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Entre a autossustentabilidade e a lógica do mercado


Na manhã deste Sábado, dia 9, a 6° Feira de Economia Solidária do Mercosul e 17° Feira Estadual do Cooperativismo, Feicoop, debateu em um de seus seminários, a autossuntentabilidade e geração de renda no estado de Minas Gerais. Baseado na análise realizada no estado durante os anos de 2005 e 2007 foi possível articular e promover diversas discussões sobre empreendimentos econômicos solidários, EESs.
De acordo com Norma Valentina, ministrante e superintendente regional do trabalho de MG, os EESs precisam de maior apoio governamental e acesso ao crédito para poder gerar renda positiva* e se autossuntentar. No estado de MG, por exemplo, de 1.236 empreendimentos apenas 118, ou seja, 9,65% deles conseguirão ter sucesso
pleno. A análise ainda tratou de categorizar os empreendimentos do estado. Segue abaixo as
considerações da pesquisa.
1°GRUPO: EESs Motivados pelo desemprego e sem Apoio: Se caracteriza
principalmente pela prestação de serviços diversos. Não recebem apoio. Este grupo
apresenta apenas 3,5% de chance de obter sucesso pleno quanto à geração de renda
positiva e autossuntentabilidade;
2° GRUPO: EESs Rurais de Autoconsumo: Motivados pela complementação de
geração de renda, recebem apoio. O objetivo é a complementação de renda. Apenas
o excedente da produção é vendido. Este grupo apresenta apenas 7 % de chance de
obter sucesso pleno quanto à geração de renda positiva e autossuntentabilidade;
3°GRUPO: EESs Urbanos Informais: Tem os seus serviços baseados na venda de
artefatos. O serviço é informal com recursos provenientes de doação. Restringe-se a
atuação em comércio comunitário. Este grupo apresenta apenas 4,4% de chance de
obter sucesso pleno quanto à geração de renda positiva e autossuntentabilidade;
4° GRUPO: EESs Empreendedores e Formalização: A grande maioria possui sede
própria e baseiam-se na filosofia do cooperativismo, ou seja, tem como objetivo a
obtenção de maiores ganhos. São representados pelas Associações e Cooperativas.
A venda é em atacado e não atuam somente na região, na comunidade. Recebem apoio do governo. Este grupo apresenta no total 51,7% de chance de obter sucesso pleno quanto à geração de renda positiva e autossuntentabilidade; Com estes dados relativos ao estado de MG pode-se imaginar um parâmetro com o país.
Segundo Norma, não há ainda uma pesquisa em nível nacional, mas quando perguntada sobre uma possível relação com o país, ela diz que é provável que haja. Os dados são relativos aos anos de 2005 a 2007, por isso precisa ser atualizada. Norma deseja fazer essa atuação e vai além, que fazer o mesmo no âmbito nacional. O resultado final da pesquisa é que se observa uma grande dificuldade quanto a geração de renda positiva e a autossuntentabilidade. O acesso ao crédito e o apoio governamental são ainda, uma realidade distante para alguns empreendimentos. É necessário um maior apoio na atuação econômica no mercado, sem isso, dificilmente empreendimentos dos grupos um, dois e três sobreviveram na lógica capitalista de
mercado.
*renda positiva: superior ao salário mínimo.

Texto Por: Francieli Jordão

Foto Por: Júlia Schnorr