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Santa Maria além dos morros que vemos


Santa Maria não é formada apenas pelo centro, bairros e vilas que nos habituamos a ver e percorrer. Além da sede, a cidade possui outros nove distritos, cada um com as suas peculiaridades e histórias. Histórias essas que, desde 2014, tentamos contar em documentários inseridos no projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, criado em 2008.

O distrito da vez é São Valentim. Localizado na porção sudoeste do município, tem como característica a figura do carreteiro, importante trabalhador que utilizava a carreta de bois para transportar mercadorias pela região central e pelo Estado. Hoje o distrito, como é comum em todo o meio rural, e apesar da curta distância até o centro da cidade, lida com o êxodo dos jovens para o meio urbano. Mas há quem permaneça e saiba aproveitar o que a vida no interior tem a oferecer.

Das festas nas comunidades à lida no campo, os moradores vão formando a identidade do local. E nessa tentativa de registrar histórias que nos ajudem a conhecer um pouco mais a cidade que nos rodeia, vamos conhecendo pessoas. Pessoas, é delas, com elas e para elas que falamos quando fazemos um trabalho assim, de comunicação comunitária. Muitas vezes são pessoas comuns. E quantas coisas elas têm a nos contar.

É o exemplo de Dona Maria. Ela tinha um sonho, queria ter seguido os estudos. Mas quando criança teve de largar tudo e ajudar o pai no campo. Casada há quase 60 anos, aprendeu com o marido, Seu Arlindo, a lidar com ferro. Ele traz consigo as lembranças da vida de carreteiro e algumas cicatrizes das lidas como ferreiro. Retrato de um outro tempo, onde não tinha televisão, rádio ou luz, nem mesmo asfalto, coisas que aos poucos foram chegando à localidade. Já seu Odonelson, além de tirar o sustento de sua família da plantação, leva às gerações mais novas um pouco da história sob a qual o distrito e, consequentemente, a cidade foram forjados. Na escola da localidade, de tempos em tempos, mostra a carreta aos estudantes que não conhecem.

Muitas outras histórias foram contadas para as lentes atentas, inclusive sobre a formação do local, os lugares onde antes os carreteiros paravam, as dificuldades e alegrias de se viver no meio rural. Mas isso é papo para se conferir com o curta na tela. O documentário sobre São Valentim passa agora para a fase de edição, o projeto é uma realização da TV OVO e é financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Por Heitor Leal
Fotos de making of: Denise Copetti
Foto still: Alexsandro Pedrollo

Dona Maria e Seu Arlindo II

Depoimento de Dona Maria e Seu Arlindo

Dona Maria e Seu Arlindo I

Dona Maria e Seu Arlindo estão casados há 60 anos.

Gravações em São Valentim

Gravações em São Valentim. Heitor Leal na captação de som direto. Direção de Jaiana Garcia.


Maratona de lançamentos pelo interior do Estado


Embora outubro esteja pintando aí, precisamos registrar a maratona de lançamentos que a TV OVO realizou  em cidades do interior durante o mês de agosto.

Foram quatro sessões no município de Toropi para apresentar o curta-metragem de ficção Poeira, que foi gravado na comunidade de Santo Inácio. Ao total, mais de 300 pessoas participaram das exibições.

Já o documentário Frequências do Interior, gravado no Norte do Estado, teve duas sessões no final de agosto, uma na localidade de Segredo, em Almirante Tamandaré do Sul, e outra em Linha Acampamento, município de Sarandi. Esses locais foram escolhidos porque parte das pessoas que participam do filme residem ali. Cerca de 100 pessoas participaram das sessões.

E agora Poeira e Frequências do Interior, que tem financiamento pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC/RS) rumam à capital. No dia 19 de outubro haverá uma sessão para apresentar os dois filmes no Cinebancários, em Porto Alegre. Já anota na agenda e avisa os amigos que estão na cidade.

Frequências