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Olhar a comunidade é também olhar para si


Grupo da escola José Paim de Oliveira registrou a história de um domador de cavalos.

Um dos pilares do nosso trabalho é a formação de jovens no universo audiovisual e a comunicação comunitária, buscando despertar olhares sensíveis aos detalhes e acontecimentos ao nosso redor, apresentando outras perspectivas de futuro e de trabalho aos estudantes. Além disso, buscamos criar público para o cinema local e assim fomentar a cultura na cidade.

O projeto Olhares da Comunidade é uma das iniciativas em que trabalhamos com a formação audiovisual de adolescentes que estão nos últimos anos do ensino fundamental de escolas públicas e periféricas. No fim do mês de abril, iniciamos o projeto na escola Reverendo Alfredo Winderlich, na Vila Santos/Urlândia. Em seguida, nosso destino foi a escola José Paim de Oliveira, localizada no Alto das Palmeiras no distrito de São Valentim. E, por fim, neste mês de junho desenvolvemos o projeto na escola Sérgio Lopes, na Vila Renascença. Em cada escola foram 12 horas de atividades que envolveram exercícios de som, fotografia, criação de roteiro, gravação e noções de edição.

Ao fim desta primeira etapa, trabalhamos com quase 60 alunos o que resultou em 8 vídeos que partem do formato de uma vídeo-carta, ou seja, que mandam um recado a alguém, a sociedade, ou, até mesmo, a si mesmo. Os estudantes produziram vídeos em formato de poesia, documentários, ficção e experimental. Em cada escola surgiram diferentes ideias, ressaltando sempre as particularidades de cada turma e de cada comunidade. Foram dias agitados em que nos aproximamos de diferentes realidades e procuramos despertar o pensar para quem somos, como vemos o mundo e como o retratamos. Talvez, enquanto oficineiros, aprendemos muito mais do que ensinamos.  Surgiram audiovisuais das mais variadas temáticas como, por exemplo, vida no campo, feminismo, descarte de lixo nos rios e preconceito. Todas as produções estarão disponíveis no nosso canal no YouTube depois que fizermos o circuito de exibição dos vídeos nas escolas, última etapa do Olhares da Comunidade.

Alice Coelho, estudante do 8º ano do ensino fundamental, tem 13 anos e foi uma das primeiras a se inscrever na oficina. Ela gosta de escrever histórias e acredita que o projeto pode auxiliá-la no processo de desenvolvimento da história que já tem escrita. Empolgada, ela ainda destaca: “eu gostei bastante de fazer as atividades, de botar na prática, de ir lá fora tirar as fotos. Eu aprendi coisas novas, por exemplo, eu não sabia sobre enquadramentos. Gostei também dos vídeos que vocês apresentaram”. A estudante demostrou muito interesse e atenção a todas as temáticas trabalhadas, inclusive ao material impresso que entregamos: um guia de produção audiovisual.

Alice conta que os aprendizados da oficina podem ser múltiplos. “A oficina pode ajudar na vida no geral. Depois dela a pessoa consegue prestar mais atenção nas coisas, ela tem um conhecimento maior, ela fica mais atenta e passa a olhar o mundo de outro jeito. A pessoa pode usar isso na vida, pode virar um trabalho, pode usar o que ela aprendeu pra criar uma história, ou fazer vídeos normais do dia a dia, mas aí ela pode fazer melhor”, finaliza Alice.

Luis Augusto Santos tem 14 anos e está no 9º ano do fundamental. Ele se inscreveu na oficina por curiosidade, é fã de ficção científica e tem interesse pela cultura POP e pelo universo cinematográfico. “No meu modo de criação sempre assisti filmes com meu pai. Desde pequeno ele sempre me puxava pra isso, acompanhar o cinema e a cultura, filme de ficção, documentário e coisas do gênero”. Luis ainda relata sobre a união das turmas: “a interação com o oitavo ano com o nono é bem rara. A conexão que tá tendo, essa energia de todos fazendo tudo junto é legal”. Ao fim da atividade, Luis comentou que estava animado para os próximos encontros e cheio de ideias na cabeça. Segundo ele, como não costuma ter projetos extraclasse na escola como este, para ele, a oficina superou as expectativas. “Achava que ia ser só a parte explicativa que a gente não ia botar tanto a mão. Tô um pouco ansioso com esse projeto novo, de todo mundo fazer histórias filmadas e editadas, a parte de áudio e a parte visual com as câmeras e ângulos, é desafiador”, relata o estudante.

Após a primeira etapa nas escolas, a segunda fase do Olhares da Comunidade reúne parte dos estudantes na nossa sede para aprofundar os conhecimentos. No último sábado, 22, iniciamos a integração dos estudantes e definimos três temas de documentários que serão gravados e editados no próximo sábado, 29. São eles: preconceito, lgtfobia e ser adolescente. Temas que surgem a partir das vivências e inquietações que eles compartilham durante o brainstorming de ideias.

Para finalizar o ciclo 2019 de oficinas do projeto, que tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM), voltaremos às escolas para uma sessão cineclubista em que exibiremos todos os vídeos produzidos, um total de 11. Isso valoriza o processo de aprendizado e compartilha com a comunidade escolar o resultado, gerando reflexão e socialização, e, por fim, cumpre-se uma das funções principais da produção audiovisual que é a de que todo filme deve chegar até o público.

Por Tayná Lopes
Foto Neli Mombelli

 


Lelé voa para escolas públicas de Santa Maria


O Lelé João-de-Barro não aguentou ficar parado e, durante o mês de junho voou para a rede pública escolar em Santa Mari, pousando nas escolas E.E.E.F João Belém, próxima ao centro histórico de Santa Maria,  E.B.E. Cícero Barreto, no bairro Nossa Senhora do Rosário, E.M.E.F Adelmo Simas Genro, na Nova Santa Marta, e E.M.E.F Padre Gabriel Bolzan, em Camobi.

Ao total, foram doados 115 livros para estudantes dos 3º anos das escolas públicas para que o patrimônio e a história da cidade possam integrar o conteúdo trabalhado em sala de aula a partir das atividades propostas pelo livro Lelé João-de-Barro: arquiteto de histórias.

Entre as atividades do livro está a dobradura de um origami do personagem principal do livro. Produzimos um tutorial como montar o Lelé de origami, que está disponível em nossas redes sociais e no nosso canal do youtube. E, na penúltima página do livro, tem um espaço para que as crianças desenhem o Lelé e o Sobrado e um pedido para que fotografem e enviem seu desenho para lele@tvovo.org. Já estamos recebendo algumas fotos que serão publicadas em um álbum nas nossas redes sociais. Os desenhos são lindos demais!

Para quem quiser adquirir o livro, ele está disponível na Cesma e Athena Livraria, em Santa Maria. Desde o lançamento na Feira do Livro deste ano, no primeiro dia de maio, já ultrapassamos a marca dos 300 exemplares vendidos.

Por Thaisy Finamor

Fotos: Juliana Brittes, Lívia Maria, Tayná Lopes e Thaisy Finamor

O Lelé e a criançada. Acima, escolas João Belém (esquerda) e Escola Cícero Barreto (direita). Abaixo, escolas Adelmo Simas Genro (na esquerda) e Padre Gabriel Bolzan (direita).

 

 


Campanha Juntos pela Feicoop conta com a colaboração da comunidade


A 26ª Feicoop – Feira Internacional do Cooperativismo e Economia Solidária está marcada para os dias 11, 12, 13 e 14 de julho nos pavilhões do Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter. Juntamente também ocorre a 15ª Feira Latino-Americana de Economia Solidária (Ecosol).

A feira conta com a participação de vários países e tem o objetivo de promover a geração de trabalho e renda a partir de uma economia solidária, além de impulsionar ideias, experiências e conhecimentos.

Este ano as verbas para a realização da feira estão escassas, por isso, o Projeto Esperança/Cooesperança e a Cáritas (responsáveis pela organização da Feicoop), lançaram a campanha Juntos pela Feicoop para garantir a estrutura dos expositores, visitantes e participantes da feira.

São bem-vindas contribuições de qualquer valor, que podem ser feitas através da campanha de financiamento coletivo online ou através de depósito bancário para a conta: Banco do Brasil – Conta: 26.292-7 – Agência 0010 – 8. Favorecido: Cáritas Brasileira Regional Rio Grande do Sul – CNPJ 33.654.419/0010-07.

Na fanpage da feira no Facebook tem mais informações com vídeos, textos e depoimentos dos apoiadores da economia solidária.

No ano passado, lançamos o documentário Cultura de Afetos na 25ª edição da feira. O filme permite conhecer a feira mais a fundo e registra as redes de solidariedade que se conectam e que defendem a diversidade e a sustentabilidade.

Convidamos todos aqueles que acreditam na Economia Popular Solidária para contribuir na captação de recursos para viabilizar esse espaço e garantir que a 26ª Feicoop aconteça.

Assista ao Cultura de Afetos

Por Thaisy Finamor


Workshop de roteiro reuniu público diverso


Para Félix, “escrever é guiar o olhar. Roteiro é movimento”.

No dia 15 de junho ocorreu, na sede da TV OVO, o Workshop de Roteiro, ministrado por Félix Rebolledo, que ressaltou o processo de desenvolvimento de um roteiro, passando pelo papel do roteirista, pela estrutura dramática e formatos de roteiro até a construção do personagem. O encontro iniciou  às 9 horas da manhã e se seguiu até as 18 horas de sábado, com intervalos curtos para lanche e almoço, totalizando 8 horas. O público de 25 participantes foi formado por pessoas de diferentes profissões, mas todos querendo escrever suas histórias.

O jornalista Luiz Gustavo Bordin, 47 anos, por exemplo, nos contou que sua paixão por cinema começou lá na infância. “Eu sempre adorei cinema desde criança. E sempre dava um jeito de transformar uma caixa de fósforo em câmera e os soldadinhos em atores ou repórteres.” Além disso, Luiz nos explica sua motivação para participar do workshop. “Eu vim aqui hoje pelo palestrante, uma pessoa experiente e que conhece muito cinema e roteiro. Achei uma excelente oportunidade, porque não é sempre que a gente tem uma pessoa desse calibre aqui em Santa Maria”, comenta Luiz.

Já João Eduardo Fogaça,  23 anos, veio de Cruz Alta para participar da atividade. ele contou que se apaixonou por audiovisual na faculdade após realizar uma disciplina de documentário e que pretende utilizar o ensinamento adquirido para produzir um documentário sobre os carroceiros de sua cidade. “A gente quer mostrar a relação dos carroceiros com o trânsito e as dificuldades que eles enfrentam, tanto de preconceito quanto de locomoção”, compartilha João Eduardo.

O workshop integra a programação do projeto Narrativas em Movimento e é financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC/SM). A programação prevista para o ano de 2019 conta ainda com mais um workshop de documentário no segundo semestre e também a realização de dois colóquios.

Por Lívia Teixeira
Foto de Juliana Brittes


TV OVO aprova projeto para restauração do Sobrado na LIC RS


O projeto que prevê a primeira fase de restauração da casa onde está a sede da TV OVO foi aprovado, na última terça-feira, 04, pela Lei de Incentivo à Cultura do estado do Rio Grande do Sul. Cadastrado no sistema em 16 de janeiro deste ano, o projeto intitulado Sobrado Centro Cultural – Fase 1 foi analisado pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) no dia 30/05 e considerado prioritário.

O projeto prevê a recuperação do casarão eclético datado de 1916, situado em Santa Maria, que será transformado em um centro cultural com ênfase para o audiovisual e projetos sociais ligados à área da cultura, comunicação e memória. Nesta primeira fase, o foco é a recuperação do imóvel histórico que se encontra atualmente em avançada degradação e sem cobertura. Para isso, prevê a estrutura necessária que deverá abrigar, no primeiro andar, uma biblioteca audiovisual, sala de leitura, museu da imagem e som e um café, e, no segundo andar, uma sala multiuso em que funcionará cineclube entre outras atividades culturais como exposições, encontros e oficinas. Após esta etapa, a casa abrigará a sede da TV OVO provisoriamente para que seja possível dar seguimento às próximas duas fases, que contemplarão a construção de um prédio anexo de 4 andares, onde será instalada a sede definitiva, com reabilitação da fachada art déco de 1940 do galpão, e a restauração das fachadas leste, sul e norte do casarão.

Conforme o documento publicado no Diário Oficial do estado, o valor aprovado para captação via Sistema Pró-Cultura RS  é de R$ 896.105,77 . Pela Lei, para que o projeto possa iniciar a execução, a equipe tem 6 meses para captar 20% do valor total, entendido como sinal de potencial para tirar a ideia do papel. Empresas que pagam ICMS (imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) no estado, desde que não tenham aderido ao Simples Nacional e estejam em situação de regularidade, podem destinar percentual do seu imposto para o projeto. A contrapartida, no caso do Sobrado Centro Cultural, é de apenas 5%, em função de ser bem tombado. Esse valor é destinado ao Fundo de Apoio à cultura (FAC/RS) e a empresa terá sua marca divulgada como patrocinadora do projeto. Porém, a partir do novo convênio realizado pelo estado do Rio Grande do Sul com o CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária do governo federal), os incentivos fiscais foram prorrogados até 30 de setembro deste ano. Para garantir a obra, é necessário conseguir os patrocínios com urgência.

A relevância da proposta engloba ampla dimensão cultural, seja pelo ato de tombamento municipal, pelas atividades que a TV OVO desenvolve, seja pelo legado arquitetônico, histórico, social e cultural que carrega. O casarão foi construído por Evandro Ribeiro (1882 – 1960), engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de Porto Alegre. Nascido em Caçapava do Sul, ele veio para Santa Maria com o desejo de viver como poeta, integrando a Academia Literária Sul-rio-grandense e a Academia de Letras do Rio Grande do Sul, motivo pelo qual a casa foi espaço de saraus literários e intensa movimentação cultural. Depois de ter sido residência da família Danesi, de 1940 a 1980, o imóvel foi adquirido por Marcelo Canellas em 2010, e fez a doação para a TV OVO em 2016, quando a associação completou 20 anos.”Esta história faz parte da essência que se articula com as forças vivas da cultura do município de Santa Maria, constituindo um projeto voltado para a cidade e suas demandas, e potencializando as ações de cunho artístico e social já desenvolvidas pela TV OVO no setor audiovisual”, salienta o parecer do conselheiro relator no CEC, Jorge Luís Stocker Júnior, entendendo o projeto como “importante iniciativa de resgate do patrimônio cultural arquitetônico e paisagístico”.

O projeto que começa a sair do papel é gestado de forma coletiva desde 2012. Um chamado público de Marcelo para arquitetos da cidade, em 2012, deu início às discussões. A equipe da proposta  aprovada é formada pelos arquitetos Tita Pereira, Daniel Pereyron e Anelis Flôres; os engenheiros Lucas Jost e Guilherme Angonese; e os produtores culturais Neli Mombelli, Denise Copetti e Marcos Borba.