portal\/para-ler-e-refletir-cronicaria-e-uma-obra-de-santa-maria-para-e-sobre-o-mundo\/","title":{"rendered":"Para ler e refletir: Cronicaria \u00e9 uma obra de Santa Maria para e sobre o mundo"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"7517\" class=\"elementor elementor-7517\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-1025317 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"1025317\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-5da11278\" data-id=\"5da11278\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-337361fb elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"337361fb\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u201c[&#8230;]<em> Foi ent\u00e3o que resolvi ser eu mesmo, e a\u00ed a cr\u00f4nica foi cabendo em mim e ficando mais confort\u00e1vel como um sapato novo que me causou bolhas e calos nos primeiros dias, mas que foi laceando com o uso, moldando-se ao formato do meu p\u00e9. [&#8230;] Foi o poeta Jo\u00e3o Cabral de Mello Neto que fez a reflex\u00e3o mais importante sobre o ato de escrever. Ele disse que um escritor escreve por dois motivos: ou por \u201cexcesso de ser\u201d, como fazem os escritores prolixos e transbordantes, ou por \u201cfalta de ser\u201d. E que ele, Jo\u00e3o Cabral, fazia parte desse \u00faltimo grupo: \u201ceu sinto que me falta alguma coisa. Ent\u00e3o, escrever \u00e9 uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que n\u00e3o tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche o vazio existencial.<\/em>\u201d\u201d<\/p><p>Este trecho de Marcello Canellas, na cr\u00f4nica <em>Para que um cronista escreve?,<\/em> do livro rec\u00e9m lan\u00e7ado <em>Cronicaria, <\/em>traduz o sentimento de um, ou de v\u00e1rios escritores, inclusive o da jovem Manuela Fantinel. Apaixonada pela escrita e pela literatura, Manu que est\u00e1 prestes a se formar em Jornalismo, deu vida \u00e0s p\u00e1ginas do <em>Cronicaria<\/em> junto de Marcelo, com organiza\u00e7\u00e3o da tamb\u00e9m jornalista Neli Mombelli. Tudo come\u00e7ou com um projeto do Sobrado Centro Cultural e da TV OVO &#8211; o sonho de publicar uma obra impressa recheada de cr\u00f4nicas que provocassem sentimentos, reflex\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o aos santa-marienses e ao mundo, a partir de olhares nativos daqui.<\/p><p>O sonho ganhou forma a partir de uma campanha de financiamento coletivo que circulou pelas redes, e engajou 126 pessoas das mais variadas: ilustradores, leitores ass\u00edduos, fot\u00f3grafos, jornalistas, publicit\u00e1rios, amigos, admiradores, familiares da Manu, f\u00e3s do Marcelo, professores e estudantes. Na plataforma online, toda quarta e todo s\u00e1bado era dia de cr\u00f4nica, nas quartas Manuela escrevia sobre amor, sobre dor, sobre feminismo, emocionava e encantava; no s\u00e1bado, Marcelo recordava o passado, trazia poesia aos fatos cotidianos, envolvia quem passasse os olhos pelo texto. Qualquer pessoa poderia passar uns minutos por ali, viajando entre as narrativas, as lembran\u00e7as, e as aspira\u00e7\u00f5es dos nossos cronistas.<\/p><p>A partir de todo carinho, confian\u00e7a e trabalho dos muitos parceiros, o <em>Cronicaria<\/em> nasceu em vers\u00e3o impressa, com lan\u00e7amento na Feira do Livro de Santa Maria no in\u00edcio do m\u00eas de maio. A sess\u00e3o de aut\u00f3grafos lotou e, em um m\u00eas, foram vendidos quase 200 exemplares, al\u00e9m dos 800 que est\u00e3o sendo distribu\u00eddos gratuitamente nas escolas p\u00fablicas municipais de Santa Maria. O<em> Cronicaria, <\/em>inclusive, figurou entre os cinco livros mais vendidos da Feira.<\/p><p>Os pais de Manuela, Marlova e Giovani Fantinel, compartilharam a sensa\u00e7\u00e3o de felicidade por mais uma conquista da filha no dia do lan\u00e7amento: \u201cEstamos muito felizes, muito orgulhosos. A Manu est\u00e1 fazendo aquilo que ela gosta, aquilo que ela ama, ent\u00e3o ela se realizando, eu e a m\u00e3e dela nos realizamos juntos. E temos certeza que \u00e9 o primeiro livro de muitos outros, porque ela gosta de escrever e faz isso com o cora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de que ela tem as compet\u00eancias para fazer, a escrita faz parte dela, \u00e9 um talento\u201d, relata o pai de Manu. A m\u00e3e Marlova ainda acrescenta: \u201cela escreve muito o que ela sente, a opini\u00e3o dela, \u00e9 ela nos textos, quem conhece sabe que \u00e9 a escrita da Manu. Ela sempre gostou de escrever e sempre escreveu. Eu s\u00f3 desejo sorte para que continue e n\u00e3o desista. Sempre digo para ela que sonhar \u00e9 livre, tem que sonhar, mas tamb\u00e9m tem que buscar, se esfor\u00e7ar e acho que isso ela tem feito\u201d.<\/p><p>Mas os dois escritores n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 inspira\u00e7\u00e3o para Marlova e Giovani. Luiza Rorato, estudante de Jornalismo de 21 anos, se espelha em Marcelo e conta que n\u00e3o perdia a leitura de nenhuma cr\u00f4nica quando eram publicadas na internet. \u201cEu acompanhava as cr\u00f4nicas todos os dias que elas saiam, tanto da Manu como do Marcelo, e eu era apaixonada lendo, nas quartas e no s\u00e1bado. O meu foco no trabalho final de gradua\u00e7\u00e3o vai ser pesquisar sobre o Marcelo Canellas, a partir de algumas produ\u00e7\u00f5es dele, eu o adoro, tanto como pessoa quanto como jornalista. O trabalho dele \u00e9 uma coisa que eu amo, eu me identifico porque a narrativa do Marcelo me toca e ele \u00e9 muito presente em Santa Maria. Ele \u00e9 muito santa-mariense, isso faz eu me sentir representada. J\u00e1 a Manu eu vejo que ela \u00e9 mais um jeito \u201cmundo nas nuvens\u201d, tem um estilo mais puxado para o liter\u00e1rio, enquanto o Marcelo \u00e9 mais voltado para a veracidade, para os fatos do dia a dia\u201d.<\/p><p>N\u00e3o importa o estilo de escrita, a linguagem ou as formas de constru\u00e7\u00e3o das ideias, o que impressiona e diferencia \u00e9 o sentimento que existe em meio as v\u00edrgulas, par\u00e1grafos e retic\u00eancias. As p\u00e1ginas do <em>Cronicaria <\/em>s\u00e3o puro sentimento. Orlando Fonseca, professor de Letras e escritor, afirma que para ser um escritor \u00e9 preciso ser verdadeiro consigo mesmo e a Manu nos conta que o ato escrever \u00e9 uma troca, \u201cespero que n\u00e3o me faltem hist\u00f3rias inspiradoras nesta vida. Seguirei escrevendo, como eu sempre fiz. Se eu tiver a sorte de contar com alguns leitores, melhor ainda, melhor que escrever \u00e9 escrever e ser lida. A troca \u00e9 o que deixa a vida completa\u201d. Orlando Fonseca ressalta que, hoje em dia, para se colocar no mercado editorial \u00e9 muito dif\u00edcil, ent\u00e3o se tu tens um \u201cpadrinho\u201d como o Marcelo podes al\u00e7ar grandes voos. Para ele, o texto vai ter facilidade de circular, se claro, tiveres uma escrita de qualidade.<\/p><figure id=\"attachment_7519\" aria-describedby=\"caption-attachment-7519\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/tvovo.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/IMG_0481-1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7519\" src=\"https:\/\/tvovo.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/IMG_0481-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/tvovo.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/IMG_0481-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/tvovo.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/IMG_0481-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/tvovo.org\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/IMG_0481-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-7519\" class=\"wp-caption-text\">Manuela e Marcelo na sess\u00e3o de aut\u00f3grafos do Cronicaria na Feira do Livro de Santa Maria. Foto de Jaiana Garcia<\/figcaption><\/figure><p>Assim como o nome <em>Cronicaria<\/em> foi uma jun\u00e7\u00e3o de palavras, uma mistura de: cotidiano, cr\u00f4nicas e Santa Maria, o g\u00eanero textual cr\u00f4nica tamb\u00e9m se faz a partir de uma fus\u00e3o de estilos. Orlando explica que a cr\u00f4nica n\u00e3o tem especificidades, que ela importa t\u00e9cnicas e atitudes de escritores de outras categorias. \u201cA cr\u00f4nica nasce junto com o jornal e com isso tem muito da cotidianidade de quem busca os fatos mas logo tamb\u00e9m se distancia do jornalismo porque o jornalista busca a veracidade dos fatos ou pelo menos a historicidade do fato, enquanto, o cronista vai buscar no mesmo fato, no mesmo cotidiano, o que foge da realidade, aquilo que \u00e9 fantasioso, o que \u00e9 poss\u00edvel produzir uma reflex\u00e3o l\u00edrica. Uma dimens\u00e3o po\u00e9tica para o cotidiano, o que o jornalista evidentemente n\u00e3o costuma fazer\u201d, explica o professor. Assim, o <em>Cronicaria<\/em> \u00e9 a brecha para dois jornalistas suspirarem nos intervalos do texto jornal\u00edstico. Segundo Orlando, a cr\u00f4nica \u00e9 um g\u00eanero t\u00edpico brasileiro, e que n\u00e3o olha o aspecto tr\u00e1gico da exist\u00eancia, mas direciona o olhar \u00e0s possibilidades do pitoresco e do fantasioso, ainda que trate de fatos contundentes.<\/p><p>Em meio as 95 p\u00e1ginas do livro e 31 cr\u00f4nicas, o <em>Cronicaria, <\/em>na vis\u00e3o daqueles que o criaram \u00e9 mais que um livro, \u00e9 um sonho j\u00e1 realizado de pessoas que acreditam que \u00e9 preciso olhar as delicadezas do mundo e refletir sobre as indelicadezas da sociedade. Renan Mattos, Marcos Borba, Neli Mombelli, Alexsandro Pedrollo, Elias Monteiro, Denise Copetti, Paulo Tavares, Isabela Grotto, Maria Luiza Milbradt colaboraram de diferentes formas com a proposta e idealiza\u00e7\u00e3o, com \u201cfotocr\u00f4nicas\u201d, ilustra\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, texto de apresenta\u00e7\u00e3o, projeto gr\u00e1fico, coordena\u00e7\u00e3o editorial, web design entre outras fun\u00e7\u00f5es que ent\u00e3o se transformaram em uma obra de 1200 exemplares.<\/p><p>Pessoas de diferentes idades mostraram-se interessadas nas hist\u00f3rias do livro. Luisa, Victor, Maria Luiza e Dion estavam na fila de aut\u00f3grafos com o livro nas m\u00e3os e muitas expectativas em mente. Victor Thiago Reis, de 28 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo adiantou-se e comprou o livro antes do lan\u00e7amento para garantir a leitura. \u201cEu comprei o <em>Cronicaria<\/em> porque conhe\u00e7o a Manuela desde sempre, porque eu curto Jornalismo e porque eu gosto de ler cr\u00f4nicas. \u00a0Estou aqui pelo carinho, para prestigiar ela, porque daqui um tempo ela vai longe\u201d. Victor j\u00e1 iniciou a leitura e espera encontrar mais tempo durante a rotina universit\u00e1ria para ficar na companhia do Cronicaria. J\u00e1 Luiza Mezomo, de 15 anos, estudante e prima da Manu, adquiriu o livro poucos minutos antes de entrar na fila e disse estar ansiosa para ler. \u201cEstou nessa fila agora porque a Manu escreve textos muito bons sobre as coisas que acontecem no nosso dia a dia. Ela consegue expressar o que a gente sente pelas palavras e de uma forma que ajuda as outras pessoas\u201d. A designer gr\u00e1fica Maria Luiza Milbradt, de 23 anos, que criou a marca do livro e tamb\u00e9m estava na fila de aut\u00f3grafos, ressalta a import\u00e2ncia de trazer dois autores diferentes em um mesmo livro: \u201cEu gosto muito do texto do Canellas, e com a escrita da Manu rola bastante identifica\u00e7\u00e3o por ela ser jovem. Eu n\u00e3o conhecia o texto da Manu, mas por meio do projeto <em>Cronicaria<\/em> eu conheci e adorei a vis\u00e3o dos textos dela. Eles trazem quest\u00f5es para se pensar sobre a cidade. \u00c9 legal esse contraponto do mais velho com o mais jovem, de um cara que est\u00e1 fora da cidade, que mora em Bras\u00edlia, mas que tamb\u00e9m \u00e9 de Santa Maria, e da Manu, que vivencia aqui, que est\u00e1 direto aqui\u201d.<\/p><p>Dion Nunes, professor de ingl\u00eas de 31 anos, ali mesmo na fila j\u00e1 come\u00e7ou sua leitura e demostrou interesse para al\u00e9m da narrativa escrita. Ele ressaltou a beleza das fotografias presentes no livro. \u201cH\u00e1 muitos anos conhe\u00e7o o trabalho do Marcelo e eu tamb\u00e9m gostei bastante das fotos que eu estou vendo aqui, inclusive um desses pr\u00e9dios da fotografia foi o primeiro que eu morei em Santa Maria. Essa janela aqui era do meu quarto, ent\u00e3o meu quarto est\u00e1 eternizado no livro, j\u00e1 consegui encontrar identifica\u00e7\u00e3o fora do texto\u201d, comenta Dion apontando uma das imagens do livro.<\/p><p>O <em>Cronicaria<\/em> foi bem recebido por todos na Pra\u00e7a Saldanha Marinho, nas bancas de livros e no cora\u00e7\u00e3o de quem o tinha nas m\u00e3os. Manu relata que o momento do lan\u00e7amento foi muito especial. \u201cEu me senti sendo reconhecida por fazer algo que eu amo e acredito. Estive cercada de pessoas que generosamente torcem por mim e que a admira\u00e7\u00e3o \u00e9 rec\u00edproca. Existe sensa\u00e7\u00e3o melhor que essa? Foi emocionante ver um projeto realizado com tanto amor, sendo amado\u201d. Um livro que nasceu por v\u00e1rias m\u00e3os, v\u00e1rios olhares e busca estar na estante de v\u00e1rias pessoas. S\u00e3o \u201c<em>doses homeop\u00e1ticas de reflex\u00f5es narrativas cotidianas<\/em>\u201d, como descreve o t\u00edtulo do texto de apresenta\u00e7\u00e3o do livro. E \u00e9 complementado por Manu: \u201cAs cr\u00f4nicas s\u00e3o leves, mas n\u00e3o s\u00e3o bobas &#8211; s\u00e3o reflex\u00f5es inteligentes e necess\u00e1rias sobre a vida. \u00c9 o nosso olhar &#8211; cr\u00edtico, mas generoso &#8211; sobre o que j\u00e1 \u00e9 not\u00edcia, sobre o que deveria ser not\u00edcia e sobre os detalhes do cotidiano que as c\u00e2meras n\u00e3o alcan\u00e7am. O <em>Cronicaria<\/em> \u00e9 para treinar o nosso olhar para o outro\u201d. Quem tiver interesse em adquirir a obra, ela est\u00e1 dispon\u00edvel na Cesma, na Livraria Athena e na<a href=\"https:\/\/tvovo.org\/portal\/loja\/\"> loja online da TV OVO<\/a>.<\/p><p>Por Tayn\u00e1 Lopes<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c[&#8230;] Foi ent\u00e3o que resolvi ser eu mesmo, e a\u00ed a cr\u00f4nica foi cabendo em mim e ficando mais confort\u00e1vel como um sapato novo que me causou bolhas e calos nos primeiros dias, mas que foi laceando com o uso, moldando-se ao formato do meu p\u00e9. 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