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#Resistência em Santa Maria


Nos dias em que o processo de afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff completa um ano, o documentário Resistência, da diretora Eliza Capai, teve lançamento por todo o Brasil. A TV OVO organizou a sessão de pré-estreia do filme na quarta-feira, dia 10 de maio.

O documentário é um registro das ocupações OcupaAlesp, #OcupaMinc-RJ, #OcupaFunarte-SP, da Marcha das Vadias RJ e da Parada LGBTT de São Paulo. Essas ocupações e atos foram realizadas durante o governo interino do Michel Temer, entre as votações da Câmara dos Deputados e a última votação no Senado, que decidiram pelo afastamento de Dilma Rousseff.

Para a diretora, o documentário é uma importante forma de registro do que aconteceu no Brasil no período, principalmente por trazer um viés explícito sobre o tema. “Nós, do audiovisual, temos esse dever de criar narrativas, de deixar claro os nossos pontos de vista dentro dessas narrativas e deixar esses documentos para que no futuro se entenda o que está acontecendo, pois agora está um pouco difícil de entender”, elucida Eliza.

O processo de circulação do documentário é feito de forma independente e colaborativa com o intuito de suscitar o debate sobre o tema em diferentes lugares. Qualquer grupo de pessoas pode pedir para a diretora disponibilizar o filme por meio da página do documentário no Facebook. “O filme vai ficar disponível para que as pessoas organizem e assistam o filme para pensarem nesse momento que a gente vive. Eu acho que tem uma angústia em vários setores de não saber como reagir, como se posicionar e que o filme talvez possa ser um start para as pessoas assumirem e pensarem sobre estes pontos”, provoca a diretora.

Até o momento, já foram mais de 70 exibições do filme em todas as regiões do Brasil, além de Europa e Estados Unidos. A sessão em Santa Maria contou com 60 pessoas no Clube Comercial. Houve debate após a sessão com a presença da diretora. Muitas pessoas se emocionaram com a projeção do filme, o que levou a uma discussão a respeito do tema do documentário e não necessariamente da forma estética como ele foi construído. Ouvimos diversos relatos de estudantes do movimento estudantil de Santa Maria, que também fizeram parte de ocupações, que se identificaram com a narrativa. Além disso, foi um momento oportuno para discutir a diversidade e o papel da imprensa a respeito da atual conjuntura política.

Para quem tem interesse em organizar uma sessão do documentário, Eliza criou um passo a passo que está disponível na página do #Resistência no Facebook, e que copiamos aqui.

1) Organize um espaço com projetor ou tela. Incentivamos as pessoas a se conectarem com espaços já conhecidos, como cinemas, auditórios, cineclubes, espaços culturais; ou criarem seu próprio local e organizarem uma projeção na rua, praça, local de trabalho, etc.

2) Cadastre-se no Videocamp: http://www.videocamp.com/pt/users/account;

3) Você receberá um email para confirmar esse cadastro. Confirme-o;

4) Entre na página http://www.videocamp.com/pt/movies/resistencia e clique em “organize uma exibição”;

5) Em seguida, você deve preencher um formulário com informações relativas a local, data, horário e se pretende fazer alguma atividade depois da sessão;

6) Você receberá um email com a confirmação do agendamento da exibição e quais são os próximos passos do processo. O filme estará disponível para download 72h antes da sessão agendada.

7) Crie um evento no facebook e envie uma mensagem inbox para a página facebook.com/resistenciafilme com a data e local do evento e com a página

8) Convide pessoas interessantes para debater um ou vários dos temas do filme, no final da sessão: resistência, democracia, feminismo, gênero, mídia movimento estudantil, cultura;

9) Bole uma campanha massa e chame todo mundo para assistir o filme no seu #ocupa!.

10) Exiba e discuta #Resistência!

 

Por Pedro Piegas
Foto de Neli Mombelli

resistência

 

 


O jornalismo e a capacidade de estranhamento


Trabalhar no campo do audiovisual não é uma tarefa fácil. A variedade de ferramentas narrativas e contra narrativas que temos é gigantesca e além das barreiras criativas e imposições externas podem influenciar no resultado final de uma produção. O Colóquio Narrativas Audiovisuais e Informação, que ocorreu na quinta-feira (11) no Theatro Treze de Maio, discutiu a pluralidade nas maneiras de se fazer audiovisual, tocando em pontos como a ascensão dos dispositivos móveis e a emergência de novas ferramentas para contar histórias em movimento.

 

Laura Capriglione, do Jornalistas Livres, falou sobre a necessidade do jornalista se inserir nos atos dos movimentos sociais e usou como exemplo sua cobertura feita durante as reintegrações de posse na capital paulista em 2013. A jornalista também enfatizou como a mídia tradicional pode operar de forma a criminalizar movimentos, apresentando as minorias como vilãs. Ela também comentou sobre a importância das redes sociais como novidade narrativa em meio à crise no jornalismo, pois graças a essas ferramentas, fatos que antes não  tinham voz, acabam ganhando espaço, como o caso Amarildo. As mídias alternativas, juntamente com as redes sociais e os dispositivos móveis, para ela, ampliam a variedade de narrativas e abrem espaços para pautas feministas, étnicas, de temas ligados à comunidade LGBT, entre outros, que são noticiados de forma mais humanizada.

 

Mesmo inserido dentro de um veículo de comunicação tradicional, o jornalista Marcelo Canellas deixou claro seu posicionamento dentro da emissora e falou que a censura faz parte da vida do jornalista, mas que é preciso aprender a defender e a trabalhar o viés que se acredita. Mas as dificuldades não estão só na redação, como em uma recente reportagem sobre Liliane, uma mulher que ficou quase dois anos afastada do filho pequeno, depois de uma denúncia falsa de maus-tratos, que após uma decisão da Justiça conseguiu recuperar parte da guarda do filho que é dividida com a família que acolheu a criança. Devido uma imposição judicial, a rede Globo foi proibida de exibir imagens da criança e da família adotiva. Para não perder o material, a opção foi trabalhar reelaborar a narrativa com ilustrações e recorrer à encenação para não derrubar a pauta. Canellas afirma que ter posição e não ter medo de dialogar com os editores-chefes é a melhor maneira para se iniciar as mudanças nas redações. Para ele, pautas sempre são a respeito da condição humana e sua relação com a desigualdade social, ainda tão intensa em nossa sociedade.

 

O colóquio contou ainda com a presença de Eliza Capai. Para a produção do documentário Tão Longe é Aqui, a jornalista itinerante visitou o município de Guaribas, no Piauí, que já foi o lugar com o segundo menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, situação essa que, segundo ela, mudou após a implementação dos programas Bolsa Família e Fome Zero. Titulares do bolsa família, as sertanejas estão começando a transformar seus papéis na família e na sociedade do interior do Piauí e se libertando da servidão ao homem, milenar como a miséria. Inclusive, as novas gerações já passam a se mostrar contrárias às situações ao seu redor, como casar e viver para cuidar da casa. Durante sua estadia na região Nordeste, Eliza percebeu que mesmo em um lugar quase esquecido, onde assuntos relacionados a pauta feminista estão longe de ser algo em alta e o machismo ainda impera, a juventude vem se mostrando extremamente empoderada e pequenas ações como os benefícios sociais têm grande influência nessa oportunidade de independência das mulheres. São os estranhamentos culturais que movem muitas das produções da documentarista.

Por Valdemar Neto

Foto de Pedro Piegas

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Pré-lançamento do documentário #Resistência, de Eliza Capai


Eliza Capai estará em Santa Maria no dia 10 de maio (quarta-feira) para o pré-lançamento do documentário #Resistência no Clube Comercial (Rua Venâncio Aires, 1972), às 20h30. O filme, dirigido e narrado por ela, traz a narrativa das ocupações do #OcupaAlesp, #OcupaMinc-RJ, #OcupaFunarte-SP, a Marcha das Vadias RJ e a Parada LGBTT de São Paulo durante os meses de governo interino de Michel Temer. Após a exibição, terá debate com a diretora. A entrada é gratuita.

Eliza atua desde 2001 como documentarista e com temáticas relacionadas à cultura, gênero e sociedade. Dirigiu os filmes Cicloativistas e Severinas. Em 2015, viajou um mês pela Angola, onde surgiu o thriller É proibido falar em Angola, sobre os presos políticos do país, e o Especial Angola. Ela, quej á ganhou inúmeros prêmios, também participará do Colóquio Narrativas Audiovisuais e Informação, no Theatro Treze de Maio, dia 11, às 20h30.

Acompanhe o evento no Facebook para mais informações.

Dúvidas e/ou informações pelo e-mail tvovo@tvovo.org, pelo telefone 3026 3039 ou por mensagem inbox pela página da TV OVO no facebook.

Documentário resistência