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Sensibilidade e sabedoria


Cura, proteção e sabedoria retratadas na tela a partir de quatro diferentes histórias de vida. O lançamento da série de documentários sobre Benzedores e Conhecedores de Ervas Medicinais, na última segunda-feira, no Museu Treze de Maio, foi um encontro de sensibilidades.

Roda de conversa com benzedores e conhecedores de ervas

O Museu recebeu uma decoração especial, com fotos, imagens, frases e rezas ditas pelos benzedores. Plantas e ervas davam aroma ao ambiente, enquanto bolos e bolachas de fubá e chás eram servidos para o público. Após a exibição dos documentários, uma roda de conversa se formou, mesclando benzedores e pessoas que tiveram suas vidas mudadas em razão de um benzimento. Muitos reviveram cenas da infância, relembrando quando os pais os levavam para benzer, ou até mesmo recordando o convívio com seus avós, já que eles também tinham algum envolvimento com chás e/ou com benzimentos.

Nos realizamos ao exibirmos os documentários e ao despertarmos tantas recordações, emoções e sensibilidades. É essa a função dos filmes, a de registrar esse saber tradicional, para que ele não se perca nas linhas do esquecimento com o passar do tempo. E para dar mais força ao projeto, os documentários serão usados como material paradidático em escolas da cidade.

Decoração do ambiente

A produção foi realizada pela TV OVO em parceria com a 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e faz parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, financiada pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC-SM). Em um ambiente envolto por conhecimentos e tradições ancestrais, o lançamento também integrou a 24ª Semana Municipal da Consciência Negra, organizada pelo Museu Treze de Maio.

O DVD com os quatro documentários será distribuído em escolas e  para entidades que tenham interesse pelo material. Para isso, é só entrar entrar em contato por e-mail tvovo@tvovo.org. Futuramente, as produções serão disponibilizadas no canal do Youtube da TV OVO.

Exibição dos documentários


Benzer é ter fé


Aos 81 anos de idade, Dona Leontina só diz não benzer tantas pessoas como antes porque caiu e quebrou uma perna. Agora, para andar, precisa da ajuda de uma muleta. Mesmo assim, ela é incansável e diz que não tem segredo nos benzimentos, há somente fé.

Já são 65 anos que ela ajuda ao próximo, sussurando orações e inclinando um raminho verde sobre quem espera por alguma cura. E garante: “As crianças que eu benzo ficam arteiras por causa da oração de Cosme e Damião”.

Isso é uma amostra do que a edição do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade deste ano irá trazer. Serão quatro documentários que registram as vivências e a tradição de benzedores e conhecedores de ervas medicinais. Um saber que tem se perdido com o passar do tempo, mas que a TV OVO busca recuperar para que não se percam para sempre.

Em agosto, gravamos a história de Seu Rui de Paula. No último dia 14, gravamos com Dona Leontina Silva. As próximas gravações deverão ser outubro. A iniciativa tem o apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC-SM) e da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).


TV OVO grava documentários sobre benzedores e conhecedores de ervas medicinais


Neste sábado (14), a TV OVO gravará mais um documentário sobre benzedores e conhecedores de ervas medicinais, no bairro Campestre do Menino Deus. A produção faz parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, que conta com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Este é o segundo dos quatro documentários a serem produzidos e registrará a história de Leontina da Silva, que benze desde os 16 anos de idade. No dia 17 de agosto gravamos com Rui de Paula, um senhor de 84 anos, que faz benzimentos e diversos tipos de chás com ervas que colhe no mato.

Gravação com Rui de Paula no bairro Campestre do Menino Deus

O propósito de registrar esses saberes tradicionais é devido a sua extinção com o tempo. Não há na sociedade, como fora uma vez, um intenso movimento de transmissão de conhecimento e crenças de geração para geração. Esses são aspectos de nossa cultura que tem se perdido, rastros de um bem cultural, de tradições, que tem se apagado com o passar do tempo.

O projeto conta com o apoio da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (8ª CRE), que tem trabalhado com o tema em rodas de conversa no GT Diversidade. Além disso, a parceria contribuirá para a circulação e divulgação do produto final do projeto nas escolas estaduais, levando esse conhecimento para as salas de aula e colaborando para manutenção dessa cultura.

O Por Onde Passa a Memória da Cidade existe desde 2008 quando foram gravados os documentários sobre a rua Dr. Bozano e a Avenida Rio Branco: 1ª Quadra e Avenida Progresso, respectivamente. Em 2011, foram produzidos os documentários Qu4tro Mistérios do Rosário, sobre o bairro Nossa Senhora do Rosário, e Trilhos do Itararé, que fala do bairro Itararé, berço da ferroviário de Santa Maria. Neste mesmo ano, foram produzidos ainda quatro minidocumentários sobre “personas” santa-marienses, intitulados No meu tempo.

Na terceira edição, em 2012, o projeto registrou a história de 50 pessoas que moram e/ou passam por Santa Maria. Junto com as gravações, onde um set foi montado em locais públicos e em escolas, foram realizadas exibições dos documentários produzidos pela TV OVO até então.

A iniciativa recebeu o 2º lugar no Prêmio Cultura Viva do Ministério da Cultura (MinC), em 2010, e neste ano recebeu o prêmio Ponto de Memória, pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).