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TV OVO realiza workshop sobre a Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria


Estão abertas as inscrições para o Workshop de Capacitação para a Lei de Incentivo à Cultura (LIC) em Santa Maria. Com duração de quatro horas, o workshop convida artistas, produtores e agentes culturais para comparecerem às dependências da TV OVO no dia 19 de outubro, quarta-feira, às 14 horas.

Ministrado pela atriz, empreendedora cultural e colaboradora da TV OVO, Denise Copetti, o encontro pretende apresentar a LIC SM, expor sua normativa e sanar dúvidas dos participantes. Questões envolvendo legislação, procedimentos burocráticos com formulários e planilhas, gestão de projetos, captação de recursos e prestação de contas serão abordadas na tarde de atividade.

O empreendedor cultural de Santa Maria estará amparado por uma participante direta e ativa das artes cênicas e do audiovisual em Santa Maria. Atuando há mais de 10 anos como empreendedora cultural na cidade, Denise também integrou a Comissão Organizadora do Santa Maria Vídeo e Cinema e do Festival de Teatro Santa Cena.

O Workshop é uma contrapartida do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade 2016, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria. As vagas são gratuitas e limitadas (20). A seleção será feita por ordem de inscrição. Increva-se até dia 14 de outubro neste formulário.

Por Manuela Fantinel

lic


A gravação se dá no caminho


Um dia a máxima foi “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Mas quando a tarefa de registrar os segmentos culturais de Santa Maria* surgiu, percebemos que – mais uma vez – não poderíamos seguir à risca o modelo de Glauber Rocha. O processo se dá de outra maneira. Alguns motivos de ordem prática nos limitam: a necessidade de um produto audiovisual de poucos minutos, o número de diárias para as gravações e o intuito de retratar os segmentos de uma maneira socialmente responsável. Seria preciso selecionar previamente as pessoas entrevistadas e avaliar de que maneira cada uma delas poderá contribuir com esse retrato inalcançável da realidade cultural da cidade. Algo distante da imprevisibilidade do estilo “câmera e ideia”.

Da pesquisa prévia ao boca a boca, chegamos a nomes que talvez pudessem nos ajudar e a partir da primeira conversa já foi possível traçar alguns caminhos. Durante a produção do episódio sobre Artesanato, por exemplo, cada contato levou a um nome diferente que, ao fim, teceu uma rede complexa (assim como é a realidade) de artesãos profissionais e de grupos que, por exemplo, praticam o artesanato sem depender dele exclusivamente como fonte de renda. Seria preciso, mais uma vez, escolher quem dali poderia contribuir com o episódio.

No encontro com a câmera, houve quem falasse de menos, intimidado, nervoso com a gravação, e também o que de tão tímido tentou encontrar um substituto por duas vezes sem sucesso, dando ao fim uma das melhores entrevistas realizadas. Houve quem dissesse exatamente aquilo que o diretor queria. Algumas vezes, o próprio diretor se perdeu, rígido nas perguntas previamente estabelecidas e desatento no diálogo necessário, quando a resposta para uma questão poderia vir na resposta da outra – o que não tem importância, pois é para isso que existem os recursos de edição e pós-produção. Houve também quem contasse longas histórias, num primeiro momento, desnecessárias, visto que não se encaixariam na proposta do episódio, mas que se revelariam como os longos raciocínios, às vezes, chegam a conclusões arrebatadoras, essas sim necessárias ao episódio.

O não dá pra deixar de pensar é como o encontro entre quem está atrás e em frente às câmeras traz elementos que, escapando aos roteiros, contribuem com ele.

Por William Boessio

Lenita - Foto Helena Moura

Lenita – Foto Helena Moura

Seu Aldo - Foto Luiz Vinicius

Seu Aldo – Foto Luiz Vinicius


Santa Maria além dos morros que vemos


Santa Maria não é formada apenas pelo centro, bairros e vilas que nos habituamos a ver e percorrer. Além da sede, a cidade possui outros nove distritos, cada um com as suas peculiaridades e histórias. Histórias essas que, desde 2014, tentamos contar em documentários inseridos no projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, criado em 2008.

O distrito da vez é São Valentim. Localizado na porção sudoeste do município, tem como característica a figura do carreteiro, importante trabalhador que utilizava a carreta de bois para transportar mercadorias pela região central e pelo Estado. Hoje o distrito, como é comum em todo o meio rural, e apesar da curta distância até o centro da cidade, lida com o êxodo dos jovens para o meio urbano. Mas há quem permaneça e saiba aproveitar o que a vida no interior tem a oferecer.

Das festas nas comunidades à lida no campo, os moradores vão formando a identidade do local. E nessa tentativa de registrar histórias que nos ajudem a conhecer um pouco mais a cidade que nos rodeia, vamos conhecendo pessoas. Pessoas, é delas, com elas e para elas que falamos quando fazemos um trabalho assim, de comunicação comunitária. Muitas vezes são pessoas comuns. E quantas coisas elas têm a nos contar.

É o exemplo de Dona Maria. Ela tinha um sonho, queria ter seguido os estudos. Mas quando criança teve de largar tudo e ajudar o pai no campo. Casada há quase 60 anos, aprendeu com o marido, Seu Arlindo, a lidar com ferro. Ele traz consigo as lembranças da vida de carreteiro e algumas cicatrizes das lidas como ferreiro. Retrato de um outro tempo, onde não tinha televisão, rádio ou luz, nem mesmo asfalto, coisas que aos poucos foram chegando à localidade. Já seu Odonelson, além de tirar o sustento de sua família da plantação, leva às gerações mais novas um pouco da história sob a qual o distrito e, consequentemente, a cidade foram forjados. Na escola da localidade, de tempos em tempos, mostra a carreta aos estudantes que não conhecem.

Muitas outras histórias foram contadas para as lentes atentas, inclusive sobre a formação do local, os lugares onde antes os carreteiros paravam, as dificuldades e alegrias de se viver no meio rural. Mas isso é papo para se conferir com o curta na tela. O documentário sobre São Valentim passa agora para a fase de edição, o projeto é uma realização da TV OVO e é financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria.

Por Heitor Leal
Fotos de making of: Denise Copetti
Foto still: Alexsandro Pedrollo

Dona Maria e Seu Arlindo II

Depoimento de Dona Maria e Seu Arlindo

Dona Maria e Seu Arlindo I

Dona Maria e Seu Arlindo estão casados há 60 anos.

Gravações em São Valentim

Gravações em São Valentim. Heitor Leal na captação de som direto. Direção de Jaiana Garcia.


A cultura da cena


Os encontros, os movimentos, as conversas, as ideias fervilhando na cabeça. Quatro mochilas, alguns cabos, os cartões de memória e os carregadores nas tomadas. Ah, a rotina. Toda sua complexidade em três ou quatro atos ensaiados mentalmente numa agilidade duvidosa para se confrontar com todas as armadilhas que a rotina nos apresenta. Para cozinhar a gema da TV OVO, a receita é básica. Os ensinamentos das cabeças brancas do audiovisual e um maço de apaixonados pelo áudio e vídeo. Mistura que proporciona pratos da mais fina culinária. E é culinária local, todos os ingredientes vivem, transitam e contam histórias de Santa Maria.

Nas últimas semanas, a gema da TV OVO tem vivido a cultura da cena. Um dos pratos clássicos da casa. Um emaranhado de histórias e lugares que começa a ganhar  recortes, medidas e enquadramentos que dão vida aos roteiros. O resultado são registros que retratam o que a cultura da cidade grita por meio de uma variedade de rostos, manifestações e relatos. A cultura vira a cena. Tudo se entrelaça e se alimenta.

Nessa rotina de sair da casca, ouvir e captar o que os entrevistados têm a contribuir é que nos deparamos com os contrastes. O desafio é conseguir construir um roteiro que busque mostrar a variedade e a complexidade do mundo das artes visuais, suas raízes e ramificações aqui em Santa Maria. Dessa forma, é que o contraste de mundos e vivências nos abraça e nos estimula para produzir o Cena Cultural – Artes Visuais.

Os primeiros personagens que se somaram à receita já nos ofereceram o abraço dos contra-mundos. Tendo como plano de fundo a rodoviária e seu universo de cores e formas, o Antônio, ou melhor, o Braza, trouxe na bagagem inúmeras histórias e aventuras nos campos das artes, que ganharam vida em painéis e quadrinhos. Mas o tempero especial desse artista visual da cidade é sua variedade de expressões que destilam uma mistura de cores e personagens pelas ruas de várias cidades. Toda a efervescência e agitação de uma mente inquieta em interação com o tempo frenético em que vivemos.

O segundo personagem, uma personalidade da cidade – Guido Isaia. Empresário e um apaixonado pelo registro. Detentor de um acervo de câmeras e fotografias que deixa boquiaberto qualquer apaixonado pela arte. Os mais de 50 anos tendo a fotografia como hobbie renderam para ele muitas histórias e aprendizados pelos obturadores e pela técnica fotográfica. Da sacola cheia de lâmpadas para acionar o flash aos banhos dos reveladores de fotografias do estúdio no fundo de quintal, tudo isso faz parte do repertório de uma memória viva e atenta.

Ah, a rotina, o contraste, os personagens, as histórias… Mas, não dá pra esquecer do ISO, do balanço de branco, da velocidade e abertura, o aúdio, os ruídos e as  quatro mochilas de equipamentos. Toda sua complexidade em alguns atos ensaiados mentalmente numa agilidade duvidosa. Essa é a nossa cultura da cena. O movimento da gema.

Por Renan Mattos e Julia Machado

Gravação do Cena Cultural - Artes Visuais com Braziliano

Gravação do Cena Cultural – Artes Visuais com Braziliano


Boca do Monte nas redes


O documentário Boca do Monte, que foi lançado no primeiro semestre deste ano, está disponível nas redes sociais. A produção faz parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade e é financiada pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (Lic/SM). O projeto registra as histórias e personagens dos distritos do interior de Santa Maria – RS, entre eles, está Boca do Monte, ou Caa Yura, na língua Tupi-Guarani. O documentário, que foi captado durante o ano passado, conta as histórias da terra que deu origem à Santa Maria, as mudanças nas paisagens trazidas pela trilhos de trem e sobre o cotidiano dos moradores do distrito.

Em 24 minutos, você vai ver e conhecer algumas histórias e personagens do Caa Yura.

Sinopse
Boca do Monte ou Caa Yura, em Tupi-Guarani, é a origem de Santa Maria. Terra de indígenas, lugar de passagem em direção às Missões, campo de litígio entre os impérios português e espanhol. Mais tarde, caminho do progresso pelos trilhos do trem e de quem viajava na maria fumaça e depois nas locomotivas à vapor. Mas não tardaria para que chegassem as taperas. Hoje, chácaras e casas de fim de semana, aos poucos, vão reconfigurando as transformações que o tempo deixa ao passar em direção para o amanhã.
Direção de Neli Mombelli

Por Renan Mattos

Captação de áudio no interior da sede de Boca do Monte

Captação de áudio no interior da sede de Boca do Monte


Repercutindo: oficina de roteiro para série documental de curta duração chega ao fim no sábado


No audiovisual, o roteiro é um guia, contém todos os detalhes do que posteriormente irá aparecer na tela. É nele que estão sinalizadas as falas e onde está a descrição do local, os movimentos e enquadramentos da câmera. Em documentário, também não é diferente. Por mais que muitos ainda relevem o valor do roteiro no documentário, ele é importante para evitar futuras dores de cabeça. O roteiro serve para organizar, para pensar o que fazer antes de fazer, pesquisar a fundo o assunto.

A oficina de roteiro para série documental de curta duração aborda essas questões. “A ideia é discutir a importância e experimentar essa questão de antes de eu sair com uma câmera na mão para gravar, eu minimamente organizar a minha ideia para que ela seja possível de ser gravada de uma maneira mais fácil, de uma maneira que me dê menos problemas tanto na hora de produzir e de gravar quanto na hora de montar”, avalia Paulo Tavares, ministrante da oficina.

Um ponto que chamou a atenção de Paulo foi a quantidade de inscrito: eram 20 vagas e houive 42 pessoas inscritas. Para atender a demanda, foram selecionadas 28 pessoas de diferentes perfis para participar da oficina. “A proposta da oficina é diversificar, é fazer com que não só o pessoal da comunicação, mas também o pessoal das outras áreas que tem interesse pela questão do audiovisual tenham essa experiência de poder pensar, de como organizar uma ideia e transformá-la em um possível roteiro de documentário”, comenta ele.

Durante a oficina é  escolhido um assunto ou tema, e a partir dele é pensado quatro ou cinco abordagens diferentes que caracterizem isso como uma série. O assunto escolhido np dia 13/08 foi o ensino público e, neste sábado (20), será definido as diferentes abordagens do tema e será roteirizado cinco episódios.

Iander Porcella, estudante de Jornalismo, comenta sobre os aprendizados da oficina, destacando o trabalho em equipe. “Estou achando a oficina ótima porque estou tendo uma noção mais profunda do que é o audiovisual, o documentário, e também de que tudo é criado em conjunto. Elencamos temas e debatemos sobre eles, tudo em grupo. Então está sendo muito legal construir um roteiro de documentário com todos que estão participando da oficina”.

Trazendo um olhar de fora da comunicação, o mestrando em Geografia, Édipo Djavan, discute a importância do roteiro, fazendo uma comparação com o âmbito escolar. “Uma aula só flui e acontece se bem estruturada e traçada. Obviamente que nem tudo irá acontecer como o esperado, porém a diretriz básica serve, justamente, para evitar desvios ainda maiores da ideia principal. Para qualquer mídia, que busque também transmitir uma informação de forma didática e objetiva, o roteiro se torna indispensável”.

Realizada no Sobrado Cultural, sede da TV OVO, a oficina é uma contrapartida para a comunidade do projeto Cena Cultural 2016, financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria. A carga horária de 12h foi dividida em dois sábados.

Por Nicoli Saft

oficina roteiro documentário