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Para que não se repita


Na manhã do dia 21 de agosto,  segunda-feira, a Praça Saldanha Marinho foi o palco do lançamento da campanha de financiamento coletivo que pretende viabilizar a construção de um memorial em homenagem às 242 vítimas fatais do incêndio da boate Kiss, que aconteceu no dia 27 de janeiro de 2013. Idealizado pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), o memorial será erguido no local onde funcionava a casa noturna. O prédio foi desapropriado pela prefeitura no dia dez de julho deste ano.

Como destacado pelo presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Rafael Pavan dos Passos, o objetivo do financiamento é organizar um concurso público que vai selecionar o projeto arquitetônico do memorial. A quantia arrecadada servirá também para custear o pagamento à equipe vencedora, que vai desenvolver sua ideia até o projeto executivo. Sérgio da Silva, presidente da AVTSM, ressaltou, em seu discurso, que esse memorial trará de volta dignidade às famílias das vítimas da tragédia, pois como até hoje não se tem um responsável pelo ocorrido, o memorial servirá como uma forma indireta de se fazer justiça e de mostrar a situação de total abandono no qual os familiares se encontram em relação ao caso.

Para contribuir, basta acessar a página do projeto Campanha de Arrecadação para o Memorial às Vitimas da Kiss. A campanha tem término previsto para o mês de outubro. A meta inicial é de R$ 250 mil e a final de R$ 500 mil. O valor mínimo para doação é de R$ 50 e o pagamento pode ser feito online ou via boleto bancário. Existem feridas que nunca se fecham e dores que nunca se apagam. O memorial da Kiss não é apenas uma obra para relembrarmos do que aconteceu, e sim, para não permitirmos que algo assim se repita.

Por Valdemar Neto

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Juntos por Santa Maria


Tragédias e/ou desastres sociais impactam a todos, independentemente da proximidade geográfica ou de afeto. Esse impacto pode, sim, ser em maior ou menor grau. Ao impactar, estamos falando sobre reações pessoais, isto é, o modo como o psicológico é afetado e também como a memória individual e coletiva é trabalhada, já que aquela existe a partir desta. Maurice Halbwachs diz que a memória individual está relacionada às percepções produzidas pela memória coletiva.

Entre as diversas atividades previstas para os dias 26 e 27 de janeiro, que assinala os quatro anos do incêndio na Boate Kiss, está a conversa pública com o professor Márcio Seligmann-Silva “Memória coletiva, trauma e reconstrução”, que discutirá a memória social, a noção de coletividade e a relação com os traumas para que a tragédia de Santa Maria não caia no esquecimento, para que aprendamos com ela e para que não haja receio de falar sobre ela. É um movimento para enfrentar a dificuldade de lidar com as marcas que o incêndio deixou em todos.

Vamos participar. Essa história é todos nós.

Mais informações na página do Facebook Janeiro 27 e no evento Janeiro 27 | 4 anos| Memória e Futuro

Cartaz Janeiro 27