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“Renovar não é por tudo abaixo”


Recentemente foi votada a lei do novo Plano Diretor de Santa Maria, que muda as regras de planejamento, construção e organização urbana da cidade pelos próximos 10 anos, ameaçando o patrimônio histórico da cidade, considerada a segunda com maior acervo contínuo de Art Déco do mundo. No momento, 135 prédios (listados pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural -Comphic)  estão protegidos por um decreto (que regulamenta a Lei do Patrimônio) de tombamento provisório.

No entanto, preocupados com a instabilidade da política local e insegurança sobre o patrimônio da cidade, entidades e moradores se reuniram na quinta, 3, com vereadores da cidade. Entre os representantes do movimento em defesa do patrimônio estavam o jornalista Marcelo Canellas, o presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, Orlando Fonseca, e a arquiteta Márcia Kummel.

Já no sábado, 04, no centro da cidade, em um ato de protesto estiveram presentes também representantes do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), Conselho de Políticas Culturais, União das Associações Comunitárias (UAC), Associação de Moradores da Vila Belga, entre outros santa-marienses engajados com a causa. Um dos cartazes, do Diretório Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFN, trazia a seguinte frase: “Renovar não é por tudo abaixo”, em menção ao artigo do arquiteto, urbanista e antropólogo fluminense, Carlos Nelson F. dos Santos, publicado na Revista Projeto em 1986, texto em que ele discute o conceito de preservação patrimonial no espaço urbano.

É neste sentido que o grupo entende que, até o momento, apenas um lado da sociedade foi ouvido e, em seu manifesto, pede:

“…Diante da real possibilidade de que sejam postos abaixo não apenas o maior acervo arquitetônico em Art Déco, em via contínua, na América Latina, mas também inúmeros outros monumentos da história desta cidade, erguemos nossa voz, impregnada do afeto que temos por Santa Maria. Para tornar efetiva e consequente esta luta que começa aqui, hoje, propomos como eixos de ação: 

1) Todo apoio ao Comphic.
2) Pela defesa da lista provisória dos 135 imóveis tombados.
3) Por um inventário técnico sobre o valor histórico-arquitetônico dos imóveis antigos da cidade com a possibilidade de ampliação da lista.
4) Pela imediata discussão ampla e democrática de uma nova lei municipal de proteção ao patrimônio histórico, arquitetônico e cultural
5) pela criação de mecanismos de venda de potencial construtivo para que os proprietários sejam amparados pela prefeitura e tenham recursos para restaurar seus imóveis.”

Uma petição online  está circulando para coletar assinaturas. No vídeo abaixo,  está o registro que a TV OVO fez do ato na Praça Saldanha Marinho no último sábado.

COMISSÃO PARA CRIAÇÃO DE NOVA LEI DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO:

No dia 07/08, os vereadores aprovaram a constituição de uma comissão especial para acompanhar a criação da legislação específica que tratará das diretrizes para a preservação das construções com valores históricos do município.

A sessão para aprovação da comissão pode ser assistida no link abaixo.

Por Rede Sina em parceria com TV OVO


Distrito de Pains pelas lentes de nossas câmeras


Outro roteiro, outro destino, outra equipe, mas o objetivo se mantém o mesmo: descobrir, ouvir e registrar histórias por meio da produção de documentários. Não saímos em busca de lugares famosos, cinematográficos e mágicos, mas, em cada cantinho que vamos, é possível encontrar muita magia e encanto nos detalhes dos cenário, nas pessoas, no modo de vida, nas estradas… E falando em estrada, o ritual de juntar toda equipe, conferir o material técnico, revisar o carro e sair desbravando os distritos ao redor de Santa Maria se encaminha para o fim. Esta é a última produção, que incursiona o interior, prevista pelo projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade,  financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Transformamos em vídeo parte da história do distrito da Boca do Monte, de Santa Flora, de Arroio Grande, de São Valentim; trouxemos a cultura e as memórias do distrito de Palma em outro documentário. Santo Antão, Arroio do
Só e Passo do Verde também fazem parte do projeto de representar histórias em documentários. São nove distritos, imaginem o quanto de histórias para contar?! O Por Onde Passa a Memória da Cidade é uma forma de despertar e registrar as memórias dos moradores, contar e recontar a vida do local a partir de uma colcha de retalhos em que cada personagem social colabora com suas recordações, sonhos e anseios. Elabora-se a cartografia identitária do lugar e se faz uma recuperação histórica por meio de fragmentos de lembranças sentidas e contadas em forma de filme.

Dessa vez quem será contado é Pains, um distrito criado no dia 18 de junho de 1861, na época sediado em São Pedro do Sul. Hoje, localiza-se na parte central de Santa Maria, aos fundos da UFSM, e tem crescido como espaço urbano pelo número de indústrias instaladas e pela especulação imobiliária. Para entender o distrito, muita pesquisa vem sendo feita. A equipe de produção trabalha junto dos diretores Alexsandro Pedrollo e Heitor Leal, que dão o tom do estilo e da narrativa da produção.

Alan Orlando, integrante da equipe, é responsável por fazer algumas imagens nas diárias de gravações e pela edição do filme ao fim do processo. Ele conta como são as fases para o nascimento de um documentário: “Na pré-produção e pesquisa é feita a prospecção do lugar para elaborarmos uma ideia audiovisual para a obra. Esta fase compreende levantamento de informações, fontes e personagens. Além da pesquisa em material bibliográfico, vamos para o distrito conversar com as pessoas de lá para saber in loco as histórias e mapear pessoas para as gravações. Depois temos a produção, em que são feitas as gravações de imagens do distrito e entrevistas.  Normalmente temos quatro diárias de gravações. Por fim, vem a edição e a finalização”, relata Alan.

A equipe  já circulou pelo distrito durante dois dias fazendo o levantamento de pré-produção, material que vem dando forma à escaleta do documentário. Para Alan, é sempre empolgante estar envolvido numa produção como essa: “Nós saímos de manhã cedo e só voltamos de tardezinha. Compartilhar momentos assim com meus
colegas de TV é importante para aprender mais sobre audiovisual, fazer o que amamos e fortalecer nossa amizade. São muitas aventuras, nos divertimos muito! Gosto de poder ajudar de alguma forma nessas produções da TV”,
reflete o jovem amante do audiovisual.

Por Tayná Lopes

A cada estrada, novos desafios, personagens e histórias – Distrito de Pains/ Santa Maria . Foto de Taylor Lourenço


Ano novo, baterias carregadas e novos projetos audiovisuais


Para alguns, o ano inicia após o carnaval. Esse não é o nosso caso, pois nosso trabalho inicia ainda no final de dezembro e segue janeiro e fevereiro adentro na captação de recursos para os novos projetos desse ano. Você já sabe quais são?!

Para quem gosta e acompanha os documentários realizados nos distritos de Santa Maria, o projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade segue em 2018, ano em que encerraremos a série, já que só falta as localidades de Pains e Passo do Verde. E se você mora em alguma dessas localidades ou conhece alguém que possa nos contar histórias dessas regiões, entre em contato  (tvovo@tvovo.org ou 55 3026 3039).

Outro projeto que segue com a gente é o Narrativas em Movimento, o NEM. Ele trará dois colóquios sobre audiovisual, inclusive o primeiro já tem data marcada, será no dia 16 de março, às 19h na Cesma, e tem como tema Documentário, Direitos Humanos e Cidadania. Confira os teasers que já estão disponíveis sobre os convidados dessa nossa primeira conversa. Já o segundo, ocorre no mês de maio e traz para a discussão Narrativas Audiovisuais de Resistência. Além dos colóquios, também está incluso no projeto dois workshops com a temática direcionada ao audiovisual. O primeiro tem previsão para abril e será sobre produção audiovisual com tecnologia mobile, no Sobrado Centro Cultural. O segundo é para o mês de agosto, voltado para direção de arte. Os dois workshops possuem 20 vagas, então fique ligado para não perder essa oportunidade.

Tá achando que acabou?  Além disso tudo, nós apresentamos para vocês o Olhares da Comunidade. O projeto oferece oficinas de realização audiovisual para estudantes de escolas públicas, produções audiovisuais a partir das oficinas disponibilizadas e sessões de cineclube em comunidades de Santa Maria.Todos os projetos contam com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura do município (LIC/SM).

Por Helena Moura
Foto de Alan Orlando

Iniciamos os registros para o documentário sobre Passo do verde na procissão de Nossa Senhora dos Navegantes e Iemenjá realizada em fevereiro.

Iniciamos os registros para o documentário sobre Passo do Verde na procissão de Nossa Senhora dos Navegantes e Iemanjá realizada em fevereiro.


2017: audiovisual, cultura e conhecimento


Visitas ilustres, longas viagens, horas e horas de gravação. Muito conhecimento repassado e ainda mais recebido. Podemos resumir o 2017 da TV OVO como um enorme período de trocas e aprendizados.

Conhecimento de vida, técnico e profissional vindo de nomes como Caio Cavechini, do Profissão Repórter, ou Cláudia Schulz, da Mídia Ninja, ou Sérgio Lüdtke, da Interatores, que foram nossos convidados para o primeiro colóquio do ano, o Novas Formas de Fazer Jornalismo, que rolou durante a Feira do Livro e que expôs diferentes maneiras de se noticiar algo, independentemente do veículo ou da plataforma.

Ou também as formas como o jornalismo pode caminhar de mãos dadas com o audiovisual sem perder o valor notícia e preocupar-se com o Outro. O jornalista Marcelo Canellas, a documentarista Eliza Capai e a jornalista fundadora da Rede de Jornalistas Livres, Laura Capriglione, se propuseram a nos ajudar a refletir sobre essas questões no colóquio Narrativas Audiovisuais e Informação.

Paras os aficionados por séries ou interessados em produzir o seu próprio material, o idealizador do Frapa e roteirista, Leo Garcia, e a cineasta Ana Luiza Azevedo, da Casa de Cinema de Porto Alegre, trouxeram para o debate o mercado de séries, webséries e de produções nacionais no colóquio Produção Audiovisual em Série, isso já no final do ano.

Mas não é só de colóquios que vive a TV OVO. Também caímos na estrada durante todo o ano para gravar os documentários sobre os distritos de Palma e Santa Flora, além de organizarmos exibições dos nossos outros trabalhos concluídos: os documentários de São Valentim e Santo Antão.

Tivemos ainda a oportunidade de receber no Sobrado alguns jovens de escolas públicas para aprender sobre o “estranho mundo dos seres audiovisuais”. No final, os garotos e garotas até produziram, gravaram e editaram seus próprios curtas, idealizados durantes as aulas. Veja os curtas Latinha e A ligaçãoAlém disso, durante o ano teve workshop de som, de produção audiovisual com tecnologia mobile, de fotografia para reportagem especial e produção de webséries.

No meio do ano tivemos dois intensivos nos meses de julho e agosto. Vivemos intensamente os três dias da 24ª Feicoop, ouvindo histórias de pessoas das mais variadas situações e origens. Cada entrevista, uma lição. Outro intensivo que fizemos, em agosto, foi junto com o projeto Mostra Cultural Olhares, quando caímos na estrada com uma trupe de artistas percorrendo três cidades do Noroeste do Estado. Dias de muita, mas muita cultura.

E claro, batemos cabelo com o Rock do K7, um produto híbrido que mistura documentário e ficção e fala da cena roqueira dos anos  de 1980 e início dos 90, quando a forma para conhecer novas bandas e ter acesso a essas músicas era por meio do escambo de fita K7.

Por fim, fugindo um pouco da área do audiovisual, Marcelo Canellas e Manuela Fantinel deram o tom do projeto que trouxe nossas doses homeopáticas de reflexão narrativa cotidiana, o Cronicaria,uma publicação semanal de crônicas financiada por leitores.

No apagar das luzes de 2017 e acender de 2018 apresentamos um dos nossos trabalhos mais doloridos, para o qual foram mais de dois anos dedicados para a sua produção, o documentário Depois Daquele Dia, que constrói uma Santa Maria após a tragédia da Kiss pelo olhar de uma irmã de vítima. Um filme necessário!

2017 foi um ano de muito trabalho e deixou um gostinho de dever cumprido.

2018 já tá aí e não vai ser diferente. Novos documentários, novos colóquios, novas discussões, novas oficinas e muitas trocas. Estamos ansiosos e animados com tudo e esperamos que vocês venham junto com a gente em mais um ano de muito aprendizado!

Por Valdemar Neto

retrospectiva 2017


São Valentin e Santo Antão na tela da Feira do Livro


No sábado. dia 13 (sábado), penúltimo dia da Feira do Livro de Santa Maria, estaremos no palco do Livre Livre, às 19h, para lançar os documentários sobre Santo Antão (dir. Marcos Borba) e São Valentin (Dir. Jaiana Garcia). Produzidos em 2016, os documentários retratam os dois distritos santa-marienses. Pessoas, lugares, memórias, histórias e Santa Maria: uma terra multifacetada em sua constituição, com diferentes identidades e vocação para o transitório. São esses elementos que dão forma ao projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, que na sua sétima edição abarca os dois filmes e tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura da cidade.

Após a exibição terá um bate-papo com os diretores. Traga seu chimarrão.

Gravação em São Vaelentin


Documentário Arroio Grande está nas as redes


O documentário sobre o distrito de Arroio Grande, parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, agora está disponível no nosso canal no Youtube. O filme de 31 minutos foi financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria e já foi exibido na escola e na igreja de Arroio Grande, em Boca do Monte, no Centro de Artes e Letras (Cal) da UFSM e na nossa sede.

“Quando a gente faz um documentário, a intenção é que ele seja exibido para o maior número de pessoas possível. Assim se cumpre também uma função do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, que é a divulgação do documentário”, comenta Denise Copetti, produtora do filme. O documentário, produzido no ano passado, foi dirigido por Paulo Tavares e conta a história do local, as origens de seu nome e traz relatos de seus moradores.

Sinopse:

Uma região de várzea cercada por morros, com rico manancial hídrico desenha os contornos do distrito de Arroio Grande. Entre 1850 e 1880, migrantes vindos da Alemanha e Itália dão início ao desafio de alicerçar e povoar a nova colônia. Com afinco, união e devoção, os italianos abrem picadas, vencem as adversidades, plantam suas raízes e projetam seus valores e costumes. Nas últimas décadas a miscigenação ganha campo e as propriedades rurais transformam-se em espaços de lazer. Hoje, a produção hortigranjeira e a indústria cuteleira revezam a missão de alavancar a economia local.

Por Nicoli Saft


Cartaz Arroio Grande