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Programa Cena Cultural terá exibições na TV Câmara


Neste sábado (26), os episódios dos programas Cena Cultural, produzidos pela TV OVO, vão começar a ser transmitidos na programação da TV Câmara de Santa Maria, no canal 16 da NET. O projeto tem como intuito valorizar as manifestações culturais da cidade e reconhecer a importância da organização dos diferentes agentes culturais do município, de forma a contribuir significativamente para preservar a memória histórica, cultural e patrimonial de Santa Maria.

São dez programas que abordam os segmentos culturais definidos pelo Plano Municipal de Cultura, que serão transmitidos na seguinte ordem: Audiovisual, Cinema e Vídeo; Culturas Populares; Livro e Literatura; Teatro e Circo; Tradição e Folclore; Artesanato; Música; Artes Visuais; Dança; Patrimônio Histórico Artístico e Cultural. Cada episódio traz uma entrevista com um integrante do segmento para expandir a discussão da área.

Em junho, no dia 5, às 20h, vai ter exibição dos episódios do Cena Cultural na Escola Municipal de Artes Eduardo Trevisan (EMAET). O projeto Cena Cultural têm financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria (LIC/SM).


Confira a programação na TV Câmara:
Programas inéditos –  Sábados, às 20h
Programas reprises – Domingo, às 20h; terças de noite, após a sessão plenária; quartas, às 11h30min
Sinopses dos episódios por ordem das exibições:


Audiovisual, Cinema e Vídeo

O sonho, a paixão, a dedicação e a batalha dos realizadores audiovisuais santa-marienses para fazer da cidade um polo audiovisual.
Culturas Populares
O viés de coletivos santa-marienses que mostra as expressões populares da cidade em atividades artísticas, educativas, culturais e sociais.
Livro e Literatura
O vídeo destaca a importância da Feira do Livro e conta com a presença de escritores que representam o cenário literário santa-mariense.
Teatro e Circo
A arte da representação acompanha Santa Maria desde que o primeiro apito do trem ecoou nos morros de seus arredores e hoje ela se reinventa em diversos grupos e atores teatrais da cidade.
Tradição e Folclore
Os costumes, os legados e as histórias que perduram entre as gerações. O episódio sobre tradição e folclore aborda a diversidade étnica e cultural em Santa Maria, onde os grupos seguem cultivando as suas raízes para manter viva a essência da cidade.
Artesanato
Seis personagens, que fazem do artesanato local parte importante de suas vidas, contam as diferentes relações que estabelecem com sua produção.
Música
A diversidade de sons e músicos compõe o cenário multifacetado da música em Santa Maria. Entre praças, escolas e ruas podemos ouvir algumas das expressões musicais características da cidade.
Artes Visuais
O processo de descoberta artística dentro da academia, a criatividade e expressão dos quadrinhos, a fotografia como forma de registro e a arte pulsante nas ruas. Esses são alguns pontos que foram abordados no episódio sobre artes visuais em Santa Maria.
Dança
O corpo em transformação, a elegância dos movimentos como uma forma de expressão e de contar uma história. O episódio de dança fala sobre os diferentes grupos e coletivos em Santa Maria que se unem nos ritmos e coreografias.
Patrimônio Histórico Artístico e Cultural
Santa Maria tem a sua história contada e guardada através dos prédios, dos documentos e de elementos culturais. O episódio nos leva a pensar sobre a memória e o patrimônio histórico, artístico e cultural da nossa cidade.

 

Por Pedro Piegas e Heitor Leal

CENA na camara


Exibição dos filmes sobre Santo Antão e São Valentim nas comunidades


Nos próximos dias a TV OVO vai exibir os documentários sobre os distritos de Santo Antão e de São Valentim nas respectivas comunidades. A exibição do filme sobre Santo Antão, que tem a direção de Marcos Borba, vai ser quarta-feira, dia 31 de maio, às 18h, no Salão da Capela de Santo Antão. Já o documentário sobre São Valentim, dirigido por Jaiana Garcia, terá o lançamento na comunidade na quinta-feira, 1º de junho, às 19h, no Salão da Igreja de São Valentim, na Colônia Toniolo. Haverá debate com a equipe de produção após a sessão.

Os dois filmes possuem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura (LIC/SM) e fazem parte do projeto Por Onde Passa a Memória da Cidade, que retrata pessoas, lugares, memórias, histórias de Santa Maria: uma terra multifacetada em sua constituição, com diferentes identidades e vocação para o transitório.

Santo Antão – Sinopse

O distrito de Santo Antão é um lugar, como disse um morador, onde cada curva de estrada tem uma história para contar. As curvas guardam um pedaço do passado do país, nos rastros do caminho dos tropeiros para a feira de Sorocaba/SP; conservam os vestígios jesuítas da “salgadeira”; podem ser tristes como o asfalto que até hoje não chegou. Elas também foram abrigo do peregrino João Maria de Agostini, responsável por mobilizar milhares de fiéis em busca de cura, cuja fé perdura até hoje com a romaria de Santo Antão. O distrito de Santo Antão é um espaço rico nas histórias, nas pessoas, no potencial turístico e em segredos que talvez nunca sejam descobertos.

São Valentim – Sinopse

Foi pelas rodas das carretas que passavam pela região que o desenvolvimento chegou a Santa Maria. Onde hoje se localiza a sede do distrito de São Valentim, carreteiros faziam paradas para descanso na sombra, davam água aos bois e seguiam viagem. Vindas principalmente de São Gabriel, Rosário do Sul e Alegrete, as carretas foram as responsáveis, durante muito tempo, pela manutenção do ciclo econômico do município. Este documentário traz recortes dessas histórias que começam por volta de 1900, com a construção da casa da “esquina dos Toniolo” – o famoso ponto de encontro dos carreteiros – e que até hoje são parte da memória dos moradores não querem perder suas raízes.

 

Por Pedro Piegas

são valentim

Gravação no distrito de São Valentim


#Resistência em Santa Maria


Nos dias em que o processo de afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff completa um ano, o documentário Resistência, da diretora Eliza Capai, teve lançamento por todo o Brasil. A TV OVO organizou a sessão de pré-estreia do filme na quarta-feira, dia 10 de maio.

O documentário é um registro das ocupações OcupaAlesp, #OcupaMinc-RJ, #OcupaFunarte-SP, da Marcha das Vadias RJ e da Parada LGBTT de São Paulo. Essas ocupações e atos foram realizadas durante o governo interino do Michel Temer, entre as votações da Câmara dos Deputados e a última votação no Senado, que decidiram pelo afastamento de Dilma Rousseff.

Para a diretora, o documentário é uma importante forma de registro do que aconteceu no Brasil no período, principalmente por trazer um viés explícito sobre o tema. “Nós, do audiovisual, temos esse dever de criar narrativas, de deixar claro os nossos pontos de vista dentro dessas narrativas e deixar esses documentos para que no futuro se entenda o que está acontecendo, pois agora está um pouco difícil de entender”, elucida Eliza.

O processo de circulação do documentário é feito de forma independente e colaborativa com o intuito de suscitar o debate sobre o tema em diferentes lugares. Qualquer grupo de pessoas pode pedir para a diretora disponibilizar o filme por meio da página do documentário no Facebook. “O filme vai ficar disponível para que as pessoas organizem e assistam o filme para pensarem nesse momento que a gente vive. Eu acho que tem uma angústia em vários setores de não saber como reagir, como se posicionar e que o filme talvez possa ser um start para as pessoas assumirem e pensarem sobre estes pontos”, provoca a diretora.

Até o momento, já foram mais de 70 exibições do filme em todas as regiões do Brasil, além de Europa e Estados Unidos. A sessão em Santa Maria contou com 60 pessoas no Clube Comercial. Houve debate após a sessão com a presença da diretora. Muitas pessoas se emocionaram com a projeção do filme, o que levou a uma discussão a respeito do tema do documentário e não necessariamente da forma estética como ele foi construído. Ouvimos diversos relatos de estudantes do movimento estudantil de Santa Maria, que também fizeram parte de ocupações, que se identificaram com a narrativa. Além disso, foi um momento oportuno para discutir a diversidade e o papel da imprensa a respeito da atual conjuntura política.

Para quem tem interesse em organizar uma sessão do documentário, Eliza criou um passo a passo que está disponível na página do #Resistência no Facebook, e que copiamos aqui.

1) Organize um espaço com projetor ou tela. Incentivamos as pessoas a se conectarem com espaços já conhecidos, como cinemas, auditórios, cineclubes, espaços culturais; ou criarem seu próprio local e organizarem uma projeção na rua, praça, local de trabalho, etc.

2) Cadastre-se no Videocamp: http://www.videocamp.com/pt/users/account;

3) Você receberá um email para confirmar esse cadastro. Confirme-o;

4) Entre na página http://www.videocamp.com/pt/movies/resistencia e clique em “organize uma exibição”;

5) Em seguida, você deve preencher um formulário com informações relativas a local, data, horário e se pretende fazer alguma atividade depois da sessão;

6) Você receberá um email com a confirmação do agendamento da exibição e quais são os próximos passos do processo. O filme estará disponível para download 72h antes da sessão agendada.

7) Crie um evento no facebook e envie uma mensagem inbox para a página facebook.com/resistenciafilme com a data e local do evento e com a página

8) Convide pessoas interessantes para debater um ou vários dos temas do filme, no final da sessão: resistência, democracia, feminismo, gênero, mídia movimento estudantil, cultura;

9) Bole uma campanha massa e chame todo mundo para assistir o filme no seu #ocupa!.

10) Exiba e discuta #Resistência!

 

Por Pedro Piegas
Foto de Neli Mombelli

resistência

 

 


Estaremos na tela do SMVC, que começa hoje


Após um intervalo de três anos desde a última edição, em 2013, o Santa Maria Vídeo e Cinema (SMVC) retorna em 2017. A edição deste ano foi chamada carinhosamente de 11 e ½, já que antecede a 12ª edição que será no ano que vem e marca o retorno da mostra à cidade com uma proposta diferente. Neste ano não haverá competição e a programação contará com um apanhado das produções ganhadoras do Troféu Vento Norte nesses onze anos de festival.  As atividades começam nesta segunda (22) e se estendem até a próxima quinta (25).

As produções ganhadoras da TV OVO também vão participar dessa programação. Hoje será exibido o curta-metragem Qu4tro Mistérios do Rosário, dirigido por Marcos Borba. A produção ganhou o troféu de melhor curta-metragem da Mostra Santa Maria e Região, em 2013. Na quarta-feira é a vez do filme que faz metáfora entre a vida e o circo “Meninice”, dirigido por Neli Mombelli e Rafael Rigon, que ganhou os prêmios Clayton Renan Coelho de Direitos Humanos e o Troféu Cineclube Lanterninha Aurélio, em 2011.  E, também, do curta-metragem gravado no Uruguai, “El Tufito”, dirigido por Marcos Borba com elenco formado pela equipe da TV OVO, eleito o Melhor Curta pelo júri popular em 2013 e que também recebeu o troféu de melhor edição, para Marcos Borba e Neli Mombelli.

O SMVC 11 e ½, – cujo nome também faz uma brincadeira com a produção do cineasta italiano Federico Fellini, 8 ½ – terá seu encerramento marcado pela entrega do Troféu Vento Norte para os destaques eleitos pelo júri durante essa viagem pelas edições anteriores.  As exibições terão início às 19h no auditório da Cesma (Rua Professor Braga, 55). A entrada é gratuita!

Por Julia Machado

Crédito: Eduardo Ramos, especial Diário de Santa Maria

Troféu Vento Norte de melhor curta e direção recebido por Marcos Borba, da TV OVO. Crédito: Eduardo Ramos, especial Diário de Santa Maria

 


O jornalismo e a capacidade de estranhamento


Trabalhar no campo do audiovisual não é uma tarefa fácil. A variedade de ferramentas narrativas e contra narrativas que temos é gigantesca e além das barreiras criativas e imposições externas podem influenciar no resultado final de uma produção. O Colóquio Narrativas Audiovisuais e Informação, que ocorreu na quinta-feira (11) no Theatro Treze de Maio, discutiu a pluralidade nas maneiras de se fazer audiovisual, tocando em pontos como a ascensão dos dispositivos móveis e a emergência de novas ferramentas para contar histórias em movimento.

 

Laura Capriglione, do Jornalistas Livres, falou sobre a necessidade do jornalista se inserir nos atos dos movimentos sociais e usou como exemplo sua cobertura feita durante as reintegrações de posse na capital paulista em 2013. A jornalista também enfatizou como a mídia tradicional pode operar de forma a criminalizar movimentos, apresentando as minorias como vilãs. Ela também comentou sobre a importância das redes sociais como novidade narrativa em meio à crise no jornalismo, pois graças a essas ferramentas, fatos que antes não  tinham voz, acabam ganhando espaço, como o caso Amarildo. As mídias alternativas, juntamente com as redes sociais e os dispositivos móveis, para ela, ampliam a variedade de narrativas e abrem espaços para pautas feministas, étnicas, de temas ligados à comunidade LGBT, entre outros, que são noticiados de forma mais humanizada.

 

Mesmo inserido dentro de um veículo de comunicação tradicional, o jornalista Marcelo Canellas deixou claro seu posicionamento dentro da emissora e falou que a censura faz parte da vida do jornalista, mas que é preciso aprender a defender e a trabalhar o viés que se acredita. Mas as dificuldades não estão só na redação, como em uma recente reportagem sobre Liliane, uma mulher que ficou quase dois anos afastada do filho pequeno, depois de uma denúncia falsa de maus-tratos, que após uma decisão da Justiça conseguiu recuperar parte da guarda do filho que é dividida com a família que acolheu a criança. Devido uma imposição judicial, a rede Globo foi proibida de exibir imagens da criança e da família adotiva. Para não perder o material, a opção foi trabalhar reelaborar a narrativa com ilustrações e recorrer à encenação para não derrubar a pauta. Canellas afirma que ter posição e não ter medo de dialogar com os editores-chefes é a melhor maneira para se iniciar as mudanças nas redações. Para ele, pautas sempre são a respeito da condição humana e sua relação com a desigualdade social, ainda tão intensa em nossa sociedade.

 

O colóquio contou ainda com a presença de Eliza Capai. Para a produção do documentário Tão Longe é Aqui, a jornalista itinerante visitou o município de Guaribas, no Piauí, que já foi o lugar com o segundo menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, situação essa que, segundo ela, mudou após a implementação dos programas Bolsa Família e Fome Zero. Titulares do bolsa família, as sertanejas estão começando a transformar seus papéis na família e na sociedade do interior do Piauí e se libertando da servidão ao homem, milenar como a miséria. Inclusive, as novas gerações já passam a se mostrar contrárias às situações ao seu redor, como casar e viver para cuidar da casa. Durante sua estadia na região Nordeste, Eliza percebeu que mesmo em um lugar quase esquecido, onde assuntos relacionados a pauta feminista estão longe de ser algo em alta e o machismo ainda impera, a juventude vem se mostrando extremamente empoderada e pequenas ações como os benefícios sociais têm grande influência nessa oportunidade de independência das mulheres. São os estranhamentos culturais que movem muitas das produções da documentarista.

Por Valdemar Neto

Foto de Pedro Piegas

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Ferramentas tecnológicas para um novo jornalismo


No último dia oito de maio, o Theatro Treze de Maio recebeu o primeiro debate deste ano em comemoração aos 21 anos da TV OVO, o Colóquio Novas Formas de Fazer Jornalismo que apontou a pluralidade das maneiras de se fazer jornalismo atualmente, além das transformações mais evidentes na profissão.

 
Como midiativista, Claudia Schulz, da Mídia Ninja, enfatizou o pensamento de que o coletivo não se enquadra no conceito de mídia alternativa nem mídia de massa, mas sim se posicionam como “massas de mídia” – que seriam as pessoas atuando como a mídia – pois trabalham coletivamente, e não necessariamente de forma jornalística, dando visibilidade às lutas que os grandes veículos normalmente ignoram, o nomeado “Brasil Profundo”. Alem de dar voz às minorias, o coletivo mesmo abertamente com posições de esquerda, visa o equilíbrio das coberturas.

 
Além de falar um pouco sobre o mercado editorial, Sergio Lüdtke, jornalista fundador da Interatores que é especializada em mídias digitais, comentou sobre a desinformação gerada pelas notícias falsas que circulam nas redes sociais e como a chegada das empresas de fact checking no Brasil podem ajudar a controlar esse problema, apesar das barreiras de privacidade impostas pelas grandes corporações como o Facebook ou o Whatsapp. Com foco nas redações, Lüdtke enfatizou a maneira como o jornalismo muda suas exigências, mas nas bases se mantêm a mesma, deixando clara a forma como os jornalistas são avessos a testes.

 
Com a experiência de uma grande emissora, como a Rede Globo, Caio Cavechini, que também integra a Ong Repórter Brasil, compartilha da necessidade de se fazer um jornalismo com equidade e transformador para a população, e demonstrou, a partir das suas produções, como a inserção do jornalista no meio das ações populares ajuda nessa construção. Mesmo com a variedade de novas ferramentas e plataformas digitais, Cavechini foi questionado sobre a precarização e o acúmulo de funções nas redações. Apesar de concordar, ele acredita que há falta de mão de obra e que também há jornalistas  a forma como o jornalistas que preferem executar mais de uma função, e que isso deve ser levado em consideração.

 
Seja a mídia independente (embora esse tema tenha sido questionado, sem um resposta) ou de massa; jornal, agência de notícia, blog, sites especializados, canais de TV ou YouTube, emissoras ou radiosweb o jornalismo passa por mudanças estruturais claras, porém, suas bases (forma de apuração, checagem dos fatos, trabalho de campo) ainda devem se manter, independentemente das ferramentas tecnológicas.

 

Por Valdemar Neto

Foto por Pedro Piegas

Colóquio_novas formas de fazer jornalismo