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Lelé voa para escolas públicas de Santa Maria


O Lelé João-de-Barro não aguentou ficar parado e, durante o mês de junho voou para a rede pública escolar em Santa Mari, pousando nas escolas E.E.E.F João Belém, próxima ao centro histórico de Santa Maria,  E.B.E. Cícero Barreto, no bairro Nossa Senhora do Rosário, E.M.E.F Adelmo Simas Genro, na Nova Santa Marta, e E.M.E.F Padre Gabriel Bolzan, em Camobi.

Ao total, foram doados 115 livros para estudantes dos 3º anos das escolas públicas para que o patrimônio e a história da cidade possam integrar o conteúdo trabalhado em sala de aula a partir das atividades propostas pelo livro Lelé João-de-Barro: arquiteto de histórias.

Entre as atividades do livro está a dobradura de um origami do personagem principal do livro. Produzimos um tutorial como montar o Lelé de origami, que está disponível em nossas redes sociais e no nosso canal do youtube. E, na penúltima página do livro, tem um espaço para que as crianças desenhem o Lelé e o Sobrado e um pedido para que fotografem e enviem seu desenho para lele@tvovo.org. Já estamos recebendo algumas fotos que serão publicadas em um álbum nas nossas redes sociais. Os desenhos são lindos demais!

Para quem quiser adquirir o livro, ele está disponível na Cesma e Athena Livraria, em Santa Maria. Desde o lançamento na Feira do Livro deste ano, no primeiro dia de maio, já ultrapassamos a marca dos 300 exemplares vendidos.

Por Thaisy Finamor

Fotos: Juliana Brittes, Lívia Maria, Tayná Lopes e Thaisy Finamor

O Lelé e a criançada. Acima, escolas João Belém (esquerda) e Escola Cícero Barreto (direita). Abaixo, escolas Adelmo Simas Genro (na esquerda) e Padre Gabriel Bolzan (direita).

 

 


TV OVO aprova projeto para restauração do Sobrado na LIC RS


O projeto que prevê a primeira fase de restauração da casa onde está a sede da TV OVO foi aprovado, na última terça-feira, 04, pela Lei de Incentivo à Cultura do estado do Rio Grande do Sul. Cadastrado no sistema em 16 de janeiro deste ano, o projeto intitulado Sobrado Centro Cultural – Fase 1 foi analisado pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) no dia 30/05 e considerado prioritário.

O projeto prevê a recuperação do casarão eclético datado de 1916, situado em Santa Maria, que será transformado em um centro cultural com ênfase para o audiovisual e projetos sociais ligados à área da cultura, comunicação e memória. Nesta primeira fase, o foco é a recuperação do imóvel histórico que se encontra atualmente em avançada degradação e sem cobertura. Para isso, prevê a estrutura necessária que deverá abrigar, no primeiro andar, uma biblioteca audiovisual, sala de leitura, museu da imagem e som e um café, e, no segundo andar, uma sala multiuso em que funcionará cineclube entre outras atividades culturais como exposições, encontros e oficinas. Após esta etapa, a casa abrigará a sede da TV OVO provisoriamente para que seja possível dar seguimento às próximas duas fases, que contemplarão a construção de um prédio anexo de 4 andares, onde será instalada a sede definitiva, com reabilitação da fachada art déco de 1940 do galpão, e a restauração das fachadas leste, sul e norte do casarão.

Conforme o documento publicado no Diário Oficial do estado, o valor aprovado para captação via Sistema Pró-Cultura RS  é de R$ 896.105,77 . Pela Lei, para que o projeto possa iniciar a execução, a equipe tem 6 meses para captar 20% do valor total, entendido como sinal de potencial para tirar a ideia do papel. Empresas que pagam ICMS (imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços) no estado, desde que não tenham aderido ao Simples Nacional e estejam em situação de regularidade, podem destinar percentual do seu imposto para o projeto. A contrapartida, no caso do Sobrado Centro Cultural, é de apenas 5%, em função de ser bem tombado. Esse valor é destinado ao Fundo de Apoio à cultura (FAC/RS) e a empresa terá sua marca divulgada como patrocinadora do projeto. Porém, a partir do novo convênio realizado pelo estado do Rio Grande do Sul com o CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária do governo federal), os incentivos fiscais foram prorrogados até 30 de setembro deste ano. Para garantir a obra, é necessário conseguir os patrocínios com urgência.

A relevância da proposta engloba ampla dimensão cultural, seja pelo ato de tombamento municipal, pelas atividades que a TV OVO desenvolve, seja pelo legado arquitetônico, histórico, social e cultural que carrega. O casarão foi construído por Evandro Ribeiro (1882 – 1960), engenheiro civil formado pela Escola de Engenharia de Porto Alegre. Nascido em Caçapava do Sul, ele veio para Santa Maria com o desejo de viver como poeta, integrando a Academia Literária Sul-rio-grandense e a Academia de Letras do Rio Grande do Sul, motivo pelo qual a casa foi espaço de saraus literários e intensa movimentação cultural. Depois de ter sido residência da família Danesi, de 1940 a 1980, o imóvel foi adquirido por Marcelo Canellas em 2010, e fez a doação para a TV OVO em 2016, quando a associação completou 20 anos.”Esta história faz parte da essência que se articula com as forças vivas da cultura do município de Santa Maria, constituindo um projeto voltado para a cidade e suas demandas, e potencializando as ações de cunho artístico e social já desenvolvidas pela TV OVO no setor audiovisual”, salienta o parecer do conselheiro relator no CEC, Jorge Luís Stocker Júnior, entendendo o projeto como “importante iniciativa de resgate do patrimônio cultural arquitetônico e paisagístico”.

O projeto que começa a sair do papel é gestado de forma coletiva desde 2012. Um chamado público de Marcelo para arquitetos da cidade, em 2012, deu início às discussões. A equipe da proposta  aprovada é formada pelos arquitetos Tita Pereira, Daniel Pereyron e Anelis Flôres; os engenheiros Lucas Jost e Guilherme Angonese; e os produtores culturais Neli Mombelli, Denise Copetti e Marcos Borba.


Coletivo em defesa do patrimônio santa-mariense lança identidade visual


Hoje será lançada a identidade visual e nomeado o Coletivo Memória Ativa, formado por um grupo de pessoas que se uniu em defesa do patrimônio histórico e cultural de Santa Maria. O lançamento será na sede da TV OVO, às 19 horas. O início do grupo se deu há quase um ano por conta da aprovação do novo Plano Diretor da cidade.  Jornalistas, arquitetos, lideranças comunitárias, professores, advogados, artistas, professores, estudantes e agentes culturais se mobilizaram na Praça Saldanha Marinho, em agosto de 2018, para lançar uma nota de repúdio às alterações na legislação que deixavam desprotegido o patrimônio santa-mariense, muito em função da crescente especulação imobiliária.

A arquiteta Márcia Kümmel comenta que o coletivo foi formado por uma ação concreta na sociedade civil, independente e apartidária. e por uma reação que ocasionou uma polêmica da extinção do plano diretor que protegia os prédios históricos de Santa Maria. Segundo ela, trata-se de um grupo multifuncional que não é fechado e abrange todos que defendem a preservação dos símbolos culturais. A promoção do debate é em torno da nova legislação municipal sobre a Lei do Patrimônio que está sendo atualizada. “Nós propusemos a reflexão em cima de um modelo econômico e de desenvolvimento que promova um progresso e geração de novos empregos e negócios, respeitando nosso passado e nossa memória”, salienta Márcia. A arquiteta enfatiza que é necessário amplificar a voz daqueles que acreditam que desenvolver uma cidade não significa demolir para construir o novo.

Orlando Fonsceca, professor, escritor e presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, que também integra o coletivo Memória Ativa, enfatiza que, desde o ano passado, o grupo vem planejado e executando ações simbólicas na cidade. Foi por atuação do grupo que a prefeitura tombou provisoriamente 135 edificações na cidade. O Memória Ativa pretende dar continuidade à ações pontuais para sensibilizar a população para a importância da memória de uma cidade. Uma das pautas recorrentes é a valorização de espaços históricos, como o Museus Gama D’Eça, por exemplo. Por ocasião dos 50 anos do Museu, o coletivo organizou e participou de um evento comemorativo. Oura atividade surgiu em parceria com a Reitoria da UFSM, com os cursos de Arquitetura e Urbanismo e História e  a Pós-Graduação em Patrimônio Cultural da UFSM, que propuseram um aula inaugural sobre patrimônio cultural com a participação do professor e arquiteto da UFRGS, Paulo Edi Martins.

A ideia é que Santa Maria necessita de um centro-histórico vivo, mas, para isso, é necessário políticas públicas e revitalização para fomentar o turismo na cidade. “‘Nós acreditamos que é perfeitamente possível reservar espaços para o desenvolvimento da construção civil em áreas de expansão urbana, ou que se mesclem com os prédios antigos, mas que não exija a demolição dos mesmos”, reflete Márcia.  Para ela, a educação patrimonial necessita ser discutida para que a comunidade saiba do valor da arquitetura dos prédios e o que isso significa para a cidade e para as pessoas que a constituem.

Isso porque o conceito de cidade vai além da materialidade de ruas e edificações, é também a união dos sujeitos. O trabalho, movimento e a memória daqueles que já preencheram suas ruas é a melhor forma de contar a história, seja das pessoas ou das próprias cidades. Se não houvessem pessoas, a cidade seria fantasma, sem vida, sem alma, sem dinamismo. É fundamental preservar os símbolos de vida que dão identidade e pertencimento a um lugar. E é ao falar em símbolos que surge uma dica da identidade visual do coletivo que será lançada hoje e que não poderia deixar de ser: ela está relacionada a um dos símbolos de Santa Maria.

Por Juliana Brittes


Lelé João-de-barro e o seu grande dia


No dia 1º de maio ocorreu o lançamento do livro infantil Lelé João-de-barro: arquiteto de histórias na 46º Feira do Livro de Santa Maria. De autoria dos arquitetos Clarissa Pereira (Tita) e Daniel Pereyron, e da jornalista e integrante da TV OVO, Neli Mombelli, o livro tem como personagem principal o Lelé, um passarinho da espécie joão-de-barro, que conduz o leitor pelas brincadeiras e pela história do livro, buscando estimular as crianças a reconhecerem e a preservarem o patrimônio histórico de Santa Maria. Há diversas atividades nas 32 páginas que compõe o exemplar, como origami, jogo de tabuleiro, peças para recortar e desenhos para colorir.

O livro fala sobre patrimônio, memória e arquitetura, principalmente, para o público infantil, mas que também envolve os familiares. Neli  explica que a ideia é mais uma ação, dentre tantas outras, para defender, conscientizar e preservar o patrimônio histórico de Santa Maria. “Como conscientizar?! Às vezes, falar com adultos, talvez, não seja tão fácil quanto falar com crianças. Porque elas vão crescer pensando e olhando para a cidade de uma forma diferente”, explica Neli ao ser questionada sobre a escolha do público-alvo do livro. Daniel completa: “É importante criar essa discussão, essa cultura de olhar para um prédio que é antigo, que tem um valor, que representa uma memória muito antes da própria existência dela”.

A feira pelo olhar de Lelé

Lelé estava super ansioso para encontrar seus novos amigos e aproveitou que a quarta feira, dia do lançamento, estava linda, com o céu azul, para ir voando até a Feira do Livro. A gata Pitanga, por sua natureza mais reclusa, preferiu ficar pelo Sobrado, mas pediu para que seu amigo joão-de-barro lhe contasse cada detalhe do evento. Jasmin e o Sobrado, os outros dois personagens, bem, eles não tinha como estar por lá a não ser pelas páginas do livro. Ao chegar na praça Saldanha Marinho, o passarinho encontrou-se com seus autores e ficou de olho no intenso movimento para a sessão de autógrafos, que iniciou às 14h e seguiu até às 17h30.

Enquanto esperava o início das atividades, Lelé aproveitou para conversar um pouco com seus leitores e público. Conheceu a Maria Nunes, de 8 anos, que havia acabado de comprar seu exemplar e estava ansiosa para lê-lo. Sua mãe Lirane Nunes, 43 anos, disse que a filha já havia estudado sobre o estilo dos prédios e sobre o patrimônio histórico de Santa Maria na escola, o que a fez se interessar pelo livro.

Encontrou por lá, também, a Fernanda Bianchin, de 39 anos, que foi prestigiar sua grande amiga, e uma das autoras do livro, Clarissa Pereira (Tita). “Eu vim aqui prestigiar porque eu adoro pintar. Eu tenho vários livros de pintar porque é forma que eu tenho de espairecer”, comentou ela. Ao ser questionada sobre o que havia achado do livro,  foi só elogios: “Eu adorei o livro, a ideia deles está muito legal. Inclusive eu acho que eles tinham que expandir isso para todo o Brasil, para todas as crianças…”. Ou seja, Lelé faz sucesso também entre os adultos.

O movimento foi intenso durante toda a tarde e, para entreter as crianças, Annelise Weber, arquiteta e urbanista que colaborou com a publicação, ajudou os pequenos a fazer o origami do Lelé. Uma das crianças que tirou de letra fazer a dobradura do joão-de-barro foi o Benjamin, de 9 anos, que adorou fazer a atividade e achou o livro bem legal e com cores vibrantes. Outro que também destacou as cores do livro foi o Benjamin Reinehr, de 8 anos: “Eu acho que amarelo combina com roxo”. Já a Joana, de 7 anos, achou o origami difícil, mas achou o livro muito bonito.

O Lelé também quis saber a opinião dos pais sobre seu livro. “Achei muito interessante, especialmente nesse período que Santa Maria luta para manter seu patrimônio intacto em função da especulação imobiliária. Acho legal trabalhar com as crianças essa consciência em relação ao patrimônio”, refletiu Janaina Garcia, de 36 anos, mãe de Clara. A arquiteta Lídia Rodrigues complementou: “Achei muito bom, uma proposta diferente e muito boa pela facilidade de manuseio, porque ele é curtinho, é para criança, mas ele traz informações bem necessárias. Tem informação de arquitetura, de escala e até o mapinha da cidade ”, elogiou.

Devido ao crescente sucesso e público, o evento teve sua duração estendida em uma hora, mas o joão-de-barro não podia ir embora sem conversar com  seus autores e colaboradores. Seu primeiro bate-papo foi com a Annelise Weber. Ela relatou como foi participar do projeto.

“Foi muito legal porque a gente discutiu conjuntamente. Eles fizeram a parte de criação, das atividades e eu participei ajudando com a ilustração dos desenhos, na parte de arte gráfica mesmo, e também com a dobradura do Lelé. ” E ainda completou dizendo que o lançamento superou as expectativas: “Pensamos que ia ter público, mas não tão grande assim e com fila imensa. Esgotou os nossos chaveiros, esgotou as dobraduras…. Está sendo muito legal,  uma experiência incrível, principalmente por participar do livro com eles. ”

Já Tita confessou ao Lelé sua sensação ao ter seu trabalho em mãos. “É fantástico, eu acho que qualquer projeto que a gente faça, que seja de arquitetura, que seja um livro como esse, que é um projeto mais curto, sempre a gente quer ver pronto e eu agradeço muito a Neli. Se não fosse por ela esse trabalho não teria saído do papel. Realmente ela tem um grande mérito em ter abraçado a ideia e colocá-la em prática. ”

Já passava das 18h da tarde quando o joão-de-barro ficou sabendo da estimativa de vendas do seu livro. Foram vendidos, somente no dia do lançamento, cerca de 180 exemplares e, ao final do dia, Lelé se sentia realizado por ter conhecido tantas pessoas incríveis. Ele voltou feliz e animado para compartilhar com a Pitanga, o Sobrado e a Jasmin tudo sobre seu dia.

Por Lívia Teixeira

O livro está entre os cinco mais vendidos desta edição da Feira do Livro. Foto de Juliana Brites


Lelé João-de-barro: livro infantil aborda arquitetura e patrimônio cultural de Santa Maria


Lelé João-de-Barro: arquiteto de histórias é o novo livro que leva o selo do Sobrado Centro Cultural, projeto de restauração do imóvel centenário que abriga a sede da TV OVO. O lançamento será dia 01/05 na 46ª Feira do Livro de Santa Maria, das 14h às 16h30, na Praça Saldanha Marinho. Os autores são os arquitetos Clarissa Pereira (Tita) e Daniel Pereyron, responsáveis pelo projeto arquitetônico do Sobrado, e a jornalista Neli Mombelli, integrante da TV OVO.

Lelé é o personagem que conduz a história do livro infantil. Ele mora na Jasmin, uma linda árvore que fica ao lado do Sobrado. A obra busca interagir com as crianças que encontrarão nas suas páginas jogos, desenhos para colorir, origami, peças para recortar, procurando trabalhar o reconhecimento do patrimônio da cidade e também ensinando sobre o ecletismo, estilo arquitetônico do Sobrado.

Tita, que também é professora universitária e mãe da Martina, defende que “somente o despertar da consciência do público infantil pode contribuir para a preservação da nossa história”. Foi com esse entendimento que Daniel, também professor universitário, atual presidente do Instituto do Planejamento de Santa Maria (Iplan) e pai do Theo e da Bibiana, também abraçou a proposta do livro ao questionar sobre qual legado se está deixando na cidade. “Como as crianças de hoje entenderão o que é patrimônio no futuro?”, propõe ele.

Boa parte do material produzido para o livro foi a partir das plantas que integram o projeto de restauração do Sobrado, que neste momento está com a primeira fase em avaliação na Lei de Incentivo à Cultura do Estado (LIC/RS). Neli, que é professora universitária e trabalha com oficinas de audiovisual para adolescentes, vê no livro a potência para o fortalecimento dos laços de pertencimento dos santa-marienses com a paisagem urbana. “O livro é para os pequenos e para seus familiares também. É uma maneira lúdica de olhar ao redor, reconhecer a identidade de Santa Maria e preservar seu legado histórico e cultural”.

E Tita complementa: “O livro também serve como resposta às transformações da imagem da cidade que estamos vivenciando nos últimos tempos. As construções de interesse histórico vêm sofrendo com o processo de verticalização do centro, que modifica e, por vezes, desconfigura parte da paisagem e da identidade de Santa Maria”.

Para que o livro fosse possível, formou-se uma rede de parceiros que patrocinaram a sua diagramação e impressão. São eles: L’abac Empreendimentos, Lineastudio Arquiteturas, Eny Calçados, AW Eventos, Zacon Zanini Construções, Simultânea Engenharia, MKümel Arquitetura, Criançando em SM, Q_arts Arquitetura e Box Studio Arquitetura.

Quem participar da sessão de autógrafos dia 01/05, receberá um chaveiro do Lelé. Além disso, Annelise Weber, colaboradora do livro, fará uma oficina de origami para as crianças já saírem com a dobradura do personagem principal em mãos. Ainda, serão sorteados 4 kits do livro, um total de 100 exemplares, para escolas públicas da cidade que participarem da feira. O livro estará disponível nas bancas da Cesma e da Athena Livraria pelo valor de R$ 15,00

Para mais informações, acompanhe a TV OVO no facebook/tvovosm e no instagram/tvovosm

Sinopse

Lelé João-de-Barro: arquiteto de histórias

Que tal voar, colorir, recortar, colar, brincar e aprender um pouco sobre arquitetura com Lelé? Ele é um joão-de-barro que mora numa árvore chamada Jasmin, ao lado de uma linda casa de estilo eclético em Santa Maria. Aventure-se nessa história.


Documentário abordará o acervo Art Dèco da Rio Branco e defenderá a luta pela preservação do patrimônio santa-mariense


Mais uma vez os caminhos da vida real e do universo do cinema se cruzam e surge mais um documentário que se envolve com a memória e a identidade santa-mariense. Desta vez, a pauta é a defesa do patrimônio histórico-cultural de Santa Maria, movimento que nasce em função de alterações do Plano Diretor aprovado neste ano na Câmara de Vereadores. As modificações no desenho urbano alteram as regras de planejamento, construção e organização da cidade pelos próximos 10 anos e, deste modo, colocam em risco os prédios históricos da cidade, expondo-os à especulação imobiliária. Entre o patrimônio ameaçado está o segundo maior acervo contínuo em Art Déco das Américas, que projeta Santa Maria para o mundo, já que fica atrás apenas da Ocean Drive, em Miami. (Leia matéria de O Globo que fala da Ocean Drive, da sua arquitetura e vocação para o turismo.)

“Eu, como santa-mariense, não consigo me conformar com a ideia de que é preciso destruir o passado para construir o futuro. Isso, além de ser equivocado, é uma estupidez, porque você destrói um imenso patrimônio – inclusive econômico – de possibilidades de desenvolvimento, de alternativas econômicas que dizem respeito ao turismo, à indústria criativa, à gastronomia e a dezenas de atividades econômicas associadas à preservação do patrimônio histórico. Em Santa Maria, a gente não percebe porque está degradado, porque está feio, porque não está pintado, porque está em ruínas. Mas se a gente lançar um olhar generoso sobre a cidade de onde a gente é, ou sobre a cidade que a gente vive, vamos perceber a beleza da singularidade da arquitetura local. Santa Maria é uma cidade única. O privilégio de ainda termos em pé o maior conjunto contínuo de Art Déco da América Latina (segundo das Américas) nos dá a imensa possibilidade de reforçar esse sentido de pertencimento. Então tem tudo a ver com autoestima, com amor ao lugar que a gente vive, tem tudo a ver com história, com memória”, reflete o jornalista Marcelo Canellas, um dos entusiastas do Movimento em Defesa do Patrimônio de Santa Maria e que propôs a produção de um documentário sobre o assunto em parceria com a TV OVO.

No cenário santa-mariense, a luta pela preservação do patrimônio arquitetônico impulsiona atitudes de protestos. Os primeiros passos de luta partiram de um grupo engajado com a causa, que formaram, então, um coletivo em defesa do patrimônio ameaçado. Logo após a formação do grupo e estruturação de ideias, organizou-se um ato público no centro da cidade que reuniu diversos cidadãos engajados com a causa.

A respeito da produção do documentário, Canellas diz que o filme busca provocar uma reflexão sobre as maneiras de como a gente deve tratar a nossa história e nosso patrimônio. O documentário já está em fase de pesquisa, com gravações previstas para o final do ano.

Francamente ativista e militante é como Canellas define o filme em processo. Ele afirma que temos a obrigação cidadã de defender a memória da nossa cidade. A produção servirá como uma ferramenta de mobilização social em prol do patrimônio. A ideia é que o filme produza reflexão e debate, fazendo emergir o contraditório, que é sempre rico para a troca de conhecimentos.

A obra vai fundamentar- e na ideia de que o correto é a preservação histórica e cultural dos prédios, mas Canellas explica que o documentário planeja também entender as razões das pessoas que acreditam que para construir o futuro da cidade é preciso destruir o passado, “pretendemos ouvir essas pessoas, ouvir essas razões, dar espaço para que elas se expressem. Mas o documentário vai lançar a nossa interpretação sobre o embate daqueles que querem simplesmente se livrar de um patrimônio afetivo, cultural e com uma forte inflexão da manutenção da nossa fisionomia como cidade justificando a destruição do patrimônio na defesa de um suposto progresso. Uma visão mais preservacionista e que tem a ver com uma postura civilizatória porque ela nos afirma como cidadãos que querem manter o rosto de cidade, e a outra visão daqueles que querem simplesmente uma alternativa para ganhar dinheiro”, explica o jornalista.

A nova lei aprovada – que movimenta Santa Maria – ameaça o acervo contínuo de Art Déco da Rio Branco. A estética da Art Déco surge na Europa em 1920, porém teve maior expressividade nos Estados Unidos, e na década de 1940 chega à Santa Maria. O movimento artístico tem características como: sacadas curvas, simetria, linhas retas e inspirações em transatlânticos, que remetem ao progresso e à industrialização porque passava o mundo no período. Até hoje, ao voltarmos os olhos para cima, é possível encantar-se com o estilo dos sobrados e prédios, com a riqueza dos detalhes, mas também entristecer-se, pois a manutenção dos tesouros arquitetônicos que abrigamos em nossa cidade é insatisfatória, encontram-se depredados, em ruínas, ofuscados pelas marcas do tempo e da indiferença de políticas públicas de preservação.

Em vista da importância social, cultural e histórica do acervo e de outras edificações espalhadas pela cidade, um documento assinado pelo atual prefeito Jorge Pozzobon atesta o tombamento provisório de 135 construções – incluindo na lista 16 prédios localizados na Avenida Rio Branco, mas que ainda não garante a efetiva preservação desse acervo que identifica Santa Maria. Em vista dessa problemática, o coletivo que dá forma ao Movimento em Defesa do Patrimônio ganha força. Integram o movimento moradores de Santa Maria, artistas, produtores culturais e entidades como o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), o Conselho de Políticas Culturais, a União das Associações Comunitárias (UAC),  a Associação de Moradores da Vila Belga, entre outros santa-marienses engajados com a causa.

No manifesto em defesa do  tesouro arquitetônico ameaçado, o coletivo em defesa do patrimônio histórico e cultural de Santa Maria menciona a preocupação com a proteção dos valores culturais da cidade. “Para cuidar da cidade, ajudar a manter sua beleza e fazê-la crescer, é preciso fomentar a ideia de pertencimento, de amor por este lugar de convívio. Amar implica conhecer: as pessoas não esquecem o que amam, e só amam de verdade o que conhecem“, por isso a importância de defender o que é sua memória e sua identidade. Confira o manifesto na íntegra.

Veja a lista dos 16 prédios que integram parte do conjunto de Art Déco da Avenida Rio Branco.

Edifício Mabi – Nº 134 e 138

Edifício sem nome – Nº 148

Sobrado residencial – Nº 167

Edifício Correio do Povo – S/nº

Hotel Tupy – Nº 234 e 252

Edifício propriedade de Raimundo Cauduro – Nº 318 e 332D

Edifício Dr. Eduardo de Moraes – Nº 354, esquina com a Rua Daudt

Edifício Santa Maria – Nº 378, esquina com a Rua Daudt

Edifício Ibirapuitã – Nº 390

Sobrado residencial – Nº 404, esquina com a Rua 13 de Maio

Edifício Emérita – Nº 404

Sobrado residencial – Nº 479

Sobrado sem nome – Nº 548, 554 e 560

Edifício Francismari – Nº 1864 esquina com a Rua Silva Jardim,

Edifício Mauá – Nº 842

Edifício Cauduro (Antigo Hotel Jantzen) – Esquina com a Rua Venâncio Aires

Quando questionado sobre a não valorização dos patrimônios arquitetônicos da cidade, Canellas enxerga a situação de um modo que coloca a ganância em detrimento da qualidade de vida da população. Para ele, significa abdicar do rosto de Santa Maria, significa tornar a cidade sem personalidade, ser uma cidade como todas as outras, desfigurar a história, abrir mão de uma alternativa de negócio econômico que tem a ver com a identificação das pessoas com o lugar onde elas vivem. Ele conclui que sem a revigorarão das áreas urbanas que contam sobre o nosso passado, a cidade de Santa Maria tem muito a perder.

O dicionário define cidade como: aglomeração humana localizada numa área geográfica circunscrita e que tem numerosas casas, próximas entre si, destinadas à moradia e/ou a atividades culturais, mercantis, industriais, financeiras. Mas o conceito vai muito além disso, existe toda atmosfera sensível, política e humana que forma uma cidade, seus moradores, sua história e movimentos. A levada poética de Canellas inspira a ideia de que uma cidade é feita em camadas, de momentos urbanos.  Ele diz que é feita de épocas que se sucedem e se justapõem, e essas épocas dialogam umas com as outras e fazem com que a cidade tenha sua própria memória. “Se você vai para Roma, por exemplo, num mesmo quarteirão, você vê momentos urbanos que dialogam entre si, você encontra prédios da antiguidade, você encontra prédios da idade média, do renascimento, e da modernidade e a pluralidade desses momentos urbanos fazem com que a cidade reconheça a riqueza da sua história.  Do ponto de vista das pessoas que moram em uma cidade como Roma se cria uma sensação de pertencimento e de amor ao lugar onde você vive, e do ponto de vista das pessoas que vem de fora cria-se uma relação de empatia que toca na emoção das pessoas”, exemplifica Canellas.

Para que Santa Maria continue tocando as emoções de quem anda por aqui, sejam estudantes de passagem ou moradores antigos, para que cresça e se desenvolva economicamente e culturalmente, para que fomente a memória, o afeto, e toda carga de pertencimento e identidade que a palavra memória carrega consigo, o zelo e cuidado com a nossa história em forma de construções precisa existir e perdurar.

Por Tayná Lopes

Prédios em sequência no início da Avenida Rio Branco remetem ao movimento Art Déco, característico da década de 1940. Foto de Tayná Lopes.