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Benzer é ter fé


Aos 81 anos de idade, Dona Leontina só diz não benzer tantas pessoas como antes porque caiu e quebrou uma perna. Agora, para andar, precisa da ajuda de uma muleta. Mesmo assim, ela é incansável e diz que não tem segredo nos benzimentos, há somente fé.

Já são 65 anos que ela ajuda ao próximo, sussurando orações e inclinando um raminho verde sobre quem espera por alguma cura. E garante: “As crianças que eu benzo ficam arteiras por causa da oração de Cosme e Damião”.

Isso é uma amostra do que a edição do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade deste ano irá trazer. Serão quatro documentários que registram as vivências e a tradição de benzedores e conhecedores de ervas medicinais. Um saber que tem se perdido com o passar do tempo, mas que a TV OVO busca recuperar para que não se percam para sempre.

Em agosto, gravamos a história de Seu Rui de Paula. No último dia 14, gravamos com Dona Leontina Silva. As próximas gravações deverão ser outubro. A iniciativa tem o apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC-SM) e da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).


TV OVO grava documentários sobre benzedores e conhecedores de ervas medicinais


Neste sábado (14), a TV OVO gravará mais um documentário sobre benzedores e conhecedores de ervas medicinais, no bairro Campestre do Menino Deus. A produção faz parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, que conta com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Este é o segundo dos quatro documentários a serem produzidos e registrará a história de Leontina da Silva, que benze desde os 16 anos de idade. No dia 17 de agosto gravamos com Rui de Paula, um senhor de 84 anos, que faz benzimentos e diversos tipos de chás com ervas que colhe no mato.

Gravação com Rui de Paula no bairro Campestre do Menino Deus

O propósito de registrar esses saberes tradicionais é devido a sua extinção com o tempo. Não há na sociedade, como fora uma vez, um intenso movimento de transmissão de conhecimento e crenças de geração para geração. Esses são aspectos de nossa cultura que tem se perdido, rastros de um bem cultural, de tradições, que tem se apagado com o passar do tempo.

O projeto conta com o apoio da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (8ª CRE), que tem trabalhado com o tema em rodas de conversa no GT Diversidade. Além disso, a parceria contribuirá para a circulação e divulgação do produto final do projeto nas escolas estaduais, levando esse conhecimento para as salas de aula e colaborando para manutenção dessa cultura.

O Por Onde Passa a Memória da Cidade existe desde 2008 quando foram gravados os documentários sobre a rua Dr. Bozano e a Avenida Rio Branco: 1ª Quadra e Avenida Progresso, respectivamente. Em 2011, foram produzidos os documentários Qu4tro Mistérios do Rosário, sobre o bairro Nossa Senhora do Rosário, e Trilhos do Itararé, que fala do bairro Itararé, berço da ferroviário de Santa Maria. Neste mesmo ano, foram produzidos ainda quatro minidocumentários sobre “personas” santa-marienses, intitulados No meu tempo.

Na terceira edição, em 2012, o projeto registrou a história de 50 pessoas que moram e/ou passam por Santa Maria. Junto com as gravações, onde um set foi montado em locais públicos e em escolas, foram realizadas exibições dos documentários produzidos pela TV OVO até então.

A iniciativa recebeu o 2º lugar no Prêmio Cultura Viva do Ministério da Cultura (MinC), em 2010, e neste ano recebeu o prêmio Ponto de Memória, pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).