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Para ler e refletir: Cronicaria é uma obra de Santa Maria para e sobre o mundo


“[…] Foi então que resolvi ser eu mesmo, e aí a crônica foi cabendo em mim e ficando mais confortável como um sapato novo que me causou bolhas e calos nos primeiros dias, mas que foi laceando com o uso, moldando-se ao formato do meu pé. […] Foi o poeta João Cabral de Mello Neto que fez a reflexão mais importante sobre o ato de escrever. Ele disse que um escritor escreve por dois motivos: ou por “excesso de ser”, como fazem os escritores prolixos e transbordantes, ou por “falta de ser”. E que ele, João Cabral, fazia parte desse último grupo: “eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche o vazio existencial.””

Este trecho de Marcello Canellas, na crônica Para que um cronista escreve?, do livro recém lançado Cronicaria, traduz o sentimento de um, ou de vários escritores, inclusive o da jovem Manuela Fantinel. Apaixonada pela escrita e pela literatura, Manu que está prestes a se formar em Jornalismo, deu vida às páginas do Cronicaria junto de Marcelo, com organização da também jornalista Neli Mombelli. Tudo começou com um projeto do Sobrado Centro Cultural e da TV OVO – o sonho de publicar uma obra impressa recheada de crônicas que provocassem sentimentos, reflexão e identificação aos santa-marienses e ao mundo, a partir de olhares nativos daqui.

O sonho ganhou forma a partir de uma campanha de financiamento coletivo que circulou pelas redes, e engajou 126 pessoas das mais variadas: ilustradores, leitores assíduos, fotógrafos, jornalistas, publicitários, amigos, admiradores, familiares da Manu, fãs do Marcelo, professores e estudantes. Na plataforma online, toda quarta e todo sábado era dia de crônica, nas quartas Manuela escrevia sobre amor, sobre dor, sobre feminismo, emocionava e encantava; no sábado, Marcelo recordava o passado, trazia poesia aos fatos cotidianos, envolvia quem passasse os olhos pelo texto. Qualquer pessoa poderia passar uns minutos por ali, viajando entre as narrativas, as lembranças, e as aspirações dos nossos cronistas.

A partir de todo carinho, confiança e trabalho dos muitos parceiros, o Cronicaria nasceu em versão impressa, com lançamento na Feira do Livro de Santa Maria no início do mês de maio. A sessão de autógrafos lotou e, em um mês, foram vendidos quase 200 exemplares, além dos 800 que estão sendo distribuídos gratuitamente nas escolas públicas municipais de Santa Maria. O Cronicaria, inclusive, figurou entre os cinco livros mais vendidos da Feira.

Os pais de Manuela, Marlova e Giovani Fantinel, compartilharam a sensação de felicidade por mais uma conquista da filha no dia do lançamento: “Estamos muito felizes, muito orgulhosos. A Manu está fazendo aquilo que ela gosta, aquilo que ela ama, então ela se realizando, eu e a mãe dela nos realizamos juntos. E temos certeza que é o primeiro livro de muitos outros, porque ela gosta de escrever e faz isso com o coração, além de que ela tem as competências para fazer, a escrita faz parte dela, é um talento”, relata o pai de Manu. A mãe Marlova ainda acrescenta: “ela escreve muito o que ela sente, a opinião dela, é ela nos textos, quem conhece sabe que é a escrita da Manu. Ela sempre gostou de escrever e sempre escreveu. Eu só desejo sorte para que continue e não desista. Sempre digo para ela que sonhar é livre, tem que sonhar, mas também tem que buscar, se esforçar e acho que isso ela tem feito”.

Mas os dois escritores não são só inspiração para Marlova e Giovani. Luiza Rorato, estudante de Jornalismo de 21 anos, se espelha em Marcelo e conta que não perdia a leitura de nenhuma crônica quando eram publicadas na internet. “Eu acompanhava as crônicas todos os dias que elas saiam, tanto da Manu como do Marcelo, e eu era apaixonada lendo, nas quartas e no sábado. O meu foco no trabalho final de graduação vai ser pesquisar sobre o Marcelo Canellas, a partir de algumas produções dele, eu o adoro, tanto como pessoa quanto como jornalista. O trabalho dele é uma coisa que eu amo, eu me identifico porque a narrativa do Marcelo me toca e ele é muito presente em Santa Maria. Ele é muito santa-mariense, isso faz eu me sentir representada. Já a Manu eu vejo que ela é mais um jeito “mundo nas nuvens”, tem um estilo mais puxado para o literário, enquanto o Marcelo é mais voltado para a veracidade, para os fatos do dia a dia”.

Não importa o estilo de escrita, a linguagem ou as formas de construção das ideias, o que impressiona e diferencia é o sentimento que existe em meio as vírgulas, parágrafos e reticências. As páginas do Cronicaria são puro sentimento. Orlando Fonseca, professor de Letras e escritor, afirma que para ser um escritor é preciso ser verdadeiro consigo mesmo e a Manu nos conta que o ato escrever é uma troca, “espero que não me faltem histórias inspiradoras nesta vida. Seguirei escrevendo, como eu sempre fiz. Se eu tiver a sorte de contar com alguns leitores, melhor ainda, melhor que escrever é escrever e ser lida. A troca é o que deixa a vida completa”. Orlando Fonseca ressalta que, hoje em dia, para se colocar no mercado editorial é muito difícil, então se tu tens um “padrinho” como o Marcelo podes alçar grandes voos. Para ele, o texto vai ter facilidade de circular, se claro, tiveres uma escrita de qualidade.

Assim como o nome Cronicaria foi uma junção de palavras, uma mistura de: cotidiano, crônicas e Santa Maria, o gênero textual crônica também se faz a partir de uma fusão de estilos. Orlando explica que a crônica não tem especificidades, que ela importa técnicas e atitudes de escritores de outras categorias. “A crônica nasce junto com o jornal e com isso tem muito da cotidianidade de quem busca os fatos mas logo também se distancia do jornalismo porque o jornalista busca a veracidade dos fatos ou pelo menos a historicidade do fato, enquanto, o cronista vai buscar no mesmo fato, no mesmo cotidiano, o que foge da realidade, aquilo que é fantasioso, o que é possível produzir uma reflexão lírica. Uma dimensão poética para o cotidiano, o que o jornalista evidentemente não costuma fazer”, explica o professor. Assim, o Cronicaria é a brecha para dois jornalistas suspirarem nos intervalos do texto jornalístico. Segundo Orlando, a crônica é um gênero típico brasileiro, e que não olha o aspecto trágico da existência, mas direciona o olhar às possibilidades do pitoresco e do fantasioso, ainda que trate de fatos contundentes.

Em meio as 95 páginas do livro e 31 crônicas, o Cronicaria, na visão daqueles que o criaram é mais que um livro, é um sonho já realizado de pessoas que acreditam que é preciso olhar as delicadezas do mundo e refletir sobre as indelicadezas da sociedade. Renan Mattos, Marcos Borba, Neli Mombelli, Alexsandro Pedrollo, Elias Monteiro, Denise Copetti, Paulo Tavares, Isabela Grotto, Maria Luiza Milbradt colaboraram de diferentes formas com a proposta e idealização, com “fotocrônicas”, ilustrações sensíveis, texto de apresentação, projeto gráfico, coordenação editorial, web design entre outras funções que então se transformaram em uma obra de 1200 exemplares.

Pessoas de diferentes idades mostraram-se interessadas nas histórias do livro. Luisa, Victor, Maria Luiza e Dion estavam na fila de autógrafos com o livro nas mãos e muitas expectativas em mente. Victor Thiago Reis, de 28 anos, estudante de Arquitetura e Urbanismo adiantou-se e comprou o livro antes do lançamento para garantir a leitura. “Eu comprei o Cronicaria porque conheço a Manuela desde sempre, porque eu curto Jornalismo e porque eu gosto de ler crônicas.  Estou aqui pelo carinho, para prestigiar ela, porque daqui um tempo ela vai longe”. Victor já iniciou a leitura e espera encontrar mais tempo durante a rotina universitária para ficar na companhia do Cronicaria. Já Luiza Mezomo, de 15 anos, estudante e prima da Manu, adquiriu o livro poucos minutos antes de entrar na fila e disse estar ansiosa para ler. “Estou nessa fila agora porque a Manu escreve textos muito bons sobre as coisas que acontecem no nosso dia a dia. Ela consegue expressar o que a gente sente pelas palavras e de uma forma que ajuda as outras pessoas”. A designer gráfica Maria Luiza Milbradt, de 23 anos, que criou a marca do livro e também estava na fila de autógrafos, ressalta a importância de trazer dois autores diferentes em um mesmo livro: “Eu gosto muito do texto do Canellas, e com a escrita da Manu rola bastante identificação por ela ser jovem. Eu não conhecia o texto da Manu, mas por meio do projeto Cronicaria eu conheci e adorei a visão dos textos dela. Eles trazem questões para se pensar sobre a cidade. É legal esse contraponto do mais velho com o mais jovem, de um cara que está fora da cidade, que mora em Brasília, mas que também é de Santa Maria, e da Manu, que vivencia aqui, que está direto aqui”.

Dion Nunes, professor de inglês de 31 anos, ali mesmo na fila já começou sua leitura e demostrou interesse para além da narrativa escrita. Ele ressaltou a beleza das fotografias presentes no livro. “Há muitos anos conheço o trabalho do Marcelo e eu também gostei bastante das fotos que eu estou vendo aqui, inclusive um desses prédios da fotografia foi o primeiro que eu morei em Santa Maria. Essa janela aqui era do meu quarto, então meu quarto está eternizado no livro, já consegui encontrar identificação fora do texto”, comenta Dion apontando uma das imagens do livro.

O Cronicaria foi bem recebido por todos na Praça Saldanha Marinho, nas bancas de livros e no coração de quem o tinha nas mãos. Manu relata que o momento do lançamento foi muito especial. “Eu me senti sendo reconhecida por fazer algo que eu amo e acredito. Estive cercada de pessoas que generosamente torcem por mim e que a admiração é recíproca. Existe sensação melhor que essa? Foi emocionante ver um projeto realizado com tanto amor, sendo amado”. Um livro que nasceu por várias mãos, vários olhares e busca estar na estante de várias pessoas. São “doses homeopáticas de reflexões narrativas cotidianas”, como descreve o título do texto de apresentação do livro. E é complementado por Manu: “As crônicas são leves, mas não são bobas – são reflexões inteligentes e necessárias sobre a vida. É o nosso olhar – crítico, mas generoso – sobre o que já é notícia, sobre o que deveria ser notícia e sobre os detalhes do cotidiano que as câmeras não alcançam. O Cronicaria é para treinar o nosso olhar para o outro”. Quem tiver interesse em adquirir a obra, ela está disponível na Cesma, na Livraria Athena e na loja online da TV OVO.

Por Tayná Lopes

Manuela e Marcelo na sessão de autógrafos do Cronicaria na Feira do Livro de Santa Maria. Foto de Jaiana Garcia

 

 


Exposição e oficinas movimentam o Sobrado Centro Cultural


Nos meses de junho e julho, nossa sede foi espaço para dois projetos culturais que incluem exposições de imagens, com o Fábulas Contínuas, e de oficinas, com atividades propostas pelo projeto Mês do Rock.

A edição deste ano do Fábulas Contínuas,  do artista e fotógrafo Leo Caobelli, é uma exposição itinerante que percorre cidades do interior do Rio Grande do Sul. Já passou por Bagé, Santa Maria, e, agora em julho passa por Pelotas. Em Santa Maria, a exposição, chamada Algum pequeno oásis de fatalidade perdido num deserto de erros, teve como propósito trabalhar com imagens a partir da recuperação de arquivos em HD’s comprados em galpões de reciclagem de alumínio.

A partir da escolha destas fotos, a exposição é criada com o desenvolvimento de pequenos jogos, como o Solitaire, mais conhecido como Paciência, e o Palamedes. O Solitaire é a “sobreposição de imagens, que uma imagem vai passando para outra formando pares e trios com o objetivo de criar uma narrativa”, explica Caobelli. Já o Palamedes é como se fosse um jogo de dados interativos em que o jogador precisa acertar fotografias iguais a partir da combinação de um acervo de três mil imagens. Essas fotos são retiradas dos HD’s e catalogadas de acordo com o conteúdo como festas, estradas, bebês e aniversários. O jogo foi desenvolvido em conjunto com Fernando Krum,  professor dos cursos de Comunicação Social e Comunicação Digital da Unisinos, em São Leopoldo.

A mostra do projeto Fábulas Contínuas faz refletir sobre o o crescente acúmulo de lixo eletrônico. As pessoas não se dão conta quando computadores são jogados no lixo, também vão para a lixeira importantes documentos de preservação de nossa própria memória como fotografias, vídeos, documentos em texto e entre outros arquivos pessoais. O projeto conta com recusros do Fundo de Apoio à Cultura (Fac) do Estado.

Mês do Rock

O outro projeto para quem o Sobrado Centro Cultural abriu as portas é o Mês do Rock. Por três semanas no mês de julho, a sede da TV OVO recebe oficinas relacionadas ao gênero, como a de Rockcustomização, onde os integrantes tiveram a oportunidade customizar roupas. Também teve a oficina de atuação artística com o músico Pylla Kroth, em que ele explicou aspectos importantes da carreira de músicos, como por exemplo, as leis de direitos autorais.

Ainda teve oficina de Produção Gráfica, com Diego de Grandi; Produção musical, com Léo Mayer; Audiovisual, com Fabiano Foggiato. Nesta semana terá de Roadagem, com Mauro Di Giácomo; Assessoria de Imprensa, com Ana Bittencourt; Produção de palco/tour, com Sandor Mello; Cobertura de shows (repórter e fotógrafo), com Márcio Grings e Fabiano Dallmeyer. E também terá um workshop de bateria com o músico Cezar Nogueira, na Musiartes.

Além das oficinas, o projeto, organizado pelo produtor Márcio Grings, terá shows na Praça Saldanha Marinho e em bares de Santa Maria. Também há uma exposição de fotografias com imagens de músicos da cidade captadas por fotógrafos santa-marienses. As fotos estão expostas no Salão de Atos da SUCV (Rua Venâncio Aires, 2035)  até o dia 31 de julho. O horário de visitação é de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 13h, e das 14h às 16h30min. O Mês do Rock teve captação de recursos via Lei de Incentivo à Cultura.

Por Pedro Piegas

Montagem da exposição Fábulas Contínuas no Sobrado Centro Cultural.

Montagem da exposição Fábulas Contínuas no Sobrado Centro Cultural. Na foto Leo Caobelli e Fernando Krum, organizadores da mostra.


Quando o endereço está errado


Em reportagem publicada pelo Diário de Santa Maria, no dia 04 de julho, a respeito de imóveis abandonados na cidade, consta o sobrado onde fica a sede da TV OVO. A menção do endereço da casa (Rua Floriano Peixoto esquina com Ernesto Becker) e a inclusão da fotografia, na versão online, não é apenas injusta, mas é jornalisticamente errada. O local simboliza o oposto do abandono! É o resgate de um espaço que hoje está vivo, ocupado e pleno de atividades culturais que comprovam o contrário do que a reportagem quer mostrar. Inclusive há um projeto de restauro em andamento que o transformará em um centro cultural.

Na matéria, a galeria de fotos se chama “o endereço do abandono” e coloca todos os imóveis no mesmo patamar. Todos os 46 espaços listados são olhados como “pontos vulneráveis à ocupação por moradores de rua, usuários de drogas ilícitas e potenciais esconderijos para criminosos…”. Não há qualquer menção de que a casa da TV OVO não está abandonada, que é bem cuidada, possui câmeras de vigilância e cerca elétrica, apenas consta como “local fechado”.

A situação fica inaceitável porque a reportagem esteve na sede e conversou com dois integrantes da TV OVO que limpavam o espaço interno do sobrado para abrigar uma exposição de artes de um projeto da capital, que abriria naquele dia. A falta de apuração da matéria, que leva o leitor a entender que o espaço está abandonado, coloca todo o trabalho desenvolvido pela TV OVO em xeque e tem causado transtornos.

Ainda, é contraditório comparar a cobertura que o Diário de Santa Maria fez, no ano passado, sobre os projetos de restauração do sobrado e construção de um centro cultural para a cidade, e pouco mais de um ano o inclui na lista dos imóveis abandonados e com potencial perigo para a sociedade.

O fato é que a casa não está abandonada. Se a reportagem tivesse realmente apurado a informação enviada pela Brigada Militar ou, ainda, se a reportagem procurasse informações no próprio Diário de Santa Maria, saberia que desde 2012 a TV OVO ocupa o espaço, com todas os cuidados de segurança previstos na lei e não oferece nenhum risco para a população, muito pelo contrário!

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Projeto Sobrado Centro Cultural


Gravação de curta-metragem ocupa o estúdio do Sobrado Centro Cultural


Um espaço grande, com paredes escuras e com a possibilidade de iluminar e criar outras realidades. Essa é a função básica de um estúdio de cinema. Para exercitar esse destino, o galpão do Sobrado Centro Cultural abriga uma parte das gravações do curta-metragem Karma, produção dos alunos da disciplina de Cinema II, do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Franciscano.

De autoria de Luciano Vieira e com direção de Victor Mosttajo, Karma é um misto de drama e suspense, que narra a história de um taxista aposentado, prestes a acabar com a própria vida. Porém, antes do último suspiro, uma velha lembrança o faz retornar para a noite que o levou até aquele ponto. Aquela foi a noite de sua ruína, mas também o seu maior momento de altruísmo. Seria isso suficiente para impedi-lo de desistir de tudo? As gravações ocorrem nos dias 14, 20 e 22 de outubro, em algumas ruas de Santa Maria, entre elas a Vale Machado e no estúdio da TV OVO. No elenco estão Paulo Tavares e Thiago Brenner.

Vale ressaltar sempre que, colocando em prática o (re)aprendizado do curso de Artes Cênicas da UFSM, Paulo Tavares, associado e idealizador da TV OVO, compõe o elenco do audiovisual, o diretor de fotografia Alexsandro Pedrollo e a professora Neli Mombelli também fazem parte do quadro de associados da TV OVO.

Por enquanto, é no estúdio, no making of, que veremos a produção. Depois, a TV OVO faz questão de ser um dos locais de estreia do filme, já que o cinema só existe em contato com o público.

 

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Luciano Vieira

Direção: Victor Mosttajo

Produção: Carolina Teixeira, Dara Hamann, Jewison Cabral, Marcos Kontze, Matheus Christo e Róger Haeffner

Elenco: Paulo Tavares, Guilherme Senna e Thiago Brenner.

 

 

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Videoclipe “O Rei dos Excluídos” é gravado no Sobrado


Na fria noite de 5 de junho, domingo, o Sobrado da Rua Floriano peixoto esquina com Ernesto Becker foi cenário da gravação do videoclipe da música O Rei dos Excluídos, de Diego Lopes. A  direção do clipe ficou a cargo de Fernando Codevilla e a TV OVO entrou como parceira neste projeto, tendo na direção de fotografia Alexsandro Pedrollo, na assistência Marcos Borba e na produção Neli Mombelli.

Diego Lopes, conhecido por ser o baixista da banda Acústicos e Valvulados, está lançando seu segundo disco solo, chamado Tabuleiro. Após receber grandes críticas ao seu primeiro álbum, Diego ficou com grandes dúvidas se conseguia mesmo fazer música. Para buscar as respostas decidiu fazer exatamente isso: música – e foi assim que surgiu o Tabuleiro.

O álbum não trata somente de responder às críticas recebidas, mas também aborda assuntos universais.  Na verdade, não há uma interpretação única. Tudo depende de quem ouve, de como o ouvinte encaixa a letra e a melodia na sua vida. O músico salienta que os dois discos retratam a época de sua vida em que foram gravados. O segundo disco traz um certo amadurecimento: Diego está casado, com filho, e isso se reflete em seu trabalho.

Ao falar sobre a música do videoclipe, O Rei dos Excluídos, o Diego diz que ela não é sobre alguém em específico, e sim sobre todos nós. Para ele, é sobre alguém que não se mexe para fazer nada e ainda assim se acha o cara. “Acho que todo mundo conhece alguém que acha que sabe tudo, pode tudo, mas só não faz nada porque nada vale a pena fazer”, comenta Diego. É a partir  disso que o diretor do videoclipe, Fernando Codevilla, explica o conceito do cenário – um local em ruínas. O espaço “traz essa noção de ausência de movimento. Um homem está sentado em meio a sua casa em ruínas e não faz nada para mudá-la”.

Diego Lopes diz que adora Santa Maria e a ideia de gravar na cidade veio do Fernando, que já era amigo de Diego. O Tabuleiro mesmo era um lugar em Júlio de Castilhos, cidade da família do músico. O álbum foi produzido de maneira independente e está sendo divulgado pelo meio digital, pois, segundo Diego, no corre-corre atual, não são muitas as pessoas que param para escutar um disco inteiro, faixa por faixa, mas que mesmo assim optou por gravar um disco. Ele  revela, rindo, que fez um álbum todo, pois tinha muito o que falar.

Sobre o cenário musical, Diego lembra que antes dos álbuns serem tão importantes, no final dos anos 60, os principais trabalhos dos artistas eram em singles. Só se fazia discos completos quando os singles rendiam. Até mesmo os Beatles lançaram várias músicas que não entraram para seus álbuns. Ele acredita que estamos voltando para esta fase de singles.  Enquanto isso, em breve o álbum Tabuleiro deverá estar em lojas físicas como Livraria Cultura, Saraiva e Multisom.

Por Nicoli Saft
Fotografia de Fernando Codevilla

rei dos excluidos


A construção do Sobrado Centro Cultural


“Quando Evandro Ribeiro mandou fazer esse casarão em 1916, exatos 100 anos, ele não sabia que estava ajudando a dar rosto, a dar fisionomia ao momento urbano da nossa cidade, ele não sabia que estava ajudando a imprimir a digital da nossa identidade e do nosso passado ferroviário. Em 1996, precisamente no dia 12 de maio, portanto há exatos 20 anos, quando Paulo Tavares reuniu um grupo de garotos lá na Vila Caramelo, ele provavelmente não sabia a extraordinária aventura que ele estava começando para retirar jovens da periferia do desalento e do desamparo e oferecendo caminhos e possibilidades para eles. Quando eu comprei essa casa aqui, eu só queria salvar um casarão da ruína. Eu não sabia que seria o ponto de conexão dessas duas histórias tão fabulosas.”

Foi com essas palavras que, em 12 de maio de 2016, o jornalista Marcelo Canellas fez da casa do poeta Evandro Ribeiro a casa oficial da TV OVO, nosso viveiro de sonhos, segundo Paulo Tavares.

Em solenidade, com a presença de  amigos, diversos produtores culturais e autoridades do município, Marcelo Canellas assinou o documento que transfere a posse do sobrado, localizado na esquina da rua Floriano Peixoto com a Ernesto Becker, para a TV OVO, que ocupava o casarão desde de 2011, quando foi acertada a parceria entre Canellas e a instituição.

Com a transferência do casarão, a TV OVO ganhou um espaço que agora pode chamar de seu, mas que também é de todo santa-mariense. Estavam presentes aproximadamente 80 pessoas para a apresentação do projeto de Restauro do Sobrado Centro Cultural,coordenado pelos arquitetos Clarissa Pereira e Daniel Pereyron que contaram com a ajuda de colaboradores que se somaram durante o período de elaboração.

O projeto apresentado prevê dois espaços. Um deles é a restauração do casarão que abrigará o museu da imagem e do som, cineclube, biblioteca do audiovisual, café cultural e espaço para exposições. O outro ambiente será um prédio, aos fundos, com salas de aulas, estúdios de TV, cinema e áudio e espaço para apresentações teatrais.

“O Sobrado Centro Cultural pode ser um espaço de reflexão e crítica ao jornalismo que é feito pelos meios tradicionais, e de novos caminhos para uma profissão que está mudando quanto à gestão de negócios, à plataformas e modos de fazer”, foram as palavras finais da fala de Marcelo Canellas.

Até o final de julho, as equipes do escritório de arquitetura Smarqs e Simultânea Engenharia trabalham nos projetos estrutural e complementares para, após esta etapa, a TV OVO iniciar a captação de recursos em leis de incentivo. Além do direcionamento de recursos por meio de mecanismos de fomento, pessoas físicas e jurídicas também pode fazer doações diretas para construção do Sobrado Centro Cultural de fato.

Por Helena Moura, Laura Boessio e William Boessio

Fotografia de Julia Machado

Assinatura da escritura de doação do imóvel.

Assinatura da escritura de doação do imóvel.