Moeda social MATE promove a economia solidária na 19ª Feicoop julho 13, 2012


Economia solidária é uma forma de produção e consumo que deixa de lado o capital para valorizar o ser humano, normalmente utilizada entre comunidades, grupos, eventos, cooperativas, de forma autônoma e como ativismo anticapitalista. A moeda social Mate é uma das mais ativas no Rio Grande do Sul, associada à RETS-RS (Rede Estadual de Troca Solidária).

Banca de trocas solidárias na Feicoop

Quem for à Feicoop, pode encontrar a moeda no estande RETS-RS. Qualquer pessoa pode levar produtos para trocar por Mates, cédulas de papel impressas em cores, que podem ser trocados por outros produtos de diversos comerciantes durante a feira e não podem ser cambiadas por Real. Ao final do evento, todos os Mates que circularam devem ser trocados por produtos no Ecobanco, para impedir que os participantes acumulem excesso e paralisem o sistema.

A ideia principal da economia solidária é suprir as necessidades das pessoas, opondo-se a acumulação de capital. A integrante do grupo, Solange Mânica, conta sobre a origem do nome:

“Antigamente, tudo era resolvido na roda de mate. Eu, poucas vezes, vi meu pai, que era agricultor, abrir a carteira para usar dinheiro. Se faltasse semente de milho, ele trocava por semente de soja”. Solange defende o escambo também como proteção das crises do capital, lembrando que seu pai nunca sofrera perdas trocando produtos.

Alexandre Lucas, também integrante do RETS, fala que o Mate não é uma moeda para ser acumulada, e deve ser trocada até o final do evento. Os produtos são baratos pelo caráter solidário. A última coisa que este sistema autônomo aceita é ganância. Na última edição da Feicoop, foram registrados quase 1400 negócios cuja moeda de troca utilizada era o Mate.

Em Novo Hamburgo, de segunda a sexta-feira, vários jovens de mais de 70 escolas municipais reúnem-se no Centro de Educação Ambiental para trocar desde produções próprias até produtos que não utilizem mais, por meio da economia solidária, em uma espécie de “loja” que funciona no local.

Além do Mate, diversas outras moedas do estilo atuam no Rio Grande do Sul, como a Palmerinha (utilizada na Vila Palmeira, em Novo Hamburgo), a Guajuviras (utilizada na comunidade Guajuviras, em Canoas) e o Pampavivo (utilizado no Clube de Trocas de Novo Hamburgo), além do Txai, moeda social criada em função do Fórum Social Mundial.

Texto: Maurício Fanfa

Foto: Ariéli Ziegler

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Postado por: Neli Mombelli

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