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Tradição e Folclore, as histórias que caíram da mochila


Dias atrás, numa dessas tardes de chuva torrencial em Santa Maria, peguei um táxi até a TV OVO. O taxista, muito simpático, prontamente falou: “Ah, sim! Eu conheço a TV OVO. Onde fica?”. “Legal que o senhor conheça o nosso trabalho”, eu respondi, explicando o endereço. Chegamos. “Vocês trabalham aqui?”, me questionou o taxista, curioso. Eu, que já vejo nossas paredes como parte do nosso charme, não entendi: “Sim, sim. É aqui mesmo, por quê?”. “Não chove aí dentro?”, perguntou ele, já um pouco desconfiado sobre a minha resposta anterior. “Ah, sim, o Sobrado. Pois é, não dá para ver, mas temos uma parte relativamente grande que é coberta. Já temos o projeto para a restauração. Vai ficar lindo!”, eu respondi, deixando os dez reais e descendo do carro.

“Vocês trabalham aqui?” não é exatamente a pergunta certa para nós. O Sobrado Centro Cultural, onde fica a TV OVO, é ponto de encontro e de partida. Nosso trabalho é onde as histórias estiverem. Como de praxe, na nossa maneira de fazer audiovisual e também na nossa maneira de viver, problematizamos, mas sempre buscamos contar o que há de bom, e depois vemos como abordar os problemas sem potencializá-los. A TV OVO não cabe e nem poderia caber dentro de quatro paredes. Normalmente, transbordamos. Carregamos mais equipamentos do que precisaríamos. Mas quem é que vai contrariar essa galera que, embora não se empenhe na musculação, tem uma vontade absurda de fazer com que as histórias sejam contadas com todo o suporte que elas merecem, apesar da chuva que insiste em nos lembrar, o que por vezes até já faz parte da rotina, como goteiras, por exemplo?!. Ah, também nem preciso dizer que nunca pensamos com antecedência na força física necessária para segurar o microfone boom por uma hora, né?!

As coisas boas – de ideias a sentimentos – costumam derramar para fora da “caixa”, para além de gráficos e tabelas. Falar sobre Tradição e Folclore para o Cena Cultural (série de episódios que estamos produzindo) é, antes de tudo, entender que a bagagem trazida pelos imigrantes nunca coube dentro de suas mochilas. Há muito mais do que não pode ser visto. É preciso ouvi-los. Por mais que exista esforço em abranger tudo e todos que constituíram Santa Maria, sabemos que a Tradição e o Folclore santa-marienses não se limitam a um número X de pessoas. São gerações, famílias e povos com muitas e muitas horas de histórias para contar.

Amor, militância, música, dança, roupas típicas e lições ensinadas de pai para filho. Passado, presente e futuro. Recomeço, coragem, tradução e tradição. Visões de mundo, preferências, opiniões. Lutas diferentes, dificuldades particulares, conquistas distintas. Associações, Institutos Culturais, Centros de Tradições Gaúchas. Se a nossa história está por toda parte, como poderíamos limitá-la?

A equipe é grande para tornar possível traduzir em vídeo o que se planeja na hora do café. As histórias não cabem num episódio e nem poderiam caber, afinal, não se preocupe conosco, querido Taxista, as goteiras do Sobrado também são uma forma de dizer: a gente gosta mesmo é de transbordar. Enquanto houver espaço no cartão de memória, seguimos ouvindo, gravando e contando para vocês.

Por  Manuela Fantinel

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Entrevista com Valmir Beltrame, do CTG Sentinela da Querência. Foto: Heitor Leal

 


Documentário Arroio Grande está nas as redes


O documentário sobre o distrito de Arroio Grande, parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, agora está disponível no nosso canal no Youtube. O filme de 31 minutos foi financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria e já foi exibido na escola e na igreja de Arroio Grande, em Boca do Monte, no Centro de Artes e Letras (Cal) da UFSM e na nossa sede.

“Quando a gente faz um documentário, a intenção é que ele seja exibido para o maior número de pessoas possível. Assim se cumpre também uma função do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, que é a divulgação do documentário”, comenta Denise Copetti, produtora do filme. O documentário, produzido no ano passado, foi dirigido por Paulo Tavares e conta a história do local, as origens de seu nome e traz relatos de seus moradores.

Sinopse:

Uma região de várzea cercada por morros, com rico manancial hídrico desenha os contornos do distrito de Arroio Grande. Entre 1850 e 1880, migrantes vindos da Alemanha e Itália dão início ao desafio de alicerçar e povoar a nova colônia. Com afinco, união e devoção, os italianos abrem picadas, vencem as adversidades, plantam suas raízes e projetam seus valores e costumes. Nas últimas décadas a miscigenação ganha campo e as propriedades rurais transformam-se em espaços de lazer. Hoje, a produção hortigranjeira e a indústria cuteleira revezam a missão de alavancar a economia local.

Por Nicoli Saft


Cartaz Arroio Grande