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O site do Cronicaria já está no ar


Nesta quarta (16/08), iniciamos as publicações de crônicas inéditas produzidas por Manuela Fantinel, a Manu, e por Marcelo Canellas. As quartas-feiras são da Manu e os sábados de Marcelo.
 
Mas por que cronicar? Para Marcelo, “a potência da crônica está justamente em esgaçar o banal, para que o leitor, percebendo o despercebido, reconheça nele um significado universal”. Logo, se crônica é potência, para Manu ela tem força porque passa pela percepção da potência do ser humano. “Precisamos acreditar que podemos pensar no ‘algo a mais’. Crônica é isso: é a busca pelo ‘algo a mais’ da rotina e da vida”. 
 
O Cronicaria é mais um espaço que abre brechas para os sentimentos e subjetividades que partem do singular, mas que encontram respaldo no coletivo, porque carregam marcas de anseios, de medos, de crenças, de valores, de lugares, de tempos, de amores, de desilusões, enfim, de elementos que caracterizam o ser humano. Cronicaria é um espaço de reflexão e de expressão. “Para mim, é uma honra escrever ao lado de Marcelo e mostrar que nós, jovens e mulheres, temos muito para dizer!”, complementa Manu. 
 
“Cronicaria é uma cesta de impressões sobre o mundo onde eu e Manu, cronistas de gerações tão diferentes, vamos deixando nosso olhares distintos”, comenta Marcelo, que também faz o convite: “Quem quiser, que apanhe as frutas miúdas do cotidiano que vamos colher pela cidade”.
O site do Cronicaria já está abastecido com as duas crônicas que publicamos durante a campanha de financiamento coletivo. Memória, é uma crônica de Marcelo publicada no seu livro Províncias: crônicas de uma alma interiorana. Já Sobre mim,sobre você e sobre ela é uma crônica que Manu escreveu especialmente para a campanha. E o Cronicaria continua com sua campanha de financiamento coletivo aberta até início de setembro. A meta é captar R$ 12 mil para que sejam publicadas 40 crônicas entre 16 de agosto a 30 de dezembro deste ano. Até o momento, captamos 65% do valor pretendido, o que financia as publicações até meados de outubro, totalizando 20 crônicas.
 
O projeto é capitaneado pela TV OVO. Somos um coletivo santa-mariense que trabalha com formação audiovisual e com o registro da memória da cidade. Para além do audiovisual, atuamos nas discussões a respeito das políticas culturais locais e desenvolvemos diversos projetos na área. Cronicaria é mais um deles que busca engajar e envolver as pessoas nos liames da escrita, da leitura, do cotidiano, do encontro e da reflexão.
 
Doações para a campanha podem ser feitas em catarse.me/cronicariatvovo

cronistas
Confira os vídeos que produzimos para a campanha do Cronicaria.


Inscreva-se no workshop “o som no audiovisual”


Tão importante quanto as imagens, o som exerce um papel fundamental no audiovisual. Afinal, como a própria palavra indica, é a junção de imagens em movimento com o som que resulta em um produto audiovisual.

O som no audiovisual envolve uma série de elementos que vão desde diálogos à trilha sonora, passando pelo som ambiente e efeitos sonoros. Desenho de som, tratamento de áudio na pós-produção audiovisual e mixagem e masterização são conceitos necessários para trabalhar em uma obra audiovisual de qualidade.

Para quem gosta desse assunto aí vai uma boa notícia, nos dias 12 e 19 de agosto, realizaremos, no Sobrado Centro Cultural, o workshop O som no audiovisual. Serão duas tardes dedicadas à reflexão e à prática desse elemento audiovisual por vezes pouco explorado.

O workshop, com 15 vagas, será ministrado por Márcio Echeverria Gomes, nosso parceiro, responsável pelo desenho de som de algumas de nossas obras. Para quem se interessa pelo tema e quer aprofundar os conhecimentos em áudio voltado ao audiovisual pode fazer a sua inscrição no workshop até o dia 10 de agosto neste link.

O pagamento da taxa deve ser feito pessoalmente na sede da TV OVO, rua Floriano Peixoto, 267, das 14h30min às 18h. Em caso de dúvidas ou incompatibilidade de horário, nos envie um e-mail (tvovo@tvovo.org), nos ligue (3026 3039) ou entre contato inbox no Facebook (tvovosm). A vaga será confirmada mediante o pagamento até dia 10 de agosto.

 

O quê: Workshop O som no audiovisual
Quando: dias 12 e 19 de agosto, das 14h às 18h.
Local: Sobrado Centro Cultural. Rua Floriano Peixoto, 267.
Quanto: R$ 60 inteira. R$ 30 meia (estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de 15 a 29 anos carentes – mediante apresentação de documento comprobatório)

Conteúdo programático
- Som direto;
- Análise sonora audiovisual;
- Desenho de som;
- Tratamento de áudio na pós-produção audiovisual;
- Mixagem e masterização final.

 

O Workshop O som no audiovisual faz parte do Projeto Narrativas em Movimento 2017 e conta com o financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Por Heitor Leal

Márcio fez a captação de som direto no curta-metragem Poeira.

Márcio fez a captação de som direto no curta-metragem Poeira. Fotografia de Fernando Krum.


Sobre mim, sobre você e sobre ela


Para comemorar os 26% atingidos até o momento do financiamento coletivo para o Cronicaria (Acesse e doe em: catarse.me/cronicariatvovo), a Manuela escreveu uma crônica. Uma crônica sobre a crônica, para dar gostinho do que será o Cronicaria. A gente agradece de coração as contribuições e seguimos em campanha até o dia 08 de agosto. Em tempo, Cronicaria é um projeto que depende de você e é para você: são crônicas de Manuela Fantinel e Marcelo Canellas que serão publicadas entre agosto e dezembro, nas quartas-feiras e sábados. 

Sobre mim, sobre você e sobre ela

Eu queria tocar a campainha do céu. Você, na ponta dos pés, abriria a porta. Talvez estivesse só de fraldas e pés descalços. Uma possível meleca no nariz. Eu tentaria pegar você no colo. Assustada, fugiria de mim. Arriscaria uma brincadeira – ou cócegas, no auge do meu desespero – e você ia achar graça. Porque as crianças acham graça! Ou não. Você já passou por tantas coisas que talvez não ache o mundo um lugar engraçado ou gracioso. E a verdade é que ele costuma não ser – o que me entristece é que você, tão nova, já tenha descoberto isso. Na última terça-feira, 11 de julho, uma criança de três anos perdeu a vida em Santa Maria. Ela foi vítima de violência doméstica. Os agressores? A mãe e o padrasto.

Algumas histórias não são boas de serem contadas ou agradáveis de serem ouvidas. A televisão nos mostra e, na hora do almoço, ninguém quer falar sobre o assunto. O único comentário que costuma rolar é um “têm coisas que não dá para acreditar, né?”. Não dá para acreditar e, então, não acreditamos… E seguimos como se isso não fosse real – a vida precisa seguir, afinal. Escolhemos nos proteger (por covardia) e praticar a aceitação (e o egoísmo). Vira banalidade. Mas aí eu me lembro da minha afilhada de quatro anos, tão inteligente, incrível e “cheia de graça”, e entendo que a humanidade não falhou em sua capacidade de amar, mas na má distribuição do amor. E do dinheiro. E da educação. E da comida. E de tudo que se propôs a fazer.

Nós não temos o dom da empatia, o dom do amor ou o da compaixão. O que temos, na verdade, é o dom de desenvolvermos os melhores e os piores sentimentos do mundo – o que é tão encantador quanto, mas exige um pouco mais de nós. A crônica, como uma mágica, chega ao mundo para nos despertar e nos educar para essas emoções. Porque eu não escrevo fantasias, roteiros hollywoodianos ou histórias para dormir. Eu escrevo sobre mim, sobre você e sobre ela. As histórias que ninguém quer ler, mas que todos torcem para que sejam escritas. Se a crônica é sobre nós, ela não é apenas sobre a vida. Ela também é sobre a morte. É sobre tudo, ou sobretudo, no que está entre. Crônica é sobre o choro e o riso – às vezes, no mesmo texto -, como a vida é – às vezes, na mesma hora.

Se a crônica fosse alguma parte do ser humano, seria a pele. Não adianta ignorar – fechar os olhos ou os ouvidos -, quando algo te corta, vai doer. Quando algo te arrepia, é impossível evitar: vai arrepiar. A crônica não é a televisão e os seus olhos, não é o rádio e os seus ouvidos – e não é melhor que nenhuma delas -, é apenas o que há de mais animal em nós. É a reflexão marginal. A consideração sobre os nossos acertos e fracassos – esses que grande parte da humanidade evita pensar. É. Talvez cronicar seja um respiro de autoconhecimento e, por isso, de esperança. Alguém precisa deixar registrado que, apesar dos romances encomendados e das ficções que enchem as salas de cinema, a realidade continua extraordinária!

Dessa Terra, no fim, a gente só leva a meleca do nariz – uma semelhante a que a criança a qual foi tirada a graça teria se abrisse a porta para mim, e essa mesma que a minha afilhada, tão amada, também tem. E isso é importante que a gente nunca esqueça: o mundo gosta muito de apontar as nossas diferenças (religiosas, culturais, ideológicas). É o que dá ibope. Mas contar as histórias do cotidiano é uma oportunidade de mostrar que as nossas semelhanças são muito maiores que as discordâncias. Porque se você olha para o lado e não consegue ver o outro, aqui você vai ver o outro olhando para você – e isso vai te cortar a pele, se for preciso; ou arrepiar, se nós tivermos alguma sorte. Quem lê sobre a realidade de quem está distante não corre o risco de achar que a vida é pequena. Ela é grande – nem sempre longa, nem sempre graciosa, mas sempre grande, como só um amontoado de palavras poderia ser.

nuvem



Já conhece o Cronicaria?

Cronicaria são crônicas sobre e de Santa Maria a partir do olhar de Marcelo Canellas e Manuela Fantinel. É o olhar santa-mariense sobre o mundo para além dos morros que nos cercam. Um olhar “flaneur”, livre, de quem se acostumou a subir e descer as lombas de uma cidade ondulada.

O projeto se materializa numa publicação semanal de crônicas em uma página online lincada ao site da TV OVO entre 16 de agosto e 30 de dezembro de 2017, num total de 40 crônicas. As quartas-feiras serão da Manuela: o sentimento do mundo, o ímpeto dos sonhos que movem os jovens, os temas que mobilizam discussões atuais, ideias que lembram que o mundo é muito grande para se pensar pequeno. Os sábados serão de Marcelo: histórias que envolvem, memórias que irrompem e questões que, por vezes, alfinetam.

Já viu as recompensas do Cronicaria?

A gente te conta!

GOSTO DE CRÔNICAS: Para R$10 ou mais, tenha teu nome na aba “apoiadores” do projeto.

GOSTO MUITO DE CRÔNICAS: Para R$20 ou mais, além do nome como apoiador, receba 4 crônicas diagramadas prontas para impressão.

AMO CRÔNICAS E POSTAIS: Para R$50 ou mais, além dos itens anteriores, receba um cartão postal com uma ilustração de Elias Monteiro, criada a partir de uma crônica da Manuela Mezomo Fantinel.

BOM MESMO É SUGERIR TEMA DE CRÔNICAS: Para R$100 ou mais, além do nome como apoiador, receba um cartão postal com uma ilustração de Elias Monteiro criada a partir de uma crônica do Marcelo Canellas e sugira um tema de crônica.

EU QUERO É ESCREVER CRÔNICAS: Para R$300 ou mais, além de constar como apoiador da iniciativa, tu poderás fazer um workshop de criação de crônicas com Marcelo Canellas.

As doações  podem ser feitas por cartão ou gerando boleto via a plataforma do Catarse, um site que hospeda projetos de financiamento coletivo. Acesse o link e contribua com essa ideia.

catarse.me/cronicariatvovo

CRONICARIA-site


A feira que semeia histórias


Um documentário, assim como uma feira, não é feito da noite para o dia, e, também não é realizado apenas por uma pessoa. Nos dias 7, 8 e 9 de julho, a equipe da TV OVO esteve presente em mais uma Feira Internacional do Cooperativismo (Feicoop), onde conheceu histórias de produtores de diversas partes do Brasil e da América Latina.

Isso porque, em 2018, a feira completa 25 anos e a TV OVO irá transformar parte dessa trajetória em um registro audiovisual. Nestes anos, a Feicoop se consolidou, principalmente, como um espaço de diversidades culturais, articulações, debates e trocas de experiências entre empreendimentos ligados à economia solidária, que compreendem agroindústrias familiares, povos indígenas, catadores, quilombolas entre outros diversos movimentos sociais. Este ano, a 24ª edição da Feicoop reuniu expositores de mais de 500 municípios de todos os estados brasileiros e de mais de vinte países, como, por exemplo, África do Sul, Alemanha, Argentina, Chile, China, Colômbia, Costa do Marfim, Cuba, Equador, Espanha, Hungria, Itália, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, Portugal, Senegal e Uruguai.

A pré-produção do documentário iniciou em junho,quando foram feitas as primeiras entrevistas com os produtores locais no Feirão Colonial, que é realizado aos sábados, das 7h às 11h30min, no Centro de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter. As entrevistas com  participantes locais e de outros estados e países foram gravadas no último final de semana, além de imagens das diversas atividades. Foram 3 equipes de gravação com 11 pessoas envolvidas ao todo.

O documentário tem financiamento da Lei de Incentivo a Cultura (Lic/SM). O lançamento deverá ser na próxima edição da Feicoop entre os dias 12 e 15 de julho de 2018, em Santa Maria.

Por Pedro Piegas (texto e fotografia)

documentário feicoop


Exposição e oficinas movimentam o Sobrado Centro Cultural


Nos meses de junho e julho, nossa sede foi espaço para dois projetos culturais que incluem exposições de imagens, com o Fábulas Contínuas, e de oficinas, com atividades propostas pelo projeto Mês do Rock.

A edição deste ano do Fábulas Contínuas,  do artista e fotógrafo Leo Caobelli, é uma exposição itinerante que percorre cidades do interior do Rio Grande do Sul. Já passou por Bagé, Santa Maria, e, agora em julho passa por Pelotas. Em Santa Maria, a exposição, chamada Algum pequeno oásis de fatalidade perdido num deserto de erros, teve como propósito trabalhar com imagens a partir da recuperação de arquivos em HD’s comprados em galpões de reciclagem de alumínio.

A partir da escolha destas fotos, a exposição é criada com o desenvolvimento de pequenos jogos, como o Solitaire, mais conhecido como Paciência, e o Palamedes. O Solitaire é a “sobreposição de imagens, que uma imagem vai passando para outra formando pares e trios com o objetivo de criar uma narrativa”, explica Caobelli. Já o Palamedes é como se fosse um jogo de dados interativos em que o jogador precisa acertar fotografias iguais a partir da combinação de um acervo de três mil imagens. Essas fotos são retiradas dos HD’s e catalogadas de acordo com o conteúdo como festas, estradas, bebês e aniversários. O jogo foi desenvolvido em conjunto com Fernando Krum,  professor dos cursos de Comunicação Social e Comunicação Digital da Unisinos, em São Leopoldo.

A mostra do projeto Fábulas Contínuas faz refletir sobre o o crescente acúmulo de lixo eletrônico. As pessoas não se dão conta quando computadores são jogados no lixo, também vão para a lixeira importantes documentos de preservação de nossa própria memória como fotografias, vídeos, documentos em texto e entre outros arquivos pessoais. O projeto conta com recusros do Fundo de Apoio à Cultura (Fac) do Estado.

Mês do Rock

O outro projeto para quem o Sobrado Centro Cultural abriu as portas é o Mês do Rock. Por três semanas no mês de julho, a sede da TV OVO recebe oficinas relacionadas ao gênero, como a de Rockcustomização, onde os integrantes tiveram a oportunidade customizar roupas. Também teve a oficina de atuação artística com o músico Pylla Kroth, em que ele explicou aspectos importantes da carreira de músicos, como por exemplo, as leis de direitos autorais.

Ainda teve oficina de Produção Gráfica, com Diego de Grandi; Produção musical, com Léo Mayer; Audiovisual, com Fabiano Foggiato. Nesta semana terá de Roadagem, com Mauro Di Giácomo; Assessoria de Imprensa, com Ana Bittencourt; Produção de palco/tour, com Sandor Mello; Cobertura de shows (repórter e fotógrafo), com Márcio Grings e Fabiano Dallmeyer. E também terá um workshop de bateria com o músico Cezar Nogueira, na Musiartes.

Além das oficinas, o projeto, organizado pelo produtor Márcio Grings, terá shows na Praça Saldanha Marinho e em bares de Santa Maria. Também há uma exposição de fotografias com imagens de músicos da cidade captadas por fotógrafos santa-marienses. As fotos estão expostas no Salão de Atos da SUCV (Rua Venâncio Aires, 2035)  até o dia 31 de julho. O horário de visitação é de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 13h, e das 14h às 16h30min. O Mês do Rock teve captação de recursos via Lei de Incentivo à Cultura.

Por Pedro Piegas

Montagem da exposição Fábulas Contínuas no Sobrado Centro Cultural.

Montagem da exposição Fábulas Contínuas no Sobrado Centro Cultural. Na foto Leo Caobelli e Fernando Krum, organizadores da mostra.