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Doe para o Cronicaria e faça um workshop de criação de crônicas com Marcelo Canellas


Cronicaria recebe apoios via financiamento coletivo até dia 09 de novembro. O projeto traz crônicas inéditas todas as quartas-feiras e aos sábados, com temas que permeiam Santa Maria, que falam a respeito do nosso cotidiano ou de assuntos que tem gerado polêmicas. Leia as crônicas aqui.

Dentro das recompensas previstas pelo Cronicoria está  um workshop de produção de crônica com Marcelo Canellas, um dos cronistas do projeto,no dia 11 de novembro, na sede da TV OVO, às 14h. A atividade é recompensa para quem dou R$ 300,00 ou mais para o Cronicaria. Então, se você tem interesse em fazer o workshop, ainda dá tempo de doar para a campanha. Além dessa, há outras recompensas conforme os valores investidos pelos leitores, sendo o mínimo de R$10,00. A proposta captou 69% do valor pretendido até o momento, o que nos permite seguir com as publicações até dia 18 de novembro. As informações a respeito da aplicação dos recursos estão detalhadas em cartarse.me/cronicariatvovo, mesmo local em que é possível fazer as colaborações.

As publicações do Cronicaria são assinadas por Marcelo Canellas e por Manuela Fantinel. Marcelo, jornalista santa-mariense de trajetória reconhecida. Manu, uma jovem santa-mariense que frequenta os bancos da academia e representa o olhar juvenil da cidade. As crônicas são publicadas no espaço online (tvovo.org/cronicaria) e, para além de textos, trazem fotografias lindíssimas, a maioria assinadas por Renan Mattos, jornalista recém-formado que tem se dedicado à fotografia e ao audiovisual. Contamos com você, leitor, para seguirmos com as publicações até dezembro.

Print realizado dia 06/11/2017

Print realizado dia 06/11/2017

 


Sobre mim, sobre você e sobre ela


Para comemorar os 26% atingidos até o momento do financiamento coletivo para o Cronicaria (Acesse e doe em: catarse.me/cronicariatvovo), a Manuela escreveu uma crônica. Uma crônica sobre a crônica, para dar gostinho do que será o Cronicaria. A gente agradece de coração as contribuições e seguimos em campanha até o dia 08 de agosto. Em tempo, Cronicaria é um projeto que depende de você e é para você: são crônicas de Manuela Fantinel e Marcelo Canellas que serão publicadas entre agosto e dezembro, nas quartas-feiras e sábados. 

Sobre mim, sobre você e sobre ela

Eu queria tocar a campainha do céu. Você, na ponta dos pés, abriria a porta. Talvez estivesse só de fraldas e pés descalços. Uma possível meleca no nariz. Eu tentaria pegar você no colo. Assustada, fugiria de mim. Arriscaria uma brincadeira – ou cócegas, no auge do meu desespero – e você ia achar graça. Porque as crianças acham graça! Ou não. Você já passou por tantas coisas que talvez não ache o mundo um lugar engraçado ou gracioso. E a verdade é que ele costuma não ser – o que me entristece é que você, tão nova, já tenha descoberto isso. Na última terça-feira, 11 de julho, uma criança de três anos perdeu a vida em Santa Maria. Ela foi vítima de violência doméstica. Os agressores? A mãe e o padrasto.

Algumas histórias não são boas de serem contadas ou agradáveis de serem ouvidas. A televisão nos mostra e, na hora do almoço, ninguém quer falar sobre o assunto. O único comentário que costuma rolar é um “têm coisas que não dá para acreditar, né?”. Não dá para acreditar e, então, não acreditamos… E seguimos como se isso não fosse real – a vida precisa seguir, afinal. Escolhemos nos proteger (por covardia) e praticar a aceitação (e o egoísmo). Vira banalidade. Mas aí eu me lembro da minha afilhada de quatro anos, tão inteligente, incrível e “cheia de graça”, e entendo que a humanidade não falhou em sua capacidade de amar, mas na má distribuição do amor. E do dinheiro. E da educação. E da comida. E de tudo que se propôs a fazer.

Nós não temos o dom da empatia, o dom do amor ou o da compaixão. O que temos, na verdade, é o dom de desenvolvermos os melhores e os piores sentimentos do mundo – o que é tão encantador quanto, mas exige um pouco mais de nós. A crônica, como uma mágica, chega ao mundo para nos despertar e nos educar para essas emoções. Porque eu não escrevo fantasias, roteiros hollywoodianos ou histórias para dormir. Eu escrevo sobre mim, sobre você e sobre ela. As histórias que ninguém quer ler, mas que todos torcem para que sejam escritas. Se a crônica é sobre nós, ela não é apenas sobre a vida. Ela também é sobre a morte. É sobre tudo, ou sobretudo, no que está entre. Crônica é sobre o choro e o riso – às vezes, no mesmo texto -, como a vida é – às vezes, na mesma hora.

Se a crônica fosse alguma parte do ser humano, seria a pele. Não adianta ignorar – fechar os olhos ou os ouvidos -, quando algo te corta, vai doer. Quando algo te arrepia, é impossível evitar: vai arrepiar. A crônica não é a televisão e os seus olhos, não é o rádio e os seus ouvidos – e não é melhor que nenhuma delas -, é apenas o que há de mais animal em nós. É a reflexão marginal. A consideração sobre os nossos acertos e fracassos – esses que grande parte da humanidade evita pensar. É. Talvez cronicar seja um respiro de autoconhecimento e, por isso, de esperança. Alguém precisa deixar registrado que, apesar dos romances encomendados e das ficções que enchem as salas de cinema, a realidade continua extraordinária!

Dessa Terra, no fim, a gente só leva a meleca do nariz – uma semelhante a que a criança a qual foi tirada a graça teria se abrisse a porta para mim, e essa mesma que a minha afilhada, tão amada, também tem. E isso é importante que a gente nunca esqueça: o mundo gosta muito de apontar as nossas diferenças (religiosas, culturais, ideológicas). É o que dá ibope. Mas contar as histórias do cotidiano é uma oportunidade de mostrar que as nossas semelhanças são muito maiores que as discordâncias. Porque se você olha para o lado e não consegue ver o outro, aqui você vai ver o outro olhando para você – e isso vai te cortar a pele, se for preciso; ou arrepiar, se nós tivermos alguma sorte. Quem lê sobre a realidade de quem está distante não corre o risco de achar que a vida é pequena. Ela é grande – nem sempre longa, nem sempre graciosa, mas sempre grande, como só um amontoado de palavras poderia ser.

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O jornalismo e a capacidade de estranhamento


Trabalhar no campo do audiovisual não é uma tarefa fácil. A variedade de ferramentas narrativas e contra narrativas que temos é gigantesca e além das barreiras criativas e imposições externas podem influenciar no resultado final de uma produção. O Colóquio Narrativas Audiovisuais e Informação, que ocorreu na quinta-feira (11) no Theatro Treze de Maio, discutiu a pluralidade nas maneiras de se fazer audiovisual, tocando em pontos como a ascensão dos dispositivos móveis e a emergência de novas ferramentas para contar histórias em movimento.

 

Laura Capriglione, do Jornalistas Livres, falou sobre a necessidade do jornalista se inserir nos atos dos movimentos sociais e usou como exemplo sua cobertura feita durante as reintegrações de posse na capital paulista em 2013. A jornalista também enfatizou como a mídia tradicional pode operar de forma a criminalizar movimentos, apresentando as minorias como vilãs. Ela também comentou sobre a importância das redes sociais como novidade narrativa em meio à crise no jornalismo, pois graças a essas ferramentas, fatos que antes não  tinham voz, acabam ganhando espaço, como o caso Amarildo. As mídias alternativas, juntamente com as redes sociais e os dispositivos móveis, para ela, ampliam a variedade de narrativas e abrem espaços para pautas feministas, étnicas, de temas ligados à comunidade LGBT, entre outros, que são noticiados de forma mais humanizada.

 

Mesmo inserido dentro de um veículo de comunicação tradicional, o jornalista Marcelo Canellas deixou claro seu posicionamento dentro da emissora e falou que a censura faz parte da vida do jornalista, mas que é preciso aprender a defender e a trabalhar o viés que se acredita. Mas as dificuldades não estão só na redação, como em uma recente reportagem sobre Liliane, uma mulher que ficou quase dois anos afastada do filho pequeno, depois de uma denúncia falsa de maus-tratos, que após uma decisão da Justiça conseguiu recuperar parte da guarda do filho que é dividida com a família que acolheu a criança. Devido uma imposição judicial, a rede Globo foi proibida de exibir imagens da criança e da família adotiva. Para não perder o material, a opção foi trabalhar reelaborar a narrativa com ilustrações e recorrer à encenação para não derrubar a pauta. Canellas afirma que ter posição e não ter medo de dialogar com os editores-chefes é a melhor maneira para se iniciar as mudanças nas redações. Para ele, pautas sempre são a respeito da condição humana e sua relação com a desigualdade social, ainda tão intensa em nossa sociedade.

 

O colóquio contou ainda com a presença de Eliza Capai. Para a produção do documentário Tão Longe é Aqui, a jornalista itinerante visitou o município de Guaribas, no Piauí, que já foi o lugar com o segundo menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, situação essa que, segundo ela, mudou após a implementação dos programas Bolsa Família e Fome Zero. Titulares do bolsa família, as sertanejas estão começando a transformar seus papéis na família e na sociedade do interior do Piauí e se libertando da servidão ao homem, milenar como a miséria. Inclusive, as novas gerações já passam a se mostrar contrárias às situações ao seu redor, como casar e viver para cuidar da casa. Durante sua estadia na região Nordeste, Eliza percebeu que mesmo em um lugar quase esquecido, onde assuntos relacionados a pauta feminista estão longe de ser algo em alta e o machismo ainda impera, a juventude vem se mostrando extremamente empoderada e pequenas ações como os benefícios sociais têm grande influência nessa oportunidade de independência das mulheres. São os estranhamentos culturais que movem muitas das produções da documentarista.

Por Valdemar Neto

Foto de Pedro Piegas

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Jornalista Marcelo Canellas recebe Medalha do Mérito Farroupilha


No último dia 27 de junho, o jornalista Marcelo Canellas, parceiro aqui da TV OVO, recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, uma homenagem concedida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul àqueles que contribuem para o desenvolvimento econômico, social e cultural do estado.

A homenagem foi proposta pelo deputado estadual Valdeci Oliveira, que, assim como Canellas, é santa-mariense por adoção. Durante a cerimônia, Valdeci ressaltou a vocação de Canellas para tratar de temas sociais em suas reportagens, “o que contribui para a reflexão da sociedade e, consequentemente, para a mudança no País”. Na ocasião, Valdeci citou os mais recentes e que fazem menção direta a Santa Maria, como a reportagem sobre a Royale Escola de Dança e Integração e a doação do casarão da esquina entre as Floriano Peixoto e Ernesto Becker para a TV OVO.

Durante a homenagem, Canellas, que adota para si as características de repórter peregrino e cronista provinciano, lembrou que mesmo morando fora do RS nesses 28 anos em que atua como jornalista nacional e internacionalmente, nunca deixou de estar ligado a Santa Maria e ao Rio Grande do Sul.

Natural de Passo Fundo, Marcelo Canellas formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria em 1987. Depois de um breve período como repórter da RBS Santa Maria, migrou para a EPTV de Ribeirão Preto, e logo passou a constar no quadro de repórteres especiais da Rede Globo. Por suas reportagens, Canellas já recebeu diversos prêmios, dentre eles o prêmio Vladimir Herzog na categoria documentário e a Medalha ao Mérito da Organização das Nações Unidas.

Em 2013, lançou seu primeiro livro, Províncias, crônicas da alma interiorana:

Foto: Guerreiro – Agência de Notícias ALRS

Por William Boesio

Medalha do Mérito FerroupilhaMedalha do Mérito Farroupilha


A construção do Sobrado Centro Cultural


“Quando Evandro Ribeiro mandou fazer esse casarão em 1916, exatos 100 anos, ele não sabia que estava ajudando a dar rosto, a dar fisionomia ao momento urbano da nossa cidade, ele não sabia que estava ajudando a imprimir a digital da nossa identidade e do nosso passado ferroviário. Em 1996, precisamente no dia 12 de maio, portanto há exatos 20 anos, quando Paulo Tavares reuniu um grupo de garotos lá na Vila Caramelo, ele provavelmente não sabia a extraordinária aventura que ele estava começando para retirar jovens da periferia do desalento e do desamparo e oferecendo caminhos e possibilidades para eles. Quando eu comprei essa casa aqui, eu só queria salvar um casarão da ruína. Eu não sabia que seria o ponto de conexão dessas duas histórias tão fabulosas.”

Foi com essas palavras que, em 12 de maio de 2016, o jornalista Marcelo Canellas fez da casa do poeta Evandro Ribeiro a casa oficial da TV OVO, nosso viveiro de sonhos, segundo Paulo Tavares.

Em solenidade, com a presença de  amigos, diversos produtores culturais e autoridades do município, Marcelo Canellas assinou o documento que transfere a posse do sobrado, localizado na esquina da rua Floriano Peixoto com a Ernesto Becker, para a TV OVO, que ocupava o casarão desde de 2011, quando foi acertada a parceria entre Canellas e a instituição.

Com a transferência do casarão, a TV OVO ganhou um espaço que agora pode chamar de seu, mas que também é de todo santa-mariense. Estavam presentes aproximadamente 80 pessoas para a apresentação do projeto de Restauro do Sobrado Centro Cultural,coordenado pelos arquitetos Clarissa Pereira e Daniel Pereyron que contaram com a ajuda de colaboradores que se somaram durante o período de elaboração.

O projeto apresentado prevê dois espaços. Um deles é a restauração do casarão que abrigará o museu da imagem e do som, cineclube, biblioteca do audiovisual, café cultural e espaço para exposições. O outro ambiente será um prédio, aos fundos, com salas de aulas, estúdios de TV, cinema e áudio e espaço para apresentações teatrais.

“O Sobrado Centro Cultural pode ser um espaço de reflexão e crítica ao jornalismo que é feito pelos meios tradicionais, e de novos caminhos para uma profissão que está mudando quanto à gestão de negócios, à plataformas e modos de fazer”, foram as palavras finais da fala de Marcelo Canellas.

Até o final de julho, as equipes do escritório de arquitetura Smarqs e Simultânea Engenharia trabalham nos projetos estrutural e complementares para, após esta etapa, a TV OVO iniciar a captação de recursos em leis de incentivo. Além do direcionamento de recursos por meio de mecanismos de fomento, pessoas físicas e jurídicas também pode fazer doações diretas para construção do Sobrado Centro Cultural de fato.

Por Helena Moura, Laura Boessio e William Boessio

Fotografia de Julia Machado

Assinatura da escritura de doação do imóvel.

Assinatura da escritura de doação do imóvel.


O poder de agendamento dos grandes veículos


Na tarde do dia 12 de maio, às 16h, iniciou-se o Colóquio 100/20: Jornalismo na era da internet, realizado no Theatro Treze de Maio. O tema da primeira mesa foi Novas plataformas, debate público e agendamento na era da internet, com a mediação de Marcelo Canellas e participações de Lúcio Flávio Pinto, Francisco Karam e Moisés Mendes.

O jornalista e sociólogo Lúcio Flávio Pinto não pode estar presente, mas participou por intermédio de um vídeo depoimento que abriu o debate. Nele, falou a respeito de sua trajetória profissional, sobre a época da Ditadura Militar, quando trabalhou simultaneamente na grande imprensa (Jornal Estado de São Paulo) e na imprensa alternativa (Jornal Opinião). Comentou sobre como ele, no Estadão, mesmo com toda a censura da ditadura, conseguiu fazer reportagens especiais sobre a Amazônia. Também falou a respeito do assassinato do ex-deputado e ativista político Paulo Fonteles, fato que o motivou a criar o seu próprio veículo, o Jornal Pessoal.

Lúcio Flávio acreditava que, com o fim da ditadura, não haveria motivo para ainda existir mídia alternativa, afinal, não existia mais a censura. Quando criou o Jornal Pessoal, também pensou que seria somente uma única edição, pois a imprensa era livre pra escrever o que bem quisesse. Entretanto, logo viu que não era bem isso: apesar de não sofrer com a censura política como outrora, a grande mídia ainda era e é escrava de seus anunciantes e comparsas políticos. Foi por isso que o Jornal Pessoal continua até hoje. Como ele é feito apenas por uma pessoa e não possui anunciantes, Lúcio Flávio Pinto pode escrever nele o que quiser, falar mal ou bem de quem entender. O que sai no Jornal Pessoal não sai na grande mídia, que se auto-proíbe de publicar diversas reportagens em benefício do seu lucro.

Dando prosseguimento ao evento, Canellas chamou ao palco Moisés Mendes, ex-colunista da Zero Hora, e Francisco Karam, professor especialista em ética no jornalismo. Moisés abriu sua fala já remetendo ao acontecimento simbólico do dia: o golpe contra o governo de Dilma Rousseff, assunto que acabaria por permear tanto o debate da tarde quanto o da noite. Relacionando-o com a temática do agendamento, o jornalista colocou em questão a capacidade que a imprensa terá de fazer uma avaliação a respeito do seu papel durante o impeachment daqui a alguns anos, diante da produção precária de informação em meio à crise política. Esta necessidade de auto-avaliação foi algo apontado pelos dois convidados. Durante toda a crise, a grande mídia se mostrou favorável ao impeachment da presidenta Dilma, atacando-a de forma grotesca e machista, inclusive, ponderaram os convidados.

Sobre os caminhos da profissão, Moisés Mendes decretou: “Não podemos ser românticos ao achar que se pode enfrentar a mídia tradicional sem encarar o jornalismo como negócio rentável”. Ele lembrou que as vagas de emprego no jornalismo tradicional estão ficando raras, e que as demissões são frequentes, então, “os jovens jornalistas terão que ir atrás de outros meios de se fazer jornalismo para sobreviver”. Mendes finalizou a sua fala cobrando o posicionamento dos profissionais da área diante das mais variadas questões, de forma que se tornem verdadeiros ativistas das causas humanistas e lançou: “Jornalista reacionário não tem futuro no mundo”.

Nove questionamentos foram abordados pelo professor Francisco Karam em sua fala. As perguntas rodaram em volta de temas políticos, como o jornalismo está presente nesse temas e como as novas plataformas podem vir a fazer um jornalismo de qualidade. Ao perguntar-se se o agendamento feito pela imprensa tradicional havia sofrido mudança e talvez enfraquecido com o jornalismo alternativo. “O agendamento da imprensa hegemônica é forte. O jornalismo alternativo ainda está muito longe de competir diretamente com isso”, diz o professor,  destacando a fraqueza da imprensa alternativa perante o poder dos meio tradicionais. Para ele, quem dita o que é notícia ou não ainda é a grande mídia.

Karam fez duras críticas ao modo como é produzido conteúdo na web, apontando necessidade de aprofundamento dos assuntos e que um grande desafio é convencer o público do porquê se manter informado, do porquê de ir atrás da notícias. Outro ponto discutido foi  a existência de um espaço para o debate sincero, na qual o professor coloca: “Não acho que exista um debate sincero. Na mídia hegemônica, o cinismo e o narcisismo se sobrepuseram ao debate”. O professor ressaltou a importância de se investir nas novas plataformas e de se investir em um bom jornalismo, aprofundado e pautado nos interesses públicos.

Após as colocações dos convidados, abriu-se espaço para perguntas do público. Foram levantados questionamentos a respeito de como fazer jornalismo na internet e de como o jornalismo pode se auto-avaliar nas questões a respeito do impeachment da presidenta Dilma. Teve, inclusive, uma pergunta de Moisés Mendes para o mediador da mesa, Marcelo Canellas, sobre como fica as grandes reportagens de humanidades no meio de toda essa discussão política. Canellas respondeu colocando que o valor da grande reportagem nunca foi tão imprescindível no jornalismo brasileiro. Contou um pouco também sobre a luta pelo agendamento nas reuniões de pauta para o programa que trabalha, expondo que é preciso estudar e estar municiado para defender as suas pautas, saber lutar por elas, para elas então fazerem parte da agenda nacional.

Por Nicoli Saft e Matheus Oliveira

Foto Neli Mombelli

agendamento