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Depois Daquele Dia, filme sobre tragédia da Kiss será exibido em evento em São Paulo


Maio é o mês de aniversário da TV OVO. Além do lançamento do livro infantil Lelé João-de-Barro: arquiteto de histórias, no dia 01, na Feira do Livro de Santa Maria, dia 8, quarta-feira, o documentário Depois Daquele Dia será exibido em São Paulo. O filme, que retrata a tragédia da boate Kiss, vai ser exibido no 3º Simpósio Internacional de Comunicação e Cultura: Aproximações com Memória e História Oral – Diálogos entre Brasil e México. O evento ocorre de 6 a 8 de maio na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em São Paulo.

O filme reflete sobre aos impactos e aprendizados deixados pela tragédia em Santa Maria, as cicatrizes que marcaram a comunidade e as relações de apoio e escuta criadas entre as vítimas, os familiares e a própria cidade. De forma sensível retrata como Santa Maria seguiu com vida, como se transformou e se fortificou. Luciane Treulieb jornalista, diretora do filme e irmã de João Aloisio Treulieb – uma das vítimas da tragédia – é mestranda da USCS e propôs a exibição para a organização do evento. A temática do documentário relaciona-se com os assuntos que serão abordados no simpósio e se faz interessante tê-lo como parte do evento por toda riqueza política, sensível e histórica que o compõem.

Luciane comenta que será a primeira vez que o filme será exibido fora de Santa Maria e destaca que o público será diferente dos que até então puderam acompanhar as exibições na cidade – público composto majoritariamente por pessoas diretamente afetadas pela tragédia e afetivamente vinculadas a Santa Maria. Ela ainda ressalta que no simpósio haverá pesquisadores de vários lugares do Brasil e da América Latina, e acredita que eles provavelmente não terão nenhuma ligação afetiva com Santa Maria. “A exibição para esse público é importante porque pode nos oferecer uma perspectiva diversa sobre a narrativa que criamos”, pondera Luciane.

Depois Daquele Dia é um filme memória.  “Apesar de termos exibido o filme pela primeira vez há mais de um ano, pouco se avançou em termos de decisões judiciais. Então a luta pela justiça e pelo não-esquecimento do que aconteceu segue, e o filme é a forma
que encontramos para buscar a manutenção da memória das vítimas”, defende a diretora.

Neli Mombelli, que integra a TV OVO e assina a montagem do documentário, também irá participar da exibição. Além disso, Luciane e Neli irão participar do Simpósio com apresentação de um artigo que discute os embates da memória abordada no filme.

Por Tayná Lopes

Luciane Treulieb, diretora de Depois Daquele Dia, em cena do filme.


Assimetria divulgará selecionados neste final de semana


A segunda edição do Assimetria – Festival Universitário de Cinema e Audiovisual habilitou 53 produções inscritas para seguir para a fase de curadoria. Foram 19 documentários, 21 ficções e 13 experimentais, abrangendo filmes realizados em 13 instituições de ensino superior da região Sul do Brasil e dos países vizinhos Argentina, Paraguai e Uruguai. A divulgação das produções selecionadas será feita neste final de semana.

O Festival ocorre entre os dias 27 e 29 de maio na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis/SC, com exibições simultâneas na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria/RS. As instituições parceiras alternam o local da realização a cada ano.

Nesta edição, a premiação será na capital catarinense, mas o público presente nas sessões de Santa Maria poderá votar nos filmes para o prêmio de Júri Popular. Além desse, serão entregues troféus para o melhor filme e para melhor direção das três categorias: documentário, ficção e experimental. No mês de maio, a organização também deverá anunciar quem irá compor o júri do Festival. Acompanhe pela página no Facebook.

O Assimetria é um projeto de extensão do Centro de Artes e Letras (CAL) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em conjunto com a TV OVO e o Cineclube da Boca, e conta com a parceria de professores do Curso de Cinema do Departamento de Artes (ART) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em conjunto com o Cine ParedãoCineclube Rogério Sganzerla e Cinema Mundo.


Documentário Passo do Verde será exibido na segunda-feira, na Feira do Livro


O palco do Livro Livre da 46° Feira do Livro de Santa Maria projeta o distrito de Passo do Verde em sua tela. O documentário Passo do Verde – o 6° distrito, produzido pela TV OVO, será exibido no dia 29 de abril, segunda-feira, às 19h na Feira. O filme aborda a história, o cotidiano e as principais características do distrito por meio de depoimentos de moradores da localidade. Após a exibição do filme haverá uma roda de conversa.

O documentário, que integra o projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, foi produzido em 2018, e tem direção de Alan Orlando e Helena Moura, diretores estreantes. As primeiras cenas registradas foram em fevereiro, na tradicional festa de Iemanjá.  A produção contou com quase dez idas ao distrito para buscar personagens, compreender e vivenciar um pouco do cotidiano do lugar e registrar imagens. Passo do Verde, como sugere o nome, é rico em vegetação, água e areia. O território tem muita gente, histórias e lendas. As ruínas da ponte velha, que podem ser vistas da BR 392, são ícones do 6º distrito que fica ao sul de Santa Maria. No Balneário, escuta-se pássaros e bugios; na Estrada da Limeira, ouve-se a euforia das crianças; já na Estrada dos Guerra e Mato Alto tem-se a trinca do interior: pecuária, soja e arroz. Mas sabe o que há em comum nessas estradas? O som das máquinas e caminhões que carregam a maior economia do distrito – a areia. Entre sons e paisagens, constrói-se a memória e a vida da localidade.

O documentário teve financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC/SM). Além de Passo do Verde, em 2018, o projeto também registrou o distrito de Pains, encerrando a incursão realizada pela TV OVO pelos nove distritos rurais santa-marienses, iniciada em 2014.

O que: Exibição do documentário Passo do Verde, 6° Distrito
Onde: Palco Livre, Feira do Livro de Santa Maria, Praça Saldanha Marinho
Quando: 29 de abril (segunda-feira), às 19h.

Por Kamila Ruas

Raquel Lopes de Lima, moradora do Balneário Passo do Verde, faz comida caseira e vende no distrito. Ela é uma das personagens do documentário. Foto de Francine Nunes


Crônica da formação de um quarteto


A Rua Vale Machado possui uma forma singela, diferente de todos os caminhos que preenchem o coração do Rio Grande do Sul. Os pássaros cantando na alvorada, a fileira de ônibus que aguarda rostos amanhecidos para embarcar em uma viagem de quarenta minutos, a gargalhada dos motoristas que ecoam os prédios desde as cinco da manhã. O despertador tocou, e como de costume, levantei-me e fui direto à cozinha vasculhar onde havia guardado o filtro de café. A liquidez de como levamos dia após dia é um reflexo do comodismo de como a indústria e a tecnologia nos suga para um mar de dependência.

Coloquei o filtro dentro da máquina e aguardei cinco minutos até começar a sentir o aroma que colore minhas manhãs. Dia oito de abril de dois mil e dezenove era um dia diferente na cidade rodeada por morros. O sol ardente me resgatou um sorriso após me espreguiçar. Quente como o vulcão, e gelado como o coração de quem está com pressa de encarar o cotidiano. Antes de pegar a chave e girar a maçaneta da porta, sempre traço a minha rota e o destino de aonde quero chegar. Dessa vez, meu epílogo era diferente. E minha tendência também.

Dobrei na esquina da Avenida Rio Branco e desci contemplando as faixadas dos prédios coloridos visíveis da arquitetura Art Déco que conforta a  urbe. Brechós, mercados, cabarés. A cada passo largo que dava, a cada olhar que fitava com o meu, era um sentimento único que só Santa Maria poderia transmitir. Enxergava de longe senhores de idade sentados nos bancos lendo jornais, taxistas tomando chimarrão intercalando com gargalhadas. Minha jornada em direção a rua Ernesto Becker esquina com a Floriano Peixoto não poderia ser diferente até chegar aos arredores do sobrado antigo que resgata a memória de cada inquietude com sede pelo espírito comunitário.

Era o meu primeiro dia na TV OVO. Caminhei até a frente da fachada e, ao lado de um grafite colorido, toquei a campainha da frente e aguardei alguém abrir a porta. Quando entrei pelo ‘lugar errado’, percebi que havia uma moça sentada na mesa principal. Era Lívia Maria Teixeira de Oliveira, a mais nova voluntária. Sentei-me junto com ela e percebi seu sotaque diferente quando começou a falar. Acadêmica do quinto semestre do curso de Produção Editorial na UFSM, a moça de 19 anos é carioca e apaixonada por diagramação.

Um dia depois, tracei novamente a rota que irá preencher minhas tardes três vezes por semana. Na terça-feira, sentadas na mesma mesa, conheci também as duas novas voluntárias que irão planejar a comunicação junto comigo: Thaisy e Kamila. Thaisy Finamor, a jornalista de 21 anos nascida em Santiago, formada na Universidade Federal do Pampa, acabou de se mudar para a cidade e está fazendo pós-graduação em Mídias Digitais na Universidade Franciscana (UFN). E Kamila Ruas Flores, jornalista santa-mariense recém egressa da Universidade Federal de Santa Maria.

Somos quatro mulheres, quatro rostos, quatro corações, e quatro singularidades que irão agregar à família audiovisual em 2019. Volto para casa pela Avenida Rio Branco com a minha térmica vazia e com sede de todo dia aprender algo novo. No próximo dia, já que agora sou da casa, entrarei pelo portão maior. Avante!

Por Juliana Brittes, santa-mariense acadêmica do curso de Jornalismo da UFN, apaixonada por fotografia.

Acima, da esquerda para a direita, Lívia e Kamila. Abaixo, Juliana e Thaisy. O novo quarteto que integra a equipe neste semestre. Fotos: Juliana Brittes


Documentário Pains será exibido na festa do matambre e da cerveja no distrito


Jorge Freitas e Nadja Moreira da Silva vivem numa pequena propriedade. Foto de Alan Orlando

Neste domingo, 14 de abril, às 11h40min, exibiremos o documentário Pains no centro comunitário do distrito, durante a festa do matambre e da cerveja. O filme apresenta o distrito pelo olhar de quem vive e constrói o dia a dia daquele espaço rural que fica tão próximo da zona urbana.

Com direção de Alexsandro Pedrollo e Heitor Leal, a produção, que tem financiamento da Lei Incentivo à Cultura de Santa Maria, foi realizada no segundo semestre do ano passado pelo projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade. Foram seis diárias para percorrer seis localidades do distrito e gravar entrevistas com 11 personagens para apresentar um recorte da história de Pains.

Por Onde Passa a Memória da Cidade, desde 2014, tem registrado o interior santa-mariense. Pains é o último dos nove distritos percorridos para captar memórias e contar a história desses lugares muitas vezes desconhecidos da população urbana. Os demais documentários estão disponíveis no nosso Canal do YouTube, numa playlist do projeto.

Veja o teaser do documentário Pains

 

Sinopse
Quando a poeira da estrada baixa, vemos campos rodeados por morros. O silêncio é interrompido pelo canto dos pássaros. O vento sopra enquanto histórias de vida se misturam com a história de Pains, o 3° distrito de Santa Maria. As pessoas contam sobre a origem, os costumes, as festas, a educação e a economia desse lugar marcado pelo rural e tão próximo da cidade, que impressiona pelas belas paisagens.

RetrospectOVO


 

O ano de 2018 foi um ano de muito trabalho e de bons resultados. Lançamos cinco documentários em sessões itinerantes que percorreram escolas, praças e feiras (Feira do livro e Santa Maria e feira Internacional do Cooperativismo): Palma e Santa Flora trazem um recorte da história dos dois distritos rurais santa-marienses; Rock do K7 percorre a memória roqueira da cidade nos anos 80 e 90; Cultura de Afetos aborda a rede de solidariedade, trabalho, sonhos e luta que compõe os 25 anos de Feicoop; e Depois Daquele Dia, que tematiza os impactos da tragédia da Kiss em Santa Maria.

Ainda, em 2018, produzimos mais dois documentários – Pains e Passo do Verde –, realizamos duas oficinas em duas escolas municipais e sete exibições itinerantes em escolas públicas. Andamos pelo interior, furamos pneu, choveu, o carro estragou, choveu de novo, o telhado do galpão precisou ser trocado, mudamos tudo de lugar, choveu mais uma vez, mudamos de novo, veio o sol, secou e deu tudo certo. Realizamos dois colóquios com excelentes debates, ajudamos na organização do festival universitário Assimetria, participamos do festival Santa Maria Vídeo e Cinema (SMVC), integramos a mesa de debate sobre acessibilidade no Festival de Cinema Estudantil (Cinest), lançamos o livro Cronicaria na Feira do Livro, nossa primeira produção em livro impresso, e que no apagar das luzes deste ano ganha sua versão em áudio, no formato de livro falado.

E, entre tantas produções e conquistas, a que mais marcou foi o tombamento definitivo do Sobrado como patrimônio histórico e cultural de Santa Maria, o que nos permite seguir com o projeto de restauro, cuja primeira fase já está encaminhada para avaliação da Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer  do RS (Sedactel), o que nos permitirá inciar a captação via lei de incentivo à cultura do Estado (LIC/RS) em 2019, nosso grande projeto para o ano que se aproxima.

E, claro, 2018 finda não só com sonhos realizados, mas abre portas para os sonhos que se renovam e para os que estão por serem sonhados. Além da primeira etapa de construção do Sobrado Centro Cultural, já estamos empenhados com os projetos aprovados via Lic municipal, que preveem a produção de um documentário com foco na história de origem da formação de Santa Maria, intercalando a versão histórica e a lendária, fazendo uma jornada em busca dos filhos de Imembuí, pois, segundo a lenda, todos os santa-marienses são fruto de uma relação de amor de um homem branco português com uma indígena; quatro oficinas com alunos de escolas públicas que resultarão em quatro exibições de oito vídeos; e a realização de mais dois colóquios e dois workshops para formar, debater e viver o audiovisual. E seguimos com os projetos independentes, entre eles a produção de um documentário sobre o acervo contínuo de art déco da Avenida Rio Branco, produzido em parceria com Marcelo Canellas, e mais uma proposta de livro, pois agora que aprendemos, não podemos parar.

E se fazemos o que fazemos e nos tornamos o que temos sonhado é porque o amanhã é construído no plural, e o passado nos ensina a sermos presente. Que venha 2019 com suas promessas, fragilidades, utopias, desassossegos, afetos e desafios. Sigamos de mãos dadas!