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Um escritor inquieto no Livro Livre


Ele queria ser músico, mas não sabia cantar. Inquieto, Gabito Nunes sempre procurou um jeito de se expressar. Foi na pré-adolescência que descobriu esse jeito: escrever. Já que o seu único talento para a música era com a gaita de boca, que não permite que se cante ao mesmo tempo em que se toca o instrumento. O garoto também achava que era o Jim Morrison. Andava sempre com um caderno para escrever e se trancava no banheiro com amigos para recitar “poemas” no estilo de “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Gabito Nunes foi o convidado de mais um bate-papo do Livro Livre, onde contou essas e muitas outras histórias.  O porto-alegrense já publicou dois livros de micro-contos – A manhã Seguinte sempre Chega e Não sou Mulher de Rosas – e um e-book de crônicas – Tudo o que Sobrou.  Além disso, ganhou o top blog 2010 com o extinto Caras como eu e é considerado um dos cronistas de maior empatia na web.

No início, ele pensou que queria ser jornalista, mas não se adaptou ao formato rígido da profissão. O autor queria mais que aquilo. Buscou a publicidade e chegou a montar uma agência, mas ainda queria mais. Começou a escrever o blog Caras como eu e decidiu pela escrita como forma de vida.  Embora tenha declarado que a escrita não seja algo que se escolhe ou se tenha muito controle.

As novas mídias fizeram com que ele fosse um escritor um pouco diferente do convencional. A internet foi a principal forma que ele encontrou para divulgar seu trabalho.  Gabito Nunes acredita que ela tem as mesmas possibilidades de qualquer outro meio de comunicação, com a diferença de que todos podem acessar e publicar. Além disso, sobre as cópias, acredita que o que alguém escreve não é da pessoa, mas do mundo.

Depois de escrever para o mundo só textos curtos durante um longo período, o escritor resolveu ir além mais uma vez e se reinventar: em breve lançará seu primeiro romance: Ao norte de mim mesmo. As inspirações para escrever vêm de autores como Jack Kerouac e Nick Hornby e também da música, que faz parte de muitos de seus trabalhos.

Ao final do bate-papo, Gabito Nunes incentivou aqueles que também têm o sonho de escrever e lembrou ao público o quanto é importante ser inquieto e querer sempre mais da vida. Nem precisava, a vida dele já havia deixado isso claro.

Para quem quiser saber ou ler mais sobre o cara e sua obras:  http://www.gabitonunes.com.br

Para quem quiser ler sua telenovela: http://julietenuncamais.gabitonunes.com.br/

Texto: Ananda Delevati


Você tem fome de que?


Essa inquietação, que também lembra a música dos Titãs, permeou o Livro Livre na Feira do Livro de Santa Maria no último domingo, 06. O convidado, o jornalista Marcelo Canellas, falou dos cruzamentos entre o jornalismo televisivo e a crônica, formas tão distintas de se expressar, mas que buscam inspiração na mesma essência – a vida.

Canellas é conhecido por seu jornalismo de estilo literário e por suas reportagens que abordam temas substanciais da sociedade, que envolvem diferenças, políticas públicas e direitos humanos. Para ele, o jornalismo trata das contradições da vida. O que move o jornalista é a inquietude a curiosidade, a inconformidade, e, na sua opinião, aquilo que o incomoda como jornalista, antes de tudo deve incomodá-lo enquanto cidadão.

E suas crônicas também perpassam essas contradições, mas, diferente do telejornalismo, onde há uma objetividade, o jornalista diz que na crônica ele expressa a sua opinião. Quem as lê, lê suas ideias e o seu ponto de vista sobre o mundo. Canellas escreve semanalmente para o Jornal Diário de Santa Maria. Sua inspiração é a busca por aspectos da cidade (embora tenha nascido em Passo Fundo, ele se considera santa-mariense por ter morado aqui por muitos anos) que criam uma identificação com o leitor. Ele diz buscar memórias, detalhes que remetam à vida das pessoas e a sua relação com o espaço, criando uma afinidade afetiva entre cronista e leitor. E quem o ajuda nesta escrita são suas leituras de autores como Rubem Braga, Mario Quintana e Gabriel García Márquez.

Quanto ao cenário da leitura no Brasil, Canellas diz que esse é um grande problema, pois as pessoas em geral não tem acesso aos livros. Ele acredita que o país precisa de uma ferramenta que promova este acesso e hábito: “o país tá devendo nesse aspecto”, salienta ele.

Talvez tenha ficado uma pergunta sem resposta ainda neste texto… Você tem fome de que? Quando refletimos sobre os modos de se fazer jornalismo, sobre o que o move, refletimos também sobre a sociedade, a qual também é reflexo das nossas ações. E então, do que mesmo você tem fome?

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Texto: Neli Mombelli
Fotos: Neli Mombelli e Rafael Rigon


Casa do Poeta de Santa Maria representa os autores locais na Feira do Livro


por Gustavo Pedroso e Naiôn Curcino

Que os grandes lançamentos e autores consagrados nacional e internacionalmente são o destaque dessa edição da Feira do Livro não é mistério para ninguém. Apesar deste cenário, existe um espaço que vende apenas livros e publicações de autores da região: é a Casa do Poeta de Santa Maria (Caposm), que conta com uma banca no evento e ajuda a difundir as produções culturais locais .

Criada em 2002 com o objetivo de reunir autores da cidade e região, sua sede fica na Casa de Cultura (Praça Saldanho Marinho). Funcionando sem ajuda de dinheiro público, sua renda vem de uma bimensalidade paga pelos membros e da venda na Feira do Livro – parte do que é arrecadado é destinado à manutenção da Casa, e o restante é dividido entre os os escritores.

Segundo a presidente da Caposm, Haydée S. Hostin Lima, cerca de 30 livros são vendidos por dia no evento. As vendas aumentam quando há lançamentos. Haydée também ressalta que a Caposm tem um público fiel, mas lamenta que o público geral da cidade não valorize o trabalho dos autores locais.

Além disso, neste mesmo espaço existe a seção “Uma moeda por um poema”. A ideia, criada por uma das integrantes do grupo há 16 anos, é uma das mais populares na feira – mais de três balaios com centenas de poemas são vendidos a cada edição do evento. “Cultivamos esse ideia até hoje. São apenas R$ 0,25 centavos por um poema. Muitas crianças compram”, afirma a poeta e professora aposentada, Maria das Graças Py, 64 anos.

Outro objetivo da Caposm é incentivar crianças e adolescentes à leitura. Um exemplo é o trabalho do professor de português e também poeta, Auri Antônio Sudatti, 62 anos. Escritor há 33 anos, ele leva o projeto Brincadeiras e Cantigas Folclóricas às crianças das séries iniciais das escolas da região. Principal tema de suas obras, o folclore está presente também na sua última obra, o livro Coração Criança. “O gênero infantil é o que mais vende, muitas crianças compram nossos livros”, assegura Sudatti.

O projeto de divulgação nas escolas foi o que levou a pequena estudante Luize Camargo, 10 anos, procurar o estande da Caposm na Feira do Livro para comprar o seu exemplar do Coração Criança. Segundo a mãe de Luize, a comerciária Luciana Camargo, 35 anos, o projeto é ótimo para incentivar os pequenos à leitura: “Eu só conheci a Casa do Poeta depois da apresentação do projeto de folclore na Escola Gomes Carneiro, em que a minha filha estuda. A maioria das crianças ficou entusiasmada com os livros”, diz Luciana.


“O Caixeiro Viajante” e Luiz Coronel foram as atrações da quinta-feira na Feira do Livro


Bate-papo com o escritor Luiz Coronel, no Livro Livre.

Na última quinta-feira, dia 03 de maio, a programação da Feira do Livro contou com a apresentação infantil “O Caixeiro Viajante”, do professor e ator Rony de Almeida. Na sessão de autógrafos, o escritor Euclides Cunha conversou com a imprensa e pessoas que acompanharam o lançando dos seus dois livros, “A patrulha de sete João e  Farrapos e Sabinos”.

Segundo o Patrono do evento Pedro Brum Santos, “a sensação de reconhecimento é muito agradável além de ser uma grande responsabilidade representar um evento cultural desse porte tão rico para a cidade”. Ele também vê o momento atual da “literatura santa-mariense” como positivo e promissor, ainda, ressaltou que o evento pode crescer, pois já teve uma venda significativa de livros e um grande público para prestigiar atrações interessantes que a Feira está proporcionando.

Haydée S. Hostin Lima, presidente da Casa do Poeta, revela que a entidade e os autores têm grande expectativa em relação às venda. A entidade sem fins lucrativos pretende fazer uma mesa de doações de livros e uma sessão de autógrafos com a presença de alguns dos autores das obras na próxima quarta-feira, dia 09.

A noite encerrou com um bate-papo com o poeta compositor “bageense”, Luiz Coronel. Entre uma declamação e outra, o escritor de mais de 50 obras encerrou com um fragmento de um dos seus mais belos poemas “…tenhamos em nossas mãos os livros, e nossas vidas serão mais ricas, mais fortes e valiosas”.

Texto e fotos: Taianne Teixeira


Banda Jazz do Monte na Feira do Livro


Este ano, uma das novidades na programação do Livro Livre na Feira do Livro são as atrações musicais. Nas outras edições também havia alguns shows, mas eram após os bate-papos. Agora não, a música divide espaço com a literatura, afinal, lidas, faladas ou cantadas, as palavras despertam sentidos e enobrecem a alma das pessoas.

E a primeira atração musical do Livro Livre foi com a Banda Jazz do Monte, que apresentou o espetáculo Rádio Jazz, onde, além da performance musical, falou da história do gênero musical. Confira uma das músicas que embalou a noite do sábado, 28, na Praça Saldanha Marinho.

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Imagens e edição: Marcos Borba e Neli Mombelli


Antes da Feira, os preparativos!


Andar pela Feira do Livro de Santa Maria desperta os mais diferentes sentidos, mas, principalmente, a alegria de ver a praça lotada, diversas atrações culturais e livros para os mais variados gostos. No entanto, para tudo isso acontecer, há uma grande preparação que leva meses de trabalho. A Feira mal termina e a produção para a seguinte já inicia. Confira a reportagem de uma das mais novas colaboradoras da TV OVO, Taianne Teixeira, sobre os preparativos desses dias mágicos que povoam a Praça Saldanha Marinho.

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