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13 audiovisuais representam a TV OVO em festivais santa-marienses


Frame do documentário Feminino Substantivo, que concorre na mostra local e nacional do SMVC, junto com o plano-sequência de ficção Existência.

A segunda quinzena de outubro traz muito cinema para Santa Maria e praticamente todas as nossas produções deste ano foram selecionadas para a programação do festivais que irão movimentar a cidade. Ao todo, são 13 produções concorrendo.

O Festival Internacional de Cinema Estudantil – Cinest  inicia  hoje e segue até 18 de outubro com mostras, seminários e oficinas. Na mostra ensino fundamental do 5º ao 9º ano, 11 vídeos resultados de oficinas em três escolas públicas da cidade foram selecionados. São eles: Flipando Ideias, Rua Felicidade, M, Mundo Inverso, Os Outros Somos Nós, Renascença, Ser Adolescente; Ser, Estar, Resistir; Vida no Campo – Maycon, Vida no Campo: Domador de Cavalos e Vida no Campo: Guasqueiros. Os vídeos foram produzidos por alunos das escolas Reverendo Alfredo Winderlich, Sérgio Lopes e José Paim de Oliveira pelo projeto Olhares da Comunidade, que tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria. A exibição da mostra ensino fundamental local será na quarta-feira, no auditório da Cesma, a partir das 13h30. Acompanhe a programação completa no site do Cinest.

Já de  29 de outubro a 3 de novembro rola o Santa Maria Vídeo e Cinema – SMVC, que selecionou 4  de nossas produções classificadas na Mostra Bambino de curtas-metragens de Santa Maria e Região. Flipando Ideias e M, que também estão na programação do Cinest, e Existência, dirigido por Paulo Tavares, e Feminino Substantivo, com direção de Neli Mombelli. Este dois últimos também foram selecionados para a Mostra Nacional. É a primeira vez que produções da TV OVO competem nesta mostra do SMVC. A programação completa pode ser acessada no site do festival.

Por Lívia Maria


(N)ovos da TV


Setembro de 2019.

Lá estávamos nós, os mais novos integrantes da TV OVO! Sentamos em uma mesa longa, rodeados dos mais antigos, começamos a ouvi-los na tentativa de capturar tantas novidades. “Os primeiros dias são assim mesmo” – eles falavam, “com o tempo vocês vão se adaptando e pegam o ritmo”.

Era nosso segundo encontro.

Para “atividade” inicial, foi sugerido que nos apresentássemos, que cada um descrevesse brevemente suas características. Simples e prático, alguns minutinhos e pronto, estaríamos apresentados.

– “O café está pronto”, disse Paulo, logo me levantei e fui buscar uma xícara para mim.

Na cozinha, enquanto colocava meu café, tive “uma ótima ideia”. Porque não nos observamos durante uma semana, percebemos características, jeitos etc. e cada um de nós apresenta o outro? Tenho a impressão de que meus novos colegas não acharam a ideia tão boa assim, mas, ela foi aceita. Sorteamos, para que cada um tirasse um nome a quem iria observar. Minha querida amiga Lívia Maria, para não deixar passar, pegou o celular e gravou este momento.

E esse foi o resultado, talvez não muito fidedigno, de nossas observações investigativas:

Bernardo Salcedo, 19 anos, estudante do 2º semestre de Jornalismo na UFSM. De Sapucaia – RS, adora escrever e é colorado de coração. Mora na CEU I, bem pertinho, vai a pé para a TV. Me pareceu quieto, um pouco introspectivo, mas já fiquei sabendo que esse é o normal dos meninos daqui, então tudo bem. Não somente gosta de escrever, como escreve SUPER BEM, com domínio, leveza e criatividade. Entrou sem saber o que era acessibilidade, mas disposto a aprender e dedicar tempo para aprender, agora vai colar comigo no desenvolvimento da Acessibilidade comunicacional da TV.

Em Santa Maria desde 2017, a acadêmica do 6º semestre de Relações Públicas, cearense de coração carioca e geminiana, Regina Montanet decidiu fazer parte da TV em busca de desenvolver seus conhecimentos em comunicação e acessibilidade. Contudo, é notável seu flerte com o audiovisual e sua vontade de aprender mais sobre esse universo. Uma menina de energia boa, está sempre muito disposta a ajudar, é calma, simpática e agradável de conviver. É sincera e também busca esmero na realização de suas atividades. No dia do gaúcho, se sentiu muito feliz ao encontrar carne em todos os acompanhamentos do RU.

Este texto foi elaborado após o uso de técnicas de espionagem que deixariam agentes da KGB e CIA parecendo amadores. Dito isto, segue meu relatório: Seu nome é Naiady Lima, se não me engano tem 21 anos, guria de Uruguaiana (perdão pelo trocadilho) que está terminando o curso de jornalismo. É uma pessoa muito curiosa, está sempre perguntando e anotando coisas, anota tanto que até me faz anotar para não me sentir envergonhado. Meio quieta, mas de sorriso fácil, apesar de não falar muito sempre que se pronuncia tem alguma ideia nova, alguma sugestão. Não gosta muito de ficar parada, sempre está à procura de algo para fazer. Resumindo, uma pessoa de bastante iniciativa, característica que eu admiro. Não sei para que time torce, mas quando eu falei para o time que eu torcia ela não se manifestou, então pode ser do lado azul da força, ou pode ser uma agnóstica dessa religião politeísta que é o futebol.

Eu queria um pouco mais de informações, só que por motivos óbvios não poderia perguntar, então, num exercício de apuração jornalística extremamente rigoroso, como ir até o Facebook, fui atrás de mais informações. Resultado: nenhum resultado. Mas eu sou brasileiro, I never give up, por isso após outra investigação igualmente rigorosa, consegui descobrir que ela gosta bastante de gatos, de um em específico cujo nome ficarei devendo. Bem, essa é a síntese das informações que consegui coletar durante a minha missão. Espero que a Naiady não me processe por calúnia ou difamação.

Bianca é uma menina decidida, que leva as coisas meio branco no preto, meio preto no branco, é o que é! Essa guria de 21 anos não tem tempo a perder. Tem algo pra resolver? Ela não perde tempo e resolve. Ela é de Uruguaiana, faz Engenharia de Produção, Fora Bolsonaro e colorada. Adora um lanchinho. Diferente dos outros, Bianca (ou Baica para os íntimos) já está na TV há um mês envolvida em diversas atividades de produção e organização.

Texto: Construção coletiva dos novos e semi-novos da TV


Mbya Arandu | Saber Guarani


Grupo da oficina de audiovisual na aldeia Guarani.

 

O vídeo Saber Guarani, ou Mbya Arandu em guarani, é o resultado das primeiras experimentações na linguagem audiovisuais dos alunos da escola indígena Mbya Yvyrai´ijá Tenodé Verá Miri na Aldeia Guarani Mbyá – Tekoá Guaviraty Porã, localizada no distrito industrial, em Santa Maria/ RS.

Desde o início de agosto, parte da equipe da TV OVO compartilha vivências e conhecimentos com os alunos da escola indígena. O elo entre nós e a comunidade indígena é a vontade de estimulá-los a registrar e contar suas histórias. Assim partimos toda segunda à tarde para desenvolver oficinas de audiovisual, aproximarmos realidades diferentes, trocarmos afeto, construirmos e desconstruirmos ideias.

São muitos os desafios, pois vivemos em tempos diferentes, falamos línguas diferentes, vemos a vida de formas diferentes, e aprender um com o outro é o melhor de todos eles. Acompanhe a primeira produção que resulta desse encontro, um vídeo sensível e necessário, principalmente nos dias em que vivemos hoje.

 

Sinopse

Proteger a Mãe Terra porque é ela que nos dá a vida. Vídeo produzido pelos jovens guaranis da aldeia Tekoa Guaviraty Porã durante a oficina de audiovisual da TV OVO na escola indígena Mbya Yvyrai´ijá Tenodé Verá Miri.

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Por Tayná Lopes


Prepare-se para uma maratona cinematográfica


 

Para quem é amante do audiovisual e deseja ampliar seus conhecimentos a respeito, dois grandes eventos ocorrerão nesse mês em Santa Maria. O CINEST – Festival Internacional de Cinema Estudantil promoverá debates sobre acessibilidade no audiovisual, além de oficinas focadas em introdução de roteiro para audiodescrição e maquiagem/efeitos especiais. A edição deste ano irá ocorrer entre os dias 14 e 18 de outubro, na CESMA (Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria), na Rua Professor Braga, nº 55. Na programação, prevista no site oficial, além de exibições, apresentações de trabalhos, palestras e exibições dos filmes durante o período, o último dia do evento será a premiação dos vencedores das mostras competitivas. A exibição da mostra competitiva irá ser na Universidade Franciscana e na Universidade Federal de Santa Maria. Para se inscrever nas palestras e oficinas, é necessário se cadastrar no site oficial do festival.

Já a 13º edição do SMVC (Santa Maria Vídeo e Cinema) irá ocorrer no fim do mês, de 29 de outubro a 3 de novembro. As atividades do evento estão estruturadas em torno do tema dessa edição “Cinema para todas”, que promove um debate a respeito do protagonismo feminino no audiovisual. Parte da programação já foi divulgada.  A abertura do festival trará a exibição do longa-metragem “Legalidade” do diretor gaúcho Zeca Brito, no Centro de Convenções da UFSM, dia 29 de outubro, às 19h, com entrada franca. E, além disso, estão abertas as inscrições para a oficina com Hique Montanari, diretor do filme “Yoñlu”, que será dia 30 de outubro na CESMA a partir das 13h. A atividade propõe um estudo de caso com um exercício de escolhas estéticas e narrativas do longa-metragem. A inscrição pode ser feita pela página do festival ou tratar com Luciano pelo número (55) 99188.2442, com o valor de R$ 30 para estudantes e $50 para o público geral. O festival está aceitando contribuições na plataforma catarse.me para arrecadação de fundos.

 

Por Juliana Brittes

 


Cultura e luta indígena no Narrativas em Movimento


Vincent percorre aldeias do país há mais de 30 anos trabalhando com formação audiovisual. Foto Lívia Teixeira

A questão indígena voltou aos noticiários com força neste ano, no entanto, os espaços midiáticos mostram apenas um lado dessa questão e raramente é o lado mais vulnerável. Discutir sobre como o uso do audiovisual fortalece a luta e ajuda a preservar a cultura dos povos indígenas do Brasil foi o objetivo do Narrativas em Movimento  realizado no último dia 19. Com o tema “Memória e Territórios no Audiovisual”, o colóquio trouxe o documentarista e indigenista Vincent Carelli.

Ele é idealizador do Vídeo Nas Aldeias, projeto que está há mais de 30 anos ajudando na formação de cineastas e cinegrafistas indígenas. Além da formação, o projeto busca fortalecer a identidade dos povos indígenas, registrando seus costumes e tradições. Entre o público estavam representantes das aldeias Guarani e Kaingang de Santa Maria. Para eles, essa experiência também foi enriquecedora, pois puderam conhecer a realidade de outras comunidades indígenas pelo país, como relatou Luís da aldeia Kaingang em sua fala.

Durante o encontro, a questão do audiovisual como ferramenta de preservação da memória dos povos indígenas foi bastante abordada, já que segundo Vincent, as comunidades indígenas ficam bastante decepcionadas com a forma que são retratadas por terceiros, por isso estão sempre dispostos a colaborar nos projetos onde elas mesmas podem contar suas histórias, porque é outro olhar. “Acredito que a questão do audiovisual tem esse poder mais sensorial. A gente já tem essa sensibilidade, mas ao ver os vídeos que ele passou sentimos mais impacto”, afirma Anna Christina Pimenta, estudante de relações públicas da UFSM.

Sobre os aprendizados do colóquio, Maria Eduarda Righetto, estudante de Publicidade e Propaganda da UFSM diz que “olhamos para os problemas da nossa realidade sem nos darmos conta que a realidade do outro faz parte da nossa. […] Temos que nos preocupar com a sobrevivência dos povos indígenas que estão tentando manter vivo a si mesmos e a sua cultura”. Também estudante de Publicidade e Propaganda da UFSM, Amanda da Cas, comenta: “Acho que é uma oportunidade de levarmos esse conhecimento para as pessoas que não puderam estar aqui… a grande importância foi ter recebido todo o impacto dessa discussão e tentar levar para outros espaços, tanto para nossa família quanto para a área da comunicação, pois são poucos os veículos que trazem esse tipo de
informação”.

De todos os aprendizados que este colóquio trouxe, talvez o mais importante tenha sido o de que a questão indígena precisa ser debatida em todas as esferas da sociedade, pois a união dos brasileiros é a arma mais eficaz para assegurar a defesa e cumprimento dos direitos indígenas. E isso também significa preservar nossas florestas que têm importância fundamental na manutenção de um planeta habitável.

 

Em tempo: audiovisuais indígenas

 

Um dia antes do colóquio, houve a exibição de “Martírio”, documentário dirigido por Vincent Carelli junto com Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida, que retrata o genocídio dos índios guarani-kaiowás. O filme foi eleito o melhor longa-metragem nacional de 2017 pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) entre outros prêmios em diversos festivais. Sobre “Martírio”, William Boéssio, pós-graduando em jornalismo da UFSM, diz: “Vim para ver como os elementos técnicos da gravação seriam executados”. Outro ponto que o interessou foi sobre como o trabalho seria uma forma de os povos indígenas mostrassem a sua realidade para se defender. Apesar de já conhecer a causa indígena, ele não conhecia as especificidades desses povos. Para William, esse trabalho “conseguiu contar muito bem as diversas realidades, amarrá-las e fazer uma bela história”. Para quem quiser assistir, o documentário está disponível no canal do Vídeo das Aldeias no Vimeo para acesso on demand
Já na abertura do colóquio, foi exibido o vídeo “MBYA Arandu |Saber Guarani”, vídeo produzido pelos jovens guaranis da aldeia Tekoa Guaviraty Porã, de Santa Maria, durante oficina audiovisual da TV OVO. O vídeo fala sobre o respeito, cuidado e a relação sagrada que o povo guarani têm com a natureza.

Por Bernardo S. Silva

 


Documentário busca discutir presença indígena em Santa Maria


Gabriel faz exercícios de enquadramentos na aldeia Guarani. Foto de Tayná Lopes

Neste ano, o nosso projeto Por onde passa a memória da cidade trabalha na construção de um documentário que busca discutir a presença indígena em Santa Maria. A ideia inicial da produção é abordar a formação e origem de Santa Maria, intercalando a versão histórica e a lendária, ambas apresentando os indígenas como parte da história. Junto de entrevistas com membros de comunidades indígenas, antropólogos, sociólogos e historiadores iremos construir uma narrativa que busque documentar a memória destes povos, sempre tão invisibilizados.

Para o desenvolvimento do projeto estão sendo realizadas pesquisas históricas e conversas com diversas fontes, que conheçam a história e/ou tenham relação com ela. Está em curso um levantamento de dados, fontes, registros, documentos e imagens, para então iniciarmos as diárias de gravação.

Foi a partir da pesquisa que visitamos as aldeias indígenas Guarani e Kaingang de Santa Maria e, desde meados de agosto estamos realizando oficinas de formação audiovisual para os jovens da aldeia Guarani, que tem entre 13 e 20 anos.  Em outubro devemos ir fazer o mesmo na aldeia Kaingang. Embora o documentário tenha financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria, LIC/SM, as oficinas são uma atividade paralela que estamos fazendo, com nossos próprios recursos, porque não queremos falar da presença indígena pelo nosso olhar, queremos que eles falem de si a partir do seu próprio olhar. Por isso, aos poucos, buscamos trocar conhecimentos e instrumentalizá-los para que possam registrar suas próprias histórias e sua cultura.

Por Tayná Lopes